Chapter Text
“Sim, mãe, eu tentei conversar com ela, mas… não, mãe, eu não pedi para ter um segundo encontro… Olha, mãe, eu agradeço muito pelos esforços da sua igreja em tentar me arranjar uma namorada, mas é difícil conseguir me conectar com elas… Eu vou jantar aí na sexta-feira e podemos conversar melhor, ok?” Jimin suspirou e jogou o celular em cima da mesa.
Já fazia alguns meses que a mãe de Jimin encontrara uma nova igreja para frequentar, depois de anos afastada por aceitar e apoiar a sexualidade da filha. Essa igreja, além de acolher pessoas da comunidade LGBT, incentivava os frequentadores a serem uma rede de apoio para a comunidade.
Jimin era muito bem estruturada na vida, obrigada, mas o fato de ser solteira virou um grande tópico nas últimas semanas. A igreja, além de dar moradia temporária, comida e roupa, agora estava tentando investir em ser casamenteira.
O primeiro experimento, como Jimin se batizou, foi a filha da recém-chegada. Ao total foram três encontros: as duas primeiras eram meninas bonitas que não eram da igreja, mas ouviram falar do projeto, e a última era sobrinha de uma das mulheres da congregação.
Jimin tentou, de verdade, mas a timidez a impedia de ficar tranquila, e isso gerava um grande desconforto tanto para a outra parte quanto para ela, que ficava cada vez mais sufocada e constrangida.
“Você quer jantar pizza?” Yizhuo perguntou, ignorando a crise de Jimin “Eu estou alimentando essa massa já faz alguns meses, então provavelmente essa vai ser a melhor pizza que vamos jantar.”
“Como você faz para se sair bem em encontros?” Jimin perguntou.
“Como? Não sei, eu sempre fui descolada, sabe? Eu nunca tive problemas com encontros” Yizhuo disse com um sorrisinho “E também eu não tenho medo de mulher ou homem lindo.”
“Você está mentindo, eu já vi você ficar mais vermelha que um tomate quando aquele engenheiro veio aqui ajustar aquele seu projeto sem qualidade” Jimin acusou, e Yizhuo gargalhou.
“Se essa sua memória fraca funcionasse, se lembraria que eu namorei ele por alguns meses após isso. Eu recebi o impacto, absorvi e saí por cima” Yizhuo piscou para Jimin, que revirou os olhos.
“E qual conselho você poderia me dar?” Jimin pediu.
“Hum, não tenha medo de ser você. Você tem uma profissão super interessante, gosta de jogos de computador de maneira normal e é uma pessoa legal. De verdade, você consegue” Yizhuo disse “E aquela pizza?”
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“Jimin, coloca essas caixas no caminhão” a mãe de Jimin gritou “E depois pega aquelas maiores.”
Jimin grunhiu e focou em fazer todo esse esforço físico. Ela até tentou achar uma maneira de trazer uma máquina da universidade para facilitar a vida, mas infelizmente não deu certo e sobrou para ela colocar os músculos para trabalhar.
No dia seguinte haveria distribuição de sopas na igreja. Aquele era o dia de buscar os alimentos em uma fazenda que era parceira da instituição.
“Quando nós chegarmos lá vai ter uns rapazes para descarregar o caminhão, não se preocupe” uma senhora avisou para Jimin, que já ofegava com o peso das caixas.
“Ah, isso é bom. Sinceramente, só vou ter energia para essa parte” Jimin brincou.
“Dentro do caminhão tem água e frutas. Tira um tempinho para você descansar” ela sugeriu.
Jimin agitou a mão no ar “Está tudo bem, só falta o arroz e alguns galões de água. Depois eu vou descansar, obrigada, senhora…”
“Senhora Kim” ela respondeu sorrindo “Minha neta vem ajudar na cozinha amanhã, você vai ficar para conhecer ela?”
“Claro, vai ser divertido ter alguém da minha idade” Jimin sorriu para a senhora.
Após guardar todas as caixas no caminhão, Jimin esperou pela mãe e não pôde deixar de notar como ela não tinha problema nenhum em conversar com as pessoas, gesticulando e tocando nelas de maneira tão livre.
Diferente dela, que era um exemplo clássico de timidez. Desde criança, Jimin tremia ao ter o mínimo de contato com estranhos. Claro que o amadurecimento a ajudou um pouco com isso, e hoje em dia esse nervosismo se concentrava principalmente na hora de conhecer alguém de maneira mais íntima.
