Chapter Text
- Papai... – Jimin choramingava deitado na cama de casal dentro do grande quarto de sua casa. O pequeno estava com fome, frio e sentia-se extremamente solitário. O que mais queria naquele momento era o mais velho, queria que ele estivesse ali para o mimar, fazer-lhe carinho e o proteger do mundo grande e assustador que existia fora das portas do grande apartamento.
O Park sabia que não podia se dar ao luxo de entrar no little space quando Yoongi não estava em casa; era perigoso, ele podia se machucar fazendo algo relativamente simples para o seu eu adulto, ou, até mesmo, poderia adoecer por falta da alimentação correta ou pela solidão extrema que sentia. Ele era apenas uma criança que, principalmente naquele momento tão delicado de sua vida, precisava de conforto e carinho.
Entrar no little space não fora algo voluntário nessa ocasião – não que fosse na maior parte das vezes – seu cérebro simplesmente desligou e, quando se deu conta, era o pequeno Jimin, deitado em meio aos lençóis da grande cama, abraçando com força o urso de pelúcia que ganhara do namorado, com lágrimas grossas escorrendo por suas bochechas rosadas. O pequeno não sabia o porquê de estar se sentindo tão mal, de estar sentindo um aperto tão grande em seu peito como se todos os seus sonhos e esperanças tivessem se despedaçado de um momento para o outro, mas o Jimin adulto sabia muito bem o que estava acontecendo.
Ainda abraçando o urso com força, o pequeno começou a sentir seus olhos pesarem. Já fazia mais de um dia que estava naquele mesmo ponto em sua cama, sem ao menos trocar de posição. Estava com sono por não ter conseguido dormir a noite com medo do que se escondia nos cantos não iluminados do grande quarto, estava com fome, com vontade de usar o banheiro e se sentia sujo, já que não tinha tomado banho. A noite já estava chegando novamente, e o sono finalmente estava conseguindo vencer o medo que sentia. E, assim, o pequeno Jimin adormeceu, ainda derramando pequenas lágrimas e pensando no quanto queria que houvesse alguém para cuidar de si por perto.
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Yoongi chegou ao apartamento desesperado, abrindo a porta com força, jogando a mala pesada que carregava em qualquer canto da sala de estar, logo observando ao redor procurando a figura do mais novo. Olhou atentamente a sala de estar, conferindo até mesmo atrás do sofá de três lugares, seguiu para a cozinha, banheiro e o quarto do little. Quando se deparou com este último cômodo vazio, começou a desesperar-se. A casa estava intocada, parecia que ninguém entrara nela desde sua partida.
Seguiu pelo corredor principal do apartamento apressadamente, adentrando o cômodo restante: a suíte. Surpreendeu-se ao encontrar o namorado deitado em meio às cobertas, com o cobertor preto cobrindo todo seu corpo, deixando apenas alguns fios de seu cabelo cinza escapando. O mais velho levantou levemente o cobertor, encontrando o rosto do mais novo vermelho e levemente inchado, por causa – do que constatou ser – um choro recente, os olhos tinham olheiras marcadas e os lábios do pequeno estavam ressecados e machucados. Pensou em acordá-lo, mas mudou de ideia assim que viu a força com que o outro, mesmo durante o sono profundo, abraçava o pequeno cachorro de pelúcia que havia lhe dado no primeiro encontro que tiveram. Aquele não era o Jimin adulto, era o pequeno Jimin.
O mais velho soltou as cobertas sobre o corpo a sua frente, de modo que pudesse ver todo o busto do outro, e começou a pensar: se Jimin estava no little space nesse momento, quem sabe há quanto tempo não estava nele? Talvez desde que voltara da apresentação, o que explicaria o porquê de não ter atendido a nenhuma ligação sua, de seus amigos ou do porteiro do prédio em que moravam, bem como o porquê de não ter respondido as mais de cinquenta mensagens que o Min mandara nas últimas 48 horas. Mas, se ele estava no little space durante todo esse tempo, era bem provável que não houvesse se alimentado e quem sabe o quanto se sentia sozinho por não ter o mais velho para cuidar de si durante sua regressão.
Com esses pensamentos, o Min decidiu que não poderia esperar, logo começando a fazer um carinho delicado na bochecha de Jimin, carinho esse que seguiu por seu pescoço, clavícula e braços, depois fazendo o caminho reverso. Sentiu o corpo a sua frente estremecer e os olhinhos do mais novo começaram a tremular, indicando que estava acordando.
