Chapter Text
Após a saída de Auren, Elenya olhou para Orian, e se compadeceu, pois sabia como era perder os pais, e se ver só, o quanto isso era assustador. O que a manteve de pé foi a casa, cuidar das crianças. Então ela decidiu que, por mais difícil que fosse e estivesse com medo, ela cuidaria dele e lhe daria um lar. O fazendo sentir-se em casa. Aproximou-se dele calmante e colocou a mão em seu ombro, sentindo o toque ele olhou para ela.
_ Oriam, eu entendo o quão difícil é tudo isso…- abaixando-se, olhando nos seus olhos.- mas eu vou cuidar de você, vou fazer o possível para que você sinta-se em casa, e encontre um lar aqui.
Sua sinceridade reverbera pela sua voz, o brilho dos seus olhos, e Orian acreditou.
_ Obrigada.
_ Agora vamos, vou te levar até seu quarto.
Saindo da sala verde, ele foi conduzido pelo átrio oval até a escada. Olhando tudo ao seu redor ficou impressionado, pois não estava acostumado a tudo isso, a casa era um luxo, mas tão acolhedor ao mesmo tempo, que você não se sentia oprimido por ela. Os cômodos que tinham a porta aberta, percebeu ele, tinham cores diferentes, é como se cada ambiente fosse feito para ser único. O que atiçou a sua curiosidade.
A sua mão tocou o corrimão polido da escada, é talhado com vários desenhos,e com seus dedos ele sentiu os relevos, as fendas dos desenhos enquanto subia era como uma história. ele estava fascinado, por um segundo ele confirmou parar e ficar ali, sentindo os desenhos, e conhecendo a história, mas como não podia, ele disse a si mesmo, que depois era o que faria.
Chegando no primeiro andar se deparou com mais cômodos com portas fechadas, o oposto do andar inferior, e se perguntou o que seriam, se seriam, se todos eram quartos. Ele estava tão absorto na sua observação que não percebeu Elenya parando e quase se esbarrou nela. Foi que se viu diante de uma porta dupla azul escuro profundo.
Elenya respirando fundo, abriu a porta, e o queixo de Orian caiu.
🔮
O quarto era enorme, retangular. Metade inferior da parede tinha madeira meio escura,e não estavam entalhadas, eram lisas, e brilhavam. Será que dava pra se ver no reflexo? Se perguntou Oriam curioso. A superior era do mesmo azul da porta, com desenhos de árvores em dourado brilhante, que pareciam que se moviam,as fazendo brilhar mais e ele podia jurar que sentiu uma brisa vim delas, “ era possível ?” E no teto da mesma cor que as paredes, tinham três lustres enormes com vários minis orbes que a noite deveria ser um encanto. O que o deixou sem palavras.
_ Parece que você gostou do quarto. - disse Elenya com riso na voz, e satisfeita.
_ Sim, ele é muito lindo.
Ele estava construindo por ter se deixado levar assim. Ele não queria causar má impressão e ser expulso. Era um medo que ele ainda não perdeu.
_ Você pode escolher a cama que quiser, o banheiro está à sua direita… a roupa de cama você vai encontrar dentro do guarda-roupa.
_ Certo. - disse, sentindo agora o peso dos acontecimentos e sobrecarregado.
_ Vou deixar você se acomodar, e vou fazer o almoço, quando estiver pronto te chamo.
Ele acenou com a cabeça. Quando ela saiu, olhou para trás, para Oriam.
_ Bem vindo a casa Esperança Orian.
Ao ficar sozinho ele suspirou soltando a respiração que nem sabia que estava segurando, era como liberar um peso. Estava grato que tinha um lugar para ficar, mas a saudade de sua mãe o consumia, a triste por não poder ouvir mais a sua voz, sentir seu abraço. Era agonizante. Nem toda a beleza da casa era capaz de aplacar essa dor, ou afastar o fato de que estava só. Sem se segurar mais ele deixou as lágrimas escorreram pelo seu rosto, suas mãos estavam cerradas e trêmulas ao lado do corpo. Ele chorava, sozinho.
Depois de alguns minutos, ele se acalmou e enxugou as lágrimas. Agora mais calmo, olhou novamente para o quarto, e percebeu que havia 8 camas, e cada uma tinha de um lado uma mesa e cadeira com um abajur, e do outro um guarda roupa de três portas. Tudo de madeira escura. Então chegou a hora de decidir, onde dormir, qual cama escolher.
