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Rating:
Archive Warning:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 1 of If you can dream it...
Stats:
Published:
2019-10-24
Updated:
2020-01-30
Words:
41,353
Chapters:
10/?
Comments:
114
Kudos:
97
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5
Hits:
3,751

Wishing Upon a Star

Chapter 10: Hakuna Matata

Notes:

Leitores incríveis do meu coração!

Muito obrigada por todo o carinho e por me cobrarem pela demora! hahaha (trabalho pare de me abduzir!!!)

Pode parecer estranho, mas juro que me deixa feliz saber que vocês sentem saudade de ler um pedaço desse meu mundinho <3

Demorei, mas cheguei, e espero que gostem!

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

It means no worries
For the rest of your days
It's our problem-free philosophy
Hakuna Matata!

 

A inocência infantil era algo tão poderoso quanto a desconfiança e alerta constantes em que ex-policiais vivem.

Ao mesmo tempo em que Paula passara o resto do dia se divertindo sem fazer segundas ou terceiras perguntas sobre o estranho comportamento de Sérgio, explicando apenas uma vez com risadas que o tal balde que acende da Rapunzel só vendia em uma loja específica e não em pipoqueiros por aí, Raquel passou o resto do dia observando Sérgio atentamente . Ela conseguia farejar problemas, e ele estava acendendo todos os seus sentidos com um comportamento distante e esquisito . Raquel teve certeza de suas dúvidas quando Sérgio se recusou a ir em um brinquedo com elas, alegando que estava sentindo um pouco de tontura e preferia descansar um pouco. 

Ele acenava para elas da fila, e Paula animadamente batia palmas enquanto o carrinho se movia, quando Raquel olhou para ele de uma maneira que dispensou palavras. Com um pequeno aceno negativo com a cabeça, ela deixou muito claro: eu sei que você está mentindo, vamos nos falar depois . E Sérgio engoliu seco, aproveitando-se de que elas haviam sumido no túnel do brinquedo para puxar o celular pré-pago e irrastreável que carregava como pertencente a Fernando, e discou um número que ele desejara não ser obrigado a chamar naquela viagem. 

A cada toque na linha, ele se afastou delicadamente da fila, ansioso pela resposta à chamada, que parecia demorar mais do que o normal. Apenas Sérgio tinha aquele número, então seu dono com certeza ia atender, em algum momento. Ele só esperava que não demorasse muito. 

- Professor? - uma voz sonolenta chamou do outro lado da linha. - Joder , você sabe que horas são aqui? - ele sabia, mas era uma emergência.

- Eu sei, e não ligaria se não fosse importante. Marselha, preciso da sua ajuda. - ele sussurrou. 

- Algo de errado com toda a coisa do projeto ‘Wishing Upon a Star’ ? - ele riu-se ao citar o nome, e Sérgio não via graça, mas sentiu-se aliviado ao ouvir que Marselha se movimentava do outro lado, possivelmente levantando-se da cama. 

- Não sei, mas acho que sim. - Sérgio confessou, mantendo a voz o quão baixa quanto podia. - Eu acho que alguém nos reconheceu. - Marselha xingou do outro lado da linha, e estava pronto para dar algum tipo de sermão, quando Sérgio o cortou. - Preciso que você acione nossos contatos no Paquistão, eu quero uma varredura tão intensa da internet quanto fizemos para o banco. Qualquer menção minha ou da Lisboa no Japão precisa ser encontrada. 

- Feito. 

- Gracias, amigo

 

Levou apenas alguns minutos para que Paula voltasse correndo na direção de Sérgio, e tentasse pular nas costas dele - que ainda era alto demais em relação a ela para que aquilo funcionasse, terminando a situação num engraçado movimento de Sérgio, curvando-se quase desesperada para a frente para evitar que ela caísse. Paula, por sua vez, aproveitou-se da posição para escalar as costas dele e conseguir finalmente agarrar-se ao pescoço do padrasto, ajeitando-se para poder de fato ser carregada de cavalinho. 

- Isso quase deu muito errado, cielito . - ele comentou, quando se endireitou segurando os joelhos dela, que apenas deu de ombros. 

- Eu sabia que não ia me deixar cair. - Paula respondeu, apoiando o queixo no ombro dele. 

- Mas vocês dois podiam ter caído na tentativa. - Raquel repreendeu, aproximando-se com um olhar inquisidor. - Afinal… ele não estava se sentindo mal, antes, tinha… Tonturas , não era, cariño ? - nenhuma palavra naquela frase aparentemente preocupada era inocente.A maneira como o tom de Raquel flutuava parecia tentar arrancar dele respostas que ele jamais daria na frente de Paula, e que desejava não ter que dar a Raquel. 

