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Capítulo 1
Felicity estava desorientada. Ela acordava aos poucos, e estava com dificuldade de diferenciar sonho da realidade. As lembranças de seus sonhos iam se esvaindo aos poucos enquanto a consciência tomava conta de seu cérebro. Seus olhos abriram, e ela não estava entendendo direito onde estava. Sua cabeça estourava em dor, e aos poucos ela viu outras pessoas se levantando do chão também, como ela tentava fazer no momento... Todos pareciam desorientados também. De repente, um raio vermelho amarelo passou por ela, fazendo seus cabelos voarem, e ela reconheceu o Barry passando por ela, vestido como Flash.
Felicity observou o amigo correr de um lado para o outro, ajudando as pessoas que poderiam ainda estar em risco, levando-as para um lugar seguro. Os paramédicos estavam chegando em ambulâncias, e já começavam a atender algumas das pessoas, que como ela, estavam muito confusas. De repente, ela se sentiu ser erguida e carregada pelo Flash. Assim que pararam, Felicity já se preparou pra que sua roupa pegasse fogo, o que era uma pena, já que ela amava aquele vestido vermelho- que não era vermelho! Que roupa era essa que ela estava usando? Felicity não reconhecia, nem lembrava de ter comprado aquela blusa... que não estava pegando fogo!
- Ei, Barry! Mandou bem. É a primeira vez que você me carrega e não põe fogo em mim! - Felicity finalmente ergueu a cabeça e olhou para o amigo... - Quando você mudou o uniforme?
- Como assim, Felicity? Você sabe que eu aprendi a controlar a fricção em quem eu levo desde que comecei a usar vibração pra diminuir o atrito com o ar. - Felicity olhou confusa pro Barry, e olhou em volta para ver onde estavam. - E você já viu esse uniforme...
- Cadê o Oliver? E o John? A gente estava voltando pra casa, só paramos pra pegar um café...
- Eles não estavam lá não, Felicity... Você estava sozinha. - Barry respondeu, olhando preocupado para a amiga.
- Como assim, Barry? Cadê meu celular? - Felicity olhou pra baixo e em volta, procurando sua bolsa... Não, a bolsa ela havia deixado no carro com o John quando ela e o Oliver pararam no Jitters para pegar café.
- Felicity, acho que fiz mal em ter te tirado de lá. Talvez tivesse sido melhor se os paramédicos dessem uma olhada em você... Vou te levar pros laboratórios STAR, e a Caitilin pode dar uma olhada em você.
Antes mesmo que Felicity pudesse pensar em responder, eles já estavam na base do time Flash.
- Uau, Barry! Tenta não ser tão rápido! Acho que vou vomitar!
- Aqui, por favor! O Ralphie tem um nariz muito sensível, e não aguentaria o cheiro! - Felicity ouviu alguém dizendo enquanto um balde ia se aproximando dela. Felicity levantou o olhar e deu grito.
- O que diabos é isso?! - Felicity correu para se esconder atrás do Barry quando se deu conta que o balde que se aproximava dela estava sendo segurado por um braço elástico, super esticado, e que aquela voz pertencia a um homem o qual ela nunca havia visto antes.
- É o Ralph, Felicity, vocês se conheceram quando você veio à Central City no ano passado. - a cara de confusão da Felicity, e o fato de ela ter ficado completamente sem palavras deixou o Barry totalmente preocupado. - Vamos atrás da Caitilin.
Felicity nunca havia conhecido nenhum Ralph, e definitivamente nenhum homem com a capacidade de se esticar. Barry a levava para a ala médica, enquanto Felicity olhava em volta, estranhando a posição de certas coisas...
- Oi, Felicity, que surpresa! - Caitilin disse ao levantar-se e cumprimentar a amiga com um abraço. - Eu não sabia que você estava em Central City.
- Como assim? A gente se viu ontem mesmo! - Caitilin ergueu as sobrancelhas e olhou para o Barry.
- Eu a encontrei agora há pouco junto com outras vítimas daquela pequena explosão que fui verificar. Ela está agindo meio estranho, e achei melhor que você desse uma olhada nela...
