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Cinderio - Haikyuu!! Cinderela AU

Chapter 5: Cinderio

Summary:

Hinata e Kageyama se aproximam ainda mais

Chapter Text

- Vem logo, Tobio! - Hinata puxa a mão do outro garoto até a porta da pizzaria, forçando para frente ao ver o quão incertos são seus passos.

Kageyama tem um vermelho intenso em suas bochechas e seus olhos se mantém colados no chão, Shouyo ocupa todos os cantos de sua mente, o deixando cada vez mais acanhado. Isso é normal entre amigos?

-Uma mesa para dois, por favor. - O ruivo demanda, liderando Tobio para dentro assim que a mulher à porta abre passagem, mostrando uma mesa na extrema esquerda do local. - Finalmente! Aqui, olha. - Hinata puxa a cadeira para que o outro jovem sente, o que ele faz encolhido e parecendo aflito.

Bokuto abocanha um pedaço enorme de pizza de calabresa, olhos se abrindo quando vê os dois chegando. Kuroo e Akaashi não perdem a encarada e procuram o casal, também ficando surpresos com a beleza estonteante de Kageyama.

-Eu disse. - Kenma fala, se referindo ao fato de que havia pontuado a beleza do garoto muito antes disso.

- Bokuto, pelo menos disfarce. - Keiji fala em um tom irritado, quando vê seu noivo praticamente babando.

-Sem ciúmes, amor, você continua sendo o mais bonito nesse restaurante. Na verdade, o mais bonito em todo o reino, em toda a terra! - Kotaro se prende nas orbes profundas de Keiji, dando à ele muito mais atenção do que deu a Tobio há nem mesmo um minuto atrás. Bokuto só deixa ir sua encarada quando vê o outro completamente vermelho, lançando um sorriso vitorioso pela reafirmação de seu controle.

-Não faz meu tipo. - Kuroo cruza os braços e se afunda na cadeira com os olhos fechados, abrindo apenas um pouco ao procurar a expressão de aprovação de seu namorado.

-Não sei, não consigo sentir nada diferente por mais ninguém. - Kozume diz como se não fosse nada, sem nem ao menos olhar para o namorado, que mesmo assim entra em estado de êxtase com o carinho inexperado.

- Como será que Shouyo está se saindo? - Akaashi olha para a mesa do casal com um pouco de curiosidade, estreitando os olhos para tentar captar o que falavam.

-Conhecendo ele, ou muito bem, ou muito mal. Não existe meio termo com nosso baixinho. - Tetsuro ri, assim como Kenma. - Mas pela cara do tal Tobio, aposto no muito bem.

-Esse Tobio parece um tomate desde que chegou! - Bokuto ri alto. - Ainda não superei ele usar MEU sobrenome. “Shou Bokuto” Hah- sinceramente!

-Shouyo não é o melhor com mentiras. - Kenma adiciona, com um sorriso curto.

-Não importa, agora temos um filho, né, Akaashi?

- Bokuto-san, eu não-

-Temos um filho! - Kotaro pula na cadeira com um grande sorriso, que arranca risadas dos outros presentes. Akaashi toma muito ar, se concentrando em não debochar de seu noivo pelo menos dessa vez. Ele parece tão feliz que seria muita maldade cortá-lo.

- É, temos, Bokuto-san.

Enquanto os quatro se perdem, o casal conversa, ou melhor, Hinata fala de maneira exacerbada e agitada, e Tobio o escuta com atenção.

-Sério, aí o Atsmu levantou a bola e Sakusa cortou com tudo! Um dia quero ser tão bom quanto eles. - Shouyo narra praticamente tudo sobre o último jogo da Karasuno, já que Kageyama não conseguiu assistir. - Você tinha que ver a cara de choque do Ushijima, foi impagável! Karasuno está evoluindo, e eu fico tão orgulhoso de torcer desde sempre! - Hinata olha para o lado, como que ponderando. - Não sempre- desde que conheci o pequeno gigante. - Kageyama concorda com a cabeça, se inclinando para demonstrar seu interesse no que Shou diz.

-O pequeno gigante foi o que me fez ter confiança para jogar, mesmo que seja por hobbie. Não achava que era possível antes. - O ruivo sorri largo. - E o time da Karasuno me representa muito. Era um time menosprezado, que se levantou graças ao esforço. Tô falando muito? Fico empolgado quando o assunto é vôlei.

