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A visão de Camus ao adentrar o jardim dos fundos do Templo de Escorpião era celestial. O corpo de Milo banhado pelo Sol, dourando sua pele, minimamente coberta. Os cachos, igualmente dourados, revoltos, espalhados na espreguiçadeira. Como aquela cena o instigava! Lhe excitava ver o letal Cavaleiro de Escorpião ali, aparentemente frágil, como um inocente filhote que ronrona despreocupadamente ao receber o calor do astro sobre si.
Sem acordos, sem amarras. Aquele homem era seu. Camus era o único a quem foi concedida a silenciosa permissão para conhecer aquela face de Milo e tomá-lo em seus braços despudoradamente como sempre fazia ao encontrá-lo ali. Ao mesmo passo de que Milo era o único que o faria entregar-se àquilo, igualmente, despindo-se de sua aparência.
Milo era o próprio Sol para ele. Era essencial, embora seu excesso também deixasse queimaduras. De todos os tipos.
Não pode evitar de lembrar-se de quando fez troça do, àquela época, seu amigo, logo após terem concluído uma missão importante de maneira tão limpa que foi combustível para que Milo se gabasse.
“Pobre Milo-dy Nelson. Sua vida é mais dita do que vivida, entretanto seus dias são nulamente numerados”.
Foi jogado com violência no chão. Temeu por sua vida quando a Agulha Escarlate lhe foi mostrada, apesar de não demonstrar tal receio, mas a luxúria no olhar de Milo tirava qualquer vontade de reagir que pudesse sequer atravessar suas ideias.
Quando a longa unha vermelha tocou os três primeiros pontos, rasgando sua roupa e perfurando sua pele, Camus imediatamente reconheceu a técnica que admirara em silêncio e também em respeito aos adversários que sucumbiam sem que pudesse ver o mapa completo da Constelação de Escorpião rascunhada em seus corpos.
A dor era ignorada por conta da fascinação em ter sua curiosidade saciada. Curiosidade que até então desconhecia ter. Sem desviar o olhar, contava em silêncio. Mas o golpe final lhe foi negado. Milo sabia como instigá-lo e após a décima quarta marca que havia deixado em Camus, sentou-se em seu colo, o puxando pelos cabelos, com um sorriso devasso estampado no rosto.
“Conte as catorze. Essa é a décima quinta.”
Ah, se ao invés dos lábios houvesse recebido Antares… sua vida certamente seria mais simples. Milo o consumia, o atordoava. Era uma face angelical que lhe tirava toda e qualquer razão. Ao mesmo tempo, era o homem mais perigoso que conhecia e conseguia, simultaneamente, divertí-lo falando coisas tolas enquanto o fazia abusar de sua aparente inocência.
Envolvia Camus em seu mundo, o privando de reconhecer qualquer som que lhe mostrasse o que acontecia fora dali.
