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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-11-21
Completed:
2025-11-03
Words:
3,373
Chapters:
3/3
Comments:
3
Kudos:
15
Bookmarks:
3
Hits:
187

Angel on a Satellite

Chapter 3

Notes:

Peço desculpas à única pessoa que lê essa história e comenta todos os capítulos, eu tive um bloqueio criativo enorme e demorei muito para conseguir terminar isso, mas após meses eu finalmente consegui concluir esse capítulo. Boa leitura.

Chapter Text

— As guerras rúnicas devastaram todo o continente forçando diversas pessoas a migrar e se refugiar no que veio a se tornar a grande capital de Demacia — Recitou Lux folheando um livro.
As noites deles tem sido assim há meses, ela chega com alguns livros furtivamente e eles debatem sobre o reino, a magia que os ligava, a política, o cotidiano. Em Sylas, Luxanna encontrou algo único que nunca imaginou ter: um igual, alguém que pode ouvir suas dores e expressar cada parte de si sem medo, além do melhor companheiro de leitura que ela poderia ter.
— Apenas para tomar como uma desculpa para enjaular e exterminar nosso povo em massa — Complementou com raiva em sua voz.
— Mas Sylas, dizem que nos tempos das protetoras aladas, as leis anti-magia ainda não estavam em vigor. Talvez isso seja um sinal, as coisas podem ser diferentes, talvez possamos todos conviver em harmonia — Retrucou Luxanna
— Ah luzinha, sua esperança é animadora. Mas pense um pouco, por século o governo demaciano caça nossa gente como animais, somos como uma praga eles tomaram como objetivo expurgar. Como você pode dizer para aqueles que foram abusados por esse governo fascista para dar as mãos com seus opressores? — A cada palavra a voz de Sylas se tornavam mais densas carregadas de seu rancor pela sua inevitável sentença.
Ele podia ser seu melhor amigo e confidente, mas às vezes eles tinham divergências inegociáveis, Lux entendia sua dor, lhe quebrava saber que não só ele mas tantos outros foram privados de sua liberdade por nascerem diferentes e podia ser ela ali se não tivesse nascido banhada por privilégios.
— Olha, eu… — Começou mas teve seu raciocínio quebrado quando ele tocou em sua mão.
— Eu entendo Luxanna, é tudo tão novo pra você. É só que o ódio deles é geracional, é difícil cortar algo que está enraizado em suas cabeças desde antes de aprenderem a andar. — Explicou seu ponto tentando a
— Então marque minhas palavras, um dia o nosso povo terá sua própria terra para viver em paz longe da tirania dos caçadores de magos! — Exclamou animada.
— Continue sonhando…
O cenário se desbotava dando lugar ao teto cinzento da caverna que ele se abrigava, seu pescoço dolorido pela longa noite aconchegado naquela superfície sólida e com o corpo ainda machucado por sua luta mais recente, sylas se levantou aos poucos e se sentou no chão da caverna enquanto se recostava na parede. Seus olhos demoraram alguns segundos até localizar a governadora da cidade, sentada a uma distância considerável dela e distraída com a papelada que a cercava.
— Luxanna... — Chamou-a com a voz baixa e ainda rouca pelo desuso.
Aquilo foi suficiente para conduzir um arrepio por todo o corpo de Lux, era como se ele tivesse falado tão próximo à si, lembrando-a de quando costumavam se encontrar às escondidas na cela dele.
— Alguma vez… Alguma vez você se arrependeu? — Sem permissão a questão que mais lhe atormentava nos últimos meses deixou seus lábios.
— Essa é uma pergunta com muitas respostas… Do caminho que eu escolhi seguir? jamais. — Fez uma pausa para molhar os lábios — Da maneira que eu fiz? Talvez…
— Entendo… — Respondeu e soltou um profundo suspiro.
