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Vulcanos não deveriam ter coisas favoritas.

Chapter 2: Você gosta dele

Notes:

Pois é, eu disse que era carente. O que vocês me forneceram, me fizeram não perder a coragem e continuar escrevendo.
Agora, alguns avisos do capitulo. Foram citados dois episódios da primeira temporada da serie original, "A cidade a beira da eternidade" e "Tempo de nudez". Esse último foi só uma breve menção em um paragrafo.
Bom, acho que é isso. boa leitura! 💚

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Se Spock fosse mais humano ele estaria propenso, nesse momento, a usar uma de suas inúmeras expressões coloquiais, para descrever a exaustão que permeava em seus ossos. Um cansaço de dias de trabalho, noites mal dormidas e de ter sentido frio de maneira constante. Construir um computador com equipamentos tão ultrapassados foi um grande desafio. Um que Spock não gostaria de passar em nenhum futuro próximo.

Mas não era só por isso que Spock se sentia cansado. O vulcano não admitiria isso para ninguém, e com certeza não para McCoy, mas ele estava tendo problemas para controlar seus sentimentos.

Nos últimos dias, enquanto ele passava pela provação de estar preso no passado da terra, Spock teve que dividir seu tempo entre trabalho e a criação do computador, não conseguindo realizar a meditação que ele sempre fazia ao encerrar um dia. Seus escudos não enfraqueceram com a falta dessa pratica, mas durante o tempo que passou naquele período da história, sentimentos estranhos vieram à tona sem o consentimento de Spock.

Spock não teve tempo para analisa-los corretamente, sendo obrigados a guarda-los atras de seus escudos e focar no problema que ele seu capitão estavam enfrentando.
Mas agora, Spock estava de volta a nave. Doutor McCoy se encontrava mais uma vez em seu perfeito juízo e fora de perigo. Não havia perigo eminente, nenhum problema que precisava de sua atenção imediata e nenhuma linha do tempo que necessitasse de concerto. Tudo estava bem, Spock poderia analisar esses estranhos sentimentos que o afligiam, sem a preocupação de ser interrompido por algum problema externo.

No espaço particular de seus aposentos, Spock vestiu seu manto de meditação e de maneira cuidadosa começou a arrumar seu espaço para a pratica. Estendendo seu tapete, acendendo seus incensos e diminuindo as luzes do cômodo, Spock se sentou e fechou os olhos.

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A primeira vez que ele sentiu o desconfortável sentimento que o atormentou por um longo tempo nessa missão, foi o momento em que ele e seu capitão conheceram Edith Keeler. Uma mulher à frente de seu tempo, que sonhava com homens indo a lua. Spock não podia negar que a morte de Keeler era de fato uma lastima para a comunidade, ela teria sido um grande marco se tivesse nascido mais algumas décadas no futuro. Uma pena que uma mulher tão fascinante tivesse que ter uma partida tão trágica.
Quando encontraram com Keeler, naquele porão gelado, Kirk se apresentou primeiro. E o olhar que seu Capitão lançou para ela, trouxe uma sensação de afundamento em seu estomago, como se o mesmo tentasse alcançar seus pés. E agora, durante essa meditação, Spock pode perceber que não fora um evento isolado. Esse sentimento ilógico, já havia acontecido outras vezes e, em sua maioria, estava relacionada com os momentos em que Spock presenciou seu capitão olhar dessa maneira para outras mulheres.
Infelizmente, esse sentimento não parou só no primeiro encontro, mas se intensificou ao longo das interações que ele via entre Keeler e seu Capitão. A cada olhar, sorriso e toque que ele presenciava entre os dois, fazia seu estomago afundar de maneira terrível.

