Actions

Work Header

WildFlowers

Chapter 4: Capítulo III

Chapter Text

 

Riacho do Cedro  Fazenda Lane

Caitlyn despertou com um sobressalto ao ouvir as batidas insistentes na porta. Ainda sonolenta, esticou a mão até o celular na mesinha de cabeceira: 5h48 da manhã. O quarto permanecia mergulhado na escuridão, não apenas pelas luzes apagadas, mas porque nenhuma claridade atravessava a pequena fresta da cortina. Quem, em sã consciência, já estaria de pé a essa hora? — resmungou em pensamento, franzindo o cenho.

Levantou-se meio atordoada e cambaleou até a porta, abrindo-a enquanto coçava os olhos.

— Bom dia, Caitlyn! — a voz animada de Powder ecoou.

Só então a garota se lembrou de que não havia comentado sobre o início das atividades da fazenda.

— Meu Deus, me desculpe! — disse, aflita. — Aqui começamos tudo com o nascer do sol, então acordamos bem cedo.

Claro... nascer do sol. Quem iria imaginar que esse era o "relógio" daqui? pensou Caitlyn, resignada.

— Sem problemas, eu só fui pega de surpresa... também falhei em não perguntar o horário. — Ela sorriu, um tanto tímida.

— O café é servido normalmente às seis. — Powder conferiu o celular. — Te vejo em dez minutos.

Caitlyn apenas assentiu, e Powder seguiu animada em direção às escadas. Assim que a porta se fechou, a azulada soltou um longo suspiro. Dormir até as nove... seria pedir demais? Por um instante, questionou sua própria sanidade em ter se candidatado àquela vaga, mas logo lembrou da sensação sufocante de inutilidade que a perseguia desde a lesão.

Tratou de se arrumar para o seu primeiro dia de voluntária na fazenda Lane, escovou os dentes, lavou o rosto e se vestiu com uma camiseta preta, uma jardineira e seus tênis desgastados. Sabia que o ideal seria estar de botas, mas, claro, tinha esquecido justamente as suas.

Às 6h10, desceu as escadas. O ambiente já estava cheio de vida: o cheiro forte de café preto invadia o ar, misturado ao doce das panquecas com mel já dispostas em pratos sobre a mesa. Powder e Vander terminavam suas próprias panquecas, enquanto Violet permanecia recostada na pia, segurando uma caneca do ACDC com algo fumegante — provavelmente café.

— Senta aí, Caitlyn — disse Powder, abrindo um sorriso ao vê-la entrar na cozinha. — E me desculpe por não ter te avisado sobre o horário. Você é a primeira pessoa de fora a ficar na fazenda, acabei esquecendo.

— Está tudo bem — Caitlyn respondeu, retribuindo o sorriso enquanto se sentava à mesa. — O cheiro está maravilhoso.

— Obrigado. Espero que goste de panquecas — comentou Vander, servindo mais um pedaço no próprio prato. — O mel vem de produtores aqui mesmo de Riacho do Cedro.

— Pensei que fosse me dizer que produziam aqui na fazenda — Caitlyn riu levemente.

— Não, temos muitos animais, mas nenhuma criação de abelhas. — Powder completou em tom descontraído.

Enquanto experimentava a primeira garfada, Caitlyn sentiu o peso de um olhar sobre si. Violet, recostada à pia com a caneca na mão, a observava em silêncio, como se analisasse cada detalhe. A azulada desviou os olhos, tentando se concentrar no café da manhã, mas a sensação de estar sendo julgada continuava a incomodar, queimando sob sua pele.

Poucos instantes depois, Violet deixou a xícara na pia e se afastou calmamente, cruzando a cozinha até a porta. Saiu sem dizer uma palavra, apenas o ranger leve da madeira denunciando sua saída. Powder e Vander se encararam um instante e Caitlyn preferiu não entrar nesse assunto, só terminou o seu café de forma tranquila enquanto via os raios de sol começaram a adentrar pela janela da cozinha.

🩰

Após o café da manhã, Caitlyn acompanhou Powder porta afora. O ar fresco da manhã era mais revigorante do que esperava, trazendo consigo o cheiro de terra úmida e do feno espalhado pelo pátio. O sol ainda nascia devagar, tingindo o horizonte de dourado, e a fazenda parecia despertar junto com ele.

— Vou te mostrar os chalés primeiro — disse Powder, caminhando animada pela estradinha de cascalho que levava a uma área um pouco mais afastada da sede.

Caitlyn observava tudo com curiosidade: os galpões, algumas cercas que delimitavam os pastos e, ao fundo, um conjunto de construções de madeira clara, cercadas por árvores baixas que ofereciam sombra natural.

— Eles foram construídos quando a fazenda começou a receber visitantes de fora. — Powder explicou, apontando para a fileira de chalés. — São oito ao todo, todos feitos em madeira reflorestada, com varanda na frente e rede armada pra descansar.

De perto, Caitlyn reparou nos detalhes: cada chalé tinha um pequeno canteiro com flores coloridas à entrada, e as janelas eram decoradas com cortinas simples de tecido branco. Algumas varandas tinham bancos rústicos de madeira e lanternas penduradas, que provavelmente ficavam acesas à noite.