-Não, eu gosto de ouvir. Mesmo você pareça um bobo falando tanto assim. - O rosto de Shouyo se fecha com a segunda metade da fala.

-Você não precisava dizer essa última parte, grosso! - Ele finge um drama, se surpreendendo quando Kageyama levanda as duas sombrancelhas e baixa os olhos.

“Egoísta, sem educação! Por isso todo mundo vai te deixar!” Mais uma vez o padrasto invade sua mente.

-Desculpa, Shou. Não me deixa... - A última parte é mais um sussuro do que qualquer coisa.

Kageyama espreme as pupilas azuis com força, negando com a cabeça ao passo que mais e mais vozes invadiam sua cabeça o lembrando de suas limitações. Tudo isso é muito difícil para o rapaz, as palavras não chegam para ele como para os outros e ele nunca foi o melhor em expressar seus sentimentos. Ter consciência disso o quebra um pouco à cada dia, com o medo de dizer algo que não devia em pura inocência.

-Tobio, olha pra mim! - Hinata ordena, com a voz exageradamente alta. - Eu não vou te deixar, isso é uma promessa. - Ele complementa quando os olhos de Kageyama encontram os seus, assistindo o garoto ficar vermelho e uma feição constrangida tomá-lo.

-Não mente pra mim. - O de cabelos longos reclama.

-Eu não estou! - O príncipe revira os olhos. - Vai ter que me aturar por muito tempo ainda, boa sorte! - Hinata brinca, fazendo o outro abrir um pequeno sorrisinho, que para ele já é suficiente.

-Vamos pedir? Escolha o que quiser, é por minha conta. - Ele estende o cardápio, e Kageyama olha para ele com incerteza.

- P-pode escolher. - Ele afasta o item de si.

-Por que? - O monarca levanta a sombrancelha. Tobio se sente intimidado, mas não de um jeito ruim. Depois de tanto tempo, ele se sente melhor quando fala com alguém que guia, alguém firme.

-Eu... - As palavras lhe escapam. - Uhm... não ligo para o sabor. - Escolheu dizer, decidindo-se contra sua fala depreciativa.

-Mas eu quero que você escolha, vai logo! - Ele empurra novamente o cardápio.

O adolescente recebe, com certa dificuldade por entre as opções. - Eu gosto da de frango...

-Então é essa que vai ser! - Ele sorri largo e terno. - Por favor! - Diz chamando o garçom com a mão.

Os dois garotos comem, se conhecendo melhor conforme a noite passava. Kageyama mantia um olho no relógio, alertando Hinata quando ainda eram 19:30 que deveria ir. Está fora desde as 16, e mesmo que saiba que os três geralmente costumam chegar depois das 23, está ciente que tem tarefas e eles são imprevisíveis no fim das contas.

-Vou com você. - Shouyo se oferece, chamando mais uma vez o atendente para pagar a conta. - Eu queria pedir dois pedaços de bolo de chocolate para viagem e a minha conta, por favor.

- Não-

-Shh, bobinho, não se nega bolo de chocolate. Pode trazer, amigo! - O garçom assente e faz como solicitado, Kageyama mordendo o lábio por ter sido silenciado tão facilmente.

O caminho até a casa de Tobio é bem divertido, Shouyo pula pelas ruas, mais vazias durante a noite, jogando conversa fora. Ele pergunta sobre a comida favorita, cor predileta, hobbies, defeitos, qualidades, sonhos... tudo sobre Kageyama, tentando de alguma forma decifrar o menino tão calado

Eles entram no quintal, todas as luzes do casarão apagadas. - Tem alguém em casa?

-Não. - Tobio fala simplesmente, abrindo a porta. - Obrigado por hoje, foi bem legal. Tchau, tenho tarefas para terminar.

-Quer ajuda?

-É minha obrigação, por que você ajudaria? - A entonação é ríspida, como usual. Não é maldade, no entanto, e Hinata sabe.

-Porque eu quero que você descanse. - Ele sorri, mas parece triste. - O quanto já fez hoje? - A pergunta inocente assusta Tobio, o lembra de quando seu padrasto faz questionamentos para induzi-lo, para provocá-lo antes de punir.

-Não o suficiente. - O de olhos azuis responde rendido.

-Como não? Não minta pra mim, Tobio, desde quando está em pé trabalhando?

-Cinco da manhã.

