Work Text:
Noite no jardim secreto
Os dedos finos daquele de pele açúcar mascavo percorriam com delicadeza o caule esverdeado do Crisântemo branco em sua cama. A pele em neve e sedosa escondia em seu interior a dor que sentia no peito ao sentir o Amor Perfeito Negro aos poucos se partindo ao meio, ao seu lado, e entre eles, quase chorando baixinho e solitário. Este que, com suas pétalas escuras, mostrava ao jardineiro, que o podava de forma gentil, o raro vislumbre de seu sorriso sem cores, tão ínfero quanto sua própria espécie.
O inverno rigoroso sempre fora sua melhor estação, época em que poderia se abrir e acolher a felicidade em seus braços, sentir seu calor e tocá-la com saudades ao sentir as mãos de seu cuidador em seu próprio corpo lhe dizendo que tudo bem sorrir um pouco, pois era sua chance de respirar em paz. Tão delicado e tão sincero, lhe lapidando e lhe deixando florescer em sincronia à Dama da Noite que os chamava para uma dança sob a luz da lua, atraindo-os a entrarem em seu mundo mágico de desejos a serem atendidos junto ao perfume de seus corpos, nus, na mesma cama em testemunhas, somente, das flores daquele jardim.
