Chapter Text
Finalmente, o dia do parto havia chegado.
Já não era sem tempo.
Foi em uma noite fria e de tempestade que as contrações começaram.
A mulher se ajoelhou de dor, e o marido, vendo isso, rapidamente a levou para o carro.
Todos os três irmãos foram juntos naquele dia.
Foi uma viagem longa, mas logo estavam no hospital.
E, em todo o caminho, o príncipe do inferno os acompanhava a cada passo.
Quando o casal foi encaminhado para a sala de parto, ele os seguiu até o local.
E, depois de uma hora e meia, muito esforço e alguns gritos, finalmente o bebê nasceu.
Médico: Um menino, e muito saudável, pelo que podemos ver.
Então era um menino… sua luz.
O bebê foi entregue aos pais e logo foi posto para mamar nos braços da mãe, que suspirava após o fim do parto.
Duka: Não é lindo, meu amor? Que nome acha que combinaria?
Milutin: A sua cara, meu amor. Bem, o que me diz de Nikola?
Duka: Nikola… Nikola Tesla.
O senhor das moscas se aproximou e olhou o bebê, que ainda estava de olhos fechados, nos braços da mulher que o ninava.
Então seu nome seria Nikola. Um bom nome, mas ainda achava estrelinha um nome muito melhor.
Ele era simplesmente adorável: os olhinhos ainda fechados, com alguns fios bem clarinhos, as mãozinhas fechadas.
Ele queria segurar as mãozinhas de sua luz.
Mas, antes que pudesse pegá-lo, o nenê foi levado pelas enfermeiras, enquanto a mulher foi encaminhada para um dos quartos.
E ele foi atrás de sua estrela, é óbvio.
Chegando à ala pediátrica, onde ficavam os bebês recém-nascidos,
o bebê foi lavado e vestido, e claro, recebeu a pulseirinha de identificação com seu nome.
O deus cananeu ficou ali olhando o bebê por alguns minutos, até sentir alguém se aproximar.
Os irmãos Tesla, é claro.
O trio se aproximou do vidro para ver o pequeno Nikola dormindo.
Milka: Olha! É um menininho!
Angelina: Ele é tão pequenino!
Dane: Não gritem, ele pode se assustar.
As garotas olharam mais de perto, e o bebê era fofo demais.
O mais velho dos irmãos tocou o vidro que os separava da sala dos bebês.
Ele não sabia explicar, mas desde que soube que teria mais um irmão, coisas estranhas começaram a acontecer.
E também havia aquela sensação estranha que parecia seguir sua mãe pela casa.
Sua linha de raciocínio foi cortada quando uma enfermeira veio pegar o bebê, provavelmente para levá-lo até a mãe.
Dane: Vamos pro quarto da mamãe, no andar de cima.
As duas garotas assentiram, seguindo o mais velho.
Já o príncipe do inferno foi atrás da enfermeira que levava sua estrelinha.
O quarto estava escuro, apenas com as luzes do corredor e a luz da lua entrando pela janela.
O quarto em que a mãe da família estava era silencioso, com apenas a mulher dormindo.
Ao seu lado, um berço onde repousava o bebê, que olhava tudo com curiosidade.
O demônio entrou silenciosamente, indo em direção ao berço.
Quando chegou, estendeu os braços e o pegou.
O bebê já estava de olhos abertos, mostrando um azul estrelado que brilhava em pura curiosidade.
Beelzebu: Lembra de mim, estrelinha?
O bebê ergueu os braços, pegando os fios negros do demônio, e abriu um sorriso sem dentes.
Ele se segurou na batina do deus cananeu e se ajeitou em seus braços.
O príncipe do inferno balançava cuidadosamente o bebê.
E então, como sua estrelinha gostava, começou a cantar aquela canção.