- Bebê? - Yoongi chamou suavemente quando o outro finalmente abriu os olhos completamente - ou o máximo que conseguiu por causa do inchaço em suas pálpebras. Inicialmente, Jimin não expressou nenhuma reação, apenas olhando para o rosto do outro como se não o reconhecesse, como se fosse um completo estranho para si, e esse olhar fez um frio percorrer a espinha de Yoongi. O quanto Jimin estaria magoado consigo para lhe lançar um olhar tão distante como aquele?
Tentando tirar esse pensamento assustador de sua mente, Yoongi sorriu docemente sem mostrar os dentes. Porém, a reação do pequeno não poderia ter sido menor: ele apenas abraçou o urso com mais força, voltando a fechar os olhinhos inchados na intenção de adormecer novamente. O pequeno Jimin, tomado pelo cansaço e pela neblina que era sua mente naquele momento, simplesmente não havia reconhecido o rosto do outro, não identificando que aquele a sua frente era seu papai, aquele por quem chamou incessantemente nos últimos dois dias, clamando para que estivesse ao seu lado enquanto seu peito apertava aparentemente sem um motivo específico, ou quando o ranger dos móveis se assemelhava muito com os sons que os monstros que se escondem na escuridão faziam em sua mente.
Yoongi não sabia como reagir. Como o menor podia voltar a dormir sem lhe dar um abraço ou pelo menos retribuir o doce sorriso que lhe foi oferecido? Ele estava tão magoado assim consigo? Mas, se o mais novo tivesse, pelo menos, pegado no próprio celular, saberia porque o mais velho não havia conseguido chegar mais cedo: ele ficou preso na China.
O Min havia viajado a negócios há quatro dias, pretendendo passar uma semana resolvendo assuntos pendentes de algumas filiais da empresa em que trabalhava no outro país. Porém, no final do seu segundo dia no exterior, havia recebido a notícia de que a apresentação de dança de Jimin, naquela noite, no país sul-coreano, tinha dado errado, e que o jovem havia desaparecido pouco depois do fim de sua parte da coreografia, não atendendo as ligações de seus amigos e nem mesmo respondendo o interfone do apartamento.
Quando recebeu essa notícia através de Seokjin, Yoongi entrara em pânico. Ele não sabia o que fazer, temendo que o pior acontecesse com o seu pequeno. O segundo mais velho tentou inutilmente contatar o namorado, até mesmo tentou convencer o porteiro do condomínio em que moravam a deixar os amigos entrarem para conferirem se Jimin estava bem, porém, devido às regras rígidas de segurança do prédio em que moravam, o funcionário não autorizou a entrada.
O Min não teve outra reação a não ser comprar a passagem para o primeiro voo disponível para Busan. Entretanto, o Universo não estava a seu favor, e naquele dia nevou tão intensamente que todos os voos foram cancelados, sendo que o aeroporto ficou fechado por mais de 24 horas. Ele estava preso na cidade chinesa, longe de seu amor que não dava sinais de vida.
Durante as torturantes horas que passou preso naquele aeroporto, o mais velho continuou tentando contatar o menor, mandando-lhe dezenas de mensagens e ligando a cada vinte minutos, porém não recebia nenhuma resposta. Nesse meio tempo, conversou com os amigos no grupo do KakaoTalk, ficando a par de tudo que havia acontecido na apresentação para tentar entender o porquê do isolamento do namorado. Hoseok e Jeongguk, amigos de curso do mais baixo, que também estavam se apresentando, bem como Seokjin, Namjoon e Taehyung, que estavam na plateia, contaram os mínimos detalhes do que acontecera, cada um sob sua perspectiva.
Um grupo de cerca de 10 alunos estava no palco, dançando a coreografia clássica que passaram muito tempo aprendendo. No momento em que o foco da coreografia se voltava para Jimin, sendo o menor o objeto da atenção de todos na plateia, ele perdera o equilíbrio durante um salto, caindo no chão em um baque seco. A reação foi instantânea, a metade da plateia que era composta por outros alunos da turma de Jimin caiu na risada de modo alto e escandaloso, piorando ainda mais a situação daquele que se encontrava no chão. Porém, não foi apenas aquilo. Depois de ter se levantado, Jimin voltou a dançar prestando atenção redobrada a cada movimento para não cometer o mesmo erro, entretanto, ainda durante sua parte da coreografia, e quando as risadas já haviam diminuído consideravelmente, um aluno não identificado gritou em alto e bom som: "Volta 'pra água, baleia", na tentativa clara de ofender o Park, causando mais uma onda de risadas.