No caminho de volta, o silêncio do carro foi preenchido pela voz animada da mãe, que planejava cada detalhe da distribuição de sopa. Jimin apenas concordou com a cabeça, sentindo o peso do cansaço físico começar a cobrar o preço nos ombros.
Quando finalmente chegou em seu apartamento, tudo o que Jimin conseguiu fazer foi tomar um banho demorado e se deitar. Enquanto fechava os olhos, a última imagem que veio à sua mente não foram as equações ou os jogos de computador, mas o sorriso gentil da senhora Kim.
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Na manhã seguinte, o despertador tocou cedo demais para alguém que passara o dia anterior carregando caixas. Jimin levou alguns segundos para reunir forças e sair da cama. Seus ombros ainda reclamavam do esforço, mas ela já havia prometido ajudar na distribuição de sopa. Depois de um banho rápido e uma xícara de café, ela pegou as chaves e seguiu para a igreja.
Antes mesmo de entrar na cozinha, escutou a voz alta e alegre da mãe distribuindo ordens em um tom amigável demais para que alguém percebesse o quanto ela soava como uma coronel.
“Yu Jimin, você está vinte minutos atrasada” a mais velha acusou.
“Mãe, eu ainda estou me recuperando do esforço físico de ontem” Jimin choramingou “Mas eu vim, não vim?”
“Está cumprindo sua palavra, exatamente como eu ensinei” a mais velha brincou.
“Sim, mãe” Jimin murmurou.
Ela aproveitou o momento em que outra pessoa se aproximou para tirar uma dúvida e escapou antes que a conversa se prolongasse.
Jimin entrou na cozinha devagar, sem querer chamar muita atenção. Seus sentidos estavam muito aguçados pela quantidade de gente que tinha ali dentro, claramente todas as pessoas sendo bem mais velhas que ela.
“Nem pense em se esconder em um canto com seus videogames, mocinha.”
A voz da mãe fez Jimin dar um pequeno salto.
“Vá ajudar a senhora Kim e a neta dela com os legumes.”
Antes que pudesse protestar, Jimin foi praticamente empurrada na direção de uma das bancadas. Ela conseguiu parar de maneira abrupta ao lado da senhora Kim, que a recebeu com um sorriso caloroso.
“Menina Jimin, é bom ver você.”
A senhora apontou a faca para uma jovem concentrada demais em cortar tomates para notar o que acontecia ao seu redor.
“Essa é minha netinha, Kim Minjeong.”
Como um bichinho treinado ao ouvir o próprio nome, a mais nova ergueu a cabeça imediatamente e encarou as duas com uma expressão confusa.
“Jimin. Yu Jimin” ela se apresentou depressa, já sentindo o rosto esquentar.
“Ah, então você é a Jimin” Minjeong sorriu “Seu nome é famoso lá em casa. A filha da mulher gentil com a voz alta.”
Jimin olhou para ela sem entender.
“Minjeong, pelo amor de Deus” a senhora Kim murmurou, visivelmente envergonhada.
“Eu tenho dificuldade para lembrar nomes” ela explicou para Jimin “Então usei alguns adjetivos para identificar sua mãe.”
“Ah.”
Jimin considerou a informação por um instante.
“Faz sentido. A voz dela é alta e ela é gentil... quando quer.”
A última parte saiu baixa, mas não baixa o suficiente.
Minjeong deixou escapar uma risadinha.
Jimin puxa uma tábua e pegou uma faca, puxando uma bacia cheia de batatas já descascadas para perto de si. O silêncio que se instalou entre as duas não foi desconfortável, mas Jimin ainda sentia o peso da sua timidez rondando o peito. Ela focou no primeiro legume, tentando descontar o nervosismo na precisão do corte.
“Então” Minjeong quebrou o silêncio, com a voz mansa enquanto jogava os tomates picados em um pote grande “Sua mãe disse que você gosta de videogames. Que tipo de jogo você joga?”
Jimin quase perdeu o ritmo da faca, surpresa com a pergunta direta. Ela limpou a garganta antes de responder.
“Ah... um pouco de tudo, na verdade. Mais jogos de estratégia e RPG de computador” Jimin respondeu, arriscando olhar para Minjeong de canto de olho “Não achei que minha mãe espalharia isso por aí.”