- Claro! - Caitilin respondeu com um sorriso solidário e direcionando a Felicity para a cadeira médica, já plugando na amiga todos os sensores para que o computador fizesse o seu trabalho.
- Isso aqui é novidade. Não vi essa cadeira ontem...
- Felicity, qual a última coisa que você se lembra antes da explosão? - Caitilin perguntou delicadamente enquanto posicionava a caneta luminosa em frente à Felicity para que ela seguisse com o olhar.
- Bem, eu o Oliver e o John estávamos voltando pra Central City, paramos pra pegar um café no Jitters, encontramos a Íris e o Barry lá, e... - Felicity respirou fundo e parou de falar quando viu a expressão no rosto do Barry. - O que foi?
- Nada disso aconteceu, Felicity! Eu estava aqui mesmo no laboratório antes da explosão, que aliás, ainda nem sei de onde veio...
- Como assim, Barry! Eu, o Oliver e o John viemos à Central City seguindo uma pista daquele bumerangue que eu e o Cisco estudamos. o Oliver te ajudou com o Ladrão do Arco Íris, que te deixou confuso... Você ainda está confuso? Caitilin, será que não era pro Barry estar aqui nessa cadeira? - Felicity se voltou para a amiga que a olhava muito preocupada. - Por que você está me olhando assim?
- Felicity, deixa eu dar uma olhada na sua cabeça - Caitilin levantou-se e começou a apalpar o crânio da amiga. - Você bateu com a cabeça na explosão?
- Não que eu saiba...
- Ok. Não parece haver nenhuma batida mesmo. - Felicity, eu vou fazer uma ressonância em você - Caitilin disse ao trazer o aparelho móvel pra perto da amiga, a posicionando-o perto da cabeça dela. - Atenção, que eu vou deitar completamente a cadeira. - Felicity se sentia ainda mais confusa do que antes enquanto Caitilin a colocava numa posição deitada. - Tenta por favor não se mexer. Respira fundo, e relaxa. Eu e o Barry voltaremos assim que o escaneamento terminar.
Os dois deixaram a sala, e Felicity tentou fazer o que foi instruída.
- Caitilin, o que será que aconteceu com ela? Tudo isso que ela descreveu já tem mais de três anos! - Barry perguntou depois que Caitilin fechou a porta da enfermaria.
- Não sei, Barry. Pode ser só uma amnésia temporária devido ao choque... Por via das dúvidas, dá uma ligada para o Oliver, enquanto eu acompanho aqui a ressonância.
- Boa ideia. Vou também falar com o Cisco pra ver o que ele sabe sobre essa explosão.
Caitilin olhou preocupada para amiga e acompanhou as imagens do cérebro dela pelo outro computador. Nada parecia fora do normal..
Oliver Queen estava chegando em casa com William, voltando da prefeitura, e o filho da escola. Era sexta-feira, e Raisa também já estava pronta para ir embora. Só estava aguardando seus "meninos" voltarem.
- Oi, Oliver. Oi, William. - Ela disse, pegando suas coisas e se aproximando dos dois. Deu um beijo na bochecha de cada um, e continuou. - Eu estou indo. Sejam gentis um com o outro, e deixe um beijo para a Felicity quando ela voltar.
- Ela só volta no Domingo, mas pode deixar. - Raisa deu um pequeno sorriso ao ver a carinha de desolação do Oliver ao dizer isso. Ainda hoje ela lembra de todas as fases pela qual seu menino passara, e apesar de nunca duvidar do bom coração dele, era ótimo poder ver outras pessoas apreciando tal falto também. E como Oliver vestia seus sentimentos por Felicity no olhar... Era lindo de se ver.
- Ok, bom fim de semana. Tchau!
- Tchau, Raisa. - William disse, fechando a porta atrás dela, e se direcionando para o seu quarto.