— Imagino que seja uma boa opção pra quem quer fugir da cidade grande. — Caitlyn comentou, admirando a tranquilidade do lugar.

— Exatamente! — Powder sorriu. — Aqui as pessoas vêm procurar silêncio, natureza... e às vezes até ajudam em alguma atividade, tipo cuidar da horta ou alimentar os animais.

Caitlyn riu baixinho.
— Então quer dizer que vocês cobram pra fazerem as pessoas trabalharem?

Powder a olhou séria por um segundo, mas logo riu também.
— Ei, não é bem assim! Elas pedem pra participar, acredita?

Caitlyn balançou a cabeça, ainda sorrindo, enquanto continuavam a caminhar pelo caminho de pedras que serpenteava entre os chalés.

— Atualmente só temos uma família hospedada — Powder continuou. — Costumava lotar, mas hoje em dia normalmente temos uma ou duas reservas por mês. Voltei pra fazenda justamente pra tentar dar um jeito nisso, aumentar a procura por hospedagens e atrair mais visitantes — disse Powder, determinada, com um leve brilho nos olhos.

Caitlyn assentiu e desviou o olhar para os chalés vazios e suspirou baixinho. Como um lugar tão lindo pode passar tanto tempo sem visitantes? — pensou. — Se alguém olhasse pra isso de fora, jamais imaginaria que a fazenda está precisando tanto de ajuda.

Powder conduziu Caitlyn pelo caminho de cascalho até o galinheiro, empurrando a pequena porta de madeira com cuidado.

— Aqui é onde ficam nossas galinhas — explicou Powder, abrindo a porta e deixando Caitlyn entrar atrás dela. — Antes de começar, tem uma coisa importante: sempre feche a porta atrás de você. Se não, as galinhas podem escapar. Especialmente aquela ali. — Ela apontou para uma galinha de penas avermelhadas, que bicava distraída perto do canto. — Essa é a cocó, especialista em fugas, sempre tenta dar o fora quando a gente descuida.

Caitlyn esboçou um sorriso, aproximando-se devagar.
— Entendi... então preciso tomar cuidado com a galinha rebelde.

— Muito cuidado com a cocó! — Powder riu. — E se alguma delas conseguir escapar, você precisa se aproximar com cuidado. Se correr direto atrás, elas só vão continuar correndo por aí. Devagar, calma, e elas acabam voltando.

Enquanto Powder mostrava, Caitlyn seguia atentamente cada movimento: como abaixar devagar, como segurar a cesta de ovos e espalhar o milho no chão. Ela percebeu que, por mais simples que parecesse, cuidar das galinhas exigia atenção e paciência.

Depois de recolher os ovos, Powder começou a mostrar a Caitlyn como limpar o galinheiro.

—Recolhemos os ovos pela manhã, todos os dias e levamos para a casa principal, onde avaliamos e selecionamos, normalmente usamos no café da manhã do dia seguinte. Como temos poucas galinhas, não é uma quantidade necessária para vendermos, então é só consumo próprio— Caitlyn assentiu. — É importante manter o lugar limpo, senão as galinhas ficam doentes — Powder continuou explicando, enquanto retirava a palha suja e substituída por nova. — Olha, você só precisa recolher os ovos, varrer, trocar a palha e verificar se não tem nada quebrado ou perigoso. E sempre lave as mãos depois, tá? Tem uma pia ali fora, todos os recintos tem uma.

Caitlyn observava e replicava cada passo, tentando não se sujar demais e rindo baixinho das tentativas da galinha vermelha de escapar da vassoura.

—Onde posso pegar mais palha, quando precisar? — Caitlyn perguntou curiosa.

— Tem um depósito ali no canto, do lado do galinheiro — Powder respondeu, apontando para um pequeno espaço do lado de fora — Sempre temos um pouco guardado, mas é bom não desperdiçar. A palha serve pra manter tudo limpo e quentinho, então costumamos buscar mais sempre a cada quinze dias.

Caitlyn assentiu, guardando a informação, e tentou se concentrar de novo na galinha vermelha, que agora circulava curiosa pelo galinheiro.

Depois de terminar de recolher os ovos e ajeitar a palha, Caitlyn se endireitou, esticando os braços e respirando fundo.

— Pronta para a próxima etapa? — Powder perguntou, sorrindo.

— Pronta — respondeu Caitlyn, animada.

Elas seguiram pelo caminho de pedras que serpenteava entre os chalés e os campos, atravessando uma pequena clareira até chegarem ao local onde os cavalos eram mantidos. O som suave de cascos batendo no chão e o relincho distante de alguns animais anunciou a chegada das garotas.

— Aqui ficam nossos cavalos — explicou Powder, abrindo o portão com cuidado. — Temos alguns para montar e outros que ajudam nas atividades da fazenda. Todos têm seus nomes, personalidades bem distintas... e, claro, cada um tem sua preferência por quem cuida dele.

Caitlyn olhou admirada: alguns cavalos pastavam tranquilamente, enquanto outros se aproximavam da cerca, curiosos com a presença das visitantes. A luz que entrava pelas claraboias no centro do teto, refletia no pelo brilhante dos animais.