-E que horas você foi dormir? - Shouyo estava sentindo seus nervos aflorarem. Além de usarem o garoto até o limite, esses porcos o fazem crer que não faz mais do que seu dever. Inaceitável.
-Acho que fui dormir... às duas. Mas eu não preciso dormir, eu juro. - O desespero preenche suas veias, faz suas pernas bambearem e darem um passo incerto para longe.

-Precisa sim, que droga. Vamos entrar, eu vou te ajudar a terminar e te colocar na cama. - De que adianta ser o príncipe sem poder intervir em atrocidades como essa? O ruivo se pergunta, cheio de indignação.

-Por onde eu posso começar? - Ele arranca o papel, que acontece de ser a lista de tarefas, das mãos de Tobio e lê tudo que ele precisa fazer em um dia, abismado. - Eu não conseguiria fazer tudo isso em um dia nem que eu quisesse!

-Não é nada demais... - Toda essa cena deixa o moreno um tanto atordoado.

- Eu passo as roupas enquanto você cuida dos sapatos desse tal de Suguru... Quando eu terminar, enxugo as louças e você organiza os livros. - Hinata fala confiante, assegurando para Kageyama que está tudo bem em receber ajuda. - Aí a gente toma uma água e descansa, antes de polir a escadaria juntos. O que acha, Tobio-kun? - Hinata não perde o vermelho no topo das bochechas de Kageyama, rindo para si e corando também logo em seguida.

- Tudo bem. Mas você sabe que não precisa-

-Onde estão as roupas e o ferro? - Kageyama responde a pergunta liderando Hinata pela mão, depois que seguraram pela primeira vez ele acabou ficando carente do toque.

Hinata trabalha rápido, refletindo muito sobre a vida de seu amigo e o porquê dele se comportar assim. O príncipe chega a conclusões que não gostaria sobre a origem de toda a ansiedade e péssima comunicação do outro.

Sacode a cabeça com força e se obriga à apenas passar o monte enorme de roupas.

Depois de terminar suas duas primeiras atividades, ele volta para a cozinha, e já encontra Kageyama com um balde e pano em mãos.

-Você não vai descansar...?

-Não estou cansado. Coloquei água para você, pode deixar que eu termino. - Sem expressão, Tobio sai do lugar. Shouyo precisa de alguns segundos para sair de seu estado estático e seguir o menino.

-Estou bem também! Vou te ajudar até o final. - Ele fala decidido, ao que o outro apenas assente, estendendo um pano.

Shou se considera hábil, treina esgrima e caça no palácio, como parte de seu currículo. Já teve muitas aulas de boas maneiras, em que aprendeu à limpar, cozinhar, tudo em tempo recorde.

Ele fica muito surpreso quando se vê terminando seu segundo degrau e Kageyama está no quinto.

Esse garoto é uma máquina?

Demora até que terminem, a escadaria é enorme e não precisam apenas esfregar, como lustrar em seguida. Assim que finalizam ali já são dez da noite, entretanto Tobio ainda não parece derrotado. Ele olha ao redor, procurando algo pendente, seus olhos se prendem na chaminé.

-Vai tomar sua água. - O mais alto afirma, guardando o balde.

Ele varra a lareira, jogando fora as cinzas, antes de buscar um pano e limpar ali. Kageyama, apesar de habilidoso, muitas vezes acaba liberando seu nervosismo em suas tarefas, e com a lareira não é diferente. Ele coloca força demais algumas vezes, ação que o deixa coberto de fuligem.

Apenas quarenta minutos depois ele se vê satisfeito e vai para a cozinha, Hinata parecia o esperar, mas quando olha para Tobio não consegue conter o riso. - Você precisa ver a sua cara! - O monarca provoca, entretanto o jovem nem se preocupa com as cinzas e se senta perto dele.

-Tá, come seu bolo agora. - O de olhos castanhos estende a farta fatia de bolo de chocolate com recheio de brigadeiro e morango, piscando de canto para Kageyama. - Eu tava te esperando pra comer! - Shou coloca o primeiro pedaço em sua boca e parece maravilhado. - É ótimo, mas eu tenho um amigo que tem uma padaria, o dele é muito melhor. Você precisa provar!

-Uhum... - Tobio concorda com um pedaço de bolo na boca, olhando para Shouyo na expectativa que continuasse à falar.

-Na verdade, é de dois amigos, eles são noivos... - Shouyo se lembrou bem de Kuroo dizendo para “discretamente perguntar se ele gosta de homens”. - Eles são dois homens, sabe?

-Sei. - A falta de expressão do jovem não ajuda em nada nesse momento.

-Você... não tem preconceito... né?

