Work Text:
Óculos retangulares, concentração, livro, caderno e caneta — Nao era o típico nerd do colegial, usava suéteres de cores básicas e sentava na frente da classe, quase com o nariz colado na mesa da professora.
Rosto bonito, corpo atlético, sorriso de arrancar suspiros e uma popularidade invejável — Natsuya era o tradicional playboy do colegial, praticava esportes e todo dia comprava flores para conquistar corações por aí, ainda que fosse alérgico a algumas delas.
É claro que quem via os dois não enxergava a menor possibilidade de uma interação amigável e afetuosa entre Nao e Natsuya, pois a única coisa que tinham em comum era a letra N iniciando seus primeiros nomes.
Errados estavam aqueles que tiravam conclusões precipitadas sobre os dois, pois Nao e Natsuya eram, na verdade, melhores amigos de infância e também... namorados.
As flores que Natsuya comprava todos os dias — as quais ás vezes lhe tiravam alguns espirros — pretendiam conquistar um singular coração, pois o seu próprio não estava interessado em bater apaixonado por plurais.
E muitas vezes a concentração de Nao deixava os estudos de lado para admirar a beleza e a contagiante alegria de Natsuya que tanto cativavam as pessoas ao redor dele.
De tão opostos que eram qualquer novato ficava chocado ao descobrir que aqueles dois compartilhavam o amor pela natação, mas nada com certeza era tão chocante para os que não conheciam Nao e Natsuya quanto o amor que eles tinham um pelo outro, o sincronismo que parecia exalar de ambos tornando-os o casal mais admirável de Iwatobi.
Um casal clichê claro, o tímido nerd e o popular playboy; andando de mãos dadas e trocando beijos debaixo da árvore do parque.
Nao criava poemas e Natsuya os transformava em canções.
E na primeira vez que Nao foi internado devido ao seu problema ocular, Natsuya prometeu, com música e flores, entre espirros de alergia e lágrimas de emoção, que seguraria sua mão em todas as consultas, em todos os exames e em todas as cirurgias.
Um casal tão belo e amável, o playboy chorava e o nerd o consolava.
Um clichê de amor, um amor de clichê.
