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Sinto falta das suas cores

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Já fazia umas duas semanas desde o ocorrido com Teddy, quando Victoire veio me visitar.

Eu não a via há bastante tempo — desde o aniversário de sua irmã, Dominique, uns seis meses atrás.

Eu gostava muito de Vic, mesmo ela sendo ex de Teddy, afinal, ela não era culpada de meus sentimentos. Eu era; Teddy, em partes.

Eu sentia saudades de quando eu era mais novo, em Hogwarts, e Vic me ajudava a estudar para as provas, como a boa corvina que ela era.

Sua presença era agradável, e eu me sentia seguro com ela. E com medo, também.

Victoire era uma pessoa encantadora, mas sabia deixar a gente com medo. Quando ela te olhava com aqueles grandes olhos de veela, você sabia que vinha bronca pela frente. E esse era meu caso agora.

Ela se sentou ao meu lado, ainda me encarando; percebi que não era medo que eu sentia, mas respeito.

— James. Soube que você está passando por um momento difícil — seu sotaque francês estava camuflado, mas ainda presente devido à sua família materna —. Vim conversar sobre isso — fez uma pausa —. Já falei com Teddy.

Meu coração parou por um segundo. Não sabia como reagir a essa informação, mas sabia que Vic tinha, com certeza, uma opinião sobre isso, e eu precisava de qualquer ajuda possível. Então olhei-a de modo a incentivá-la a continuar.

— Não estou do lado dele, caso esteja imaginando — foi um alívio, mesmo que eu já esperasse isso: Victoire nunca foi de tomar partido sem consultar todas as partes —, na verdade, estou mais inclinada a te apoiar, assim que você me explicar exatamente o que aconteceu.

Eu comecei a falar, contando tudo, desde o modo como Teddy vinha me olhando, até o momento em que ele saiu correndo. Ela prestou atenção total em cada palavra, mesmo quando eu comecei a lacrimejar, ela apenas esperou que eu continuasse, no meu próprio tempo.

Quando eu terminei, pude sentir seus olhos em mim; eu estava nervoso com o que ela iria falar: se ela iria me criticar, ou me apoiar, não tinha como saber só de ver sua expressão.

— Edward é um idiota — a calma em sua voz era surpreendente —. Normalmente, eu não seria tão direta, mas sinto que você precisa saber que eu estou do seu lado dessa vez. Apesar disso, eu sei que só falar isso para ele não resolverá as coisas — ela podia ver a decepção no meu rosto, mas continuou —. Vocês precisam conversar, James. De verdade. Sobre tudo isso.

Eu já sabia disso, mas era difícil ouvir outra pessoa falando.

 

 

Eu vou fazer isso, eu vou, eu preciso. Eu estava na porta de Teddy. Só precisava bater. Só precisava bater.

Só que era mais difícil do que você imagina.

Então eu só fiquei parado ali, uns quinze minutos, até que notei que haviam passos se aproximando da porta por dentro, então Teddy sairia a qualquer momento, e me veria parado feito um idiota.

Finalmente, toquei meus dedos na porta, no mesmo momento em que ela foi aberta.

Eu caí pra trás com o susto, mesmo que eu já esperasse por isso. Seus olhos me deixavam ainda mais nervoso do que já estava. Podia perceber suas olheiras e os olhos estavam inchados. Eu precisava fazer aquilo. Logo.

Olhei bem em seu rosto: sua tensão era visível; a minha também. A dor da perda se fazia quase que física naquele momento.

Nós dois sabíamos o que estava acontecendo; mas nenhum dos dois faria algo sobre isso espontaneamente.

Ficamos só parados ali, olhando nos olhos um do outro sem saber o que dizer, mesmo com todas as palavras presas na garganta.

Já fazia uns bons 5 minutos que estávamos daquele jeito, quando Lily saiu de dentro do apartamento de Teddy. Eu não sabia que ela estava lá, não que isso tenha me surpreendido, já que os dois sempre estiveram lado a lado totalmente e, se Teddy considerava algum Potter como irmão, com certeza era ela, sem dúvida nenhuma, mas disso foi levemente desconcertante. A julgar pelo contexto atual, ela deve ter sido informada do acontecido, e devia estar com pena dele, sempre odiou vê-lo chorando.