Depois de se aproximarem dos cavalos, Powder começou a mostrar a Caitlyn como cuidar dos estábulos. Mostrou que eles utilizavam uma espécie de carrinho inclinado que funcionava como uma pá de areia de gato, quando colocavam os dejetos ali, a areia e a palha escorriam para o chão pelos buracos enquanto toda a sujeira rolava para o lixo.

— Antes de montar ou escová-los, é importante manter os estábulos limpos — explicou Powder, pegando uma pá e mostrando como recolher a palha suja. — Retirar a palha molhada ou suja, recolher o cocô, colocar palha nova, e precisa garantir que eles tenham comida e água limpa.

Caitlyn pegou a pá e começou a ajudar, observando atentamente os detalhes.
— Sabe, isso é bem fácil pra mim — comentou, sorrindo enquanto limpava o estábulo. — Quando eu era criança, costumava frequentar um haras. Então já tenho alguma prática com cavalos e cuidados básicos.

Powder arqueou as sobrancelhas, surpresa e divertida.
— Sério? Então você é praticamente veterana! — riu.

— Não exatamente veterana, mas já sei como lidar com cavalos e como manter o espaço deles limpo — Caitlyn explicou, recolhendo o cocô e colocando-o em um grande saco de lixo — E colocar água fresca e comida também é algo que faço sem problemas.

— Ótimo! — Powder disse, satisfeita. — Aqui a rotina é simples, mas atenção aos detalhes faz toda a diferença. Pelo visto você vai pegar o jeito rapidinho.

Enquanto trabalhavam juntas, Caitlyn sentiu-se mais à vontade. Limpar o estábulo, recolher o cocô, repor a comida e a água, tudo isso era familiar para ela, e a proximidade com os cavalos tornava a experiência ainda mais divertida.

— Precisamos que tudo seja feito logo pela manhã. Por volta das 8h30, os cuidadores chegam para levá-los às atividades. Mesmo quando não temos muitos visitantes, é fundamental manter os animais ativos no dia a dia.

Caitlyn entrou em um dos estábulos, começando a recolher a palha suja e o cocô dos cavalos, enquanto Powder pegava mais comida para abastecer os estábulos. O cheiro de feno misturado com o aroma terroso do estábulo preenchia o ambiente, e ela se concentrava em não fazer movimentos bruscos.

— Cuidado com esse aqui — Powder chamou, aproximando-se dela. — Ele é um pouco mais temperamental que os outros. Não adianta se apressar, precisa ir devagar e deixar que ele se acostume com você.

Caitlyn assentiu, tentando manter a calma. Ela se aproximou devagar do cavalo, estendendo a mão com cuidado. O animal recuou de imediato, bufando e fazendo Caitlyn dar um passo atrás, assustada pelo movimento súbito.

— Calma... — murmurou Caitlyn, respirando fundo. — Eu não vou te machucar.

Ela manteve a mão estendida, falando baixo e suavemente, e aos poucos o cavalo parou de recuar. Depois de alguns segundos de hesitação, ele finalmente se aproximou e encostou a cabeça na mão de Caitlyn, aceitando o carinho. Caitlyn sorriu, acariciando o pelo macio do animal com cuidado, sentindo o coração bater mais rápido pela surpresa e pelo fascínio.

Powder observava boquiaberta.
— Nossa... ele não costuma se comportar assim — disse, incrédula. — Ninguém consegue se aproximar dele tão rápido.

— Qual é o nome dele? — Caitlyn perguntou, ainda acariciando o cavalo, sentindo-se estranhamente conectada ao animal.

— É o Blaze— respondeu Powder, sorrindo. — É o cavalo da Violet.

Caitlyn ergueu as sobrancelhas, surpresa.
— O cavalo da Violet? Não é de se admirar que ele seja tão temperamental. — Caitlyn brincou, fazendo Powder rir. — Desculpe, eu não contive a piada.

— Você não precisa se desculpar pela piada — Powder disse, ainda sorrindo. — Está tudo bem.

Caitlyn respirou fundo e baixou o olhar por um instante, um pouco envergonhada.
— É... só não queria parecer... você sabe, desrespeitosa com a sua irmã.

— Relaxa — Powder tranquilizou.

— Ela é... como dizer... desconfiada mesmo. Sempre foi assim?

— Nem sempre — respondeu Powder, suspirando. — Na verdade Violet sempre foi mais cuidadosa com tudo, acho que por ser a irmã mais velha, sabe? — Caitlyn somente assentiu.

— Quantos anos de diferença vocês têm? — Caitlyn perguntou.

— Se eu tenho 26 e a Vi tem 34 — Powder pensou por um instante. — São 8 anos de diferença.

— Ah, faz sentido então — comentou Caitlyn, sorrindo levemente. — Essa postura protetora da irmã mais velha.

— Sim — concordou Powder. — Ela sempre quis que tudo estivesse certo, que ninguém se machucasse, que os animais estivessem bem... e claro, que a fazenda funcionasse direitinho.

Caitlyn franziu a testa, pensativa.