A conversa da última noite ainda reverberava na sua mente, Lux tentou se concentrar nos papéis a sua frente, era de extrema importância que ela resolvesse isso o quanto antes, era seu dever como governadora de Terbisia, mas… Tudo a levava de volta para aquele maldito tópico, ela não queria pensar nisso, a sensação de que talvez eles fossem mais parecidos do que ela gostaria de admitir a corroia por dentro.
O silêncio que se seguiu na caverna quase sufocava Sylas, ele odiava isso, sempre que parecia que eles tavam evoluindo e superando algo, um brusco afastamento os acometia, ele não esperava que eles recuperassem o relacionamento que quebrado no dia em que se libertou de suas correntes e as transformou na arma mais poderosa de sua revolução, mas se ao menos pudessem ser menos hostis um com o outro seria uma vitória que ele poderia aceitar.
— Luzinha, você… — Chamou a atenção da Loira prevendo o que viria a seguir.
— EU JÁ DISSE PRA NÃO ME CHAMAR ASSIM! — Gritou com raiva.
Sylas caiu na gargalhada, sempre funcionava…
— Senta aqui. — Falou batendo do seu lado esquerdo com uma mão.
— Sylas, eu não posso. Eu tenho que preencher a papelada o quanto antes. — Respondeu, deixando o cansaço transparecer em sua voz.
— Ah luzinha, são só papéis, eles vão estar no mesmo lugar quando você voltar… Venha, eu acho que temos algumas coisas mais importantes que a velha burocracia demaciana para resolver. — Rebateu bem humorado.
Lux abriu e fechou a boca diversas vezes, sem encontrar um bom argumento para enfiar a cabeça em trabalho além do seu dever, ela desistiu daquela discussão e se levantou acatando o pedido.
— Como tem sido?
— Hm? — Questionou Lux confusa
— Terbisia… — Esclareceu soltando um breve riso — Esse sempre foi o seu sonho, não? Uma cidadezinha pacífica que nós magos pudéssemos viver sem sermos atacados. Como tem sido colocar isso em prática?
Os olhos da maga brilharam de felicidade, às vezes ela esquecia o quão bom ouvinte Sylas podia ser, as noites privadas discutindo literatura, sonhos e até política nunca foram algo leviano para ela, era o único momento do dia em que ela poderia se expressar em completude. Com sua família era sempre algo tão distante, ela não podia demonstrar quem ela verdadeiramente ela, era sempre uma interação polícia e todos a tratavam como uma garotinha inocente e frágil… Mas com ele? Ela encontrou um mentor nas artes místicas, um companheiro de leitura e mesmo que quase nunca concordassem, ele era um ouvinte dedicado, e parecia que aquele pouco tempo que passaram juntos também tinha marcado ele de alguma forma.
— É tão… Exaustivo, quando eu comecei isso era só um assentamento em risco, eu mal dormia tomando conta dos refugiados, eu era a única que podia tentar contra atacar caso os caçadores de magos aparecessem. — Reclamou bagunçando o topo de seu cabelo — E agora então? Mesmo que tenham reconhecido Terbisia como uma cidade só para magos, eles vivem mandando papeis e mais papeis, quando eu não tenho que ajudar na construção da cidade estou atolada em documentos. Às vezes parece que…
— Eles dificultam de propósito a sua situação? — Perguntou completando o monólogo de Lux.
— EXATO! — Concordou animada — Eu quero me livrar disso logo sabe… Sei que você não acredita no mesmo tipo de futuro que o meu mas me revigora pensar que um dia tudo isso vai ter acabado e isso aqui será um refúgio próspero para o nosso povo.