Ele conseguiu.
O coração do menor despedaçou-se com aquelas palavras, toda a vergonha e tristeza que sentia sendo transmitida pelas gotas cristalinas que abandonaram seus olhos. Entretanto, mesmo com a vista embaçada pelas lágrimas acumuladas, ele terminou a coreografia sem cometer nenhum erro, do melhor modo que conseguia. Assim que sua parte acabou, Jimin saiu correndo do palco, pegando a mochila que havia levado em cima de uma mesa qualquer na parte de trás do palco, não ligando para nenhum chamado, ignorando até mesmo a própria professora.
Desde então, não tiveram mais notícias do menor, apenas sabiam que ele estava em seu apartamento, pois o porteiro disse que viu ele passar pela entrada do condomínio desesperado e chorando.
Yoongi ficou preso no aeroporto da noite da apresentação de Jimin, até cerca das duas horas da tarde de dois dias depois, isto é, quase dois dias preso no aeroporto abafado pela quantidade de pessoas, sentado em uma cadeira desconfortável, com o coração apertado de angústia. Foram os piores quase dois dias da vida de Yoongi.
- Jimin? - O mais alto chamou pelo outro novamente, dessa vez com a voz carregada de receio. O que aconteceria se Jimin não quisesse mais que ele cuidasse de si? E se o pequeno Jimin nunca mais o perdoasse por o deixar sozinho por tanto tempo? O coração do mais velho apenas quebrou mais com as dezenas de hipóteses nada favoráveis que rondavam sua mente. - Bebê, fala com o papai, por favor. - Min não negaria que sua voz já saia um pouco embargada.
O pequeno nada fez, apenas continuou abraçando o ursinho, de olhos fechados. Ele estava o ignorando? Antes que Yoongi pudesse mudar o fluxo de seus pensamentos de tristeza para incredulidade, um som alto fez com que sua mente parasse de funcionar. O barulho que havia o pego de surpresa, não apenas pela intensidade, mas também pelo local de origem, foi um ronco do estômago de Jimin, mostrando claramente a fome de quem não comia a quase três dias que o pequeno sentia. O mais velho sentiu seu coração ficar ainda mais pesado, mesmo que achasse que aquilo não era possível; provavelmente, Jimin estava há muito tempo deitado naquela cama, sentindo sua falta.
- Já chega, pequeno. Eu vou preparar alguma coisa para você comer e depois você vai me explicar direitinho porque não respondeu minhas mensagens - o mais velho falou com o tom baixo, porém sério, enquanto afagava os fios do menor com a ponta dos dedos.
Yoongi seguiu em direção à cozinha do apartamento, deixando o outro deitado na mesma posição, ainda abraçando fortemente a pelúcia. Ele abriu a geladeira, procurando por qualquer alimento que ele julgasse comestível naquele momento, porém sua busca foi em vão. Não havia nada muito saudável na geladeira, apenas algumas embalagens de delivery de dias atrás - que, pelo bem da própria saúde, o Min nem tentou abrir, apenas jogando diretamente na lixeira do cômodo -, alguns legumes murchos e uma meia dúzia de maçãs, alguns vasilhas com sobras de kimchi e arroz de refeições anteriores, além de garrafas de água, suco e cerveja. Repreendeu-se mentalmente quando não conseguiu lembrar a última vez que tinha ido ao mercado comprar algum tipo de alimento saudável, chegando a conclusão de que acabaria morrendo precocemente se não mudasse suas atitudes em relação à alimentação.
O mais velho fechou a porta do eletrodoméstico, procurando nos armários do cômodo, porém nada lhe chamou a atenção como um alimento minimamente saudável para seu pequeno (apenas embalagens de ramen instantâneo, cereais, salgadinhos, balas e chocolates). Quando o Min já estava quase desistindo de sua busca, contentando-se em pedir alguma coisa saudável por delivery - apenas de achar isso uma completa antítese -, sua vista foi capturada pelos objetos em cima de uma das prateleiras do móvel em cima da pia: as coisas do pequeno Jimin. Aquela parte do armário era cheia de copos de bico em cores pastéis, pratos de personagens dos mais diversos tipos de desenhos animados, talheres e hashis infantis e - o que mais chamou a atenção do mais velho, naquele momento - algumas madeiras próprias para littles. Quem sabe uma mamadeira com leite quente não ajudasse?