Powder suspirou e olhou para o Blaze por um instante antes de continuar.
— Ela em sempre foi tão desconfiada assim... depois que os nossos pais faleceram algumas coisas aconteceram que a fizeram ficar mais cautelosa. 

Caitlyn franziu a testa, curiosa.

— Que tipo de coisas? — Caitlyn perguntou cautelosa. — Desculpe, eu não deveria estar me metendo nesses assuntos.

Ela suspirou, sabia que talvez pudesse estar sendo invasiva demais, mas havia algo dentro dela que a deixava curiosa sobre tudo o que envolvia aquela mulher de cabelos cor de rosa.
Powder caminhou um pouco ao lado de Caitlyn, olhando para o Blaze que ainda recebia carícias da azulada.

— Há um tempo, uma mulher descobriu que Blaze era um puro-sangue e tentou falsificar documentos para vendê-lo. — Caitlyn ficou boquiaberta. — Acho que o pior é que essa mulher era a namorada da Violet na época — Powder explicou, com um leve tom de desaprovação. — Então além de se preocupar com o Blaze, a Violet teve que lidar com uma traição de confiança muito grande. Não é difícil imaginar como isso a deixou mais desconfiada com quem se aproxima.

Caitlyn se manteve em silêncio por alguns segundos, absorvendo a informação.

— E você, Caitlyn. Tem irmãos? — Powder perguntou mudando de assunto.

Caitlyn a encarou.

—Não. — Comentou. — Eu sou filha única.

As duas continuaram limpando o estábulo, agora mais concentradas em observar os animais e aprender sobre os cuidados do dia a dia. Haviam 10 estábulos ali mas somente seis deles estavam ocupados com cavalos.

— E essa aqui é a Pérola— Powder disse, apontando para uma égua de pelagem branca que pastava tranquilamente em seu canto. — Ela está prenha.

Caitlyn arregalou os olhos, surpresa.
— Prenha? 

Powder suspirou, rindo baixinho, meio sem jeito.
— Uhum... eu me descuidei e deixei os estábulos abertos outro dia, e o meu cavalo, Blanch acabou cruzando com ela — explicou, olhando para o cavalo de pelagem preta que permanecia calmo no estábulo em frente. — Eu entrei em desespero quando vi que ele estava na Baia da Pérola, achei que nada tinha acontecido, na verdade torci pra nada ter acontecido — ela riu. — Não era planejado, mas às vezes a natureza segue seu próprio ritmo.

Blanch era um cavalo de pelos pretos brilhantes, sua crina era cumprida e estava trançada, ele estava na baía em frente a de Pérola. Caitlyn riu, tentando imaginar a cena.
— Então... isso significa que em alguns meses teremos um potro por aqui?

— Em algumas semanas— respondeu Powder, acariciando a cabeça de Pérola com cuidado. — Ela está sendo bem cuidada. O veterinário vem regularmente para checar o progresso e garantir que tudo corra bem, em mais ou menos 2 à 3 semanas ela já deve parir.

Enquanto Caitlyn ainda observava Pérola, o som de passos apressados ecoou pelo estábulo. Um dos cuidadores se aproximava, chamando por um dos cavalos. Ele tinha a pele negra retinta, os cabelos em dreads platinados, usava calças jeans escuras e uma camisa flanela verde por cima de uma camiseta branca.

— Blanch, hora da caminhada matinal! — anunciou o homem, estendendo a mão para guiar o animal.

Eles trocaram um olhar rápido, e Caitlyn percebeu o leve brilho nos olhos de Powder, o jeito como ela mexia nos dedos e o sorriso que não desaparecia. Ela suspirou baixinho, percebendo que havia algo mais ali, uma tensão sutil e divertida entre os dois.

— Você sempre tão pontual — Powder comentou, tentando manter a naturalidade.

— É uma das minhas qualidades — respondeu ele, ainda sorrindo. — Mas confesso que não me importo de começar o dia cedo assim, especialmente se posso ver você por aqui.

Powder corou, desviando o olhar por um instante, mas depois voltou a encará-lo, rindo de leve.
— Você fala demais, sabia? — disse ela, mas o sorriso traía o efeito que a frase tinha nela.

Caitlyn continuava observando de longe, encantada e um pouco divertida com a situação. Não era difícil perceber que havia mais do que uma simples amizade ali.

— Ekko, essa é a Caitlyn. — Powder a apresentou a ele.

—Prazer. — A azulada respondeu, esticando a mão e a cumprimentando.

— Então você é a nova voluntária, certo? — Ele perguntou e Caitlyn assentiu. — Ouvi falar de você.

Caitlyn arregalou os olhos por um momento. Será que Violet havia comentado sobre o pequeno incidente no piso de madeira no quarto? Powder franziu as sobrancelhas, encarando os dois.

— Coisas boas, espero. — Caitlyn brincou, fazendo ekko soltar uma risada divertida.

Caitlyn arregalou os olhos por um momento. Será que Violet havia comentado sobre o pequeno incidente no piso de madeira no quarto? Powder franziu levemente as sobrancelhas, observando os dois com curiosidade.
— O que você ouviu sobre a Caitlyn? — perguntou, tentando manter a naturalidade.

