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Três Flechas

Summary:

Poucos anos após a luta contra Gaia, os Deuses recebem um inusitado convidado no Olimpo que alega haver mais um acampamento.
Ele também diz que esse esquecido campo recebeu uma profecia, algo que os Olimpianos não estavam sabendo.
Com o mundo sendo ameaçado de voltar ao Caos pelas mãos de um arqueiro, os Deuses terão que contar com esses campistas esquecidos e problemáticos assim como irão ter ajuda de antigos aliados.

Notes:

desde 2016 planejando, montando mapa, escrevendo e criando personagens... essa história sempre teve um lugar especial no meu coração.
Já é a terceira vez que trabalho nela. Pretendo não desistir, ainda mais com a minha volta no fandom — e com o anúncio da série!! Não sei por quanto tempo me manterei animada, mas espero que dure bastante.
esse é só o prólogo... essa fic inicialmente era interativa, mas ao revisar o motivo do meu desânimo com a história percebi que não tinha nenhum apego emocional com a maioria dos personagens que aceitei. Resolvi retirá-los da história, deixando apenas três que foram feitos por leitores muito preciosos e pelos quais realmente gosto de escrever.

estou revisando e reescrevendo a história, e espero que vocês tenham paciência comigo porque sou péssima com atualizações. Não me cobrem, porque eu vou definitvamente ficar muito frustrada.

No mais, espero que gostem 💚

Chapter 1: Prólogo

Chapter Text

Drew respirou fundo numa tentativa de manter a calma durante o percurso que fazia. Esfregou uma mão na outra, um dos vários gestos humanos que havia adquirido após viver tanto tempo entre mortais. Seu olhar estava focado na estrada de pedrinhas bem alinhadas que pisava. Ele sabia que estava sendo observado pelas ninfas, e infelizmente não era por ter uma bela aparência — elas queriam saber o motivo para alguém como ele estar ali. De onde estava já conseguia avistar as portas que guardavam seu objetivo. Drew relembrou o roteiro que seguiria uma vez que estivesse lá dentro. Ajeitou o cinto que segurava sua toga da forma certa e andou em passos mais largos almejando chegar logo.

Tinham lhe dito que aquela caracterização era desnecessária, todavia Drew achava que era o certo a se fazer. Afinal ele desejava falar com os Deuses, pelo menos deveria seguir a vestimenta padrão da época em que eles foram mais poderosos.

Ele passava por pequenos prédios e árvores da cidade que antecediam o Olimpo sem nem ao menos os analisar. Ainda sentia os olhares dos seres que habitavam aquela parte, porém não se preocupava com isso. Suspeitava que ninguém iria lhe atacar enquanto se comportasse, e por enquanto isso se provava real. No momento em que se viu diante do portão, Drew fechou os olhos. Ele inspirou, tentando se forçar a parar de pensar no que deveria ou não fazer. Suas mãos também estavam fechadas, como se ele usasse esse movimento para se concentrar.

Assim que abriu suas pálpebras e relaxou os dedos, Drew pôs as palmas em cada porta e as empurrou de forma que fizessem barulho ao que as movia lentamente. Logo após o corredor em frente ao portão estavam os Deuses, sentados em seus tronos divinos. Pelo que parecia estavam no meio de uma conversa animada, já que enquanto Drew entrava confiante na sala sem nem ao menos ter sido convidado, ele recebeu a atenção total. Enquanto andava até o centro da sala ele viu alguns olhares desagradáveis mirados em si, assim como escutou risinhos debochados enquanto outros portavam expressões de puro descaso.

Ignorando tudo isso ele se ajoelhou em frente ao maior trono de forma rígida e respeitosa.

― Trago algumas notícias interessantes para vocês. ― A forma como Drew falava era muito parecida com a forma que lia: sem nenhum pingo de nervosismo ou ansiedade. Seu tom de voz transmitia apenas calma que contrastava com a forma que ele se portava.

Sua cabeça estava abaixada em sinal de respeito e alguns de seus fios loiros curtos caíam por sua testa. Seu olhar estava no chão dourado, também imune de emoção em suas orbes.