Yoongi pegou uma das mamadeiras de plástico com desenhos dos personagens de "Monstros S.A.", uma das mais novas que o menor havia comprado. O Min lembrava exatamente a festa que ele havia feito quando o objeto fora entregue pelo carteiro, toda a felicidade que estava estampada no pequeno rosto angelical - os olhos brilhantes como duas pérolas, o sorriso de dentinhos tortos, mas ao mesmo tempo extremamente belos e delicados, que faziam com que suas bochechas sobressaltassem, escondendo um pouco os belos olhos escuros - como se o pequeno objeto fosse a maior preciosidade de sua vida; esta lembrança acabando por criar um sorriso largo no rosto do mais velho - Park Jimin era a maior preciosidade de sua vida, não havia como negar.
Ele lavou rapidamente a mamadeira, apenas para garantir que não fizesse nenhum mal ao pequeno, logo a deixando secar um pouco no escorredor de louças. Enquanto isso, ele seguiu em direção à geladeira novamente, para pegar a caixa de leite que lembrava de ter visto em sua exploração detalhada dentro do eletrodoméstico. Depois de inspecionar minuciosamente a embalagem e o conteúdo, garantindo que o leite não estava vencido ou azedo pelo tempo que provavelmente estava aberto, o Min pegou uma panela qualquer para o esquentar - ele tinha lido em algum lugar que embalagens de plástico, quando esquentadas diretamente no microondas, podiam fazer mal à saúde, e mesmo sendo um homem estudado que não acreditava nessas superstições populares, não podia negar que um cuidado a mais nunca era demais; além disso, leite esquentado no microondas não é tão bom quanto àquele aquecido no fogão.
Assim que o conteúdo da embalagem estava sendo aquecido sobre a chama do fogão, o rapaz de fios negros parou para pensar no que estava acontecendo em sua vida: a menos de uma semana estava tudo seguindo perfeitamente bem em sua vida amorosa e profissional, ele não tinha do que reclamar. Mas, de uma hora para outra, o seu mundo virou de ponta cabeça. Ele precisou sair às pressas de uma viagem de negócios - o que com certeza teria reflexos em sua vida profissional -, seu namorado o estava ignorando, depois de ter sofrido um possível sem número de coisas enquanto estava fora. A dúvida que restava era quantas guerras em quantos países ele havia causado em suas vidas passadas para sofrer com tudo isso?
Yoongi passou a mão por seus fios, soltando uma lufada de ar de seus pulmões, amaldiçoando as mais diversas entidades por sua falta de sorte, principalmente aquelas que supostamente controlavam o clima. Mas ele sabia que não podia perder a calma nesse momento, ele tinha que estar presente para o Park, ser um porto seguro para o menor, pois, mesmo que ele decidisse que não o queria mais em sua vida, ele nunca deixaria de ser um porto seguro para o namorado, nunca.
Depois de mais alguns segundos olhando fixamente para o azulejo colorido de cima da pia, o Min voltou para o fogão, rapidamente medindo a temperatura do leite para saber se já estava quente o suficiente. Constatando que estava bom, o rapaz desligou a chama e colocou o líquido na mamadeira que tinha escolhido, tomando o máximo de cuidado para não derramar. Depois de tudo devidamente pronto e arrumado, Yoongi seguiu de volta para o cômodo onde o little estava.
Quando entrou no quarto, ele encontrou o menor na mesma posição que o havia deixado, ainda abraçado fortemente a pelúcia, os olhinhos inchados fechados com um pouco de força demais, como se ele estivesse tendo um pesadelo, o que, poucos segundos depois, pelos choramingos e murmúrios que vinham do mais novo, ele teve certeza que era o caso.
O Min apressou levemente os passos, ajoelhando-se em frente ao namorado, passando os dedos finos por entre os fios macios, tentando acordá-lo.
- Pequeno, está tudo bem, o papai está aqui. É apenas um sonho ruim, sim? Volte para mim, eu estou aqui pequeno. O papai está aqui. - O mais velho repetiu essas frases por alguns momentos, como um mantra, vendo como o namorado relaxava significativamente com o passar do tempo, logo começando a se remexer sob os cobertores, indicando que estava acordando.