Oliver tirou o paletó, afrouxou a gravata e desabotoou os punhos da camisa. Se Felicity estivesse em casa, certeza que seria ela a afrouxar sua gravata, ele pensou com um sorriso enquanto ligava a televisão, e tirava o celular e carteira do bolso para sentar-se no sofá. Ele colocou no canal de esportes, e deixou a televisão num volume bem baixinho. Depois da semana que teve, tudo o que ele queria era colocar o pé pra cima e respirar fundo por um instante. Já tinha uma semana que Cayden James aparecera morto dentro da delegacia de polícia, e nesse tempo, ninguém conseguiu chegar mais perto de descobrir o culpado por isso. As câmeras estavam todas curiosamente desligadas, e ninguém havia visto ou ouvido nada. Fazer a cidade voltar ao normal era um trabalho difícil, e nos últimos dias, Oliver fez valer cada voto dado a ele nas urnas, tentando fazer tudo voltar ao normal. Ele estava exausto! Felicity havia viajado pela manhã daquele mesmo dia à Central City para uma reunião de negócios com um parceiro em potencial de sua startup, e como as indas e vindas dos trens ainda não estavam totalmente restabelecidas, só conseguiu passagem de volta para o Domingo de manhã. Seu celular começou a vibrar, e Oliver já ia atender sorrindo, achando que era a esposa, quando notou que o identificador dizia Barry Allen. Estranhando, Oliver atendeu sem muitas amenidades.
- Barry.
- Oi, Oliver - Barry não parecia animado como sempre, mas com todos os problemas com a Justiça que ele teve ultimamente, era de se esperar. - Me diz uma coisa: a Felicity veio pra Central City com você?
- Não, Barry. Ela foi sozinha. Star City está um caos só, e eu ainda estou sob acusação... Não pegaria bem ficar viajando uma hora dessas... Por quê? - Oliver começou a preocupar-se. - O que houve? E por que é você que está me ligando?
- Não surta, Oliver! - Barry falou tentando acalmar o amigo.
- Difícil manter a calma se você me fala uma coisas dessas. O que foi, Barry? - o tom de voz do Oliver já era muito mais urgente.
- Houve uma explosão-
- Barry! Cadê a Felicity?
- Ela está bem! - Oliver suspirou aliviado. - Teve uma explosão pequena no centro da cidade, e parece que ninguém se feriu gravemente, mas ela estava lá. Eu a encontrei, e a trouxe pros laboratórios STAR, a Caitilin está fazendo uma avaliação nela nesse instante. Além de ligeiramente desorientada, tudo pareceu bem.
- Ok, Barry! Obrigado por avisar. Pede pra ela me ligar assim que puder, ok?
- Ok.
Barry preferiu ter mais detalhes antes de falar pro Oliver sobre o quão estranho a Felicity estava agindo. Assim que desligou o telefone, virou-se pro Cisco.
- Cisco, já sabemos alguma coisa da explosão? - O amigo de equipe levantou a cabeça do computador e respondeu:
- Não foi uma explosão comum. Foi uma descarga forte de energia, e essa energia reprimida e expelida de uma vez que causou esse efeito explosivo. O curioso é que... vem dar uma olhada. - Cisco afastou sua cadeira, abrindo espaço para que Barry pudesse olhar o monitor.
- Isso tudo é resíduo de matéria-negra? - Barry perguntou observando o monitor.
- É. Acho que encontramos mais um meta-humano do ônibus. E esse estava tão bem escondido, que devia estar com toda essa energia reprimida dentro dele. De uma hora pra outra, essa energia explodiu.
- Felicity...
- O que tem ela? - Cisco perguntou curioso.
- Ela estava lá na explosão. A Caitilin está fazendo exames nela nesse instante. Eu vou lá falar pra ela fazer uma medição de matéria-negra.
Barry foi indo, e Cisco acelerou o passo para acompanhá-lo. Quando os dois chegaram à enfermaria, Caitilin havia acabado de entrar de volta.
- Felicity, tudo parece realmente bem. As imagens não apontaram nada de anormal. Esse seu cérebro gigante continua gigante e perfeito como sempre. - Caitilin disse com um sorriso, tentando amenizar o clima. Felicity sorriu de volta, e deviou o olhar para o Barry e para o Cisco, que estavam entrando também.