Aproximando-se dele com cuidado, Raquel colocou uma mão e seu ombro, encarando-o sem qualquer necessidade de fingir qualquer coisa. Sérgio àquele ponto já devia saber que não a havia convencido com a coisa toda do mal estar. E, para surpresa de Raquel, ele também não fingiu ou tentou desviar do assunto mais, olhando-a com uma expressão que ela só conseguiria classificar como um pedido de desculpas. 

- Mais tarde, no hotel… - ele pigarreou e balbuciou palavras sem sentido, tentando não dar nada a entender para Paula que, ainda que distraída, permanecia em suas costas. 

- Você me conta direito o que sentiu . - Raquel completou, pressionando os lábios rapidamente contra os dele, que assentiu. - Ou precisa voltar para o hotel e descansar? - ela levantou uma sobrancelha, apertando o ombro dele para indicar que não apenas sabia que ele tinha mentido, como desconfiava do motivo. 

- Não. - ele respondeu incisivamente. - Eu já… - Sérgio engoliu seco, procurando as palavras certas. - Tomei um remédio e devo ficar bem… pelo menos pelas próximas horas . - Raquel assentiu. 

- Caso piore à noite… 

- Vemos como prosseguir, sim. - foi a vez de Sérgio pressionar um beijo rápido nos lábios de Raquel, ouvindo um som de reprovação de Paula, que havia voltado a prestar atenção deles. 

- Chega de beijo e de doença! - a menina interveio. - Se tá melhor, é hora brincar mais! - os dois adultos se entreolharam, e concordaram silenciosamente em fazer a vontade de Paula. Aquela talvez fosse, por mais que eles esperassem o contrário, a última vez que ela poderia brincar em paz na viagem, então eles iam fazer valer a pena. 

 

 E assim eles fizeram: emendando uma atração na outra, sem deixar de passar pelas lojas e restaurantes - já que aparentemente o número possível de comidas com a temática Mickey ou Disney é incalculável. Era quase como se Sérgio fosse capaz de esquecer o temor de mais cedo e focar-se apenas na diversão com sua família, além do que a falta de contato de Marselha soava como uma esperança de boas notícias. Mesmo assim, naquela noite, ele insistiu que eles assistissem os fogos de artifício do melhor lugar possível, pois não tinha certeza se eles seriam capazes de voltar ali. Mais uma vez, enquanto o show de luzes levava sua mente para um mundo em que eles estivessem completamente seguros, ele se lembrou de que Marselha ainda não ligara. A esperança, ele sabia muito bem, era a única coisa capaz de manter uma pessoa sã em tempos de loucura, mas também algo muito perigoso. 

Raquel não deixara de observá-lo e de perceber que, por mais que ele se esforçasse, em alguns momentos ela via Sérgio dar lugar ao Professor, olhando discretamente por cima dos ombros, medindo as pessoas a seu redor, buscando possíveis ameaças. Ela não queria que para o resto da viagem, Sérgio não se permitisse a diversão, por isso ao vê-lo insistir para procurarem um lugar melhor para os fogos de artifício, ela decidiu não discordar: por mais que os motivos por trás a incomodassem, não tiraria isso dele. Algo estava errado, ou parecia , porque ela tinha certeza que ele não as manteria no parque com qualquer maior indicação de perigo. 

Somente no hotel, contudo, muito depois do fim das luzes e da orquestra, é que ela conseguiu falar abertamente com ele, enquanto Paula cantava alguma música da Disney e, novamente, se apaixonava pelo shampoo da Alice. Exausta, porém feliz, e animada de saber que no dia seguinte iriam ao DisneySea e ela finalmente usaria o monotrilho. 

- O que aconteceu? - Raquel perguntou, assim que o chuveiro começou, e a cantoria se instalou. Dando alguns passos na direção de Sérgio, que fitava o celular fixamente, sem dizer uma palavra, Raquel tocou seu rosto com as duas mãos, desviando a atenção dele para si. - Você não para de olhar esse celular desde que chegamos, mentiu pra mim no parque. Fala comigo

- Eu o vi de novo. - Sérgio respondeu. - Sozinho, dessa vez. Raquel , eu posso estar ficando doido, mas e se não estiver. O namorado não estava, talvez estivesse tomando sorvete, mas… - ele negou com a cabeça, e tocou as mãos dela que ainda acariciavam seu rosto. - Eu não posso ter vocês em perigo, eu preciso saber . Se não for, ótimo, passamos os dois próximos dias no DisneySea, o outro de volta ao parque principal, voltamos pra casa, como o planejado. Se for algo, fugimos na primeira oportunidade. De um jeito ou de outro, não saber está me enlouquecendo. Eu quero tanto que seja um turista e seu namorado, é tudo o que eu quero.