Ba-laila hasheket, rak ha-shamayim medabrim
Kochav echad nofel, misaper sipur shel zeman
Orot me’irim al gabei ha-efer
K’mo dema’ot shel ha-olam ha-nistar
Ruach nashvah ben etz la-etz
Ve’ani shome’a et ha-zimrah shel ha-kochavim
Kolam rach, kmo nevel yashan
Mesaperim al ahavah she-nich’b’ah ba-ayin
Zoharam lo docheh et ha-choshech
Aval mechabek oto b’rakhut
Lo milchamah, lo nitzachon — rak kayam
B’tzlal ha-laila, hem ovrim b’sheket
Halichat ha-or be-toch ha-rik
Nireh kmo misgeret shel chalom
Mi yuchal likro et shemotam ha-atarim?
Rak halev yode’a et ha-niggun ha-atar
Kochavim, kochavim, al ha-mishkaf ha-nistar
T’horim kemo neshamot tohot
K’she-ha-laila yoreid al ha-tevel
Hem shomrim al ha-yeladim hay’shenim
Yom echad gam ani eheyeh kochav
Gam im ha-or sheli dak, ve’lo mitgaber
Efroach echad nosheh et tzilo
Ve-ha-laila lo od pachad — rak menuchah
Zohar ha-kochavim hu shir shelo nigmar
Gam im ha-boker yavi et ha-esh
Ha-zemer nish’ar b’ruach, b’mabat ha-sof
U-b’chol lilah — hu chozer v’shoneh
A mesma canção que cantarolava no jardim quando a estrelinha repousava em suas mãos.
(canção mantida sem alterações)
O bebê estava quase dormindo nos braços do deus cananeu,
quando o barulho de algo caindo foi ouvido no corredor.
O representante da gula se virou com o bebê nos braços e encarou uma enfermeira.
Seus olhos vermelhos como sangue encararam aquela pobre mulher, que teve o azar de cruzar seu caminho.
Enfermeira: De-de-demo-demônio…
O senhor das moscas continuou parado, segurando o bebê.
Então olhou para Nikola, que o encarava com curiosidade.
Ainda era um bebê recém-nascido. Se o levasse agora, precisaria de uma ama de leite para amamentá-lo.
Não seria difícil conseguir uma, mas manter uma mulher recém-parida saudável e presa poderia prejudicar a produção de leite e sua qualidade, o que, por sua vez, poderia afetar o desenvolvimento de sua estrelinha.
Bem, ele esperou tantos meses… mais alguns não seriam problema.
Então colocou o bebê de volta no berço e desapareceu na escuridão.
E a enfermeira?
Pobre mulher, que desmaiou de medo ao encarar um demônio de olhos vermelhos.
No dia seguinte, a mulher enfim recebeu alta do hospital.
A família estava animada para voltar para casa junto do pequeno Nikola.
O pai arrumava as malas com a ajuda do mais velho entre os irmãos.
A mãe e as duas mais novas brincavam com o bebê,
bebê esse que sorria o tempo todo, olhando para todos os lados possíveis.
E o deus cananeu estava perto da janela, observando-os, invisível aos olhos humanos.
Até que uma enfermeira chegou correndo, seguida por médicos e seguranças, assustando a família.
A enfermeira foi contida pelos seguranças.
Enfermeira: ERA UM DEMÔNIO! ERA UM DEMÔNIO QUE QUERIA O BEBÊ!
A mãe segurou o bebê com força, sendo abraçada pelas filhas, que também se assustaram.
O pai e o irmão mais velho se colocaram à frente.
A enfermeira foi contida e levada.
Milutin: Do que ela está falando?
Perguntou, olhando um dos médicos entrar no quarto.
Médico: Foi apenas um surto. Sinto muito por isso.
Milka: Que medo…
A garotinha abraçou o irmão mais velho.
Enfermeira: EU JURO! ERA UM DEMÔNIO DE OLHOS VERMELHOS!
Ela foi levada, deixando a família em paz.
A família continuou arrumando suas coisas para voltar para casa.
Mas então Dane se virou, olhando em direção à janela, franzindo as sobrancelhas.
Ele não entendia o motivo daquela sensação, como se algo pesado os estivesse seguindo.
Mas talvez fosse apenas paranoia, então ignorou e voltou a ajudar com as malas.
E Beelzebu?
Bem, ele estava mais interessado em seguir sua estrelinha e acompanhar cada passo do bebê do que se importar com qualquer outra coisa.
