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Rating:
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Category:
Fandom:
Relationships:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2020-09-10
Completed:
2020-12-31
Words:
29,911
Chapters:
4/4
Comments:
5
Kudos:
32
Hits:
390

Seasons Change

Summary:

Suga percebeu os olhares e sorrisos entre Takeda-sensei e o técnico Ukai e resolve dar uma forcinha às duas pessoas que mais acreditam no time de volley.

Alternativa: 365 dias de slow burn entre sensei e técnico, testemunhado pela mãe corvo.

Notes:

E aqui estamos nós com mais ideias enquanto casualmente ignoramos as outras mil fics que temos para acabar

Chapter Text

Primavera

Na primeira vez, Sugawara nem deu bola.

Preparavam-se para o primeiro amistoso contra Nekoma em muito tempo (e eles ainda nem haviam se recuperado do jogo contra Aoba Jousai), e toda a equipe estava ansiosa para o jogo. Hinata dividia-se em ter dores de barriga e praticamente pular de emoção porque teria mais chances de cortar as bolas de Kageyama. 

Toda a equipe estava ansiosa e contente, ainda mais agora que Takeda-sensei havia conseguido um treinador para eles. Claro, Ukai havia dito que seria apenas para aquele amistoso, mas Suga tinha fé de que eles conseguiriam fazê-lo mudar de ideias. Afinal, tinham novamente Noya e Asahi na equipe, e mais do que nunca, Suga sentiu-se em casa com eles.

A derrota foi inevitável, embora todos tenham se divertido e aprendido alguma coisa, e após Suga conversar com Yaku e pedir desculpas pelo comportamento de sua equipe, ele foi reabastecer sua garrafa de água no bebedouro do corredor, e viu, de longe, Takeda e Ukai conversarem com os técnicos de Nekoma. Embora ele não soubesse do que os adultos conversavam, ele pode ver o sorriso gentil que Ukai lançou à Takeda quando esse se curvou, emocionado, ao ouvir as palavras carinhosas (?) de Nekomata.

Havia qualquer coisa de distinto naquele sorriso, mas Suga estava com sede demais para reparar.

 

Na segunda vez, Suga acha que é impressão sua.

Não era segredo para ninguém que Ukai, apesar de muito comprometido com a equipe de vôlei, era um jovem rapaz desajeitado. Ele tinha os cabelos por cortar (e descolorir, a raiz castanha já aparecia), vivia fumando e tinha várias vestimentas com furos ou rasgos. Mesmo assim, o setter o ouviu resmungar quando sua jaqueta vermelha rasgou ao se prender num dos ganchos do poste da rede. Ukai suspirou pesadamente e retirou a vestimenta, observando o enorme estrago na lateral, enquanto Takeda aproximou-se com um delicado sorriso.

“Eu posso consertar, Ukai-kun”, ele disse, e embora Suga não conseguira ouvir a resposta do treinador - ele apenas viu que Ukai corou de leve e sorriu desajeitado -, logo o professor de literatura estava sentado com a jaqueta de Ukai sobre o colo, costurando-a enquanto conversava sobre qualquer coisa.

O olhar de Ukai estava diferente do normal (o técnico não tinha as sobrancelhas franzidas), e enquanto Suga aguardava a sua vez na quadra, ele pode analisar como os mais velhos sorriam sempre que conversavam ou trocavam um olhar. 

Ukai coçou a nuca quando Takeda lhe devolveu a jaqueta costurada, mas qualquer bom humor que o professor conseguira reunir no técnico foi por água abaixo quando Hinata errou o lance e jogou a bola bem na barriga do loiro.

“Hinata, preste atenção!”, Ukai ordenou, e Suga desviou a atenção que dava aos adultos para puxar as orelhas de Tsuki, que ria da desgraça alheia.

Ao perceber que Ukai e Takeda se afastaram naquela mesma hora, o rapaz do terceiro ano concluiu que aquilo tudo era coisa da sua cabeça.

 

Na terceira vez, Suga tem toda a certeza.

Ele nem sabe ao certo como aquilo começou, mas Yachi e Yamaguchi estavam a fazer coroas de flores para um projeto da loira quando Noya decidiu que Asahi ficaria lindo com uma. O atual ace corou como o adolescente tímido que era, e mesmo tendo implorado para que o libero não seguisse com suas ideias, ele logo tinha uma belíssima coroa de margaridas na cabeça.

A partir daí, foi aquela confusão entre coroas a serem feitas e coroas a serem distribuídas. Hinata ficou uma graça com uma coroa de flores de laranjeira, e foi hilário ver Tsuki e Kageyama fugindo de Tanaka e Noya como se suas vidas dependessem disso.

Estava tudo caótico: Yachi pedia que não estragassem as flores (já que Kageyama amassava as flores de mirtilo entre os dedos), Noya e Tanaka diziam à Shimizu o quão linda ela estava (e sendo devidamente ignorados pela assistente da equipe), Asahi implorava para Ennoshita deletar as fotos que o rapaz havia tirado de si, Daichi tentava controlar todas aquelas crianças energéticas (e com uma coroa de flores de cerejeira devidamente ornamentada)... Naquela hora, Ukai e Takeda pisaram na quadra, e Hinata, mais energético que nunca, pulou junto deles e colocou uma coroa de flores na cabeça de cada um.

