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O sonho daquela criança era recorrente. Sentia a dor, o peito em chamas, reconhecia as vozes que falavam, alteradas, ao seu redor. Contudo, nada via. Passava as mãos sobre o rosto, tocando o pano que lhe cobria os olhos, mas a luz não aparecia mesmo ao arrancá-lo.
E, apesar da angústia toda sofrida durante seu sono, Xiao XingChen não podia evitar sorrir ao despertar. Sempre acordava no mesmo momento, ao sentir a lâmina fria contra a pele do pescoço. A sensação de alguém lhe afagando o rosto, às vezes até mesmo entoando uma canção, em dialeto antigo. Não sabia o significado das palavras, mas sabia estar sendo protegido. Podia voltar a dormir.
Por muitas eras, aguardou até que aquela alma estivesse, enfim, sadia novamente. A cada reencarnação, Xue Yang acompanhava Xiao XingChen. Estava, de fato, fadado a fazê-lo, independentemente de sua vontade. Porém, ela existia, genuína.
Xue Yang pagaria seu débito, mesmo quando este já estivesse quitado.