Spock presenciou dois momentos em que realmente achou, de maneira ilógica, que havia chumbo em seu estomago.
O primeiro momento foi quando Kirk admitiu estar apaixonado por Keeler. Essa afirmação fez algo com Spock. Seu estomago caiu, seu sangue ferveu, seu rosto se contorceu em uma careta e um barulho estranho, parecido com um rosnado, se formou em sua garganta. Mas Spock se segurou, não deixando que o barulho saísse e regulando suas feições rapidamente para que Kirk não percebesse sua estranha reação. Era uma sorte que o humano estivesse de costa para ele e não pudesse ver seu semblante.
A segunda situação aconteceu alguns momentos depois, Kirk havia saído do quarto para o corredor e encontrado Keeler subindo as escadas. Quando Spock foi atras de seu capitão, ele presenciou um beijo entre o casal. E apesar de não ser o primeiro beijo que Spock presenciava de seu capitão com alguma mulher, foi a primeira vez que um sentimento horrível dominou todos os seus sentidos. Ele queria ir até seu capitão, tirar Keeler de seus braços e mostrar para a humana que seu capitão não precisava de uma mulher como ela, porque ele já tinha Spock. Esse sentimento, Spock agora percebia, para os humanos seria chamado de ciúmes, mas era algo mais forte do que isso. O sentimento que o fazia querer lutar contra qualquer pessoa que tocasse em seu capitão, com intenção de machucar ou não. Que o fazia querer marcar Kirk com seus dentes e mãos, o fazia desejar que seu capitão o marcasse de volta, para que eles carregassem as marcas um do outro e dessa forma, terceiros pudessem ver que eles já pertenciam um ao outro.

O sentimento que Spock não conseguiu nomear no momento do beijo. Que o fez voltar para dentro do quarto de maneira brusca. Fechar os punhos com força e recitar o mantra que lhe foi ensinado em sua juventude. “Eu estou no controle de minhas emoções. Eu estou no controle de minhas emoções.” Mas agora, depois da situação já ter esfriado e seu controle restaurado. Spock poderia analisar o sentimento com mais calma e, dessa forma, finalmente dar um nome para essa confusão de sensações.

Possessividade.

Era esse o nome do sentimento que o atormentava, que o fizera ter reações tão intensas. Ele estava sendo possesivo para com seu capitão.

Essa revelação fez seu estomago revirar, pois a crença de ter posse sobre algo, sempre vinha acompanhado de outro sentimento muito mais intenso. E Spock não estava pronto para essa revelação. Mas era inevitável, a partir do momento que Spock chegou a essa conclusão, sua mente começou a trabalhar incansavelmente para ligar todos os pontos, descobrir onde tudo começou e como ele alcançou esse estado.

Os momentos mais precisos que sua mente conseguiu analisar como possíveis estopins desse sentimento, foi quando um vírus fez a tripulação da Enterprise perder o controle e suas inibições, acarretando em um completo caos na nave. Spock foi um dos infectados, perdera todo o controle de si e deixou com que suas emoções levassem a melhor sobre ele. E quando Kirk o encontrou, naquele estado deplorável e chorando por sua mãe, o capitão não se deixou abater, tentou convencer Spock a voltar a razão. Mesmo quando ele também fora contaminado, ele não sucumbiu por mais de alguns minutos, voltando a si rapidamente, determinado a salvar sua tripulação e nave. Foi essa determinação que encantou Spock. Essa força de aço que Kirk demonstrava tantas vezes, lutando contra qualquer mal, mesmo que se ferisse no processo, apenas para garantir a segurança daqueles que estava sob seu comando, sempre foi fascinante para Spock.

Outra razão foi sua inteligência. Vulcanos são conhecidos por possuir mentes logicas e analíticas, e também são ensinados a admirar essas qualidades em outras espécies. Kirk não é logico. Sua emocionalidade, muitas vezes, nubla seu julgamento, mas esse fator o torna vitorioso em muitas situações.

Também havia os toques. Isso era comum em humanos, Spock havia percebido, quanto mais intimidade e amizade se criava com alguma pessoa, mais toques físicos eram acrescentados na relação. Por ser vulcano, Spock acreditava que isso não se aplicava a ele, pois era conhecido que toques desnecessários em sua espécie era sinal de desrespeito. Mas Kirk não parecia se importar, segurando os braços de Spock em qualquer situação que quisesse ter ou oferecer apoio e batendo em seu ombro de forma encorajadora. Era muito mais toque do que Spock estava acostumado. No início, ele estranhara esse contato físico excessivo, mas depois começou a ansiar por ele cada vez mais.

Tudo isso combinado, tornou impossível para Spock negar a verdade que esteve presente em sua vida por um longo tempo. Spock está apaixonado por seu capitão.

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Spock abriu os olhos surpreso.

Quando começou essa meditação, não esperava esse tipo de resultado, mas ele já deveria saber. Ele já havia sentido algo assim no passado, claro que numa escala menor e que agora pareciam insignificantes perto do amor que ele sentia por Jim.

Ele se levantou de maneira cuidadosa de seu tapete de meditação e apagou o incenso que estava na pequena cômoda ao lado de sua cama. Ele precisaria de mais meditação no futuro, mas agora Spock não conseguia se concentrar o suficiente para faze-lo.

