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Missing Storm

Summary:

Uzushio, escondida por suas espirais e redemoinhos, cantarolava uma prece de anseio e o seu amor que transcendia as barreiras da realidade, que definia sua vida. Aquela era uma oração, era um pedido que ia além de seu ego e orgulho, ela implorava que lhe dessem de volta o que era seu, ela ansiava por seu povo, seus filhos.

Na matriz da vila, ainda manchada com sangue inocente e fresco, algo se deslocou.

Naquele mundo existia um mito, trazida de muito longe no canto dos pássaros e no coração de um povo cravado em jade e regras rígidas, tão antigos quanto aquela nação destruída, o pedaço de rocha esbranquiçada retirada do fundo do oceano que formou sua terra. A lenda recitava que duas almas gêmeas se encontrariam novamente, em outras vidas, se não confessassem seu amor quanto tiveram sua chance.

E naquele exato momento a terra dos redemoinhos se encheu de esperanças de um recomeço, no nome do seu amor pelo seu povo e no nome do amor de duas almas gêmeas.

No âmago da terra coberta por espirais e selos, erguida do solo do oceano e destruída por seu poder, algo brilhou e mudou seu próprio futuro, e os filhos de Uzushio renasceram com esperança renovada.

Notes:

  • Inspired by [Restricted Work] by (Log in to access.)

Chapter 1: Capítulo 01

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

O clima quente e úmido do País do Fogo havia se tornado irritante no exato instante em que elas haviam cruzado a fronteira que cortava as divisas entre Mori, a imensidão do oceano e Hi no Kuni. O ar úmido sempre arranjava um jeito de se infiltrar pelas diversas camadas de malhas e tecidos escuros, e lhe fazia pesar mais um pouco, algo inadmissível em uma situação como aquela, com uma missão tão importante como esta.

Eram em momentos como aquele em que ela sentia falta do clima refrescante da Vila da Flor, com suas cachoeiras e o vento de cheiro salgado, vindo diretamente da anciã Vila dos Redemoinhos.

E desde o momento em que ela havia aceitado de prontidão completar essa missão tudo parecia estar no seu caminho, desde pedras, galhos e o clima, até o cheiro insuportável de fumaça que impregnava nas suas roupas, na sua pele e no seu cabelo. E aos poucos, com o nascer e pôr do sol, ela perdia suas forças, sua tranquilidade e o seu senso comum. Aos poucos seu corpo havia se tornado somente um cadáver ambulante sendo controlado pelos fios do seu próprio ressentimento, pois, Akemi sabia que não aguentaria perder mais nada nessa vida, não quando ela já havia perdido tanto nas suas outras chances.

Ela não havia dado para trás quando havia recebido aquela missão momento algum, mesmo indecisa e com medo de ficar só novamente, ela seguiu em busca de sua família, pois, uma das lições que ela havia aprendido em todos aqueles anos era que você sempre deveria lutar para proteger quem você guarda dentro do seu coração.

 

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Da copa de uma elegante sequoia que se erguia como a rainha soberana daquela floresta duas figuras vestidas dos pés à cabeça em tecidos de tons variantes de preto e detalhes em vermelho se esgueiravam e se escondiam por entre folhagem verde e recém brotada e galhos secos com a idade. Elas se camuflavam na ramagem verdejante com um anseio quase natural naquela situação, e com uma facilidade digna de um shinobi.

Uma das figuras, esguia e de gestos atentos, se esquiava por entre galhos robustos até o ar livre, longe das videiras e dos mosquitos, em busca de uma visão geral da vila poucos metros à sua frente. A conhecida Vila da Folha, que havia saído vitoriosa de quase todas batalhas, bem, até agora.

Com um olhar breve e inspirar profundo ela chegou à sua conclusão, e após concordar consigo mesma voltou a observar silenciosamente, escolhendo ignorar sua companheira que tremia feito folha de palmeira em dia de vento.

Um pouco mais adentro, sentada em um banco improvisado com um galho preguiçoso, a outra figura esperava sua companheira, de mãos cobertas em luvas pretas e fios de cabelos tão vermelhos quanto roxos.

Akemi tinha uma postura cautelosa e um tique incessante que irritaria qualquer um, seus dedos finos não paravam de se remexer e mexer dentro de suas luvas pretas, totalmente fora de seu controle. E com as bolsas roxeadas abaixo de seus olhos era fácil perceber seu desconforto, pois quando o corpo passava a dar sinais de sua deterioração não havia atuação que aguentasse as pontas.