- Eu também, cariño . - Paula cantou uma nota longa e aguda do banheiro, fazendo os dois sorrirem quase com tristeza. - E como pretendemos saber? - ela respirou fundo. - Pois claramente não podemos prosseguir assim, e se algo fosse mais proeminente sei que já estaríamos em algum cargueiro.

- Marselha. - ele lambeu os lábios, e a olhou culpado. - Eu posso. Hm. Eu o deixei de sobre aviso. - Raquel franziu o cenho. - Eu o informei por cima do que ia acontecer, ele me deu um telefone irrastreável que só eu teria caso precisasse… 

- E não pensou em nos dizer?

- Era apenas uma rede de segurança, não uma parte do plano, eu só precisava dele atento. - ele ainda soava culpado, mas Raquel deixaria aquela passar. - E eu o contatei hoje. 

- Quando mentiu pra nós. - ela acusou, mesmo que mantendo a expressão leve. 

- Sim. - ele admitiu. - Entrei em pânico, precisava falar com ele sozinho… Não queria alarmar vocês mais uma vez

- Exceto que eu te leio como um livro aberto, mi amor , - ela deu mais um passo pra frente. - e nós estamos fazendo isso juntos . - Sérgio encostou a testa na dela. 

- Perdona … - ele sussurou e ela negou com a cabeça. 

- Só quando você aprender a não sofrer sozinho… - ela tocou o peito dele, e ouviu-o engolir seco. - Até porque… Se formos fugir, teremos que fazer isso em sintonia os três. 

- Como está tão calma? 

- Confio no plano. - Raquel respondeu, com um sorriso.  - Se Marselha mandar algo, teremos tempo e meios de escapar, já fizemos coisas piores. Sérgio, se eu pensasse diferente, não teria deixado você nos trazer aqui. - ela afirmou, com uma convicção que ele quase invejava. - Sermos vistos sempre foi um risco , um que o plano me convenceu a encarar. Que você e ela usaram pra me convencer. - e o telefone tocou. - Marselha? - foi Raquel quem atendeu, antes que Sérgio pudesse. 

- Lisboa? - ele cumprimentou do outro lado, com tamanha calma que a enchia de esperança. 

- Hola, amigo . - ela respondeu, segurando-se para não deixar a ansiedade tomar conta de si. - Como está? 

- Pior que vocês, que estão passeando. - ele respondeu, fazendo-a rir. - Merecido. De qualquer forma, imagino que queira as notícias logo. - aquilo era retórico. - Diga a nosso amigo que nada sobre vocês surgiu nem perto daí, pelo menos ainda . - ela engoliu seco, sentindo as lágrimas virem a seus olhos. - Não sabemos o que pode ou não aparecer, mas o nosso pessoal vai continuar monitorando vinte e quatro horas. Se algo surgir, os aviso, mas por enquanto...

- Gracias, Marselha. - a voz dela tentou embargar, mas Raquel não permitiu. 

- Por nada, divirtam-se e nós os mantemos avisados. - quando o telefone desligou, Raquel deixou as lágrimas silenciosas correrem por seu rosto. Por mais forte que ela fosse, ter a confirmação de que tudo ficaria bem fora mais intenso do que ela podia imaginar. 

- Raquel? - Sérgio segurou os ombros dela, confuso com lágrimas, sentindo o pânico se instalar dentro dele. - O que ele disse? O que ele achou

- Nada. - ela quase soluçou. - Ele não achou nada. - Sérgio sentiu como se fosse cair, e a abraçou fortemente num misto de alívio e completa confusão. Uma voz no fundo de sua cabeça dizia que isso podia apenas ter ganhado tempo para eles, mas não importava, porque a felicidade que tomava conta dele de saber que ainda estavam a salvo era maior do que ele podia conter. Raquel agarrou-se à cintura dele, sorrindo contra a camisa de Sérgio, que beijou sua cabeça. - Eles vão continuar monitorando… 

- Bom… Ótimo. - ele quase suspirou. 

- Qualquer movimentação estranha, nos ligam imediatamente. - ela beijou o tecido da camisa, e sentiu-o apertá-la ainda mais contra seu corpo. 

- Vamos ficar bem. 

- É claro que vamos. - ela se afastou um pouco. - Mesmo que tivéssemos que fugir, nós íamos

- Raquel eu preciso…

- Deixar o Irmão Urso em curso, eu sei. - ela acariciou o rosto dele. - Pra caso algo apareça… mas eu preciso que você me prometa algo, sim? - ele a encarou confuso. - Que amanhã vamos nos divertir. De verdade! Até esse celular tocar com algo do Marselha, nós vamos aproveitar essa viagem, mi amor . Nós merecemos. Coloque o que precisa do Irmão Urso em curso, deixe tudo preparado, mas por favor… Não perca o dia todo pensando nisso, ok?

