Work Text:
Valha-me, Deus! Esses teus dois botões desabotoados, quase descosturados dessa tua camisa que um dia foi branca.
Minha vontade é de meter os dedos em tuas vestimentas e fechá-las até teu pescoço para que elas guardem essa tua pele longe dos meus olhos desejosos.
Valha-me!
Nem se eu escondesse tua cabeça com o lençol teria paz na mente.
Nem se eu virasse para o outro lado da minha cama e ficasse encarando a parede silenciosamente.
Queria te sacudir agora mesmo, te acordar e te fazer ficar com aquele teu olhar confuso, me ouvindo expressar os sentimentos que há tanto tempo preservo dentro do peito. E depois queria bagunçar teus cabelos enquanto beijasse tua boca, não aguento esses teus lábios meio rachados pelo frio. Valha-me! Nem frio sinto.
Está nevando lá fora e tudo o que sinto é calor.
Está tão quente aqui dentro, isso não é coisa de Deus!
— Marco, posso ouvi-lo se mexer, vá dormir! — tu reclamas e se aquieta outra vez.
Queria cair num sono tão fácil assim, mas sei que passarei mais uma noite em claro perdido em vontades que jamais expressarei em palavras.
Valha-me, Deus, mas é certo que morrerei antes de confessar-te tais sentimentos, Jean.