O cansaço das garotas escapava pelos seus poros em ondas de rádio, como se tentassem transmitir uma mensagem importante, muito irônico visto sua mais nova missão, "averiguar Konoha e buscar informações,".

Akane tinha quase toda certeza do mundo que elas não haviam parado para um descanso nesse um dia e meio que havia se passado, muito menos uma pausa para se alimentar direito e se hidratar, e nem pensar um cochilo após o almoço. Elas haviam corrido por todas as estradas perdidas e interligadas daquele país, pelo mar revolto da Terra dos Redemoinhos e as sequoias gigantes do Fogo. Sem descanso e sem nenhuma pausa para assimilar aquela situação, ela ainda não entendia como tudo podia mudar da água para o vinho em um piscar de olhos, muitos menos como o ataque havia começado.

E Akemi poderia ser muitas coisas, nervosa, impaciente e completamente angustiada, mas ela não era boba,(por mais que sua madrasta amasse lhe diminuir sempre que tinha chance), ela havia vivido por tantos séculos e passado por tantas vidas, e mesmo que nem tudo fosse claro ela ainda podia reconhecer as facetas da vida e entender as situações ao seu redor, sempre em busca de se sair por cima. E era exatamente por isso que ela temia tanto pela chegada desse dia.

Como uma aprendiz de fūinjutsu os segredos da arte do selamento haviam sido revelados de forma precoce para si, e o magnífico selo de um Jinchūriki não havia sido uma exceção. Era um conhecimento comum para os estudantes e mestres de sua área que o selo que continha uma Besta de Caudas era extremamente complexo e somente poderia ser desenhado e completado por mestres das artes de selamento, ele era tão fascinante quanto perigoso e deveria ser pensado e repensado nos mínimos detalhes. Uma outra curiosidade assustadora sobre este selo era que o fūinjutsu pode enfraquecer quando Jinchūrikis estão passando pela dor do parto e há sempre o risco de que a Besta de Caudas fuja do seu selo e o Jinchūriki faleça no processo.

Sua mãe, Uzumaki Kushina, havia tido o desprazer de ser uma Jinchūriki e estar grávida, prestes a dar à luz.

Akemi se voltou para sua companheira que observava a Vila da Folha com um olhar vidrado e por alguns segundos ela somente observou como os fios avermelhados caem sob seus ombros e enquadram seu rosto cansado. Ela sabia que não ia ter notícias agradáveis, esperava por aquilo e sentia com cada respiração que queimava suas narinas que o cheiro de fumaça era algo à mais. Sem esperar que Akane se virasse, ela levantou sua face como se ganhasse alguma dignidade e confiança e perguntou.

"Como está a situação? Deveríamos ir ou esperar mais um pouco?" E embora sua voz soasse tão gentil como sempre era com sua companheira, seus dedos ainda tremiam de onde descansavam segurando firmemente seu dao*.

"Daqui de cima não dá para ter tanta certeza sobre a situação lá embaixo. Sobre como a segurança anda ou o quanto foi destruído, mas eu tenho certeza que a barra 'tá limpa. Pelo menos o ataque acabou."

"Descobriu mais alguma coisa?"

"Eu tenho certeza que você já sentiu, mas o vento que vem do norte está trazendo um cheiro horrível de poeira, fumaça e sangue. Eu também consigo sentir a energia opressiva que acreditamos que a Kyūbi exala. Posso ver que nas bordas da vila não há tanta destruição quanto no centro, onde muitos prédios foram derrubados."

Os olhos esverdeados da Hakuryū estavam vidrados no pendão de jade que estava preso em seu tessen*, vermelho e dourado como Aito, com um movimento de seu pulso ela o fechou com um som audível.

Logo ela estava posicionada ao lado de Akane, com seus ombros tão próximos que ela podia escutar os seus corações baterem frenéticos contra o peito dolorido. O vento acariciou seu rosto e ela inspirou fundo, e sentiu tudo ao seu redor rodar, a poeira fez seu nariz arder, a fumaça fez sua garganta queimar e o cheiro impregnante de sangue fez sua têmpora doer com memórias que nunca iriam embora.

"Já está na hora de irmos até lá, Akane. Já esperamos tempo demais."

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Haviam duas figuras cobertas de preto e vermelho no topo do "não tão" gigantesco portão esverdeado de Konoha, sua madeira era a mesma que as sequoias que cercavam a Vila da Folha e escrito em vermelho o kanji para "refúgio" estava escrito em cada porta.

