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O Que Você Quer Fazer?

Summary:

Kirishima estava irritado, não se reconhecia, e tudo por causa de um certo alguém.

Notes:

Fanfic de 2019

Work Text:

— Meu Deus do céu! 

— Que é agora?! — exclamou um Kirishima irritado em meio ao burburinho da cafeteria. Ele surpreendeu-se com o próprio tom, costumava ser tão paciente e passivo, mas a coisa com Bakugou estava passando dos limites.

— Você é burro! Alguma surpresa? — respondeu Bakugou à sua frente, mas Kirishima escolheu manter os olhos no caderno e nas anotações que seu querido e incrivelmente gentil melhor amigo chamava de garrancho. — O resultado da soma de dois números negativos continua negativo, positivo é o resultado da multiplicação! Quantas vezes eu tenho que te dizer?!

Kirishima fechou o caderno com tanta violência que sua caneta foi lançada ao chão e ele nem sequer percebeu. Não reconhecia a si próprio, nunca alguém o deixara dessa maneira e o temperamento de Bakugou jamais o abalara, pelo contrário, muitas vezes o divertia. Entretanto, não naquela manhã, não mesmo! 

— Não se preocupe, essa foi a última! — disse ele levantando-se, sua voz denunciando a exasperação que ele sentia. — Não precisa mais me ajudar com isso.

A expressão tradicional de Bakugou suavizou-se, ele agora olhava Kirishima com estranheza, quase como se perguntasse "O que  de errado?", mas Kirishima sabia que o amigo não perguntaria nada e isso causou um certo desconforto em seu peito.

E esse desconforto poderia ser o motivo de seu mau humor, por mais que ele não quisesse admitir. 

Nas últimas semanas Kirishima tem sentido-se confuso perto de Bakugou. A presença dele deixava-o meio ansioso, causava-lhe vontades "estranhas" que quase sempre envolviam uma necessidade enorme de aproximação entre ele e Bakugou — fisicamente falando. Kirishima tinha medo de que um dia poderia perder o controle de seu corpo e sua mão, ao invés de dar um cumprimento másculo em Bakugou, escolhesse entrelaçar os dedos nos dele, ou quem sabe, no lugar de dar-lhe um tapinha em suas costas, optasse por sentir a pele macia na curva de seu pescoço até seu rosto. Ele tinha medo de que, depois disso, seus olhos o traíssem e viajassem para os lábios de Bakugou, permanecendo em um estado de admiração por mais tempo do que o necessário. Por Deus, Kirishima nem queria pensar no que tinha medo de que sua boca fizesse!

Em contrapartida, a boca de Bakugou continuava fechada, sem palavras, sem objeções, ele não deveria se importar nem um pouco.

E foi com esse pensamento que Kirishima pegou sua mochila e foi embora. Seu coração batia forte enquanto ele caminhava de volta à UA — os pensamentos desconexos tentando encontrar uma saída, mas não havia porta que suportasse a passagem do tamanho do sentimento que ele nutria por Bakugou.

Kirishima andou a passos largos, quase correndo, passou pelo portão da UA e dirigiu-se para os dormitórios, quando chegou ao seu quarto, passou a chave na fechadura e suspirou aliviado. Estava em um território seguro agora, sem Bakugou para provocar-lhe sentimentos indesejados.

Ele não queria fugir de Bakugou para sempre, era só até aquilo passar.

Kirishima nem teve tempo de responder a pergunta que surgiu em sua mente "e isso vai passar?", pois batidas na porta o interromperam e ele teve de abrir. E quem estava do outro lado…

— Você esqueceu sua caneta estúpida — disse Bakugou jogando o objeto para que Kirishima o pegasse. — Se você acha que eu vou bancar a garotinha sensível e perguntar o que há de errado, está muito enganado.

— Eu não acho isso — rebateu brandamente Kirishima.

Ele tentou ler a expressão no rosto do amigo e enxergou, naqueles olhos sempre furiosos, um sentimento de incômodo e curiosidade. Bakugou estava esperando respostas para as perguntas que ele não era capaz de proferir.

— Está parecendo um idiota aí parado — provocou Kirishima já profundamente arrependido de ter dito tais palavras. Qual era o problema dele? Estava ficando maluco. — Me desculpa, cara, eu não quis dizer…

Kirishima foi interrompido pela força com a qual Bakugou agarrou a gola de sua camisa e o empurrou contra a parede, deixando a porta atrás deles ainda aberta.

— Pare de agir assim! — exclamou Bakugou sem tirar os olhos de Kirishima. — Só uma pessoa pode ser explosiva aqui e com certeza não é você! 

— Eu não estou tentando criar uma briga de território, se é o que você está pensando — falou Kirishima. — Pode ficar tranquilo, agora me deixe sozinho, por favor.

Havia dois tipos de súplicas dentro dele, uma queria que Bakugou fosse embora, a outra queria que ele ficasse e que ficasse para sempre.

Os pulsos firmes o soltaram e por um momento Kirishima desejou que ainda estivesse prensado contra a parede, mas agora Bakugou andava em direção a porta sem dizer nada — ele estava indo. 

Com leveza a porta se fechou, mas Bakugou ainda estava dentro do quarto e Kirishima sentiu seu coração começar a saltar para fora do peito.

— O que você quer fazer? — perguntou Bakugou, seu tom de voz irreconhecível.

Agora era a vez dele de agir estranho?

— O que?

— Perguntei o que você quer fazer. 

— Não estou… entendendo, Bakugou. — Ele nem precisava dizer isso, era algo que estava escrito em sua testa, talvez Bakugou não estivesse vendo porque ainda estava de costas para Kirishima. 

— Eu percebi, Kirishima — falou o outro, virando-se lentamente. Bakugou então encostou-se na porta e olhou para o chão, não parecia envergonhado, mas havia algo bem diferente em seus trejeitos, Kirishima não conseguia definir o que era. — O jeito que você me olha ás vezes e o modo como sempre está cada vez mais perto, sempre me tocando de alguma forma "acidental", eu não sou burro que nem você. Então, vou perguntar mais uma vez, o que você quer fazer, Kirishima?

Primeiramente, Kirishima queria ter certeza se aquilo poderia ser uma pegadinha ou não.

— Você não vai explodir meu quarto, não é? — indagou ele, receoso.

— Não, mas não posso prometer que não explodirei você — respondeu Bakugou finalmente erguendo a cabeça para olhar Kirishima nos olhos, presenteando-o com seu sorriso mais malicioso.

Kirishima sentiu toda aquela sua irritação das últimas semanas se esvair, o desconforto, a negação, tudo tinha ido pelo ralo quando Bakugou o olhou daquela maneira, ele agora estava mais calmo, voltando ao seu habitual jeito de ser.

Ele queria se aproximar de Bakugou e o fez, tanto que seus rostos ficaram a milímetros de distância.

Ele queria erguer a mão e tocar a curva do pescoço de Bakugou e, hesitante, o fez, sentindo, pela primeira vez, a pele do outro estremecer sob um toque seu.

Ele queria beijá-lo, engolir sua respiração e sentir sua guarda baixar, e assim o fez e foi melhor do que imaginava, muito melhor. Os lábios macios, os suspiros excitantes e os dedos de Bakugou em sua nuca, entre seus cabelos, explorando e puxando, trazendo-o ainda mais para perto, como se isso fosse possível.

— Meu Deus do céu! — exclamou Kirishima quando eles, depois de muito, se separaram, ambos com os lábios vermelhos, brilhando de saliva.

— Que é agora?! — questionou Bakugou um tanto ofegante.

— O que eu quero é fazer isso pelo resto da minha vida!