Actions

Work Header

Direto Do Céu

Summary:

"Tudo começou quando Bakugou estava andando pela rua com uma casquinha de sorvete na mão e alguma coisa caiu do céu."

Notes:

Fanfic de 2020

Work Text:

Tudo começou quando Bakugou estava andando pela rua com uma casquinha de sorvete na mão e alguma coisa caiu do céu.

Literalmente.

Bakugou não viu de primeira exatamente, ele apenas ouviu o baque ensurdecedor atrás de si e virou-se com uma expressão de choque, deixando as duas bolas de sorvete de morango caírem no chão.

Tinha um cara com o rosto no concreto, mas não tinha nenhum sangue e mesmo se tivesse, sangue seria a última coisa que chamaria a atenção de Bakugou ali, porque o cara em questão tinha um par de asas nas costas! 

Bakugou piscou forçadamente algumas vezes, poderia estar sonhando, tendo alucinações ou ainda, o sorveteiro poderia ter colocado algum ingrediente especial em sua casquinha, afinal Bakugou não o tratou muito bem — jamais tratou alguém com a devida educação na verdade.

O jovem olhou em volta, ninguém parava para olhar o ser de asas espatifado na calçada.

— E Denki disse que não doía — falou o desconhecido com a voz abafada antes de erguer o rosto e mover o corpo. — Jamais ouça um corrompido, eles me dizem, passou da hora de começar a ouvir. 

Bakugou continuou sem reação observando a completa ausência de ferimentos naquele cara de cabelos vermelhos. Sua mente só pensava em uma palavra, mas ele definitivamente não estava pronto para abraçar aquela ideia.

— Ah! — exclamou o ser alado ao ver o jovem estupefato. — Você está aí, Katsuki! Sinto muito pelo ocorrido.

— Como caralhos você sabe o meu nome? — gritou Bakugou.

— Por favor, sem palavrões, é muito ruim para os meus ouvidos — disse o outro. — Quanto a sua pergunta, bem, que anjo da guarda não saberia o nome do seu protegido?

— Mas que porra…

— Katsuki, não fale assim, você já está bastante encrencado com tudo o que fez na vida.

Bakugou olhou ao seu redor outra vez, pessoas iam e voltavam, ninguém olhava para o anjo e, percebeu em seguida, ninguém olhava para ele tampouco.

— Quem é você? — indagou apreensivo e enraivecido. 

— Achei que não fosse perguntar, Katsuki. Meu nome é Eijirou, é um prazer finalmente falar com você.

— Eijirou de quê?

— Como assim de quê?

— Seu nome é só Eijirou e mais nada? Meu nome é Bakugou Katsuki.

— Ah, anjos não precisam de sobrenome.

— Qual é, você não é um anjo! Isso não existe!

— Claro que existe, olha só, eu estou vestido todo de branco — falou Eijirou mostrando sua túnica. — E eu tenho asas, mas eu me esqueço delas porque, sabe, é o costume. 

— Certo, agora se não se importa… anjo — Bakugou começou a dizer todo esquivo. — Eu vou indo, boa sorte em... sei lá o que você esteja fazendo.

— E você vai aonde, Katsuki? — questionou Eijirou com um tom autoritário que Bakugou não gostou nada. 

— Olha, eu não estou nem aí se você é a porra de um anjo! — exasperou. — Eu não conheço você e tudo isso está sendo muito estranho, acho que eu bati a cabeça muito forte, preciso ir para casa e nunca mais quero ver ou pensar nisso.

— De fato você bateu a cabeça muito forte, Katsuki, foi por isso que você morreu. O carro veio e BAM! 

— Só pode ser brincadeira! Eu não morri! Agora me deixe em paz!

— Você vai ficar em paz quando for comigo, Katsuki, anda, o seu julgamento deve acontecer o quanto antes.

— Que julgamento, caralho? Você é maluco!

— Se continuar gritando essas vulgaridades não vai ter julgamento mesmo, você vai direto para o Inferno Quente e Frio!

— O que? 

— Não me pergunte, não gosto desse lugar, apesar do Shouto ser um grande amigo.

— Quem?

— Shouto, o cara que comanda o Inferno Quente e Frio, ele é bem calado, mas sabe fazer os condenados sofrerem. Ele vai participar do seu julgamento, ele não fala muito, mas tenho certeza de que está doido para ter sua alma.

— Ninguém vai ter minha alma coisa nenhuma!

— Isso aí a gente vai ver no julgamento, agora vem, me dá sua mão!