- Oi, Felicity. - Cisco disse animado. - Posso testar rapidinho um brinquedinho novo em você? - Felicity sorriu afetuosamente pra ele, assentindo com a cabeça. Ele foi até onde os equipamentos estavam guardados, e voltou até ela com algo que ela nunca havia visto antes nas mãos. - Não vai doer nada, e é rapidinho. - O aparelho começou a fazer barulhos cada vez mais urgentes, e Cisco, Barry e Caitilin se olharam preocupados.
- O que foi, gente? Vocês estão me deixando preocupados!
- É muita matéria-negra! - Caitilin disse assustada, ignorando completamente a amiga.
- É quase como se ela própria fosse uma... - Barry interrompeu o que ia dizer olhando pra Felicity.
- Uma o quê? Vocês não estão fazendo sentido! O que é isso que vocês estão medindo?
- Matéria-Negra. - Cisco respondeu - Desde que o Barry voltou da Força de Aceleração, parte dessa matéria-negra veio com ele, e criou novos meta-humanos.
- Força de Aceleração? - Felicity perguntou confusa, e começou a disparar uma pergunta atrás da outra rapidamente. - Quando que você foi pra esse lugar? E como assim voltou? Te vi hoje mesmo! E por que essa matéria está em mim? O que isso faz? Como tira? E as outras pessoas que estavam na explosão comigo?
- Outras pessoas... - Barry se deu conta de que outras pessoas poderiam estar em risco e usou da sua super velocidade para ir até o computador e indexar todos que foram atingidos através das câmeras de monitoramento de trânsito. Enquanto isso, o Cisco continuou a conversa com a Felicity.
- Força de Aceleração, Felicity... Você até me ajudou a tirar o Barry de lá há alguns meses...
- Eu... - Felicity balançava a cabeça confusa, e Caitilin, com pena dela explicou para o Cisco:
- Cisco, a última coisa da qual ela se lembra foi de analisar aquele bumerangue com você...
- Bumerangue? Mas isso já tem-
- Cisco! Por favor, há maneiras e maneiras de se falar as coisas pra um paciente! - Caitilin o repreendeu.
- Não, Caitlin, deixa ele falar! Prefiro que arranque o band-aid de uma vez. Sem enrolações! O que você ia dizer, Cisco? "Isso já tem..."?
- Três anos, Felicity.
- Três anos? Você tá querendo me dizer que eu já vivi 3 anos sem lembrar de nada desde então? - Felicity disse horrorizada.
- Calma, Felicity! Pode ser algo temporário. - Caitlin tentou acalmá-la. É comum pacientes terem amnésia temporária depois de um trauma. A gente vai dar um jeito nisso!
- E se não voltar? Como que eu vou hackear com 3 anos de atraso tecnológico? Como que eu vou manter meu emprego, se não lembro de nada dos últimos 3 anos? Eu ainda tenho um emprego na Palmer Technologies? - Felicity estava começando a hiperventilar, e Caitilin passou as mãos nas costas dela tentando acalmar a amiga.
- Respira, Felicity! Tenta se acalmar! - Felicity levou as duas mãos no rosto, tentando esconder as lágrimas que escorriam. Quando as afastou, e colocou uma mecha do seu cabelo atrás da orelha com a mão esquerda parou na mesma hora.
- O que é isso no meu dedo? Não me diga que... - Agora Felicity estava realmente tendo um ataque de pânico ao ver a sua aliança. - Eu sou casada? CASADA? COM QUEM?
- Felicity, eu vou te dar um sedativo leve pra você se acalmar - Caitlin disse levantando-se em meio aos barulhos descontrolados dos sensores ainda plugados na Felicity. Ela assentiu com a cabeça, mas seu olhar ainda era de pânico.
Cisco afastou-se das duas, assustado. O que será que estava acontecendo com a Felicity, e como alguém poderia simplesmente perder 3 anos da sua vida assim, dessa maneira?
Notas finais
E aí? Intrigados? Haveria o interesse em continuar a ler essa fic?