Os adultos demoraram alguns segundos para entender o que havia acontecido, mas quando eles trocaram um olhar, e em seguida um sorriso, Suga teve certeza.

Takeda corou adoravelmente e riu, “Ukai-kun, alfazema é uma flor que fica muito bem em você”, ele disse, e as bochechas de Ukai ficaram vermelhas também.

Suga nunca havia visto um sorriso são delicado em Ukai, e quando o treinador colocou as mãos nos bolsos das calças, acanhado, ele o viu retribuir a risada delicada ao professor, “Ahm… essas flores em você também… Digo, elas ficam legais em você… Digo, qualquer uma fica…”.

Takeda voltou a soltar aquela risada, e Ukai corou ainda mais, pigarreando antes de voltar sua atenção aos jovens e berrar: “Arrumem logo tudo isso e comecem a se aquecer, seus bagunceiros!”.

Um “aaaah” desanimado foi lançado quase em uníssono, mas logo o treino daquele dia começava a tudo voltava ao normal.

 

Enquanto se encaminhava para casa com Daichi, Suga não conseguia parar de pensar no que havia reparado, e ele puxou a manga do casaco do capitão, “Daichi? O que acha do Takeda-sensei e o treinador Ukai?”.

Daichi, sempre o mesmo, pestanejou antes de levantar o olhar,pensativo, “O treinador Ukai é neto do… bem, do outro treinador Ukai e parece-me tão sério e entendido quanto ele. Menos rígido, mas isso não é mau. Bem, é mau porque os Problemáticos ficam incontroláveis, mas nada que não se resolva. Ele foi setter , não foi? Explica como é que ele consegue ser tão atento. O Takeda-sensei não entende muito de volley, mas sabe levantar a moral da equipa e esteve sempre pronto para nos ajudar quando foi necessário, não sei como--”

“Daichi.”

“Sim?” , franziu de leve o sobrolho e o grisalho sorriu e abanou com a cabeça, “Eu perguntei o que tu achavas deles… juntos.”

“Juntos?”

Sugawara suspirou, já habituado a que Daichi fosse uma desgraça com aquele tipo de coisas. 

“Tu nunca notaste como eles ficam quando estão juntos?”

O capitão da equipa pestanejou e respondeu sincero, “...Não…? Era suposto?” 

Suga riu baixo e abanou com a cabeça, “Deixa pra lá.”

“Não!”, abrandou o passo e começou a andar de costas para poder ficar de frente para o grisalho, “Eu ouvi a mãe do Ukai a tentar arranjar-lhe casamento estes dias, na loja. Pelos vistos tinha uma amiga com uma filha solteira que lhe queria apresentar e o Treinador ficou a reclamar. Mas ele reclama com tudo, então não dei importância. Achas que ele…?”

Sugawara voltou a suspirar, “Eu não sei… Talvez?”

Daichi parou de andar e coçou o queixo, naquilo que Suga implicava ser a pose de capitão pensativo, “Eles não têm muito em comum, pois não? Quer dizer, o sensei tem sempre o nariz enfiado nalgum livro e o treinador Ukai passa o tempo todo na loja a ajudar velhinhas.”

“Ah ele é só tímido. Talvez precise de um empurrão? Dúvido que o treinador faça alguma coisa por iniciativa própria.”, o rapaz soltou numa risada, e o capitão do time voltou a piscar.

“Eu não sei, Suga. Não me sinto confortável me intrometendo na vida de outras pessoas… ainda mais do nosso professor e do nosso treinador!”, disse, a sobrancelha esquerda erguida, “Takeda-sensei fez e faz muito pela equipe de vôlei… Queria fazer algo por ele também”, o setter disse, suspirando de leve, “No início eu achava que as trocas de olhares e os sorrisos fossem porque o Takeda-sensei é gentil e animado, porque ele sempre sorri pra gente… Mas o treinador Ukai só sorri daquela forma quando está com o sensei.”

“Daquela forma?”, Daichi questionou, e Suga assentiu.

“É um sorriso cheio de ternura. Eu sei que o treinador também é uma pessoa sorridente, mas o sorriso dele muda completamente quando está com o sensei.”, ele sorriu de novo, e Daichi sentiu as bochechas corarem, “Sinto até como se eu estivesse lendo um romance, desculpe”.

Daichi coçou a nuca, rindo de leve, “Não se preocupe, Suga. Eu só nunca tinha reparado bem na relação deles…”, sorriu, “Que tal observarmos melhor o comportamento deles antes de tirar qualquer conclusão precipitada?”.

Suga assentiu, e os dois pararam na frente da casa do moreno, “Você está certo, Daichi. Nos vemos amanhã no treino?”

“O capitão está sempre certo.”, sorriu ao ver um biquinho se formar nas feições de Sugawara e logo acrescentou, “Só depois do seu vice também estar, claro.”

O grisalho sorriu abertamente e aproximou-se dele, beijando-lhe a bochecha carinhosamente, “Sábias palavras de sabedoria.”

Daichi riu e segurou as mãos dele, “Não queres jantar cá em casa? A minha mãe se souber que vens faz tofu para ti.”

“Não tem como negar um convite desses.”

Daichi sorriu mais uma vez, entrelaçando os dedos nos de Suga antes de entrarem em casa. O namoro deles ainda era novidade, mas estarem juntos era bom.

E Suga desejava que seu professor e treinador favoritos sentissem isso também.