Ekko deu de ombros, sorrindo de leve.
— Nada demais. A Violet só comentou que tínhamos uma nova voluntária. Para ajudar com as tarefas simples da fazenda, sabe?

Powder assentiu.

— Fico feliz em poder ajudar. — Ela deu um passo adiante, olhando para os animais e depois para Ekko e Powder. — Espero conseguir aprender rápido.

Powder sorriu de canto, ainda observando o jeito descontraído de Ekko, e sentiu uma pontinha de nervosismo misturada com curiosidade.
— Vai sim — disse ele. — E não se preocupe, Caitlyn, estamos aqui pra te ensinar tudo. Enfim, seja bem vinda.

—Obrigada.

Ekko seguiu seu caminho, levando Blaze para fora do estábulo, enquanto Powder guiava Caitlyn pela fazenda em direção às vacas. O sol da manhã iluminava suavemente os campos verdes, e o aroma de terra úmida misturado com feno recém-colhido preenchia o ar. Ao redor, cercas de madeira delimitavam pastos onde outros cavalos pastavam tranquilamente, e ao fundo, as colinas ondulantes refletiam tons dourados e verdes sob a luz suave do amanhecer. Caitlyn não pôde deixar de se maravilhar com a tranquilidade do lugar, sentindo a calma e a beleza da vida no campo envolvendo cada passo que davam. Ela se permitiu olhar para trás e observar a fazenda, os grandes campos verdes, as árvores ao redor dos chalés e Trovão correndo em sua direção, a língua para fora e o rabo abanando em felicidade.

— É lindo, não é? — Powder comentou, tirando Caitlyn de seus devaneios.

—Lindo é pouco, esse lugar é deslumbrante. — Caitlyn sorriu, se abaixando um pouco para acariciar Trovão que já estava parado na frente de suas pernas.

— Por onde você andou, hein? — Powder perguntou ao cachorro, e suas orelhas foram para trás como quem estivesse prestando atenção no que era dito a ele. — Espero que você não tenha invadido a casa das galinhas de novo.

Trovão bufou e soltou um latido alto, fazendo Caitlyn rir da reação do animal. Elas seguiram o caminho em direção as vacas, com Trovão trotando atrás delas.

— Certo, Caitlyn, quando chegarmos, você vai me ajudar a conferir se elas estão com água e comida, e depois vou te ensinar a tirar leite — explicou Powder, apontando para o espaço das vacas à distância.

Caitlyn começou a acompanhar, mas após alguns minutos sentiu uma pontada no joelho. Parou e respirou fundo, apoiando a mão em um dos postes próximos, Trovão se aproximou cheirando a nova amiga e sentando-se ao seu lado enquanto a observava. Powder percebeu que a azulada não estava mais ao seu lado e olhou para trás.

—Caitlyn, está tudo bem? — Ela perguntou se aproximando.

— Ah... Powder, me desculpe — murmurou. — Acho que preciso de uns cinco minutos.

Powder a olhou, curiosa e preocupada.

—Não tem problema, vamos nos sentar ali. — Ela apontou para um pequeno banco de madeira próximo a elas, que ficava virado em direção ao local onde as vacas ficavam, provavelmente para que os visitantes pudessem observá-las. As duas caminharam lentamente até lá, Powder tentou ajudar Caitlyn, de uma forma desengonçada e insegura, afinal ela não sabia como segurá-la, pois ela era muito mais alta que a mais nova.


— Você sente muita dor? — Ela perguntou curiosa, assim que se sentaram.

Caitlyn balançou a cabeça negativamente, tentando sorrir.
— Não, só quando me esforço por muito tempo. É por isso que... eu não consigo mais dançar. Mesmo com a cirurgia e os meses de fisioterapia, ensaios longos e exaustivos seriam terríveis pra mim.

Ela esticou os joelhos para descansar melhor e aliviar a dor. O vira-lata branco e caramelo que as acompanhava, sentou-se ao lado delas enquanto repousava a cabeça no joelho esquerdo de Caitlyn, os olhinhos castanhos encarando as duas mulheres. Powder assentiu, compreendendo a situação, mas tentando manter o clima leve, sua mão foi em direção a cabeça de Trovão, acariciando os pelos ásperos.
— Entendo... mas não se preocupe, aqui não precisamos de movimentos tão intensos. Vamos aos poucos, e você vai conseguir se acostumar.

Caitlyn respirou fundo, sentindo-se encorajada.
— Obrigada, Powder. Prometo que vou me esforçar, mas com cuidado.

— Perfeito — disse Powder, sorrindo. — E se algo doer, você me avisa. Vamos com calma.

Elas continuaram sentadas juntas, acariciando Trovão, observando as vacas no pasto, o cheiro de feno e terra misturado com o aroma das vacas enchendo o ar. Após alguns minutos de descanso, Powder se levantou e Caitlyn a seguiu. Trovão ficou do lado de fora do cercado, observando enquanto elas se aproximavam das vacas. Powder comentou que ele não podia entrar ali, pois nunca ficava parado, sempre mordiscando as pernas dos animais numa tentativa de brincar, o que acabava irritando as vacas. Ela se concentrou em cada detalhe, observando Powder enquanto demonstrava pacientemente como checar a água e a comida, notar o comportamento das vacas e garantir que os dois bezerros estivessem saudáveis.

