Chapter Text
a história começa quando o nosso amigo da vizinhança, spider-man, e o mercenário de língua afiada estão jantando no telhado de um prédio no alto da cidade, jantando, na verdade, são alguns burritos quentes e refrigerantes gelados.
não tem um começo próprio da história, assim como a vida nunca tem um marco inicial. a partir do momento que você nasce você já é jogado nesse ciclo infinito. sua vida não começa, você só entra no ciclo de alguém, que entrou no de outro alguém e assim vai.
jeno acha que deve ter feito algo muito maravilhoso na sua vida passada para ter conseguido entrar nesse espaço e tempo específicos, de estar exatamente onde ele está, de ver o que ele está vendo.
isso sendo o jaemin.
quer dizer, não que ele saiba. para ele, o ser sentado do seu lado, mastigando os burritos seria ninguém mais que o spider-man, com sua máscara puxada até o nariz, o suficiente para revelar o sorriso que ele mantinha enquanto comia.
ele não percebe à quanto tempo ele tá encarando o jeito que à boca do spider-man se levanta nos cantinhos, quão rosas seus lábios são e como eles… estão dizendo seu nome?
o mercenário sai do transe quando o spider-man pergunta se tinha algo em seu rosto. jeno levantou o olhar para responder que não, não tinha nada, mas sua resposta nem chega, já que seus olhos voltam para os lábios do spider-man, o mesmo lambendo os lábios.
é quase como se ele estivesse zoando com o jeno. como se ele soubesse o quanto o jeno quer puxar ele pra perto e beija-lo. como se ele estivesse testando pra ver se o jeno faria alguma coisa.
ele lambe os lábios de novo, e está deixando jeno cada vez mais louco.
ele jura que o spidey tá só zoando com ele. com certeza ele percebeu como jeno não respondeu a pergunta, preferindo ficar encarando sua boca em vez de responder como uma pessoa normal.
jeno pensa que talvez ele não seja tão sortudo, quando o spider-man o chama dizendo “você tá roubando a minha mania.”
o mercenário para de funcionar.
o que ele quis dizer, roubando minha mania, sua mente grita. será que ele - meu deus- será que ele fica encarando minha boca também? é demais. demais para o jeno e seus dois neurônios, então ele levanta do nada, assustando o spidey, e anuncia “eu tenho que ir” antes de se jogar na lateral do prédio.
felizmente ele aterrissa numa lixeira cheia de sacos de lixo. isso não muda o fato de que ele acaba quebrando alguns ossos por causa da altura, mas jeno acha que é ok. dá um tempo para ele repensar na vida enquanto seus ossos se curam.
enquanto isso, no telhado, spidey, não- jaemin, continua sentado encarando onde o jeno estava antes de ele entrar em pânico e fugir.
ele pisca em direção ao espaço vazio antes de um sorriso bobo aparecer em seu rosto. fofo jeno com seu fofo gay panic* e seu fofo eye smile**, ele pensa. ele não se preocupa muito porque sabe que o jeno se cura muito rápido, então ele só limpa a bagunça e joga numa lixeira próxima.
jaemin hesita enquanto cobre de volta a sua boca, tentando decidir se deveria ou não se preocupar com o jeno e ver como ele estava, então começa a andar na direção da lateral do prédio, onde o jeno pulou. ele para a alguns centímetros da ponta, balançando a cabeça. ele chega a conclusão que o jeno está bem, então decide ir para casa.
enquanto jaemin se pendura de um prédio ao outro em direção ao seu condomínio, ele sente um par de olhos o encarando de baixo, e, por mais estranho que pareça, ele se sente seguro.
jeno suspira vendo o spidey se pendurando nos prédios.
“você se fez de trouxa de novo, lee jeno.” ele murmura pra ele mesmo, enquanto levanta o braço para fingir que está se batendo, mas ele tinha esquecido que tinha quebrado o braço com a queda.
um choro de dor ressoa pelas ruas vazias, seguido de uma voz continua de “idiota, idiota, idiota!”