― E quem seria você? — Zeus, o Deus dos trovões e céus, questionou de forma desconfiada. Suas sobrancelhas estavam franzidas de forma que suas várias rugas ficavam aparente, assim como seu desinteresse total.

Drew ergueu o rosto e o encarou, ainda se mantendo ajoelhado. Durante o contato visual, ele deixou a verdadeira cor de seus olhos a mostra por alguns segundos antes de a esconder novamente com névoa, fazendo suas íris parecem castanhas novamente.

Ele ouviu alguns murmúrios a suas costas e sentiu a inquietação e incômodo das divindades invadir o cômodo. Mesmo assim, sua atenção continuou toda no Deus dos Deuses. Zeus continuou lhe encarando. Seu olhar parecia querer arrancar a névoa que usava para se esconder e acabar com seus truques, o deixando apenas com a possibilidade de revelar todos os seus segredos e ser julgado por eles.

― Héstia, o quê isso significa?

— Meu lorde, ele pediu para participar da reunião com antecedência. — Ela respondeu sem nem ao menos se virar para o responder. Suas mãos estavam perto do fogo que queimava na lareira, embora não tivesse nenhuma necessidade de se aquecer. 

Drew se questionava o porquê dela escolher ter uma aparência tão jovem, parecendo uma adolescente.

Ah, e porque ele marcou consulta devemos ouvir o que um maldito empousa tem a dizer agora? — Ares alfinetou com bastante maldade em suas palavras. Ele poderia não estar na linha de visão de Drew, todavia ele sabia que seus olhos estavam pegando fogo. — Devemos realmente escutar um monstro?

Interessante.

Embora Drew não soubesse dizer se o Deus da guerra estava o classificando ou xingando, ele sabia que o mesmo tinha motivos para querer o mandar direto para o Tártaro sem possibilidades de retorno. Não que ele estivesse com tempo de entreter Ares. No momento ele só se questionava se não deveria ter mandado um mensageiro ao invés de ter ido falar pessoalmente com as divindades.

— Ele pode até ser um monstro, mas é a minha criação — Uma voz que Drew não ouvia fazia décadas chegou em seus ouvidos e fez seus pêlos dos braços se arrepiarem. Hécate estava falando em algum lugar a suas costas, e ele por um momento quase se virou para olhá-la. — Ele é meu filho.

O silêncio que seguiu a interferência da Deusa dos caminhos e da névoa foi incômodo. Ninguém ousava falar nada e a expressão de Zeus continuava desconfiava e desinteressada. Ainda sim ele não parecia ter escolhido se mandava o Drew embora ou se o deixava fazer o que tinha planejado.

— Talvez seja prudente o deixar falar. — A Deusa da sabedoria interrompeu o silêncio com suas palavras, trazendo atenção dos outros para si. — Ele não só mostrou respeito a nós, como também marcou uma consulta para vir até aqui. Pode ser que ele realmente tenha uma coisa importante para dizer.

Drew ouviu um risinho de deboche e soube logo que tinha vindo de Ares. Ainda sim, nenhum outro comentário veio dele.

As palavras de Atena pareceram fazer efeito sobre o Deus dos céus, já que ele enfim assentiu.

— Pois bem, não gaste meu tempo.

Drew não precisou de mais nenhum incentivo. Ele se levantou e grunhiu antes de finalmente começar a falar:

— Meu nome é Andrew — O empousa continuava a usar seu tom calmo embora estivesse com as mãos nas costas, igual aos soldados ocidentais ficavam ao falar com um superior. — E eu sou diretor do Acampamento Divino.

Ele teria continuado a falar, todavia a sobrancelha erguida no rosto de Zeus o fez perceber que ele não estava acreditando no que dizia. Talvez estivesse achando que tinha um parafuso a menos, embora estivesse apenas falando a verdade. Pelos murmúrios e risadas sarcásticas que escutava, Zeus não era o único a achar que Drew estava inventando histórias.

— Só existem dois acampamentos, meu… jovem. — Hera respondeu de um jeito muito parecido com o de uma mãe falando para o filho que o horário de brincar tinha acabado.

 — E vocês insistem em o deixar falar! — Ares retrucou, claramente adorando a oportunidade para arrumar intriga.