Spock caminhou até o banheiro, passos suaves como de um felino. Enquanto fazia sua higiene, a mente de Spock começou a vagar, seus pensamentos focando em Jim que, agora ele percebia, era uma linha de pensamento frequente. Spock pensou em tudo que fazia de Jim tão querido para ele. Havia seus sorrisos, seu capitão possuía inúmeras variações do mesmo. Uma delas era o sorriso que ele usava com as pessoas na Frota Estelar, Embaixadores e seres de outros planetas, Spock ouviu muitos tripulantes o compararem com um raio de sol e, por mais ilógico que isso seja, ele se viu concordando. Também havia o galanteador, que Jim usava para convencer qualquer um a fazer o que ele quisesse.
Mas Spock tinha um favorito, um sorriso que ele nunca viu dirigido a mais ninguém além do próprio Spock. Era um sorriso que Jim só usava na privacidade de um de seus aposentos, um sorriso que parecia terno e cheio de compaixão, como se Jim realmente apreciasse a companhia de Spock. Era raro Jim usá-lo, mas quando fazia, enchia Spock de grande felicidade.

Quando Spock olhou para si mesmo no espelho do banheiro ele viu algo que o surpreendeu. A intensidade presente em seus olhos, os sentimentos de carinho e amor que ele podia ver, o fizeram lembrar de outra época. Lembrar desse mesmo olhar presente no semblante de seu primo, quando ele contava sobre sua t'hy'la. Isso fez Spock pensar em como se sentia atraído por Jim, não só suas características físicas, mas sua inteligência e acima de tudo seu espirito cheio de determinação. Foi essa percepção que fez Spock chegar na conclusão mais absurda que ele se lembra de ter. Jim seria sua t'hy'la?

Se a história de Selek pudesse ser usada como comparação, era possível. A possessividade, o desejo e todo carinho em seu olhar. Amar Jim parecia certo, mais correto que qualquer outro relacionamento que ele já teve. Spock não tinha certeza se eram mesmo t'hy'la, mas a compatibilidade estava lá. Quando Jim se aproximava para segurar seu braço ou quando havia um toque acidental de pele com pele entre eles, Spock podia sentir como a mente de Jim cantava para a sua. Um verdadeiro vulcano, comprovaria suas hipóteses antes de tirar conclusões precipitadas e fariam uma fusão mental para ter total certeza. Mas não importava para Spock, ele podia sentir que Jim e ele pertenciam um ao outro.

Spock apertou os punhos e saiu do banheiro determinado a encontrar sua t'hy'la, declarar seu amor e se fundir com Jim para criar um vinculo eterno. Mas antes mesmo de alcançar a porta do quarto, Spock hesitou. Jim havia acabado de passar por uma situação terrível, ele havia perdido alguém que amava. Além do mais, Spock não tinha certeza se Jim retribuía seus sentimentos, era provável que ele visse Spock apenas como amigo e não quisesse nada mais do que isso.

Se afastando da porta, Spock se sentou em sua mesa, olhando para a tela desligada de seu computador, o vulcano se perguntou o que faria agora. Ele não podia desistir de Jim, não depois de anos esperando seu t'hy'la.

Como se uma luz acendesse em sua cabeça, Spock se lembrou de uma pratica antiga, presente nas tradições vulcanas e humanas, o cortejo. É claro que havia algumas diferenças culturais, mas a intenção era a mesma, agradar um possível parceiro para que eles possam se tornar conjunges. E era isso que Spock faria.

Com determinação renovada, Spock ligou seu computador e começou a pesquisar todas as informações sobre cortejo humano presente no banco de dados. Spock faria isso direito. Ele ia conquistar e, esperançosamente, se casar com Jim, seu t'hy'la.

Notes:

Então, o que acharam?
Sei que ainda não teve interações reais com o Jim, mas eu senti que essa ambientação nesses dois primeiros capítulos eram importantes.
Mas como vocês viram no final do capitulo, Spock esta finamente pronto para começar suas atrapalhadas tentativas de cortejar um cortejador nato.
Aguardo vocês no próximo capitulo.
💚
P.s. quanto mais comentários, mais rápido o próximo capitulo sai (sou movida a amor).

Notes:

Bem, o que acharam?
Por favor comentem, sou carente e preciso do amor de vocês 💚