— Luxanna, eu realmente não acredito nesse tipo de futuro, sabe… A conciliação do nosso povo que tanto foi oprimido, com a classe que nos oprimiu. Acho que é isso que nos difere tanto, crescemos em meios muito diferentes, nem mesmo quando eu era “livre” eu estive numa posição onde eu pudesse sonhar com isso. — Sylas deu uma pausa rápida e virou sua cabeça para olha-la nos olhos — Mas eu respeito que você pense assim, é seu direito perseguir a sua verdade e eu espero de coração que sua jornada seja um sucesso.
— Sylas, eu… — Os olhos de Lux marejaram enquanto sentia seu rosto aquecer.
A maga da luz não soube o que dizer, só conseguiu se perder na imensidão daqueles olhos turquesa, por dentro ela estava um caos, ela sentia suas mãos apoiadas em seu colo ficarem perguntas de tanto suor, seu coração acelerava como se ela tivesse corrido uma maratona e aqueles olhos… Ah, aqueles olhos lhe puxavam pra mais perto sem qualquer permissão.
Quando estava a alguns centímetros de Sylas, ouviu um toque do lado de fora da caverna, num pulo assustado ela se afastou dele e deixou sua cabeça cair nos ombros dele. Seu rosto queimava em vergonha pela possibilidade que escapou de seus dedos, mas ainda sim ousou perguntar:
— Q-QUEM É? — Falou em bom tom gaguejando um pouco.
— Senhorita Crownguard, um dos oficiais do rei chegou, ele exige uma audiência. — Respondeu um aldeão.
— Avise que já estou indo recebe-lo.
— Como desejar. — Concordou se retirando em seguida.
Um suspiro cansado saiu dos lábios de Lux, ela nunca poderia deixar o serviço por muito tempo, não é? Mesmo com às pausas, o dever perseguia ela.
— Sylas, eu te perdoo
. — Ela ainda não conseguia encara-lo depois daquela aproximação magnética.
— Sério? — Perguntou feliz sem acreditar.
— Sério! Eu não esqueci, sabe, foi algo traumático pra mim, mas às pessoas… você mudou. Você tem se esforçado tanto e eu não acho justo de punir a vida toda por algo que você fez no desespero pela sobrevivência, você merece uma outra chance tanto quanto qualquer pessoa. — Sua mão escorregou para o lado, apertando gentilmente a mão de Sylas. — Mudando de assunto, você precisa de um banho amigo. Quanto tempo você não vê uma água?
A cabeça do moreno pendeu para trás enquanto sua gargalhada ecoava na caverna, ali estava ela a boa e velha luzinha. Meio estraga prazeres, mas bem intencionada.
— Eu… — Tentou responder mas sua risada o interrompeu — To… hahahahah… em observação desde quando eu apareci pingando sangue nessa floresta, não tive muito tempo pra um banho.
— Falando nisso… Como estão seus ferimentos? Consegue andar ou….? — Questionou preocupada.
Sylas parou de rir ao encontrar aquelas orbes consternadas da loira, para ele aquela jovem mulher tinha uma pureza de espírito sem igual, do tipo que se encontra a cada alinhamento dos astros e aqueles olhos outrora nublados com mágoa e ressentimentos, agora refletiam afeto e preocupação genuína e melhor: voltadas para ele. Isso mexia com Sylas de uma forma que ele jamais conseguiria colocar em palavras.
— Ah… eu, acho que sim?! — Assentiu meio receoso — Quer dizer, eu não sinto meu corpo doer como antes, se eu tentar aos poucos eu consigo me levantar.
— Isso é ótimo! Fique aqui por enquanto, não queremos que um oficial do governo nos delate né? — Falou animada com a melhora do hóspede — Eu volto quando tudo estiver resolvido.
Sem dar tempo para um contra argumento, Lux se retirou da caverna, deixando para trás um Sylas que lutava para que seus batimentos cardíacos se estabilizassem.
Naquele momento, apenas seus corpos e o profundo afeto que os unia existia, a dor da despedida era um assunto da manhã que os sucederia.

Notes:

Essa é a primeira fanfic que eu posto depois de uns 8 anos sem escrever nada, eu ainda estou meio enferrujada, mas passei por um brainrot intenso de sylux e gastei toda minha energia durante uma noite fodida de insônia. Espero que vocês gostem!