O pequeno Jimin estava sonhando com seu papai, ou melhor, com seu papai o abandonando em meio a várias pessoas malvadas, deixando o pequeno lá para que as pessoas desconhecidas o maltratassem com palavras feias e, até mesmo, com agressões físicas. Ele não sabia como fugir das pessoas más, ou como se defender dos tapas e chutes que elas lhe direcionavam, nem retrucar as palavras cruéis que elas lhe diziam. Ele apenas queria seu papai, queria que ele nunca o tivesse abandonado, que estivesse o abraçando apertado e dizendo que ficaria tudo bem; mas ele não estava lá. O pequeno estava sozinho.
- Jiminie, bebê, volte para mim, sim? O papai tem algo para você - o Min continuava falando, tentando ao máximo não deixar que sua voz embargada atrapalhasse suas palavras. Ele sentia tanto por ter deixado seu pequeno sozinho, e talvez nunca se perdoasse por isso.
O pequeno despertou de seu pesadelo depois de mais alguns momentos, acordando sobressaltado, a pequena quantidade de adrenalina que corria por suas veias deixando sua respiração irregular e dificultosa. Ele se sentia tão sozinho, tão quebrado, abandonado por aquele que mais ama. O mais novo estava tão imerso em seus pensamentos que sequer percebeu as lágrimas grossas que começaram a correr de seus olhos, deixando sua visão completamente embaçada. - Papai... - ele sussurrou, em um lamento, desejando desesperadamente que o mais velho estivesse ao seu lado.
- Eu estou aqui, pequeno. Estou bem aqui, para você - o mais velho sussurrou de volta, descendo o carinho que fazia nos fios do Park até uma de suas bochechas coradas. Nesse momento, os olhos do menor se arregalaram minimamente, a voz do mais velho fazendo-se presente em meio aos seus pensamentos conturbados. Nesse momento, o little finalmente percebeu que o Min estava realmente ao seu lado, não apenas como um sussurro em sua mente como havia acontecido algumas vezes nos últimos dias. Seu papai estava ali para cuidar dele.
As lágrimas que caíam dos olhos do menor aumentaram em quantidade, enquanto seus olhinhos inchados focaram no rosto do homem ao seu lado. Por um instante, ele não conseguiu expressar nenhuma outra reação, apenas olhando para aqueles olhos pequenos e tão doces de seu papai, que também transpareciam uma tristeza que o menor não sabia de onde tinha surgido, mas que não gostava nenhum pouco que estivesse presente.
- Papai… - a palavra saiu em um sussurro dos lábios do little, que ainda suspeitava que se tratasse de uma miragem, uma ilusão criada por sua mente cansada.
- Sou eu, bebê. O papai está aqui, príncipe.
O pequeno não esperou mais um segundo para se sentar na cama, abraçando o maior, chorando copiosamente, o rosto escondido na curva do pescoço deste. O choro do little era muito intenso e doído, contando com dezenas de soluços que machucavam sua garganta para sair, fazendo-o se engasgar em alguns momentos, enquanto apenas aumentava a força do abraço no outro. Yoongi tentou ao máximo retribuir o aperto, mesmo que a posição não fosse muito favorável - ele havia levantado rapidamente quando o menor finalmente tomou consciência de sua presença, estando curvado.
O Min estava extremamente feliz e triste, as duas emoções se misturando em seu interior, sentindo o aperto do mais novo envolta de seu pescoço, ao mesmo tempo em que retribuía em sua cintura, sabendo que o little finalmente tinha conhecimento de que ele estava ali para cuidar de si. Entretanto, a quantidade de lágrimas e os soluços cortantes que seu bebê soltava próximos a sua orelha externa o estavam machucando brutalmente, quebrando seu coração. Por isto, não demorou muito para que seus olhos escuro liberassem algumas das lágrimas que havia guardado nos últimos dias. Apesar disso, ele não podia se deixar levar por suas emoções; ele precisava ser forte para poder confortar o namorado.
Depois do que pareceram longos minutos na mesma posição, o menor acalmou-se um pouco, apenas derramando algumas lágrimas, sem mais soluços. Ele sentia-se sonolento, mesmo que tivesse acabado de acordar. Em seu íntimo, o menor sabia que finalmente estava seguro, que seu papai nunca deixaria que nada de ruim acontecesse consigo, que cuidaria de si e o protegeria de qualquer monstro ou pessoa feia que chegasse perto si.
