Work Text:
Me olhava no espelho, as mãos tocando todo o meu corpo, a visão embaçada pelas lágrimas que escorriam pelas minhas bochechas.
Eu tinha nascido assim.
Desejava poder mudar
Quatro membros peculiares e uma cabeça que não servia
Queria ainda ser uma criança
E era verdade. Eu era assim e isso era imutável, interminável, imensurável. A dor me corrompia e fazia meus joelhos dobrarem, a dor psicológica aos poucos se transformava em física e me fazia querer gritar.
Eu segurava tudo dentro de mim, e uma hora soltaria, bem no momento que você olhasse pro lado. Eu me arrumaria no meio da multidão, e quando tudo estivesse certo eu quebraria a formação novamente. Para era impossível e continuar também, e eu não aguentava-
Eu não aguento mais.
No lugar vazio e escuro eu abraço meus joelhos tentando me proteger dos fantasmas e demônios que minha própria mente traz à tona, eu queria recomeçar, eu queria terminar isso tudo e recomeçar, mas desistir não era uma opção.
Nunca foi
Nunca será
Não importa o quanto doa.
Afogado em um mar de palavras que enchiam minha cabeça, tentando encontrar um jeito de se recuperar, fugir da dor, parar a dor, melhorar. Eu só queria recomeçar.
Eu só quero ralar meus joelhos
Chorar até minha mãe ver
Cansado, cansado, cansado. Destruído, acabado. Eu quero lutar, mesmo sem forças, eu quero recomeçar e ter uma boa vida, bons momentos, bons amigos, eu quero ter alguém e não ficar sozinho, não ter que lidar com problemas, ser criança de novo e agradecer diariamente pela simplicidade que a vida me daria.
Aprender tudo
Pela primeira vez, de novo
Eu só quero ser uma criança
Eu só quero ser uma criança
Mas eu não quero ser uma criança
Que nasceu assim.
Inventar um novo eu, crescer e aproveitar, eu só quero ser comum, padrão, mediano. Não me interessa ser excêntrico como o mundo me fez, perdido num mar onde ninguém pode me entender.