Akemi e Akane observavam tudo lá do alto, como o sol havia sido ofuscado por nuvens sujas e cinzentas e seu nascer somente era visto pelo seu brilho ofuscado pela destruição de Konoha.

Akemi costumava se sentir no topo do mundo assim que seus pés tocavam o topo daquele mesmo portão, mas neste momento ela simplesmente se sentia cheia de tudo.

"A Raposa com toda certeza atacou bem ali no centro da vila."

"E onde o parto ocorreria, naquela caverna."

"A pergunta é, como a Kyūbi conseguiu ir para o centro da Vila sem destruir os arredores."

A Besta de Caudas havia desaparecido tão de repente quanto havia aparecido, horas já haviam se passado desde que ela havia ido e mesmo assim os resquícios de seu chakra maligno continuavam pairando pelo ar, poderoso e cheio de ódio.

"Consegue sentir alguma presença?" Akane perguntou.

"Nada além de algumas presenças bem fracas, e você?"

"O mesmo. Deveríamos descer e tentar sentir melhor." Akane sugeriu.

Akemi e Akane faziam parte do clã Uzumaki

O clã Uzumaki havia sido um clã de muitos talentos e habilidades, com membros poderosos e uma ilha inteira sob seu comando, tudo isso havia sido notado e reconhecido pelo resto do mundo shinobi e havia se tornado o motivo de sua ruína e da destruição de sua vila. Uma de suas habilidades era quase tão associada com o clã quanto seus fios vermelhos, popular e invejada, o clã Uzumaki tinha a habilidade de sentir, seja pessoas, animais ou sentimentos. Esse dom nem sempre aparecia com a mesma frequência ou na mesma família, mas era comum em todo o clã. Akemi e Akane faziam parte do que havia restado do clã Uzumaki e haviam nascido com essa mesma habilidade, que com muito treinamento havia sido aperfeiçoada e refinada. Por isso elas estranhavam tanto não conseguirem sentir nada.

E com aquele sentimento incomum e invasivo no peito elas partiram, dessa vez, para dentro da vila.

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Ela ainda se lembrava dos anos que passou em Uzushio, da felicidade que sentia enquanto estava ao lado de seu irmão e do vazio que sentia assim que se afastava dele, ela dependia dele.

Ela ainda se arrependia de ter chegado atrasada, guardava a mágoa dentro do seu peito e nunca abria mão de seu ressentimento. E as vezes a sensação das gotículas de chuva contra sua pele voltavam, ela se perdia e ainda podia sentir o cheiro de sangue impregnando sua pele.

Ela ainda se lembrava perfeitamente de como era sentir a frieza da pele de seu querido Aito, como seu corpo imóvel simplesmente permanecia paralisado não importasse o quanto ela tentava o acordar do sono eterno. E como ela poderia se esquecer dos anos que ela passou sem se sentir como si mesma, sempre à procura de seu irmão e sua companheira — que havia perdido à tanto tempo e mesmo assim ela ainda ansiava por ter ela em seu aperto. Sem sucesso em os encontrar.

A situação de Konoha lhe causava dor como se aquele fosse seu próprio lar, como se fosse Uzushio de novo, sendo massacrada pelos seus inimigos novamente. Ela entendia que somente conseguiria sentir esse sentimento pelos seus pais, que amavam aquela terra com todo o seu orgulho e haviam a protegido com suas vidas. Porém, ela ainda não os perdoaria, ela nunca conseguiria, a dor de ter perdido tudo ainda lhe cegava.

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Os olhos esverdeados de Akemi percorriam por todo canto à procura de algo que a distraísse, todo e qualquer lugar que não fosse o chão em que ela pisava e onde descansavam poças de sangue e cadáveres soterrados entre os escombros. Ela fugia de sua realidade como uma pecadora que havia escolhido ignorar toda a corrupção do seu mundo, de mãos em mãos com sua companheira, Akane.

Mesmo que suas memórias ainda fossem uma bagunça sem fim dentro de sua mente, a felicidade que ela havia sentido naquela vida, livre em Uzushio, viveria para sempre em seu coração, junto com os olhos esverdeados e o vermelho e o dourados das bandeiras que enfeitavam cada canto da vila. As ondas que sempre iam e vinham e os pelicanos que pescavam na praia.

Ela ainda se lembrava das embarcações que sumiam no horizonte, cheias de shinobis sanguinários de más intenções, e de como o arrependimento se tornou sua maior dor, motivo de seu sofrimento.