“Ela parecia orgulhosa enquanto falava” Minjeong revelou, dando de ombros com um sorriso de canto “Acho fofo. Eu não entendo nada de computador, para ser sincera. Minha praia é mais... barulho.”
Jimin piscou, curiosa com a escolha de palavras.
“Festas?” Jimin perguntou.
“Claro, quem não gosta?” Minjeong sorriu “Mas eu estou falando de música, shows grandes ou pequenos, uma noite bem longa no karaokê ou ficar em casa ouvindo música e bebendo álcool, de maneira social, é claro” Minjeong disse a última parte olhando para a avó, que negou com a cabeça.
“Não caia na dela, Jimin. Essa menina bebe por nós duas e ainda sobra espaço.”
“Vó!” Minjeong reclamou.
“Estou mentindo?”
“Estou tentando impressionar ela” Minjeong murmurou e voltou a cortar os tomates, deixando Jimin sem palavras.
O restante da manhã passou rápido demais e logo todos os voluntários estavam se mexendo para organizar a fila, as mesas e as lixeiras grandes para receber os pratos descartáveis. Jimin estava novamente fazendo força ao tentar puxar uma dessas para a posição solicitada pela mãe.
“Você é forte, não é?” Minjeong brincou, ajudando Jimin a puxar a lixeira.
“Nossa, obrigada. Minha mãe teve uma filha, mas acha que teve o Superman” Jimin sorriu para Minjeong e tentou recuperar o fôlego.
“Eu achei bem impressionante” Minjeong murmurou.
Jimin olha para ela, surpresa, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, o sino indicando a entrada das pessoas assustou a mais velha.
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Jimin e Minjeong ficaram responsáveis pela distribuição dos pães no final da fila. Um pequeno saquinho com dois tipos de pães para comer com a sopa ou simplesmente levar embora, se desejassem.
Jimin deixou que Minjeong interagisse com as pessoas da fila, ficando alguns passos para trás apenas entregando os pães da caixa para a mais nova, que os repassava para as pessoas. E Jimin não conseguia disfarçar o interesse na personalidade de Minjeong.
Com a interação durando apenas alguns segundos, a mais nova conseguia sorrir, fazer uma pergunta ou receber uma pergunta, responder e desejar uma boa refeição. Isso era impressionante para os olhos da mais velha.
Quando a caixa estava quase vazia, Jimin precisou se esforçar um pouco mais para pegar os pães no fundo, o que atrasou o procedimento em alguns segundos, fazendo a mão de Minjeong ficar vazia no ar.
Com um movimento desajeitado, ela pegou o pão e o colocou na mão de Minjeong, ainda sem jeito. Nisso, os dedos delas se tocaram por alguns segundos. Jimin afastou a mão como se tivesse tocado em alguma coisa proibida, e o gesto não passou despercebido pela mais nova, que olhou por cima do ombro enquanto ainda falava com a pessoa da fila.
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“Um sucesso, estou tão feliz” a senhora Yu falou com todos os voluntários que finalmente puderam se sentar para enfim também aproveitarem a sopa.
“Foi um baita trabalho em equipe” um homem falou orgulhoso “Estou feliz também.”
As pessoas comemoravam batendo palmas e conversando entre si, realmente todas felizes e satisfeitas. Menos, talvez, Jimin, que comia calada em um canto, tentando processar o que tinha acontecido.
Depois do pequeno incidente do pão, ela sentia o ar tenso e tudo o que queria era se explicar, dizer que apenas tinha se assustado com o toque e que não era nada contra a mais nova. Ela olhava de longe para a mesa onde Minjeong estava sentada com várias senhoras, certa de que tinha estragado as coisas.
Jimin se distraiu com a própria comida depois de um tempo. A sopa estava realmente saborosa, mas ela ainda sentia o cansaço do dia anterior e pensou que seria bom conseguir descansar antes de ir trabalhar no dia seguinte.
“Mãe, eu posso ir embora?” Jimin perguntou.
“Sim, Jimin” a mais velha levantou e abraçou Jimin com força, que retribuiu o abraço “Obrigada pela ajuda… Foi melhor que aquelas épocas em que você era criança.”
“Dessa vez eu não tive que fingir nada, mãe” Jimin sorriu para a mãe, que assentiu, compreendendo mesmo com poucas palavras.
Jimin abraçou a mãe mais uma vez antes de ir para o carro e finalmente ir embora. Com uma rápida olhada no celular, ela se surpreendeu com o horário, quase seis da tarde, e mais uma vez reforçou dentro da cabeça que merecia descansar.