— E por que a possibilidade de existir um outro acampamento é tão impossível de se imaginar? — Novamente Hécate falou a favor de Drew. — Só porque um empousa, um monstro, como estão o chamando, está dizendo?

E novamente a sua criadora trazia o desconfortante silêncio que forçava as outras divindades a encararem seus preconceitos. Ainda sim, Drew continuava a olhar para o rosto de Zeus. Ele viu a sobrancelha se unir a sua semelhante, trazendo uma carranca nada bonita no rosto divino. Apenas aquilo foi o suficiente para um sorriso vitorioso surgir nos lábios do empousa.

— O Acampamento Divino é antigo. Não lembro exatamente qual a data que deixou de ser um local de reunião para semideuses e virou um campo, mas lembro que Roma ainda estava sendo construída na época. — Drew explicou tranquilamente, ainda usando o mesmo jeito de falar. — Vocês que planejaram e arrumaram, o deixando ficar cada vez mais parecido com um acampamento greco-romano enquanto aperfeiçoavam o lugar.

Ele conseguia sentir que os Olimpianos ainda não estavam muito confiantes no que dizia, assim como também não estavam o achando mais tão sem sentido. Drew via no olhar de Zeus uma névoa apagando o azul das íris dele. Conseguia ver que tinha um quê de nostalgia na expressão do Deus, embora sua expressão não parecesse ter mudado muito.

Após um pequeno momento de silêncio, Drew percebeu que o olhar que estava recebendo agora da divindade a sua frente também continha curiosidade junto da desconfiança inicial.

— Acho… interessante vocês não se recordarem de algo que construíram. — Embora estivesse saindo do roteiro, o empousa ainda falava de forma calma. — E ainda sim, Ares me reconhece.

Drew sentiu o foco da atenção mudar de si para o Deus citado. Até mesmo Zeus deu uma rápida olhada no filho antes de tornar a encará-lo.

— Difícil esquecer o monstro que torturou meu filho. — Foi a única resposta que o Deus da guerra deu. Embora tivesse tentado usar um tom agressivo, estava claro que aquilo tinha abalado Ares mais do que ele podia deixar transparecer.

Oh, a ironia. — O empousa retrucou embora tivesse um tom de divertimento em sua voz.

Pela falta de reações, Drew resolveu que era mais seguro voltar ao roteiro.

— Vou ser direto e parar de gastar o precioso tempo de vocês. — Por mais que tivesse tentado soar o mais tranquilo que pudesse, não conseguiu segurar um pouco de sua insatisfação. — O Acampamento Divino recebeu uma profecia depois de muito tempo no aguardo.

O olhar de Zeus se focou em outro filho: Apolo. Este que parecia perdido diante a nova informação, principalmente porque estava recém conectado aos Delfos pelo que Drew tinha escutado durante sua jornada até o Monte Olimpo.

— Não estou sabendo de nada. — Foi a única declaração que o Deus do sol fez em auto defesa, trazendo novamente o olhar desconfiado de Zeus para o empousa.

— Na profecia que recebemos é mencionado umas flechas que podem retornar aos caos.

A expressão dos Deus dos céus mudou rapidamente para uma de perplexidade. O silêncio dominou o local, o incômodo tomando o clima daquela reunião. Drew viu Hera entrelaçar seus dedos com os do marido, e ouviu Ártemis sussurrar algo no ouvido do irmão. Ele olhou em volta e percebeu que Atena parecia estar presa em sua própria cabeça, encarando o chão. Observou Deuses que nem tinha percebido estarem ali — ou que sabia que tinham o direito de estar no Olimpo — se aproximarem um dos outros para sussurrar ou oferecer algum tipo de apoio.

— Pelo visto essas flechas são mais importantes do que eu imaginava. — Drew murmurrou, como se estivesse fazendo uma anotação com a sua fala.

— Se for o que estamos pensando, — A voz de Hades chamou a atenção de todas as divindades do local, não por ele ter se pronunciado, mas pelo medo que era perceptível em seu tom de voz. — essas flechas podem nos trazer um futuro sombrio.

Apenas escutar o Deus da morte fazia o empousa sentir um arrepio. Ele sabia que se não tivesse cuidado não demoraria para acabar nos domínios dele, e odiava essa sensação de impotência.

