Chapter Text
Com o canto dos pássaros e a claridade entrando pela janela, Silver desperta lentamente.
No entanto, o jovem mal acorda e seu rosto já está ruborizado ao se dar conta de que Sebek não só está ao seu lado, como também está abraçando a sua cintura de maneira protetora.
Ele deduz que provavelmente caiu no sono no corredor outra vez, e o meio-feérico precisou levá-lo para dentro, pois não é do feitio dele apenas entrar de forma discreta em seu quarto para dormirem juntos após uma noite de patrulha.
Um pequeno suspiro escapa de Silver, um tanto frustrado pela sua condição causar problemas aos demais. Contudo, ele está feliz que Zigvolt está sempre ali para ajudá-lo com esse dilema.
Por outro lado, o rapaz humano também está surpreso por ser o primeiro a acordar. Às vezes, nem mesmo os vários e vários despertadores espalhados pelo quarto são suficientes para fazê-lo levantar de imediato.
Acima disso, Silver percebe que tem a chance de admirar um pouco mais o rosto adormecido de seu amado. Essa é uma visão rara até mesmo para ele, portanto está fora de cogitação perder um segundo sequer.
As feições do meio-feérico parecem tão pacíficas, que é fácil acreditar que quando Sebek está acordado seu caráter também reflete essa mesma calmaria, especialmente sua voz. Ao menos ele não tem o hábito de roncar, ou seria tão barulhento quanto uma tempestade de relâmpagos. Um sorriso brinca nos lábios de Silver com esse pensamento bobo.
O jovem cavaleiro nota a bagunça nos cabelos esverdeados, os fios caindo em zigue-zague pela testa, um vislumbre ainda mais incomum. Ele se recorda de que durante a infância Sebek costumava manter a franja para baixo, e mesmo agora acha que esse penteado é tão adorável quanto naquela época.
O rapaz pensa que é uma pena que dificilmente possa ver Sebek de tal modo durante o dia, pois o meio-feérico prefere pentear tudo para trás para parecer mais respeitável para Malleus. Seria cômico se ele aparecesse assim de repente e ninguém pudesse lhe reconhecer.
Com os dedos vagando gentis pelos cabelos do amado, Silver se certifica de apreciar o quanto puder essa visão preciosa.
Porém, ao mesmo tempo, ele está em uma situação de grande perigo. Os braços carinhosos de Sebek ainda estão enlaçando a sua cintura, e o calor emanando dele é tão aconchegante que atrai Silver para uma armadilha, o persuadindo a fechar os olhos para mais cinco minutos de sono antes de se aprontar para a aula.
O rapaz humano sabe que se render agora significa que será difícil acordar depois, e até mesmo a voz trovejante de Zigvolt encontra dificuldades em despertá-lo às vezes. Portanto, embora deseje um pouco mais de tempo no conforto do amado, ficará para outro momento.
Silver levanta ao espreguiçar-se.
O jovem veste seu uniforme, e num olhar de relance vê que Sebek continua adormecido. É ainda mais atípico que ele esteja demorando para acordar quando é sempre um dos primeiros de pé antes dos despertadores tocarem.
— Ei, Sebek — Silver chama em tom calmo ao chacoalhar o ombro dele de leve. — Já é hora de levantar.
O meio-feérico continua imperturbável não importa o quanto seja chamado. Silver pensa que é uma situação irônica com a inversão de papéis.
Porém, ele se lembra que sempre que os gritos repreensivos de Zigvolt falham em lhe acordar, um beijo é a única solução. Talvez o mesmo método funcione com o meio-feérico.
Com tal ideia em mente, Silver afasta a franja de Sebek, e se inclina para conceder um beijo amável e delicado na testa. Enquanto pressiona seus lábios, ele deseja com seu coração que Sebek desperte e tenha um dia maravilhoso.
As preces de Silver logo são atendidas, e lentamente os olhos de ouro antigo encontram o olhar de aurora. Toda vez que a primeira coisa que vislumbra ao acordar é o rosto de seu amado, Zigvolt já sabe que será uma manhã encantadora.