- Ok… - Sérgio engoliu seco, sabendo o quanto aquilo seria difícil, mas Raquel estava completamente certa: eles mereciam e precisavam disso . - Eu prometo. Amanhã… - ele parou e pensou um pouco. - A Operação Hakuna Matata ocorrerá. - Raquel respondeu com uma risada deliciosamente divertida, os olhos brilhando com a mistura do alívio e da tranquilidade. - Sem preocupações. 

- Sem preocupações. - Raquel sorriu e levantou o rosto, vendo-o lentamente se aproximar para beijá-la rapidamente, com uma leveza que quase a fez se arrepender, lembrando-a do quanto precisava ficar sozinha com ele. 

- Te quiero. - ele sussurrou, antes de beijá-la mais uma única vez, apenas para se afastar sem nem mesmo dar-lhe tempo de responder. - Preciso colocar o Irmão Urso em movimento, pelo menos para que tudo fique em espera… Diga a ela que eu fui… Buscar doces? - ela assentiu, e viu-o deixar o quarto com o celular. Paula saiu do banho segundos depois perguntando por ele, mas se contentou com saber que logo teria mais ursinhos de gelatina ou algo do tipo. 

 

- Mamá , você sabia que no DisneySea tem um submarino de verdade? - Paula perguntou, teimosa, quando Raquel a cobria e tentava convencê-la a dormir, quase uma hora depois

- Eu não acho que seja uma submarino de verdade, meu amor… - as duas ouviram a porta do quarto se abrir, e Raquel precisava admitir que o fato de que ele lembrara dos doces era quase tão preocupante quanto o tamanho da sacola

- Mas é quase . - Sérgio deu um beijo rápido em cada uma das duas, e observou com carinho enquanto Paula pulava na cama, muito para o desespero de Raquel, para abrir todos os tipos de doces que ele havia trazido para ela. - É um brinquedo, é claro, mas pelo o que eu li é uma atração extremamente realista . Vamos nos sentir a 20.000 léguas da superfície mesmo . - Paula bateu palmas, fazendo que ia abrir um dos pacotes. 

- Nem pense nisso, mocinha! - Raquel tirou rapidamente da mão dela. - Amanhã cedo! Imagina, se comer isso tudo não dorme! - Paula fechou a expressão e olhou na direção de Sérgio, quase implorando. 

- Nessa eu vou ter que ficar com sua mãe, cielito , afinal amanhã temos um dia todo pra comer isso, um monotrilho pra andar, um submarino, uma montanha do Indiana Jones…

- O tapete do Alladin e da Jasmine, o mar da Ariel… - ela continuou contando, enquanto deixava-se ser colocada debaixo das cobertas. - A Torre do Terror! - ambos os adultos beijaram a testa dela, que virou-se para o lado resignada. 

Afastando-se um pouco da cama da menina para apagar algumas das luzes, Raquel segurou Sérgio delicadamente pelo braço por um único momento, e ele fez um sinal de cabeça que confirmou para ela que tudo estava acertado. Com um beijo rápido porém calmo, ela o certificou de que havia entendido, tomando cuidado para não transparecer nada a Paula, que ainda fingia dormir. 

- Precisava de tantos doces…? - ela sussurrou, ainda contra os lábios dele. 

- É o que nós combinamos. - ele se defendeu, dando de ombros, usando o mesmo tom quase inaudível dela. - Hakuna Matata, não? - Raquel o beijou mais uma vez para tentar não rir alto demais. 

- Hakuna Matata. - Raquel concordou, com o coração tranquilo o suficiente para deixar-se ficar ansiosa pelo dia seguinte, que ela tinha certeza que seria incrível , porque eles o fariam ser.

Notes:

Esse capítulo é quase uma transição, por isso o tom dele tenha talvez parecido um pouco diferente do normal...?

Mas no próximo.... Bora pro DisneySea e pra programação/tom/tipo de capítulo normal KOAKOSSOKASOKASKOAOK enquanto isso, o que será que significa o Sérgio meio que iniciar o Irmão Urso? Temos algumas ~surpresas~ vindo por aí...

Juro que o próximo não demora tanto, ok?

Mil obrigadas e não deixem de me contar o que tão achando, significa demais! <3

Notes:

E óbvio que eu fiz a Paula ser Hanói porque né, motivos e razões.

Por favor, não deixem de comentar, a opinião de vocês é maravilhosa! <3

Continua...

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