E no final escolheu a do meio das três que ficavam à direita, onde se tinha portas de vidro que davam para a varanda, e foi até lá. Colocou a mochila e virou-se para o guarda roupa.
E ao olhar para ele percebeu que estava entalhado também, mas não conseguia ver o que tinha desenhado, era como se estivesse embasado. E lentamente, ele se aproximou e tocou na maçaneta e sentiu um fisgado nas mãos e uma sensação em ondas passou por seu braço, ele quase soltou, mas se manteve. foi quando ele começou a ver, nitidamente os desenhos, e percebeu que a criança retardada era ele.
Se afastando rapidamente, olhou a sua volta assustado, limpando as mãos de repente suadas nas calças, e se perguntando como isso é possível? Com o coração acelerado, lentamente ele se aproximou outra vez e abriu todas as três portas, e encontrou as roupas de cama como Elenya havia dito e nada mais. Ele soltou um suspiro de alívio.
Focando nas roupas de cama, ele ficou na dúvida de qual escolher, afinal havia três opções. Um azul profundo, com detalhes em dourado, outro todo dourado, e um roxo com detalhes dourados. Ele passou a mão pelos tecidos do três e sentiu a sua maciez, e viu que o azul era de veludo, então o escolheu. deixando na cama, foi arrumar seus poucos pertences, tirou suas roupas, dois diários de sua mãe, sua documentação, uma escova de dente e cabelo. Guardou as roupas e os outros pertences, colocou em cima da mesa do outro lado da cama. Depois forrou a cama, pegou uma muda de roupa e foi ao banheiro.
Quando entrou ficou outra vez em silêncio de tão impressionado que ficou, assim como o quarto, o banheiro era retangular, todo de mármore branco com frisos dourados. Ele se aproximou do armário e abriu, viu ali toalhas felpudas, e passou a mão sentindo sua maciez, eram delicadas, e de um azul tão claro que o lembrava o céu sem nuvem. Do armário vinha um perfume delicioso de cravo, que ele descobriu ser dos sabonetes e shampoos. O que deu mais vontade de tomar banho, então ele correu para a banheira empolgado para experimentar. Ligou a torneira para encher a banheira, depois correu até o armário para pegar o sabonete, o shampoo e a toalha, voltando logo em seguida, Colocou as roupas em um banquinho que havia do lado da banheira, tirou a roupa colocando no cesto e entrou.
A água estava quentinha, que automáticamente ele relaxou, era a primeira vez que se permitia relaxar desde a perda de sua mãe. E ali na banheira ele quase podia ouvi-la cantar pra ele, ou lavar seus cabelos o fazendo rir. Então ele prometeu a si mesmo, que seria um bom menino, que sempre faria o certo, e teria uma vida feliz, como sua mãe iria querer.
Quando terminou, se vestiu e voltou ao quarto, deitando na cama. Então começou a pensar, em como a casa estava vazia, se era para crianças, porque não havia nenhuma além dele? Era uma casa muito bonita, para está assim. O que será que aconteceu?
Só que ele tinha medo de perguntar, por mais que Elenya tenha sido gentil com ele, também sentiu sua relutância em acolhê-lo. Ele achou tudo aquilo muito complicado. Melhor descansar um pouco, Se aconchegando na cama, dormiu.
🔮
Após deixar Orian no quarto, uma Elenya pensativa voltava para o térreo. Ao mesmo tempo que estava aliviada por está fazendo o certo por ele, ela estava com medo, apreensiva. O que aconteceria se acabasse errando novamente ? E se machucasse outra criança? Ela não conseguiria conviver com isso.
Mas apesar de toda essa turbulência emocional ela decidiu assumir a responsabilidade, como foi ensinada por seus pais.
E estava tão imersa em pensamento que não percebeu que estava parada na porta da cozinha, e que fez o percurso no automático. Então
assumindo o controle dos seus pensamentos ela entrou e se dirigiu até a dispensa, para decidir o que fazer. O almoço será faisão ensopado, com arroz aromatizado e salada, com um suco bem refrescante.
Quando estava terminando de cortar o faisão, se assustou sentindo que tinha alguém no portão, o que a fez se cortar levemente.
_ Merda! - disse colocando o dedo na boca. - quem será?
Secando as mãos ela foi até o portão, e esperando que não fosse outra criança, era um pensamento egoísta, mas ela não estava pronta ainda pra isso. Mal estava dando conta de Oriam
que mal tinha chegado.
Ao chegar ao portão se surpreendeu ao encontrar Moira, que ela não vê há anos. E se aproximou e abriu o portão.
_ Moira, que surpresa. - era só o que ela conseguia dizer.
Moira percebeu que realmente chocou Elenya com sua presença, até ela estava chocada, ela não tinha mais esperança de voltar à casa.
_ É um prazer vê você Elenya. - e realmente era, o que ela deixou claro com um sorriso sincero.
_ Eu também estou feliz em te ver… mas o que você está fazendo aqui?
_ A casa me chamou. - respondeu solene.
A casa estava mais uma vez ativa.
A esperança em Elenya continuava pulsando, viva e presente. Mesmo que o medo, e a insegurança quisessem bater nela com punhos de aço, ela se erguia, majestosamente sobre eles, e com sua humildade também presentes, lhes mostrava que era normal sua existência, mas não sei domínio. Movida pela ação da casa, ela fez o que seus pais lhe ensinou, a convidou para entrar.
Ao chegarem à cozinha, Moira percebeu que ela fazia o almoço, mas estranhou a quantidade. Não era pra uma pessoa só.
_ Fazendo o que de almoço? Quer ajuda?
_ Sim, obrigada. Vai cortando os temperos e depois separe as ervas para a marinada.
Elas trabalham em um silêncio confortável, enquanto Elenya terminava de preparar o faisão pra colocar na marinada, Moira fazia o que era pedido, até ela finalmente perguntar.
_ certo...então, alguém vem almoçar? - ela entregou as ervas preparadas para Elenya, que pegou e colocou no faisão, junto com um suco de laranja, e tampou.
_ Bem… hoje mais cedo, um agente do governo veio aqui…
_ Está tudo bem? - perguntou interrompendo preocupada
_ Sim, está…é que. - virou apoiando-se no balcão - …ele estava com uma criança…
“Deus, deve ser por isso que a casa me chamou.” Pensou Moira empolgada.
_ E então…- ela quase saltava do chão de tão animada que estava.
_ O menino se chama Oriam…a mãe dele faleceu, e no seu testamento ela disse que era para ele ser acolhido aqui. - Elenya brincava com seu avental, com os olhos baixos, que não viu o olhar de choque em Moira. - Ele está aqui, no quarto lá em cima. E você não sabe do mais interessante.
_ O que? Conta, não me deixe no suspense.- ela não conseguiu se conter.
Elenya olhou para ela._ O portão se abriu ao seu toque.
Moira está literalmente parou, quase uma estátua não se moviam, quase não piscava de tanto que estava espantada.
_ E quando ele entrou, a casa o acolheu ao ponto dele sentir.
Nesse momento os olhos de Elenya estavam cheios d’água
_ Eu não me sentia pronta Moira, mas a casa parece estar.
As lágrimas escorreram pelo seu rosto, livremente. Era tão reveladora dos seus sentimentos, que Moira entendeu.
_ Oh! Elenya, se permita chorar. - disse abraçando ela - Não há vergonha alguma nisso.
Então ela chorou.
Após alguns minutos, onde ela se permitiu derramar e ser acolhida, enxugou o rosto e voltou ao trabalho. Ao término do almoço, Elenya disse que irá chamar Oriam, mas Moira a chamou.
_ Elenya, você vai precisar de ajuda
_ Eu sei, mas nada de vim pra cá hoje, deixe para amanhã.
Moira concordou.
🔮
Ela estava na porta do quarto, olhando ele dormir. Chegava dá pena acordá-lo, mas ele precisava se alimentar. Então chegando mais perto, se abaixou, e o sacudido levemente o chamando.
_ Orian, acorda. - chamou suavemente.
Ele gemeu se mexendo um pouco, mas não acordou. O que resultou nela chamando mais uma vez. Então ele abriu os olhos lentamente, e a viu agachada ao lado da cama olhando para ela com um sorriso. O que o fez sentir-se quentinho por dentro.
_ Oi. - ele ainda se sentia tímido com ela.
_ O almoço está pronto.
_ Certo, só vou ao banheiro.
E quando ele ia ao banheiro, ela arrumava a cama, quando ele voltou a encontrou pronta.
_ Estou pronto. - disse com as mãos atrás das costas e olhando prós pés.
_Vamos. - ela colocou a mão nas suas costas, o conduzindo para fora do quarto e pelo caminho.- mais tarde eu vou te mostrar um pouco da casa, o restante você vai conhecendo aos poucos no dia a dia.
_ Ela parece bem grande. - ele olhou pra ela que lhe sorriu.
_ Sim, ela é, mas não deixe isso te assustar.
_ está bem.
O resto do caminho foi feito em silêncio.
