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Mesmo dormindo, Karkat se encolhia e revirava na cama ao som de cada trovejada do lado de fora da janela. Seus dedos buscaram algo, uma textura específica, mas só encontraram o cobertor emaranhado ao seu lado. Os pesadelos o agonizavam quase toda noite, fazendo-o acordar cada vez mais cansado e assustado com o mundo exterior.
Abriu os olhos, podendo ver a cama vazia. Olhou pela janela, as gotas de chuva batiam fortes contra o vidro, e não havia nenhum sinal de sua companhia de mais cedo.
— Dave? — Mordeu o lábio, inseguro. — Dave, você tá aí? — Sem nenhuma resposta.
Tentou voltar a dormir, sem o menor sucesso, mudando de posição a cada instante e abraçando o travesseiro. Sentou-se, enrolando o dedo indicador no cabelo, para depois abraçar os joelhos e suspirar.
Desistiu, enfim, do sono, jogou a manta por cima dos ombros e pegou a almofada novamente, colocando-a rente ao peito. Desceu as escadas, apenas para acabar encontrando Dave largado no sofá, vendo TV. Ao perceber a presença do outro, o loiro inclinou a cabeça para o lado com uma certa preocupação.
— O que foi, KK?
— Pesadelos.
— De novo? — Mordeu o lábio inferior, batendo de leve no assento ao seu lado, chamando o outro para sentar ao seu lado.
Vantas aceitou, aconchegando-se ao lado do rapaz e encostando a cabeça em seu colo, cobrindo os dois com a coberta que havida trazido.
Seus pesadelos eram habituais, a maioria sobre perdas e inseguranças que Karkat se recusava a admitir que tinha. Dave respirou fundo, acariciando o cabelo do outro enquanto este levantava a cabeça, pedindo um beijo. Sorriu, para então atendê-lo, foi doce e demorado, do jeito que só Strider sabia fazer, acalmando a mente turbulenta de Karkat.
— Você quer me contar o sonho?
— Ah... não... Eu não quero lembrar...
— Tudo bem, tudo bem. Já passou, eu tô aqui e nunca vou sair do seu lado.
Seu namorado era o máximo. Vantas se sentia sortudo por tê-lo, pois sabia que, mesmo nas noites tempestuosas e assustadoras, Dave não o deixaria sozinho.
E então estava tudo bem.
