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Category:
Fandom:
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Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 12 of Nós nascemos da música
Stats:
Published:
2019-06-21
Words:
939
Chapters:
1/1
Kudos:
8
Hits:
107

A Sirene

Summary:

As Sirenes eram criaturas meio-ave e meio-mulher, que costumavam voar pelos mares, condenadas por Deméter a ser o que eram, de forma que jamais poderiam copular e, por isso, decidiram passar o resto de sua existência atraindo marinheiros com seu canto, ou música produzida de sua harpa, ou até mesmo de uma flauta e os matavam.

Notes:

Ideia super repentina e etc que vai de presente pra dona @Super-nova porque ela é a mulher que me inspira nos Kanrentos da vida.

Inspiradíssima pela música The Siren do Nightwish

NÃO MATEI NINGUEM, TAOKAY?
Ouçam essa música pra ler no clima de agonia lindo que ela tem <3 <3

Letra/Tradução: http://bit.ly/2Rs3yLZ
YouTube: http://bit.ly/2IvuxTS5

Work Text:

Havia conseguido libertar-se da prisão imposta pelo Cavaleiro de Gêmeos, seu irmão. Tinha consigo o Tridente, já sabendo a quem a poderosa arma de fato pertencia. Havia sido tragado pela terra e acordara naquela praia, que em princípio lhe parecera deserta. Mas uma música triste ecoava, o fazendo perder o tino. Deveria sair dali, procurar abrigo, traçar um plano. Tinha o poder de um deus em suas mãos, mas seus pés não mais lhe obedeciam.

À medida que andava, com os calcanhares dentro da água gelada, mais sentia -se hipnotizado pela música. Kanon, o homem que dominava as ilusões, estava sendo tragado para dentro de uma. Viu aquela figura imponente como que se pairasse sobre as águas, as asas douradas abertas, refletindo a luz do luar. Seria Aiolos, o Cavaleiro de Sagitário? Não… há muito nem sentia o cosmo daquele homem que era amigo de Saga. Já estava tão distante da praia que sentia a pressão da água sobre si. Mas não conseguia parar de seguir até aquele homem.

Não flutuava, mas sim mantinha-se imóvel sobre um rochedo. Kanon observou aquele homem que mexia os dedos graciosamente, apertando os lábios bem desenhados sobre o metal que transformava seu fôlego em melodia com a mesma naturalidade do ato de respirar. O homem da flauta deu um passo para trás, permitindo a Kanon que subisse sobre a pedra.

Os dois encararam-se por um longo período de tempo, mas o prisioneiro do Cabo Sunion não sabia dizer se foram segundos ou horas. O corpo ainda não lhe obedecia, as palavras presas em sua garganta. Embora não fosse Cavaleiro, Kanon manipulava o cosmo com tanta maestria quanto seu irmão, inclusive dominava o Sétimo Sentido, mas ali não sentia o universo dentro de si, por mais que tentasse fazê-lo explodir… apenas o poder daquele homem de olhar sério, que suprimia o seu.

Lutou com toda sua força, mas foi forçado a ajoelhar-se, largando o Tridente aos pés do desconhecido. Uma lágrima desceu por sua bochecha. Havia perdido a chave de sua liberdade e nada conseguia fazer para mantê-la consigo. Novamente contra sua vontade, levantou-se e encarou, com ódio no olhar, aquele homem. A flauta desprendeu-se da boca, mas antes que pudesse tomar qualquer medida contra quem parecia ser seu inimigo, foi lançado ao mar, que abriu-se para engolí-lo.

Pensava que iria morrer ali, mas o oceano não lhe fazia mal algum. Era abraçado pelas águas e não sufocado. Ouvia a mesma melodia, em um volume ensurdecedor, mas que o fazia pensar sobre qual seria seu destino ali. Sentia-se um joguete. Justo ele, que tinha a ambição do tamanho do mundo. Que tentaria tomar o lugar de um deus se lhe fosse dada a oportunidade. Oportunidade essa que já sorrira para si na segunda vez em sua vida, mas Kanon era apenas um peão, uma vítima das fiandeiras.

A música começava a atordoá-lo e a velocidade de seu corpo que atravessava as águas aumentava. Curiosamente, afetando seus pensamentos positivamente. Podia ver com clareza o que era e o quão atado estava à roda do destino. Já não achava que aquilo era obra de outrem, apenas consequência de suas açoes, visto que não aceitava sua pequenez como homem para si e ambicionava o que não estava à sua altura. Mas agora era tarde. Não havia aprendido quando foi preso por Saga que quem controla a vela do barco não é o homem, mas sim o vento. E seria dele o que seu novo captor quisesse. Podia ouvir seu destino, mas como iria de fato enxergá-lo?

Em certo ponto da jornada, perdeu a consciência.

Acordou em um salão majestoso, com 8 pedestais e sobre eles, vestes que lembravam as armaduras do Santuário, reconhecendo a alada que vira na noite anterior. O Tridente estava por trás da que era ostentada no meio das outras, tendo o desenho da arma de Poseidon em seu elmo. Avançou contra ele, em desespero, mas não conseguiu pegá-lo. A maldita música começava novamente, o fazendo mover-se contra sua vontade mais uma vez.

Saiu daquele lugar, vendo a abóbada azul, o Oceano que servia de céu para aquele lugar, com toda a sorte de criaturas marinhas sendo as novas estrelas que cobriam sua cabeça. Caminhou por um bom tempo sem poder orientar-se, até chegar em uma grande torre. Subiu o interminável lance de escadas, a melodia retumbando em seus ouvidos.

Abriu a porta ao topo dos degraus, que dava para um luxuoso quarto. Em uma cadeira ao fundo, envolto em uma túnica branca, o mesmo homem da noite anterior, com a flauta entre seus lábios o fazia andar em sua direção. Nunca ouvira sua voz, mas a reconhecia, pois lhe falava diretamente à mente.

“Venha até mim”, ele dizia.

Quando Kanon estava próximo o suficiente, o flautista largou seu instrumento. Apontou o dedo para o chão e não precisou de palavras. Kanon sentou-se a seus pés, dessa vez por temência, pois ali tudo lhe era desconhecido. Tomou coragem, limpou a garganta e perguntou:

— Quem é você? O que quer?

O homem debruçou-se sobre os joelhos, segurando o rosto do grego com sua mão direita, o trazendo para perto de si.

— Sorento. General de Sirene. Quero você, Dragão Marinho.

Desta vez, Sorento tomou os lábios de Kanon ao invés de ocupá-los soprando sua flauta dourada. Mas a música voltava a ser ouvida pelo ladrão do Tridente, e a voz do outro vinha à sua mente. Não era mais controlado, mas o poder que emanava do tal General do Mar o fazia desejá-lo também. Entregou-se ao outro homem, ouvindo a voz ecoando em suas ideias. Agora era dele, pertencia a ele e sempre retornaria a ele.

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