Ela quebrou o silêncio – Lily nunca gostou de ficar calada, não importa a situação.

— Ah! Oi, Jay-Six. Não sabia que você tava vindo — Seus olhos me perguntavam a razão da minha presença.

Eu precisava responder algo, qualquer coisa para não ficar daquele jeito. Mas não pensei em nada, só olhei nos olhos dela e ela pareceu entender tudo.

— Hm, tá. Tchau, então. Até mais, manos.

Nem eu, nem Teddy sabíamos bem o que fazer, mas ficamos ali, até ele me convidar pra entrar.

Dentro de sua casa, estava tudo absolutamente igual à última vez que eu tinha estado lá, mas, ao mesmo tempo, totalmente diferente. Eu não me sentia bem-vindo, como sempre foi: ele não parecia me querer ali.

Ou talvez quisesse, mais ou menos.

Ele me olhou e, de repente, percebi que seu cabelo não estava no tom comum de azul turquesa, mas de um castanho meio claro. Ele não estava bem. Castanho nunca era uma cor boa.

— Eu… eu sinto muito, James. Fui um idiota com você — eu podia ouvir o arrependimento em sua voz —. E sei que não mereço perdão, mas gostaria de te explicar. Por favor.

Só consegui acenar a cabeça; ele continuou:

— Quando você terminou Hogwarts, e a gente começou a passar mais tempo junto, eu percebi que, o que eu sentia por você, não era nada como o que eu sinto pela Lily, não era um sentimento fraternal. Mas isso, eu meio que já sabia — ele soltou um riso nasalado —, você sempre odiou quando nos chamavam de irmãos — seu sorriso era genuíno, ele parecia querer aliviar um pouco o clima —. Não tô dizendo que sempre fui apaixonado por você, isso seria bem bizarro, considerando que você era uma criança. Mas, de um tempo pra cá, aconteceu. Não sei dizer bem quando, só sei que aconteceu. A única pessoa pra quem eu contei foi a Vic, a gente tinha acabado de terminar naquela época, mas ela entendeu, ela sempre me apoiou nisso.

— Mas, se vocês tinham acabado de terminar, isso faz mais de um ano…

— Faz, com certeza faz.

— Então, se você tá apaixonado por mim a mais de um ano, por que saiu correndo depois de me beijar? Por que não falou comigo por todo esse tempo? — finalmente tomei coragem para perguntar o que já queria saber há muito tempo.

— E-eu não sei… Eu nem sei o que passou na minha cabeça na hora. Eu fiquei com medo de você me rejeitar, ou odiar, e entrei em pane. Fiquei com vergonha de mim mesmo e fugi. Eu sei que não devia ter feito isso, mas foi tudo o que eu consegui fazer na hora.

Dava pra ver que ele estava sendo sincero, mas ainda doía lembrar do que aconteceu. Seus olhos estavam marejados; os meus também.

— Senti sua falta, Teddy. Você sabe que pode falar comigo, eu nunca seria capaz de te odiar, nem se eu quisesse — Sua mão tocou a minha, enquanto seus olhos desciam para meus lábios —. Eu realmente quero te beijar agora, sabe? — Soltei um riso nasalado, e, no segundo seguinte, estava tudo acontecendo de novo: nós dois juntos naquele beijo, que parecia durar para sempre. Seus cabelos voltaram ao azul turquesa, ele estava feliz de novo, eu estava feliz de novo — Senti falta das suas cores.

Notes:

Oi, gente! Essa é a primeira vez que eu escrevo uma fic um pouquinho mais longa (vai ter uns 5 capítulos, na verdade, mas as minhas costumam ser de 1 ou 2 só), mas eu espero que vocês gostem!
O que vocês tão achando? Agradeço por críticas construtivas! 😊
Até o próximo!