Mesmo com o joelho reclamando, Caitlyn sentiu-se motivada e acolhida, percebendo que ali poderia aprender de verdade, sem pressão, e ainda se reconectar com a vida no campo de uma forma que jamais imaginaria. Powder conduziu uma das vacas até próximo a cerca, onde a deixou presa mas de uma forma confortável.

—Você já ordenhou uma vaca antes? — Powder perguntou e Caitlyn respondeu negativamente. — Tudo bem, eu vou te ensinar então.

Powder se aproximou do animal, colocando um pequeno banco no chão e se sentando, ficando em uma altura próxima a barriga da vaca.

— Primeiro,ela precisa ficar mais afastada dos outros para ficar mais tranquila. Por isso nós colocamos ela presa aqui — Ela informou, segurando delicadamente as tetas da vaca e mostrando o movimento correto. — Você segura assim, com firmeza, mas sem machucar.

Caitlyn observou com cautela, enquanto Powder demonstrava como a ordenha deveria ser feita.

— Nós apontamos de três a quatro vezes, e descartamos esse leite inicial que sai, por conta das bactérias que possam ter ali. — Powder comentou, fazendo exatamente o que disse e descartando o leite no chão. Em seguida ela colocou o balde abaixo da vaca. — Depois você vai envolver duas tetas com as mãos e vai espremê-las devagar.

Com movimentos lentos, Powder demonstrou como fazer, e logo o leite estava saindo e caindo direto no balde.

Por um momento seus olhos vagaram pela cerca de proteção, onde ela pode avistar o inconfundível tom de rosa dos cabelos de Violet, ela estava parada ao lado de Trovão, acariciando a barriga do animal que já estava deitado no chão com as patinhas para cima. Por um instante seus olhares se cruzaram, e Caitlyn sentiu um arrepio percorrer por toda a linha da sua espinha.

— É a sua vez. — Powder comentou, levantando-se do pequeno banco para que Caitlyn sentasse. — É tranquilo, com calma você consegue.

Caitlyn se sentou e respirou fundo, nunca havia tido esse tipo de contato com nenhuma vaca e isso estava deixando-a nervosa. E se acabasse machucando a coitada?

—Tá legal, segurar aqui com calma. — Caitlyn repassou os movimentos de Powder em sua cabeça enquanto tentava segui-los. Ela segurou duas tetas com uma das mãos e as apertou, mas a vaca mugiu fazendo Caitlyn dar um pequeno pulo de susto e fazendo Violet rir do outro lado da cerca.

— Com mais calma, Caitlyn. Pra ela não se machucar. — Powder lembrou. No mesmo instante, o celular de Powder tocou, ela encarou a tela por um momento. — É o celular de reservas do chalé, eu preciso atender, só um minuto.

Caitlyn assentiu e Powder se afastou um pouco, deixando-a ali próxima à vaca.

— Me desculpa se eu te machuquei, prometo que vou ser mais cuidadosa. — Caitlyn murmurou para a vaca.

— Conversar com ela não vai impedir que ela te pisoteie a qualquer momento, princesa. — A voz de Violet cortou o momento.

Caitlyn olhou para o lado e pôde ver Violet, ela estava sentada em cima da cerca.

— Ela pode me pisotear?

—Ela pode te matar se você não tomar cuidado. — Violet disse de forma tediosa, fazendo Caitlyn arregalar os olhos.

Violet desceu da cerca, pulando para onde Caitlyn estava. Ela se aproximou e se abaixou próximo a ela, o cheiro amadeirado adentrando as narinas da azulada.

— Não aperte demais, senão ela se incomoda. — Violet pediu, a voz firme e o olhar carrancudo. — Mantenha a mão firme, mas flexível.

Caitlyn assentiu, respirou fundo e tentou novamente misturando as dicas de Powder com o que Violet acabara de dizer. Depois de algumas tentativas, Caitlyn finalmente conseguiu ordenhar a vaca sozinha. O leite começou a sair de forma constante, e ela soltou um suspiro aliviado, sorrindo.

— Consegui! — exclamou, surpresa e feliz. — Obrigada, Violet!

Pela primeira vez, Violet a encarou. Os olhos azuis de Caitlyn estavam próximos, e o sorriso iluminado por ter conseguido ordenhar a vaca refletia orgulho e alívio. Por um instante, a ruiva se perdeu nesse sorriso, algo quase inesperado surgindo em seus olhos — um brilho rápido, quase imperceptível, que ela rapidamente reprimiu, voltando à expressão séria e controlada.

— Caraca, você conseguiu! — Powder exclamou, tirando Violet de seus devaneios e sorrindo para Caitlyn.

Quando Powder se aproximou novamente, Violet pigarreou e se levantou, ignorando a aproximação, e se afastou com passos leves, como se nada tivesse acontecido, o rastro de sua presença ainda carregando uma autoridade silenciosa.

— Quem era no telefone? — Violet perguntou, inclinando-se levemente enquanto caminhava ao lado delas, ainda mantendo um tom firme.

