Chapter Text
A Morte não demorou a chegar.
Susana sentiu uma mão sobre a sua, a ajudando a se levantar. Ela levantou o rosto, à procura do autor da gentileza. Porém, tudo o que ela pôde ver era uma luz branca, extremamente forte, que lhe ofuscava os olhos.
Ela tentou falar, perguntar onde estava, ou até mesmo pedir ajuda. Sua voz não saía, como num sonho, onde nos sentimos incapazes de fazer qualquer outra coisa se não contribuir com o que está acontecendo.
Ela se sentiu ser conduzida, como numa dança. Uma mão extremamente leve estava pousada sobre sua cintura, enquanto a outra mantinha seu braço estendido. Ao valsar com o ser invisível, Susana se sentiu extremamente cansada. Ela repousou a cabeça sobre o pescoço do condutor. Mesmo sem vê-lo, Susana podia sentir exatamente onde seu par estava.
O ser que a conduzia era, de certo modo, incorpóreo: Nunca o vendo, ela sentia o corpo do dançarino, e, no segundo seguinte, não mais. Ela não sentia o ser soltá-la ou se afastar. Ele simplesmente... sumia. Como se fosse feito de ar, ou água, e desmanchasse de tempos em tempos. Mas ele jamais a deixava cair. Era como se a essência do ser a mantesse em pé, ao mesmo tempo em que ela mantinha o ser presente.
Em pouco tempo, os pés de Susana deixaram de tocar o piso frio que ela reconhecia como o de sua casa em Londres para valsarem sobre uma relva macia e levemente gelada.
Num certo momento, seja quem a conduzia parou e a deitou suavemente sobre a grama. Pelo som, Susana pode sentir que o dançarino se afastava. Nesse instante, a luz diminuiu, e antes que a garota pudesse ver onde estava, uma escuridão tomou conta do lugar e Susana adormeceu.