— Teremos que nos preparar para evitar uma grande catástrofe. — O aviso de Hades trouxe a tona em Drew suas preocupações com o que aconteceria com os mortais e com os Deuses, algo que estava tentando evitar de pensar sobre.

 — O que mais dizia na profecia sobre essas flechas? — Zeus questionou antes que o foco da conversa sumisse diante tantos murmúrios e olhares de desespero.

O empousa tornou a olhá-lo, para então responder:

— Apenas dizia que talvez um arqueiro as atirasse.

Grunhindo, o Deus dos céus e trovões resolveu deixar aquilo de lado no momento.

— O que mais dizia nessa profecia sobre as possíveis ameaças ao mundo? — o que mais pode tentar destruir o nosso mundo? Era o que Drew achava que Zeus realmente queria saber. Não importava que Hades tinha sido o primeiro a falar sobre o que estava por vir, todos as divindades pareciam preocupadas agora — assim como também pareciam acreditar no empousa.

— Tem uma linha mencionando algo sobre uma escuridão.— Novamente ele usava uma voz tranquila para falar, mesmo que apenas mencionar aquela parte lhe trouxesse um aperto no peito.

O silêncio que se seguiu era carregado de pesar e desconforto. Drew não tinha ideia do que eles pensavam, embora fosse claro que tempos difíceis estavam por vir. E era por isso que ele estava ali.

— Eu vim aqui apenas alertá-los. Mas fiquem tranquilos, que enquanto meus campistas estiverem vivos, faremos tudo o que for necessário para ajudá-los a impedir essa catástrofe.

Diferente do que pensava, os Deuses lhe encararam não de forma esperançosa ou até mesmo desdenhosa. Não, o que estava no olhar deles era pena e hesitação. Drew ficou até mais aliviado quando ouviu a risada debochada de Ares atrás de si. Aquela reação era mil vezes melhor que o que estava recebendo.

— Acha mesmo que seus campistinhas vão conseguir impedir o mundo de voltar ao caos? — Embora as palavras do Deus da guerra tenham sido cruéis, seu tom de voz continha incredulidade.

— Eles são bem treinados, conseguirão fazer isso. — O empousa disse ainda no seu tom calmo, embora agora ele visse que seus olhos estavam vermelhos em seu reflexo dos óculos de Ares.

— Isso não quer dizer que eles não devam ter algum tipo de ajuda. — Atena retrucou, parecendo agora centrada em pensar nas melhores formas de impedir o fim do mundo. — Você deveria entrar em contato com os acampamentos e pedir por reforços.

Drew escutou murmúrios de confirmação e viu algumas cabeças assentindo. A maioria parecia achar aquilo uma boa ideia, provavelmente por causa do peso da culpa ou por algum fato que ele ainda não sabia.

— Mesmo que eu tenha certeza de que não precisamos de reforços, — O empousa disse com uma pontada de irritação em seu tom calmo. — agradeço o pensamento. Passarei lá assim que acabar meu relatório.

Satisfeita com a reação de Drew, Atena trouxe o foco da conversa para possíveis semideuses que seriam de ótima ajuda para o Acampamento Divino. Com isso outros Deuses se sentiram livres para darem sua opinião também, e logo Zeus teve que mandá-los ficarem quietos. Se alguma informação importante foi trocada nesse meio tempo, o empousa não ouviu. Pensava em quanta a estupidez era um traço que todos as divindades dividiam e em como eram arrogantes.

O Acampamento Divino tinha sobrevivido a muita coisa sozinho, não seria repentinamente que aceitariam ajuda de desconhecidos sem desconfiança. Era um pensamento tão ridículo que chegava ser cômico, e mesmo assim Drew não sentia a mínima vontade de rir. Ele conhecia seus campistas, sabia como eram. Iriam olhar os reforços e mandá-los de volta de onde vieram, resolvendo que era melhor morrer sozinhos do que aceitarem ser subestimados.

Ainda mais porque o líder deles odiava quando faziam isso. E se fosse para ser assim, aquela pessoa iria preferir deixar o caos dominar a terra do que ter alguém sentindo pena de si.