— Temos uma reserva no chalé para a próxima semana, um casal — Powder respondeu, sorridente, animada com a notícia.

— Que ótimo — Violet comentou com um sorriso nos lábios e com um ligeiro relaxamento nos ombros, como se a boa notícia tivesse conseguido, por um instante, suavizar sua postura rígida.

🩰

Antes do almoço, Caitlyn já havia concluído todas as tarefas de cuidados com os animais, o que lhe deu algumas horas de liberdade para se acomodar em seu quarto. Sentou-se na cama, massageando o joelho dolorido após longas horas de trabalho. Apesar da pontada constante, sentia-se bem, satisfeita por estar fazendo algo útil e por finalmente se sentir produtiva novamente. O celular vibrou ao seu lado, e ela sorriu ao ver o contato na tela: "Melzita <3".

— Oi, Mel! — disse, sorrindo.

— Oi, Cait! — respondeu Cassandra, com a voz calorosa. — E então, como você está?

— Estou bem, Melzita — Caitlyn começou, tentando não rir. — Aparentemente ninguém aqui é um maluco querendo me assassinar.

— Que ótimo! — Mel comemorou aliviada. — Quando você me mandou mensagem dizendo que ia pra um voluntariado que achou na internet, eu jurei que você seria sequestrada.

Caitlyn riu.

— E como foi a sua chegada? Seu primeiro dia?

— Foi bom, quer dizer ontem eu tive um pequeno incidente com a dona. — Caitlyn comentou.

—Com a moça que te aceitou? Powder, né?

— Sim, esse é o nome dela e não, o incidente não foi com ela, foi com a irmã dela. — Caitlyn respondeu, revirando os olhos.

—Como assim, Cait?

—Eu estava no quarto, esperando o jantar e aproveitei para fumar um cigarro.

—Caitlyn... — o tom de Mel era repreensivo.

— Eu estava com a janela aberta, ela entrou sem eu perceber e gritou comigo, eu levei um susto e deixei o cigarro cair, acabou queimando o chão mas eu apaguei a bituca rápido. Ela me chamou de maluca, disse que eu iria colocar fogo em tudo, ja que é tudo de madeira.

Mel soltou uma risada clara do outro lado da linha.

— Que ótimo primeiro encontro.

—Nem me fale! — Caitlyn exclamou, olhando pela janela. — Mas é isso, estou impedida de fumar.
— Finalmente! — A amiga respondeu em um tom de comemoração. 

— Nossa... até você, Mel? — Caitlyn exclamou, surpresa.

— Claro! — respondeu a amiga, com firmeza, mas ainda divertida. — Nunca aprovei esse hábito seu.

Caitlyn riu, balançando a cabeça, sentindo-se leve com a conversa. Elas continuaram conversando por mais alguns minutos, e Caitlyn perguntou sobre a companhia. Mel contou animada que iria representar o grupo em uma competição internacional. O coração de Caitlyn se encheu de alegria pela amiga, mas, no fundo, surgiu uma pontinha de saudade e desejo: ela queria poder estar ali, ao lado de Mel, compartilhando cada momento e vivendo aquela experiência juntas. Mas infelizmente os planos do destino não foram os mesmos que os dela.

🩰

O sol se despedia atrás das colinas de Riacho do Cedro quando Violet viu Ekko conduzir Pérola de volta ao estábulo. Agradeceu-lhe com um aceno tranquilo antes de se deixar cair em um dos bancos de madeira. A Fazenda Lane era vasta, e por isso espalhava assentos pelo terreno, oferecendo aos visitantes um lugar para descansar enquanto descobriam o que o espaço tinha disponível. Powder se aproximou trazendo uma caixa com alguns vasos de flores vazios, ela se sentou ao lado da irmã, colocando a caixa no chão em frente aos seus pés.

— Dia longo? — Ela perguntou em um tom divertido.

—Todos são. — Violet respondeu rindo. — Estava trocando os vasos dos chalés?

Powder assentiu.

— Algumas flores já estavam secas, como teremos novos hóspedes na próxima semana troquei os arranjos por novos. — Violet assentiu.

— É uma boa, deixa tudo mais vivo pra quando eles chegarem.

— Sim! Lembra como a mamãe adorava cuidar disso? Ela sempre montava os arranjos mais bonitos da fazenda.

Violet assentiu e sorriu com a lembrança. Felícia amava colher flores e fazer arranjos, toda semana a casa ficava repleta de novas flores e o cheiro era sempre acolhedor.

— E como foi o primeiro dia com a sua voluntária? — Violet perguntou, curiosa. Havia visto Caitlyn aprender a ordenhar, mas queria saber mais, queria entender como ela estava se adaptando.


— Ela foi bem. Disse que quando criança costumava ir a um haras, o que facilitou muito com os cavalos. — Powder fez uma pausa antes de acrescentar, animada: — E você não vai acreditar... ela se deu super bem com o Blaze. Ele até deixou que ela fizesse carinho nele.
Violet arregalou os olhos, incrédula.
— De primeira?

Powder assentiu, rindo. — É, isso nunca aconteceu antes.

