Work Text:
"Há tanto tempo que eu deixei você
Fui chorando de saudade"
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A Plataforma 9 ¾ estava completamente vazia, mas o Expresso de Hogwarts esperava por ele — por Remus. O trem iria partir em breve, Remus precisava se apressar.
Foi até a porta do vagão sem perceber que estava um trapo, o casaco cheio de poeira, os cabelos desgrenhados, as cicatrizes do rosto doendo mais do que nunca. Remus não precisava se importar com isso agora e também não precisaria se importar com isso nos outros dias, se é que o tempo existia ali. As cabines dentro do trem encontravam-se desprovidas de presenças — fossem elas humanas ou mágicas. Entretanto, Remus sabia que, em algum lugar por ali, alguém viera para acompanhá-lo naquela viagem.
Ele andou mais um pouco pelos corredores sentindo falta do carrinho de doces, daria tudo por um Sapo de Chocolate agora. Mas tudo o quê?
Remus não tinha nada desde que Sirius morrera dois anos antes. A vida acabou naquele instante, não na Batalha de Hogwarts. Agora Remus estava livre, livre da dor de ser um lobisomem e livre do sofrimento de perder a todos que amava.
Ele parou na frente da última cabine do corredor, empurrou a porta de correr e sorriu ao ver Sirius Black com seus cabelos compridos e seus olhos cinzentos, esperando-o.
— Achei que estivesse perdido — disse Sirius mal contendo sua alegria.
— E eu estava — falou Remus —, todo esse tempo. Agora, aqui com você, eu não estou mais.
Sirius levantou-se, lágrimas começaram a escorrer dos dois pares de olhos e um abraço iniciou-se depois que os dois corpos chocaram-se — depois que as duas almas entrelaçaram-se.
A ausência do bater de corações era um tanto estranha, mas Remus constatou que isso era o de menos. Ele ainda podia sentir o cheiro dos cabelos de Sirius, o toque de suas mãos e o gosto dos seus lábios.
— Para onde vamos? — questionou Remus no momento em que se descolou de Sirius.
— Você vai ver.
Eles sentaram-se no banco, um ao lado do outro, e Remus deitou sua cabeça no ombro de Sirius — exatamente como fizera há tantos anos, quando eles começaram a apaixonar-se por pequenas coisas, quando eles eram apenas jovens bruxos sem preocupações com as mazelas de seu mundo.
Remus estava morto — a maldição imperdoável da morte o atingira no peito. Todavia, ele nunca se sentiu tão vivo e tão seguro. Perdera todos os medos, pela primeira vez só havia esperança e a promessa de uma eternidade ao lado de Sirius.
— Estou feliz que tenha vindo me buscar, Sirius — disse Remus fechando os olhos, não sabia se dormir era possível, mas não ligava, queria adormecer na luz de Sirius e viver nela para sempre. — Eu amo você, Padfoot.
— Eu amo você, Moony. E agora vamos finalmente ficar juntos, hoje, amanhã, depois, o tempo já não importa. Eu vim porque você me chamou.
Remus nem percebera que a dor das cicatrizes havia passado, nem que suas roupas haviam mudado, tampouco havia percebido que ele e Sirius voltaram a ter dezesseis anos outra vez.
O tempo já não existia.
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"O teu amor chamou e eu regressei
Todo amor é infinito"
