Chapter Text
Sons de batidas na porta podiam ser ouvidas do quarto em que Narrador estava. O homem se levantou, foi até onde estava vindo as batidas e abriu a porta. Após aberta, Narrador nunca poderia imaginar o terror que havia visto no momento em que olhou para cima.
Narrador gritou surpreso e em desespero. Uma figura de estatura alta, com asas e uma auréola azul-ciano, seu capacete e armadura branca, com detalhes em dourado, e sua saia, com balanços fracos ocasionados pelo ar que escapou pela porta. Ali estava, Gabriel.
– Quem é você? - pergunta Narrador, assustado, mas não deixando de admirar a armadura brilhante daquele ser.
– Como ousa não saber quem sou? Eu, Gabriel, arcanjo, ex-membro do Conselho do Paraíso, sendo desrespeitado assim? Por esse homem de terno e gravata amarela? É por isso que eu estou sendo questionado!? - Gabriel brilhava, uma luz vermelha pintava o corredor estreito entre o elevador e a sala do Narrador.
– Entendi, entendi. Desculpa, eu acho. A propósito, você sabe onde está Stanley?
– Eu não faço ideia de quem você está falando.
Narrador suspirou e abaixou a cabeça, olhando para o chão.
– Certo. Não ajudou. - o homem revirou os olhos.
– Como você espera que eu saiba quem é Stanley? - o anjo estava a beira de se irritar novamente.
– Você é o Gabriel, anjo, tem uns poderes celestiais, deve saber de um monte de coisa, e…
– Eu não sou nenhum funcionário do cartório! - Gabriel está de volta em sua forma enfurecida.
Ao fundo, era possível ouvir o beep de um robô, som muito familiar ao anjo, que empurrou o Narrador para o lado e foi correndo até o computador.
– Machine! Eu sei que você está aí! - exclamou animado, reencontrar com a máquina que mudou toda sua visão de mundo nunca foi uma experiência tão boa. – Sou eu, Gabriel! Sei que você sente falta das nossas batalhas. - Gabriel deu uma risada contente. – Sinceramente, eu também sinto falta do jeito que você me machuca.
Narrador apenas ficou parado, perplexo e, ao mesmo tempo, um pouco assustado. Como assim eles se conhecem? Como assim eles lutaram? Como assim a entidade celestial gosta de ser machucada por um robô? Vários pensamentos se passavam na mente do homem de gravata, mas nenhum abafava o mais importante: onde estava Stanley?
O narrador se aproximou de onde Gabriel havia saído. Um elevador, novo e brilhante. Era possível ver seu reflexo na porta de metal semi polida daquela máquina. Narrador apertou o botão. A porta se abriu. Dentro do elevador, o homem pressionou o botão dourado com apenas a letra 'P', e assim sumiu.
Narrador não sabia o que lhe esperava. Gabriel não sabia o que estava acontecendo.
Se eles apenas soubessem o que lhes aconteceria depois…
