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Fisicamente falando, o branco é a união de todos os espectros de cores. Podemos testar essa regra básica de uma maneira simples: recorte um círculo de papel e faça sete divisões iguais, pintando cada uma com uma cor do arco-íris. E então gire o círculo até que não se possa mais distinguir as cores. Você perceberá que vê o branco, apenas o branco, e nenhuma outra cor. Isso se chama Disco de Newton, e é um experimento comum em escolas trouxas. O nome é por causa de Isaac Newton e o experimento prova basicamente que quando o branco se decompõe, então ele se torna cores.
Às vezes eu acho que você é assim.
Eu me pergunto se eu poderia decompor a cor do seu cabelo, querida. Às vezes aqui está você, seu corpo nu ao meu lado, e a faixa da luz solar recai sobre seus cabelos e eu me pego pensando nisso. O branco é a união de todas as cores e não há ninguém que tenha mais cor dentro de si do que você. Você é o branco porque é rosa e é azul, é verde e é laranja, é vermelho e é roxo, é tudo. Então eu acaricio seus cabelos com os meus dedos e eles são loiros e pálidos, como minúsculos fios feitos de luz.
Você é luz, querida.
Você é toda luz.
Então você acorda quando eu ainda tenho meus dedos entre suas mechas e boceja, sonolenta, me dando bom dia com seu típico tom suave das pessoas que sonham coisas estranhas. Eu sei o que você me dirá. Sonhei uma coisa legal hoje, e você se aninhará mais próxima de mim, havia naves galácticas e uma batata falante me dizendo que eu deveria lutar pelos direitos das batatas. Você me contará seus sonhos com seriedade em seus olhos, por mais absurda que seja a sequência de acontecimentos, e tudo o que farei será rir. Então você solta um riso baixinho também e dirá algo como hoje eu não comerei batatas. E eu te direi que tudo bem, vamos comer macarrão com queijo, então.
E afasto as mechas brancas do seu rosto para te beijar em seus lábios.
Suas mechas cor-luz que tanto amo.