-Não, eu gosto de homens. - Ele fala como se não fosse nada, voltando para o bolo. Hinata quase não consegue conter a alegria que sente.

Para Tobio, realmente não é nada. Seu pai se casou com um homem, Nishinoya e Asahi se casaram. Ele não saiu para o mundo o suficiente para descobrir que homofobia existe mesmo com o casamento lgbt legalizado.

- Ah, eu também-

Shouyo tampou a boca com força quando ouviu o som de um carro entrando na garagem. Ambos, em total desespero, jogam os restos de bolo e a embalagem em que vieram dentro da sacola da pizzaria, Tobio puxa o ruivo para seu quartinho embaixo da escada e bate a porta.

Ele não se esquece de limpar a boca e passar o avental na mesa para tirar qualquer migalha, antes de ouvir a campainha.

Tobio abre, já sendo cumprimentado com muitas sacolas jogadas contra seu peito. - Fizemos compras hoje. Guarde, meretriz barata. - Suguru diz com escárnio.

-Sim, senhor.

-O que é isso na sua cara? - O mesmo irmão pergunta, rindo e cutucando para que Kindaichi olhe.

-São cinzas... - Kindaichi aponta o óbvio, de maneira cansada.

-O rei das cinzas. - Suguru humilha, gargalhando como uma hiena. - Oh, vossa majestade, gostaria de rolar comigo no lixão?
-Uhm... Cinderio não cai mal. É a junção de Tobio e cinzas – Kindaichi cria o apelido e logo explica, considerando que seu irmão é um pouco mais lento.

-Cinderio~ - Suguru cantarola. - É perfeito. O que você acha, Cinderio?

Apesar das sombrancelhas muito forçadas para baixo, expressando sua raiva de maneira inegável, ele não retruca. - Me chame como quiser, senhor.

-Parece que eu te eduquei muito bem, não é, Cinderio? - Oikawa sai detrás dos filhos, já com tom desafiador. - Fez tudo que eu mandei?

-Sim, senhor.

-Ótimo, Cinderio. Mas, veja, limpeza das janelas está bem porca, você não acha? - Tobio levanta a cabeça para olhar, não vendo nenhum aspecto de sujeira. - E você me diz que fez tudo o que eu mandei? - Tooru puxa as sacolas do enteado e deposita um tapa em cada lado do seu rosto, o empurrando para o chão logo em seguida. - Inútil!

-Sinto muito, senhor.

-Sentir muito não vai limpar as janelas. - Oikawa diz, chutando bem por entre as pernas de Kageyama, três vezes seguidas sem esboçar piedade. - Estou cansado, mas amanhã à noite tenha certeza que vou te fazer pagar por não cumprir com suas obrigações. Limpe DIREITO essas janelas antes de pensar em dormir. Me fiz claro, Cinderio?

-Sim, senhor... - Os três sobem para seus respectivos quartos, Tobio tendo um surto ainda em sua posição no chão. Ele vai pagar... até sua respiração treme com o medo.

O chicote não, por favor.
O chicote não, por favor.
O chicote não, por favor.

As lágrimas inundam seu rosto. Não faz tanto tempo desde sua última punição e queria evitar isso à todo o custo.

Shouyo não sabe se já pode sair de seu esconderijo, ouviu tudo de onde está e mais uma vez Oikawa despertou monstros que ele não sabia abrigar em seu peito. Queria sair, brigar, massacrar todos e fugir com Tobio para bem longe.

-Pode ir. - O sussuro de Tobio o tira de seus pensamentos rebeldes. Sabendo que precisam ser discretos, o príncipe apenas assente com a cabeça, seguindo Kageyama até o jardim.

Os dois se despedem com um olhar longo e sorrisos, Hinata força um papel contra a palma da mão do outro garoto, antes de sair correndo para o castelo.

“Vamos sair denovo!
Sexta-feira, na quadra de vôlei no mesmo horário. Vou te levar na padaria que falei, meu bem.
Te adoro, Shou.” Tobio lê até a última palavra com um sorriso bobo, forçando o pedaço de papel contra o peito. Fez seu primeiro amigo!

Notes:

oi, oi, oi.
obrigada por ler até aqui :)
prometo que as atualizações vão ser no mínimo semanais, demora um pouquinho já que os capítulos são longos. também prometo revisar esse capítulo logo, é tão extenso que deu uma preguicinha
comenta, deixa um kudo, para me animar à escrever mais.
beijinhos :)