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Characters:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-11-13
Completed:
2025-11-13
Words:
1,470
Chapters:
2/2
Kudos:
1
Hits:
24

Era pra ser só mais um dia normal...- ATEEZ

Chapter 2: Era pra ser só mais um dia normal..- Capitulo Único

Notes:

Aviso aos Leitores
Essa é uma história curta um só capítulo(provavelmente), mas cheia de sentimentos que talvez fiquem com você por um tempo.
Pode doer um pouco, mas foi escrita com o coração.
Então, leia devagar, sinta cada linha e, quando chegar ao fim, permita-se ficar em silêncio por um instante.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

 

Jongho estava cansado...

Ele se sentia quente e muito desconfortável; o suor em seu corpo era pegajoso, sua respiração estava ofegante e a dor em suas articulações era tanta que ele nem sabia se conseguiria sair do chão. Pelo visto, ele teria que tomar um remédio mais tarde, além de um bom banho gelado.

A sala parecia sufocante, para dizer o mínimo. Era uma das salas de prática que eles não usavam há tempos por ser pequena, mas, no momento, essa era a única opção. Infelizmente, a principal estava em reforma e ainda levaria pelo menos duas semanas para ficar pronta. A outra tinha sido trancada. Por quê? Bom, Hongjoong e o gerente deles disseram que ninguém deveria usá-la à noite.

"Talvez eles devessem ter trancado esta também..."

Levantar-se foi mais difícil do que ele esperava. Seu corpo parecia feito de gelatina. Eram duas e treze da manhã quando se arrastou até a bolsa, guardou as coisas e saiu.

O táxi que o levava para casa era silencioso demais. Jongho pegou o celular por impulso

Qual é a pior coisa que se pode fazer quando se está indo de táxi pra casa?Se você pensou em olhar as redes sociais, acertou. Como pode existir tanta gente desnecessária?

As coisas ruins sempre parecem chamar mais atenção. Pra falar a verdade, ficar surpreso foi um sentimento passageiro que logo deu lugar à angústia. Bastou um artigo pra fazê-lo se sentir horrível.

"Atinys falam sobre o ganho de peso de Jongho."

Ignorar era o que ele devia fazer.
Ele não se sente mal com o próprio corpo. Sabe que não é o mais magro, mas com certeza está em forma. A diferença é que, no corpo dele, isso se mostra de maneiras diferentes. Ele é do tipo musculoso.

O pior nem foi o artigo em si, mas os comentários:


"Depois da estreia, ele se deixou levar pelo conforto e não está se cuidando."
"O ursinho de vocês está do tamanho de um urso de verdade, como vocês não enxergam isso??"
"Só um cego não percebe o quanto ele engordou, meu Deus!!"

 

Vazio. Era tudo o que ele sentia...

Sabia que deveria deixar pra lá, afinal, não há como agradar a todos, mas ofensas são mais fáceis de absorver.


Angústia.
Desconforto.
Tristeza.

"Como pequenas frases podem te despedaçar assim?"

Jongho nem percebeu quanto tempo havia passado. De repente, já estava em frente ao dormitório. O som do taxista anunciando o valor da corrida o trouxe de volta à realidade.

O dormitório estava silencioso. Wooyoung provavelmente já dormia, e Hongjoong devia estar no estúdio, ocupado como sempre. Jongho empurrou a porta devagar, sentindo o corpo pesado a cada movimento.

-Hipócrita -murmurou, quase para si mesmo.

Lentamente, deixou a bolsa cair no chão, o casaco escorregando pelos ombros, e se jogou na cama como se cada músculo pedisse descanso imediato. Dormir deveria ser fácil, mas a cabeça dele não parava: pensamentos giravam tão rápido, os olhos cheios de lágrimas que se recusavam a ceder.

"Ele realmente precisava se cuidar mais. Uma dieta... talvez fosse uma boa ideia.

Essa seria uma longa noite."

 


 

Os dias se misturavam uns aos outros. Cada manhã chegava com o mesmo peso nos ombros, cada noite levava embora um pouco de energia que ele nem sabia de onde vinha.

Quando foi que acordar passou a ser tão sufocante?

Quando comecei a pensar que talvez seria melhor não acordar?

Que, se eu não existisse, talvez a dor passasse. Que eu não precisaria me sentir tão desamparado.

Somente de escutar o despertador a cabeça latejava. Cada toque é um lembrete de que tudo começa de novo.
A rotina cansativa de fingir que estou bem, mesmo me sentindo morto por dentro. Cada comentário, cada pensamento, gravado em mim como se um ferrete queimasse minha pele, mantendo a ferida sempre aberta.