“Ei, Jimin! Yu Jimin!” a voz de Minjeong chegou até Jimin, que estava parada, ainda abrindo a porta do carro.
“Como posso te ajudar?” Jimin perguntou, querendo morrer ao ouvir a própria voz soar tão formal.
“Você pode me ajudar me dando uma carona” Minjeong explicou, dando risada ao ver o rosto vermelho de Jimin.
“Carona…” Jimin enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta, se sentindo nervosa.
“Você pode falar que não… se eu estiver te incomodando” Minjeong disse, e Jimin conseguiu ver nela o mesmo olhar de mais cedo, do incidente do pão.
“Não! Eu quero dizer, sim, sim, sim, eu vou dar a carona, por favor, entre no carro… Eu vou adorar dar uma carona para você… Você foi uma boa companhia hoje… Então, sim, carona” Jimin disse tudo muito rápido, sentindo o corpo inteiro esquentar de vergonha.
“Obrigada” Minjeong disse. Mesmo tão nervosa, Jimin conseguiu notar que a mais nova estava escondendo uma risada.
“Onde devo deixar você?” a mais velha perguntou, já dentro do carro e saindo do estacionamento.
“Tenho duas opções e uma delas depende de você” Minjeong explicou “Qual vai ser?”
“Eu gosto do que você gostar” Jimin disse rápido demais, o que não ajudou em nada com a vergonha que sentia.
“Ah, é mesmo? Isso é bom” Minjeong cantarolou “Então, vamos para a minha casa.”
Jimin freou bruscamente, fazendo as duas irem para a frente com força, sendo salvas pelos cintos de segurança. Tentando se recuperar do susto, Jimin acelerou novamente, fazendo os pneus cantarem no asfalto.
“S-Sua C-casa? Por quê?” Jimin perguntou com a voz trêmula.
“Porque a minha casa fica perto de uma cafeteria adorável… O que passou pela sua cabeça?” Minjeong explicou, mas não perdeu a oportunidade de brincar com Jimin, chegando mais perto para perguntar.
“Nada… Nada mesmo… Só me assustei com um pássaro” Jimin mentiu.
“É mesmo?” Minjeong perguntou, olhando para fora “Como ele era?”
“Azul e do tamanho desse carro” Jimin disse.
“Ah, eu queria ter visto… Uma pena que seu rosto bonito me distraiu” Minjeong disse e estalou a língua.
Jimin precisou segurar o volante com força para não deixar o carro rodopiar na pista.
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Minjeong aparentemente ainda tinha fome. Com três pedaços de bolo em cima da mesa e dois cafés gelados grandes, um para cada, Jimin concluiu o pensamento.
“Red Velvet, Três Chocolates e o meu preferido, Tiramisu” Minjeong explicou “Vamos dividir, ok?”
Jimin apenas assentiu, buscando o garfo em cima da mesa ao mesmo tempo que Minjeong. O movimento fez os dedos delas se encostarem como mais cedo, mas, dessa vez, Jimin não tirou a mão; deixou que os dedos se tocassem por alguns segundos antes de recuar para pegar o outro garfo.
“Qual sua profissão?” Minjeong perguntou de repente. As duas estavam comendo o bolo em silêncio até então.
“Eu sou uma astrofísica” Jimin revelou “Eu cuido das estrelas” ela brincou, e Minjeong pareceu impressionada.
“Isso parece divertido… Como é seu dia a dia?” ela perguntou, curiosa.
Jimin tomou um gole do seu café gelado, organizando os pensamentos antes de começar. Quando o assunto era o seu trabalho, o nervosismo da timidez costumava dar lugar ao foco profissional.
“Bom, a maior parte do tempo eu passo analisando espectros de luz e dados de radiação cósmica de fundo que os telescópios captam” Jimin explicou, gesticulando levemente com o garfo “Eu uso modelos computacionais para tentar entender a evolução química das galáxias e a mecânica orbital de corpos celestes distantes. Basicamente, eu fico lendo códigos e planilhas cheias de números em uma tela preta por doze horas seguidas.”
Minjeong piscou algumas vezes, com o garfo parado no meio do caminho até a boca, claramente tentando processar os termos técnicos.
Ao notar a expressão confusa da mais nova, Jimin sentiu as bochechas esquentarem e soltou uma risada sem jeito, pigarreando para mudar o tom.