Sabendo de tudo isto, o little apenas deixou que a sensação gostosa que aquecia seu peito tomasse conta de si, permitindo-se sentir-se amado e protegido como nunca em sua vida, acabando por escorregar ainda mais em seu headspace.
O aperto do abraço em volta do pescoço do mais velho foi diminuindo de intensidade, enquanto os olhinhos do menor iam se fechando, embalado pelo perfume amadeirado de seu cuidador, este que o fazia relaxar ainda mais.
Ao notar o que acontecia, Yoongi começou a soltar o menor, deitando-o lentamente de volta na cama. Jimin olhava para seu cuidador com os olhinhos semicerrados por causa do sono, mas mesmo assim eles brilhavam em admiração e amor, o que era retribuído na mesma intensidade pelo Min.
O mais velho se ajoelhou novamente próximo à cama, sendo seguido pelo olhar brilhante do quase inconsciente do little, segurando a mão do menor para que ele soubesse que estava ali, que não precisava mais ter medo. Porém, antes que o Park fosse levado ao mundo dos sonhos, sua barriga roncou mais uma vez, fazendo com que Yoongi lembra-se de sua motivação inicial para acordar o pequeno.
Ainda de mãos dadas, o mais velho pegou a mamadeira em cima do criado mudo, aproximando-a do rosto do little.
- Você está com fome, bebê? O papai trouxe algo para você - posicionou o bico entre os lábios cheinhos. Nesse momento, como se ainda fosse possível, o coração do mais velho se quebrou em mais pedaços, pois o menor começou a sugar a mamadeira avidamente, mal parando para respirar entre as sucções. O pequeno estava faminto.
Mesmo que a posição não fosse favorável para o mais velho, sendo que seu braço estava em um ângulo nada agradável às próprias articulações, ele permaneceu o mais imóvel que conseguia. Era o mínimo que podia fazer depois de tudo que havia causado ao menor. Em sua mente, ele sabia que jamais conseguiria se perdoar, mesmo que no fundo soubesse que a culpa não era sua, na verdade, não existia um culpado naquela situação.
Não muitos minutos depois, já tendo adormecido completamente, o Park terminou o conteúdo da mamadeira, porém se recusou a soltar o objeto, mantendo as sucções no bico, sugando ar. O Min, perdido nos próprios pensamentos depreciativos, demorou para perceber o que havia acontecido, só tomando consciência quando um pequeno grunhido de insatisfação escapou pelos lábios do little.
Quando tomou consciência do que estava acontecendo, puxou levemente a mamadeira, fazendo com que ela escapasse dos lábios cheios do pequeno. Aquele simples movimento de lábios era muito reconfortante para o outro, trazendo memórias de momentos doces, nos quais ele não precisava se preocupar com muitas coisas, que ele podia ser uma criança feliz.
O mais velho, naquele momento, pensou mais de uma vez se deveria ou não fazer outra mamadeira, mas decidiu não arriscar. Sabia que o pequeno não comia nada há muito tempo, então colocar muito em seu organismo de uma só vez poderia o deixar doente.
O pequeno havia adormecido abraçado a sua pequena pelúcia com o máximo de força que tinha, agora um pouco menos desconfortável, já que tinha pelo menos algo no estômago.
Yoongi não queria, mas não teve como impedir o menor de dormir, aqueles olhinhos puxados tão vermelhinhos e inchados de sono e cansaço, mas ao mesmo tempo tão apaixonados e carinhosos, convencendo-o que não podia cometer a atrocidade de o deixar acordado. Além disso, aquele rostinho angelical parecia tão mais tranquilo, como se finalmente tivesse acabado de lidar com um problema muito grande, e tão mais satisfeito que seu coração simplesmente não podia fazer isso com o ele.
O mais velho levantou-se devagar do chão, soltando lentamente a mão do pequeno, sentindo os joelhos e as articulações protestarem pela posição anterior. Ele passou alguns segundos com o olhar perdido por entre as cobertas que se estendiam pela cama, pensando em suas próximas atitudes: precisava dar banho no menor, pois ele não devia ter tomado banho há um bom par de dias, além de tomar o próprio banho, já que sentia a própria pele coçando pelo tempo que passou sem sentir a preciosa água quente caindo por seus ombros; porém, um brilho em cima do criado-mudo ao lado da cama chamou sua atenção. Era o celular de Jimin, que estava tocando por causa de um ligação de Seokjin.
- Hyung?