Levantar da cama se tornou um exautisvo. O contato dos pés com o chão frio disparou arrepios pela espinha, cada passo parecia arrastá-lo para o desmaio.

Comida.

Deve ser por isso.

Fingir que está tudo bem era minha especialidade. Fingir que não sentia dor. Fingir que não estava me despedaçando por dentro.

— Tudo bem... eu consigo... eu consigo — murmuro, saindo do quarto em direção à cozinha. Já ouço os barulhos vindos de lá, respiro fundo e tento colocar o melhor sorriso que consigo no rosto.

- Bom dia, Hojong! - chama Wooyoung, já pegando o suco - Come rápido, que a gente tá atrasado. O Joongie já tá lá, você sabe como ele é... - ele dá de ombros, lavando o copo.

- Bom dia... ok - respondo, olhando para a comida sobre a mesa.

"Preciso de uma dieta... depois eu como."

-Jongho, me escuta? - Wooyoung bate levemente na mesa -Ei, Jongho!

- Hein? Desculpa, hyung... não ouvi direito. Pode repetir? -digo, desviando o olhar.

- Termina logo de comer, então. Vamos, a gente tá atrasado -ele já vai em direção à porta, a voz cheia de frustração.

O trajeto até a empresa parecia curto, mas dentro dele cada segundo se arrastava como se fosse uma eternidade. O corpo pesado, os pensamentos cansados, tudo parecia conspirar contra cada passo que dava.

Dançar era difícil; cada movimento trazia uma tontura, e ele se recusava a cair, mesmo quando sentia o mundo girar. Nesses três dias, tudo parecia um vulto, borrado. O sorriso que tentava manter no rosto ficava cada vez mais difícil de sustentar, mas ele continuava, porque parar não era uma opção.

O treino estava quase acabando, mas a sensação de proximidade com o fim só aumentava a pressão. Mais alguns minutos... só mais alguns... e ele não sabia se conseguiria. Cada passo parecia exigir forças que ele não tinha, e ainda assim seguia.

E então tudo girou. O chão parecia fugir debaixo dele, o barulho do mundo desapareceu, e o silêncio tomou conta. Jongho caiu, e a última coisa que ouviu foi um "crack", seguido de vozes chamando por ele, enquanto o corpo cedia à exaustão.

 


 

Alguém já te disse que a sua cabeça pode ser o lugar mais perigoso pra se estar?
O barulho lá dentro é alto demais.

Há uma tensão que não para, uma sensação de que tudo está prestes a desabar, mas nada acontece de fato, e talvez isso seja o pior.
Os dias sempre iguais.
Acordar. Treinar. Cantar.
Repetir a mesma rotina e fingir que está bem.

Não lembro a última vez que comi algo decente.
Não que importe, afinal preciso perder peso.

As mesmas paredes brancas, o chão sempre o mesmo tom de madeira morta.
As vozes dizem que eu preciso tentar mais, ser mais, mas a palavra "mais" já perdeu qualquer significado...

"Cadê a sua persistência?"
"Por que você não se esforça?"
"Você tá ficando pra trás."
"Melhorar é sua obrigação."
"Ninguém te obrigou a estar aqui."

 

Claro que eu sei de tudo isso.
Então por que dói tanto?

Eu sou mais que isso, né? Deveria ser.


Então por que o meu melhor parece o mínimo para eles?

Ninguém percebe o quanto eu estou desmoronando.
Ou talvez percebam, mas simplesmente não se importem.
Eu aprendi a esconder bem.
Fui forçado a isso.

Eles estão todos ocupados com as próprias coisas, com seus trabalhos e hobbies.


Se eu sumir, eles vão notar? Acho que sim, afinal...


"8 formam um time."
Mas quem lembra de contar até oito?

 

Quando foi que eu virei refém da minha própria cabeça?
Devia ter procurado ajuda.
Devia ter feito qualquer coisa.
Devia.

Agora eu estou com um joelho machucado, e um corpo cansado...Se antes era difícil, agora parece impossível.

Mas vai ficar tudo bem, certo?

 

CERTO?

 

Notes:

Ferrete :instrumento de ferro posto em brasa e destinado a marcar gado
Hojong e Joongie : apelido que o Wooyoung deu para eles

Se você chegou até aqui, obrigada(o) de verdade. Essa história foi curta, mas cada palavra foi escrita com sentimento e saber que alguém leu até o fim já significa muito.
Até a próxima história!!!!!

Notes:

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Vou amar saber a opinião de vocês.