Work Text:
Inko poderia passar pelas doze horas de parto que trouxeram Izuku ao mundo por mais duas ou três vezes e ainda não seria o suficiente para aplacar a dor que sentia agora.
O puerpério é um período difícil — a ideia da maternidade real, criar outro ser humano, ser responsável por ele, guiá-lo, ensiná-lo, construir seu caráter como alguém digno. Inko olhava para Izuku e orgulhava-se, saíra-se bem em seu trabalho como mãe.
Nunca disseram para ela, no entanto, de que haveria outro puerpério, um ainda mais difícil — deixar o filho seguir seu próprio caminho através das ruínas de uma sociedade perigosa. Para Inko, era difícil aceitar que Izuku não precisava mais de sua proteção materna, que curaria suas feridas sozinho, que enfrentaria o monstro debaixo da cama com a audácia do grande herói que sempre quisera ser.
Primeiro Izuku nascera para o seu mundo e agora Izuku nascia para o mundo dele, cortando o invisível cordão umbilical que ainda unia-o ao ventre dela — o lugar onde ele esteve sempre seguro.
É claro, os laços continuariam a existir para todo o sempre, o amor ainda era eterno, mas aquele desligamento era real.
No primeiro nascimento de Izuku ele fora para os seus braços, agora iria para os braços do mundo lá fora e Inko estaria mentindo se dissesse que seu coração não desejava que o filho ficasse sob seus cuidados por um pouquinho mais de tempo — só um pouquinho.