— Eu não vou segurar sua mão! Sai fora!

— Eu sempre imaginei que fosse ter trabalho com você, deveria ter trocado de cargo com a Ochako, o Izuku se machucou muito feio, mas pelo menos ele aceitou ir tranquilamente. 

Bakugou não estava entendendo nada, sabia que tinha morrido, até aí tudo bem, mas ter sua alma possuída por um qualquer, aí não, nem pensar! Se ele fosse com Eijirou, iria acabar com a raça do tal de Shouto e tomar o Inferno Quente e Frio para si, iria nomeá-lo O Terrível Inferno Quente e Explosivo e então, por toda a eternidade, faria sofrer os condenados como ninguém havia feito antes. 

É, até que ele poderia se dar bem estando morto.

— Ah, Katsuki — disse Eijirou chamando sua atenção —, eu posso ler seus pensamentos e acredite em mim quando eu digo que o que está pensando está longe de ser uma boa ideia. Vem comigo, o Jardim de Momo é um lugar incrível, ela criou a todos nós e vai ser benevolente com você.

— Eu não quero ir para Jardim chato nenhum! Eu posso ir com você, mas quero falar com esse tal de Shouto, tenho uma proposta pra ele!

— Onde é que eu fui me meter? — lamentou o anjo. — Meu protegido não liga para a morte desde que passe a eternidade sendo o Rei do Submundo. Eu devo ser o pior anjo da guarda do mundo!

— Pare de choramingar e me leve logo pra esse julgamento aí antes que eu mude de ideia! — exclamou Bakugou vibrando com a visão de ser o Rei do Submundo, não havia algo melhor do que isso, viver na Terra para quê? — Vamos, vai, eu seguro a sua mão.

Eijirou tinha lágrimas nos olhos, estava com as asas baixas, todo desanimado, mas acabou por estender a mão para Bakugou iniciando uma rápida viagem para o Tribunal dos Descarnados. 

De início Bakugou achou aquele lugar extremamente chato, sério, uma sala gigante cinza com bancos cinzas. Uma garota bonita com um decote aparente no vestido branco sentava de um lado, um esquisito de cabelo branco e avermelhado sentava do outro. No meio estava Bakugou com Eijirou à frente de costas para ele.

— Aposto que você é o manda-chuva do Inferno Quente e Frio! — gritou Bakugou em direção ao cara de dois tipos de cabelo. — É com você que eu quero falar!

— Katsuki, você não pode chegar falando assim! — rebateu Eijirou.

— Eu disse que ele não tinha salvação, Ejirou querido — falou a garota. — O que você acha, Shouto?

— Eu concordo, Momo, mas acho que o verdadeiro castigo para ele será ficar no seu Jardim — respondeu Shouto. — Pense bem, alguém como Katsuki irá adorar o sofrimento eterno, o fogo e o gelo torturando os condenados, mas ele irá odiar viver no meio de campos floridos ao lado de pessoas felizes que dançam e cantam o dia inteiro.

— Muito bem colocado, Shouto querido! Não havia pensado nisso.

Eijirou animou-se, Bakugou por outro lado…

— Eu não vou pra Jardim nenhum! — revoltou-se ele. — Eu quero governar o Inferno, tenho certeza de que posso fazer um trabalho melhor do que esse daí!

— Sua audácia é um clichê por aqui, Bakugou Katsuki — disse Shouto —, não há nada de surpreendente nas suas palavras. Nós observamos todo mundo e já sabemos de cor o que todos irão dizer.

— Está decidido — falou Momo —, você vai para o Jardim, esse é o seu castigo. Ah, esses jovens de hoje em dia! Preferem a dor à alegria, a destruição à paz, tão corrompidos. Eijirou irá acompanhá-lo a todo momento.

— Sim, Senhora! — O anjo curvou-se, mas era possível vê-lo sorrindo, a alma de seu protegido ainda tinha jeito.

Bakugou não conseguia acreditar que havia morrido para permanecer por toda a eternidade num lugar cheio de gente feliz e irritante. E ainda, ele teria de usar branco! Odiava branco, a pior cor de todo o universo!

— Vamos, Katsuki — disse Eijirou —, você vai ver, vai ficar muito bem nas nossas túnicas, é a última moda do Jardim!

O descarnado saiu, irritadíssimo, pensando se…

— Não, não dá pra se jogar do céu — respondeu Eijirou à sua pergunta não-proferida.

É, Bakugou deveria ter prestado mais atenção na hora de atravessar a rua.