"Eu consigo sentir um aglomerado de pessoas vindo daquela direção." A voz de Akane soou inquieta em seus ouvidos, e ela apontou com sua mão esquerda para uma direção à sua frente.

Akemi finalmente desviou seu olhar do céu cinzento e observou como a expressão de Akane nublava diante de seu olhar. Assim que ela seguiu a direção que a mão de sua companheira apontava, ela engoliu em seco.

Pouco à pouco sua vida girava e girava, cada vez mais fora de seu próprio eixo.

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Akemi ainda carregava consigo as dores e as cicatrizes de séculos atrás, e os mesmos de sua infância, não importava se havia adquirido elas por erro seu ou para garantir sua sobrevivência, doía e sangrava do mesmo jeito, e nunca parava de machucar.

A Hakuryū não gostava de pensar em como sua infância havia sido cinza, em como o carinho de sua mãe e a presença de um pai haviam feito falta, mas era inevitável não se lembrar e comparar como tudo havia mudado assim que ela os conheceu.

No exato momento em que ela recebeu aquela missão e o veredito de que havia uma possibilidade de que seus pais houvessem morrido durante o ataque, ela soube que o pior havia acontecido, mas como uma tola ela havia decidido ignorar todos os seus sentidos em alerta e enterrar suas dúvidas e preocupações em uma cova bem funda em seu coração.

E agora, no meio de uma multidão de pessoas vestidas em roupas pretas, fúnebres, ela percebe que suas preposições não eram tão sem pé nem cabeça como havia decidido acreditar. Logo à sua frente em um caixão, Minato descansava, de olhos fechados, sem pulso e sem os movimentos de seu peito, não corria sangue por suas veias. Não havia sinal algum de sua mãe, mas ela tinha certeza que ela não sobreviveria, não importava o quão forte ela fosse.

A chuva precipitava violenta, cruel e impiedosa contra seus ombros, ela fazia questão de esconder as lágrimas que sujavam seu rosto, como se ela nunca fosse capaz de demonstrar sua dor, nem mesmo em um momento desses, nem mesmo quando seu coração havia morrido junto com seus pais.

Enquanto a posição do sol mudava pelo céu cinzento, subindo e se tornando cada vez mais morno e brilhante, aquecendo o povo do País do Fogo, Akemi transitava pelos estágios do luto, de seu próprio jeito. E por fim, ela não se tornou um lírio alaranjado*, cheio de ódio e vingança, por fim ela se sentiu como um sino azul*, triste e imutável, em um estado de luto perpétuo, em equilíbrio com suas emoções, ela se sentia grata por tudo, por seus pais e por seu irmão, por terem lhe ensinado os significados diferentes do amor.

Ela respirou fundo e abriu os olhos esverdeados lentamente, e ela não precisou olhar ao redor para saber que ela ainda estava lá, lhe esperando no mesmo lugar, paciente como uma azálea*, ela ainda lhe sussurrava, "leve o tempo que você precisar," com o mesmo olhar cheio de compaixão.

"Eu estou pronta." Akemi interrompeu o silêncio que havia durado horas à fim.

E com um sorriso ela lhe estendeu sua mão, e lhe disse. "Vamos procurar pelo seu irmão."

"Sim. Vamos procurar por Naruto."

Ela sabia que não precisava dizer obrigada e muito menos desculpa*, então ela somente se permitiu sorrir.

Notes:

Olá, Olá, meu nome é olentia e eu sou a escritora de Missing Storm.

MS é uma história que está presa na minha cabeça faz anos mas no meio do caminho eu me perdi de sua essência, nesse último ano eu venho a reescrevendo e agora decidi postar ela.

Ela é fanfic com foco em personagens originais (ocs) e no time 7, nos seus relacionamentos e em como eles crescem como pessoa. Vai se passar no que eu chamo de nações elementais (o universo de Naruto canon), principalmente entre Konoha, Uzushio e Hana (a vila que eu criei).

Vai ter conceitos de reencarnação e aspectos de culturas asiáticas, basicamente como Naruto, só que bastante inspirada em Avatar.

O casal principal é Sasunaru mas é bem leve, porque eu acho meio estranho eles namorarem tão jovens assim.

Se quiserem conversar e conhecer mais sobre a história e minhas ocs, conversem comigo pelo meu twitter (@soft_pond).

(E sim eu reescrevi as notas finais porque eu sem querer as apaguei, por isso está estranha.)