“Quero dizer… o resumo bobo é que eu fico olhando para fotos bonitas do espaço que o telescópio James Webb tira, tentando adivinhar do que aquelas nuvens coloridas são feitas” ela completou, desviando o olhar para o bolo de Tiramisu “É basicamente um trabalho de detetive, só que as pistas estão a bilhões de anos-luz de distância.”
Minjeong abriu um sorriso largo, parecendo ainda mais encantada.
“Parece divertido” ela concluiu.
“Eu gosto” Jimin comentou “E você? O que você faz?”
“Eu sou professora de matemática… Geralmente para turmas avançadas, da oitava série ao ensino médio” Minjeong revelou, e Jimin se surpreendeu.
“Você é realmente inteligente!” Jimin comentou, sorrindo “Matemática avançada é o tipo de coisa que eu fazia por diversão quando era criança, e professores são muito inteligentes.”
“Obrigada pelo elogio tão sincero, Jimin” Minjeong comentou, sorrindo “E eu tenho alguns alunos realmente inteligentes… Eles iriam adorar conhecer uma cientista de verdade.”
Jimin apontou para si mesma “Eu não sou boa com crianças… Elas me assustam” ela murmurou.
“Por que você é tão tímida?” Minjeong perguntou, observando bem o rosto de Jimin.
“Eu sempre fui… Mas acredite em mim, essa versão aqui é o meu melhor. Em outras épocas, eu teria simplesmente fugido de uma mulher tão bonita quanto você ou, pior, cortado meu dedo fora” Jimin disse sem pensar e fechou os olhos assim que se ouviu.
“Meu Deus, você é adorável” Minjeong esticou a mão e entrelaçou os dedos superficialmente com os de Jimin.
“Você também…” Jimin murmurou, envergonhada.
“Obrigada…” Minjeong sorriu.
Depois de pagarem a conta, as duas voltaram para o carro em um silêncio muito mais confortável do que o de antes. Jimin dirigiu o pequeno trajeto até a casa de Minjeong prestando o triplo de atenção na estrada, para não cometer mais nenhuma gafe por puro nervosismo.
Quando estacionou, Minjeong não desceu imediatamente. Ela pediu o celular de Jimin, digitou o próprio número e salvou o contato com um emoji de coração ao lado do nome.
Com um intellectual e doce agradecimento pela carona, a mais nova saiu do veículo. Jimin esperou que ela entrasse em casa antes de dar a partida, olhando para o número gravado na tela e percebendo, com o coração acelerado, que sua timidez, pela primeira vez, não tinha estragado tudo.
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“Uma equação para verificar se a Jimin vai se dar bem no encontro? Isso não é possível… é?” a senhora Yu perguntou, curiosa, ao ver Yizhuo escrevendo intensamente em um quadro branco no meio da sala apertada de Jimin.
Hoje as duas estavam ali para ajudar Jimin a se arrumar para o primeiro encontro oficial com Minjeong, após alguns dias trocando apenas mensagens pelo celular. A mãe de Jimin estava muito orgulhosa de o seu plano ter dado certo. Tudo fora combinado pelas costas da filha: o encontro com a belíssima neta da senhora Kim, que também queria arrumar alguém para a neta.
Já Yizhuo, depois de passar dias zoando Jimin pelos sorrisos bobos, agora estava disposta a provar em teoria que a melhor amiga iria, sim, se dar bem.
“Veja os números, senhora Yu. É inegável, Yu Jimin irá se dar bem hoje à noite” ela concluiu, e escutou um gemido frustrado de Jimin vindo do quarto.
A cientista saiu do cômodo com uma bolsa média e aparentemente cheia nos ombros, suspirando pesado e parecendo ainda mais cansada.
“Qual o problema?” a senhora Yu perguntou.
“Estou nervosa… Nunca suei tanto na vida…” Jimin murmurou e mostrou a bolsa “Camisetas extras… Eu vou precisar.”
“Cara, você vai dominar esse encontro, olha para os números” Yizhuo apontou para o quadro, chamando a atenção de Jimin, que prestou atenção e soltou outro choramingo alto.
“Essa conta está errada! Meu Deus, eu vou estragar tudo!”
Levou mais meia hora para Jimin finalmente sair do apartamento e ir ao primeiro encontro com Minjeong. No fim, deu tudo certo, e as duas iniciaram um namoro tranquilo.