Violet franziu a testa.
— Estranho. — fez um gesto com a mão, dispensando o pensamento. — De qualquer forma, quero que fique de olho nela.

Powder a encarou, confusa.
— Por quê?
— Ontem, quando fui chamá-la pro jantar... — Violet ergueu as sobrancelhas, esperando que a irmã se lembrasse — encontrei ela fumando dentro do quarto.
Powder não segurou a risada, e Violet a olhou indignada.
— Te conhecendo bem, aposto que fez a maior tempestade em copo d'água.
— Claro que não! — Violet se defendeu rápido. — Só pedi pra não fumar dentro de casa. Tudo aqui é madeira, um descuido e pega fogo em segundos.

Ela realmente não acreditava ter exagerado. Talvez tivesse sido um pouco dura, mas, no fundo, sentia que Caitlyn mereceu. Quem fuma dentro de casa? Mesmo que encostada na janela.

— Agora faz sentido ela te achar temperamental — murmurou Powder, ainda rindo.
— O quê? — Violet arqueou as sobrancelhas.
— Nada, irmã. — Powder respondeu depressa, contendo o riso. — Prometo que vou ficar de olho nela. Mas você também precisa ser mais receptiva. Ela se esforçou hoje, aprendeu tudo direitinho e está ajudando praticamente de graça. Um pouco de simpatia não faria mal.
Violet suspirou, bufando baixo.
— Tudo bem. Prometo que vou tentar ser mais cuidadosa ao falar com ela.

 

🩰

 

Quando Violet e Powder voltaram para a casa principal, encontraram Caitlyn na cozinha na companhia de Vander, ela decorava uma torta com morangos frescos. O riso leve da mulher se misturava ao vozeirão divertido dele, enchendo o ambiente de uma familiaridade que fez Violet parar por um instante na porta, observando.

— ...você precisava ver, Caitlyn! — Vander dizia, rindo. — Eu só queria recolher os ovos, mas uma das galinhas não concordou. A danada veio voando direto na minha cabeça, me fez derrubar o cesto inteiro e ainda correu atrás de mim pelo terreiro como se fosse um touro bravo.

Caitlyn caiu na risada, segurando o estômago e quase deixando o morango escorregar da mão. Vander acompanhou, balançando a cabeça, resignado.
— Até hoje, toda vez que entro no galinheiro, parece que ela ainda se lembra de mim.

—Foi a fujona da cocó?— Caitlyn perguntou e Vander negou balançando a cabeça negativamente.

— Não! Por incrível que pareça foi a Lola.

— A galinha branca menorzinha?? — Caitlyn perguntou incrédula e Vander assentiu. — Não acredito! Ela tem a maior cara de boazinha.

Violet observava, intrigada. Em apenas um dia, Caitlyn já havia conquistado a confiança de Blaze e parecia até ter decorado o nome de cada galinha do galinheiro. Trovão estava sentado no tapete da cozinha esperando que Caitlyn derrubasse algum morango que ele pudesse comer, o que não foi necessário pois a própria deu a ele um grande pedaço da fruta. Ela parecia uma encantadora de animais.

—Ah, vocês chegaram bem a tempo, o jantar já está quase pronto. — Vander comentou, olhando as sobrinhas se aproximarem.

Caitlyn virou-se rapidamente, observando Powder entrar pela porta da cozinha. Os olhos se fixaram em Violet por um instante, mas logo desviaram.

— O cheiro está delicioso, o que temos hoje? — Powder perguntou, se aproximando para bisbilhotar as panelas.

—Ensopado de carne cozida com batata.

— Meu deus, minha barriga começou a roncar só de imaginar. — Powder brincou. — Vou comer no mínimo três pratos hoje.

—Sem exageros, Pow. — Vander repreendeu. — Precisa guardar espaço para a sobremesa que Caitlyn fez.

—Não foi nada demais, só ajudei a decorar com os morangos. —Caitlyn respondeu. — Vander fez todo o resto, dê os créditos a ele.

—Então vamos comer!

Vander exclamou animado, anunciando que o jantar estava pronto, e todos se acomodaram à mesa cuidadosamente posta. Ele fez questão de servir cada um pessoalmente, e o aroma do seu ensopado de carne cozida enchia o ambiente. Era tão saboroso que dava vontade de comer rezando.

Violet observava Caitlyn enquanto ela se movimentava com naturalidade pela cozinha e se mostrava à vontade na fazenda. Cada gesto da voluntária, desde acariciar Blaze, decorar o nome das galinhas, e ouvir com atenção e cuidado as histórias de Vander, faziam Violet passar a acreditar que além de curiosidade, Caitlyn tinha respeito pelo lugar. Por um instante, Violet percebeu que talvez não precisasse se preocupar tanto; Caitlyn não era apenas competente, mas também alguém que parecia querer se encaixar ali. 

 

 

 

Ressurgindo das cinzas pra atualizar essa aqui!

 

Notes:

Oie! Estou muito feliz em compartilhar mais uma história com vocês.

Wildflowers vai ser uma história de drama, superação e reencontro consigo mesma.
Em breve trago mais capítulos, até lá (: