Chapter Text
Boquiaberto encaro o individuo. Que continua estático exatamente onde parou desde que veio até mim.
“Mas que porra é essa?”
É uma piada. Claro que é a droga de uma piada e o protagonista sou eu.
— Você é pior do que eu pensei! – O encaro no fundo daquele azul — Vai se fuder, faz o favor!
— Qual a porra do seu problema garoto? – Ele ergue uma de suas ridículas bem alinhas sobrancelhas – Você o quer, não quer?
Esse cara é louco. Ele é um gênio maluco. Como aqueles cientistas de filmes de ficção. Eu estou incrédulo com esse nível.
— Você é louco?! Você o beijou ontem!
— Beijei. E durante o beijo que VOCÊ interrompeu, vi sua cara de desespero e ninguém briga com alguém daquele jeito sem uma razão por trás. E você é tão morno que a sua é fácil de perceber.
Lá estava. Aquela porra de expressão: “morno”. Desde que Itoshi Rin entrou paro o time essa palavra tem sido um martírio em nossas vidas. Todos os dias, com qualquer um.
Um passe lento? “morno”!
Caiu em jogo? “morno”!
Errou o gol? “morno”!
Chutou em um ângulo horrível? “morno”!
Não conseguiu marcar o adversário? “Morno”!
Ele tem alguma fixação com a palavra. Talvez seja trauma de infância. O pior é que foram meses até entender que diabos é morno. Mas ele está dizendo que você não o empolga.
— Ah! Você estava bisbilhotando a conversa? – cruzo os braços.
— Eu não faria algo tão ridículo. Bachira só me contou.
— Pois ele deveria contar que só fiquei preocupado por ele escolher uma pessoa como você!
Eu não tenho problemas em ofender o senhor perfeito e isso é ótimo.
— Olha, eu não gosto do seu futebol e ainda assim to aqui te oferecendo ajuda. – Ele encosta na parede próxima a nós. – Não sei por que você me odeia, Yoichi.
Algo acelera em mim ao escutar meu primeiro nome. Tão casual.
— Mas que porra é essa? – Recupero a concentração. — Uma coisa não tem nada haver com a outra? E o que tem de errado com meu futebol?!
— Primeiro, eu não deveria perder meu tempo com alguém longe do meu nível e por uma razão tão tola. Segundo, seu futebol é morno.
“Va pra porra com seu morno!”
— Não tem nada de errado com meu nível...Rin! – Minha língua trêmula ao chama-lo assim. — Nem todos tem um irmão jogando no exterior para abrir caminho, não é?
Um sinal acende no rosto de Rin. Seus olhos parecem mais vivo, seus lábios parecem tremer e seus punhos cerram um pouco. Aparentemente ser lembrado de que é um nepotista bate em algo.
Se for assim, eu quero quebrar.
— Então é isso que vocês comentam? Que eu ascendi por conta do Itoshi Sae?
— É – Me aproximo mais. Não conseguindo deixar de reparar em seus cílios. e sua pele porcelana — Todo mundo do time sabe que você é nosso nepobaby. Feliz?
— Sabe Yoichi, eu deveria terminar o que comecei com Bachira. Terminar de uma forma bem-feita – Ele se aproxima, roçando levemente em meu peitoral. Não me intimida.
Na verdade nem é ruim.
— Vá em frente! – Eu roço de leve no seu também. É bastante rígido. — Ele ta esperando o convite mesmo. Ele é livre! Eu não ligo.
Aquele azul petróleo entra em meu azul profundo. Sinto um arrepio na espinha...Mas não é medo. Eu estou o encarando, vendo cada angulação da porra do seu rosto e quero arder em raiva ao ter certeza de que cada parte daquela peça é linda. Seus lábios são realmente vividos, rosados e lisinhos. Com aqueles malditos olhos perfeitamente brilhantes e que parecem me invadir...
E eu odeio sentir que queria que me invadissem mais.
E seu maldito cabelo. Com aquela terrível cor característica, me faz querer
tocar. Me faz querer observar.
Eu deveria estar intimidado ou com muita raiva. Deveria até bater nele agora na frente de todo o corredor. Mas só o penso que:
“Itoshi Rin é lindo.”
Uma gota de suor escorre de minha nunca com o pensamento. Dou um passo para trás, não ligando se parecer covardia aos olhos dele. Estou começando a ficar desesperado demais mesmo. Mas com outra coisa que sinto dentro de mim.
— Vou te da uma chance antes. – Ele se afasta, o que não muda minhas mãos suando e coração acelerado — Se quiser a ajuda, me contate logo.
— Eu nem tenho seu número, idiota!
— Mas tem o seu fake no meu instagram – Ele sorri de forma ironica. E e eu tento segurar, mas isso é muito charmoso.
E droga...ele sabe. Como ele sabe?
Antes que eu pergunte, Rin segue seu caminho andando para frente. Não sei como soube do fake, eu criei faz tempo só para stalkear às vezes e zoar com Bachira. É diversão!
Vou andando até a sala, pensando na proposta misteriosa e ridícula que recebi.
E tento esquecer as reações que tive ao seu proponente.
⚽
Me reúno no refeitório após uma das aulas com Bachira, Hiori, Chigiri, Nagi e Reo. Todos pegamos algo para comer e ocupamos uma mesa grande. Assuntos sobre as matérias, pessoas irritantes das turmas e fofocas bobas surgem.
— Gente olha so...– Chigiri aponta discretamente para uma mesa próxima no refeitório cheio. Ao fitarmos, observamos Rin e alguns de seu grupo sentando-se. — O ruivo fortão é uma gracinha, não?
— Você sempre tem um bom olho né...– Hiori da uma risadinha, fitando a mesa também. — Eu acho o Nanase, o da faixinha...
— Ele e o Rin já tiveram um relacionamento, né?
— Você sabe...ninguém consegue muito acesso ao Rin. Mas acho que tiveram sim.
— Vocês parecem lobos em pele de cordeiro, sério! – Reo comenta rindo enquanto acaricia seu grude branco.
— Ah, o Bachira tem muito acesso ao Rin! – Disparo.
— La vai você Isagi... – Ele tomba a cabeça pro meu lado sorrindo. Tenho vontade de fazer carinho igual Reo faz no Nagi.
Todos se endireitam nas cadeiras do refeitório — Conta isso direito! – Pede Chigiri empolgado.
— Só comecei a trocar mensagens com ele no instagram...flertamos...e ficamos. Nos beijamos na sala. — Ele da um sorriso sacana.
— Você e Itoshi? Você arrasou! — Reo afirma felizinho.
— Pois não vi vantagem alguma! Bachira não achou a boca no lixo. – Reitero.
— E Isagi nos interrompeu... – Eles fazem alguns comentários de desdém com a declaração de Bachira.
— Para de ser chato! O Rin é lindo! – Chigiri solta.
— O Reo é muito mais! – Nagi parece acordar brevemente na conversa.
— Já esperamos que você ache isso, Nagi. – Hiori lhe da tapinhas nas costas.
— E vocês também tão muito atiçados para os amigos dele. Chega de Rin nas nossas vidas!
— Pois se for para me ajuda a pegar o amigo fortão, que Deus bote muito Rin nas nossas vidas. Me ajuda Bachira?
— Claro! – Ele lhe da um joinha.
Vendo como todos trataram o assunto, eu entendo Bachira estranhar meu alarde. Claro que ainda tenho sentimentos. Queria fazer dar certo. Mas aquele maldito esteve no meu caminho.
Mesmo que ele tenha oferecido ajuda.
Fito Bachira enquanto ele e Chigiri debatem sobre como chegar no amigo de Rin. Eu não sei por que o maluco fez aquela oferta e parece até arriscado aceitar. Não só porque poderia ser apenas um meio de me fazer de chacota...
Quanto pela proximidade que teríamos de ficar.
E ter aqueles pensamentos parece...perigoso. Um tipo de perigo que tenho mais medo do que ser feito de piada naquela mesa que estávamos fitando.
Eu teria que contar com a sorte de novo. E ela já me traiu.
Mas se dessa vez conseguisse doma-la?
⚽
Mais tarde, deitado na cama, estou olhando para o celular como naquele dia.
Ponderando sobre o que fazer como naquele dia. Mas dessa vez é com Rin que quero falar.Tremenda ironia.
Vantagens? Nenhuma visível.
Desvantagens? Todas.
Mas se der certo? Aquele maldito metódico pode conseguir? Talvez seja só muito obsessivo recorrer a isso e eu deveria era me tratar.
Mas...eu tenho vontade de arriscar.
E quero falar com ele. Quero arriscar também estar próximo.
Tudo, tudo, quero arriscar tudo. É como testar uma de minhas jogadas
arriscadas para um gol, é exatamente igual.
Balançando o dedo sob o celular, repasso tudo que aconteceu pela manhã.
Tudo. Nosso embate, a ameaça que ele fez sobre terminar o que começou com Bachira e... aquele momento.
Revivo quando pensei...que ele é lindo.
Não posso pensar muito. Chuto para o gol.
Se eu me arrepender o mundo já vai acabar em algum desastre climático ou guerra mesmo.
⚽
