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— Ah, Bruno, isso é... ótimo. Eu tô muito feliz por você, de verdade. — disse, forçando um sorriso, enquanto tentava digerir a informação que viera como um soco no estômago. Bucciarati sorria, fitando a aliança em seu dedo.
— Obrigado, Leone... você sabe como é importante o seu apoio pra mim, já tiveram horas que eu não sei nem o que faria sem sua ajuda. Você é uma ótima pessoa.
Sentia meu estômago embrulhar, quanto mais ele falava, mais vontade eu tinha de vomitar, e mais força era aplicada ao meu peito. Não sei se feliz ou infelizmente, o baque era tão grande que nem as lágrimas conseguiam se formar, muito menos sair. Quando percebi, Bucciarati me olhava, o ar de preocupação tomando seu rosto.
— Eu... falei algo de errado?
— Oi? Não, não, claro que não, eu... fico feliz que pense assim de mim, Bruno, você também é muito importante pra mim.
Sorrimos, e eu estava aliviado pelo assunto ter acabado por ali.
[...]
Namorando. Desde quando? Desde quando aquilo vinha acontecendo, bem debaixo dos meus olhos, sem que eu não visse nem a sombra? Você nem me contou, Bruno, desde quando eu havia perdido o meu lugar?
Nós nos conhecemos, ficamos, até um dado momento em que paramos, mas... não era óbvio? Meus sentimentos eram claros como a mais forte das luzes, ou pelo menos era isso que eu pensava. Você não sabia ou apenas ignorou?
Suspirei, jogando a cabeça pra trás. Não adiantava mais pensar, sofrer, questionar, a verdade era só uma e também era imutável. É, Leone, acabou. Mais uma vez, tudo havia escorrido pelas suas mãos e você só percebeu quando era tarde demais.
Acho que de tudo, a parte mais frustrante é ter aceitado algo que estive contra por tanto tempo. Primeiro, jurava que acabaria naquela noite; depois, as coisas avançavam, e mesmo com medo eu ainda queria gostar. Quando começava a pensar em algo, nos afastamos, e, quando estava prestes a desistir, tudo voltou. Ele ia e voltava, sumia e me ligava de madrugada, bêbado e me enchendo de declarações descaradas, para então fingir que nada da última noite havia sido dito. Foram meses até entender que a verdade é que eu realmente estava apaixonado.
O medo, eu tinha medo, eu não queria amar, me apaixonar, gostar, estar afim, o que fosse. É necessário confiar para estar apaixonado, e confiar em alguém era a última coisa que eu pensava em fazer. Mas ele sempre, sempre estava lá. Ele me deixava bem, me ouvia, ajudava, como não se deixar levar pelas situações?
E quando me entreguei, realmente pensando que algo poderia funcionar apesar de tudo, lá estava ele, com um alguém, alguém que não eu.
Pensar tudo isso faz-me sentir egoísta. Eu devia estar feliz por ele, não? Se ele está bem, se está feliz, por que eu não estou comemorando com ele? Por que dói?
[...]
Me pergunto se ter dito algo teria feito as coisas serem diferentes. Não apenas deixar todos os sinais, mas também dizer, contar pra ele. Essas perguntas não me levarão a lugar algum, mas pra onde eu fujo, lá elas estão.
Também questiono sobre como vai ser daqui pra frente, se as ligações de madrugada cessarão, se agora ele tem um novo alguém para desabafar e conversar. Não posso negar que fará falta, caso acabe. E torço como nunca para que continue.
A parte que mais dói é saber que agora não há mais como dizer. Que continuarei em meu aquário, com todos me vendo sem saber que aquilo me aflige, que machuca e continua entalado na garganta, fazendo o meu estômago embrulhar a cada palavra dele, a cada sensação que nunca será dirigida a mim.
Ah, Bruno, se você soubesse... como teria sido? Seria recíproco, ao menos? Sendo ou não, permaneço no aquário, esperando que uma hora eu possa estar comemorando ao seu lado como deveria. Talvez meu egoísmo seja um pouco compreensível, pelo menos por agora. E espero que permaneça neste agora eternamente, que eu deixe quieto e possa seguir em frente com você. Mesmo que seja apenas você e eu, e nunca nós.
Disso tudo, só peço que se lembre. Se um dia tudo isso vier à tona, não exijo nem que me perdoe. Apenas se lembre de mim, Bruno, do tempo em que nós existimos.
