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Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português europeu
Collections:
Berrie Songs - 1º Ciclo MPB/Rock
Stats:
Published:
2020-11-23
Completed:
2020-11-24
Words:
20,713
Chapters:
5/5
Comments:
2
Kudos:
4
Hits:
123

Amor-perfeito

Summary:

Olá, meu amor. Estás muito ocupado agora? Espero que não pois eu tenho um presente enorme para ti. Sem qualquer valor material, mas repleto de todas as coisas boas que sinto e que há anos não consigo pôr para fora. Estás proibido de rir da minha tentativa de compor uma canção de amor, Park Chanyeol, mas estás à vontade para compor uma melodia para esta letra, se quiseres.
Ah, e gostaste das flores? Não são rosas, mas têm um significado tão especial quanto as que me ofereceste. Amor-perfeito, já ouviste falar? Simbolizam o amor duradouro e as recordações amorosas, ou seja, o que eu quero para nós e o que eu coloquei neste presente. Espero que gostes. Apesar de eu não ser perfeito, o meu amor por ti é.
Nos vemos mais tarde? Te espero para jantar.
Amo-te,
Baekhyun

Notes:

Olá, pessoal!

Espero que esteja tudo bem convosco!

Antes de mais, queria agradecer ao Berrie Songs pela oportunidade e pela organização do festival. Espero que tenhamos mais festivais como esse, então não deixem de dar amor aos ademiros e às fanfics, por favor!

Queria agradecer também à minha beta maravilhosa, Fabi (@etherealityhwi), por toda a ajuda e por todas as conversas que nós tivemos. Tenho a certeza que dei muito trabalho com as minhas expressões pt-pt, mas você nunca se queixou e sempre foi um amor comigo, então estou muito grata. ♥

Obrigada também à capista, Gabi (oceanxcastle.tumblr.com), que se deu ao trabalho de fazer duas versões da capa e teve o cuidado de usar os detalhes que eu pedi. Indecisa como sou, tive problemas na hora de escolher qual era a que eu gostava mais. Muito obrigada, mesmo! ♥

Queria também avisar desde já que Amor-perfeito foi toda escrita em Português Europeu. As expressões foram trocadas para pt-br, mas as conjugações dos verbos mantiveram-se. Foi uma escolha minha, porque queria que as cartas tivessem um toque mais íntimo, e não fazia sentindo na minha cabeça que o Baekhyun tratasse o Chanyeol por você (Em Portugal, raramente usamos "você", às vezes para falar com desconhecidos ou pessoas mais velhas, e é também uma palavra muito usada pela alta sociedade, então pessoas como eu normalmente fazem piada disso kkkk - para mais esclarecimentos sobre o assunto, podem mandar dm kkkk). Me desculpem por esse detalhe, mas eu realmente me senti mais confortável em escrever assim. ;_;

Como fã de Anavitória que eu sou, escolhi a música CALENDÁRIO como inspiração para essa fanfic. Espero que gostem e deem muito amor à Amor-perfeito e ao projeto Berrie Songs. ♥

Mantenham-se saudáveis e não esqueçam de usar máscara! ♥

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Eu não preciso de altar

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

˾ Não se arrisque em tentar

Me escrever nas suas melhores linhas ̚

 

 

Seul, 15 de Setembro de 2019

 

 

Hoje eu acordei de madrugada sentindo a tua falta na cama.

O relógio marcava pouco mais de quatro da manhã e o espaço ao meu lado estava gelado, o que me incomodou ao ponto de não conseguir mais dormir. A janela estava aberta porque tu andavas a reclamar muito do calor à noite, e a brisa fresca do início do Outono balançava as cortinas e espalhava o aroma de pinheiros por todo o quarto.

Tu estavas sentado na poltrona, no canto, escrevendo sob a luz fraca proveniente da tela do computador. Quantas vezes eu já te avisei que isso faz mal à vista? Quantas vezes já pedi para que tu parasses com essa mania de escrever no escuro, por medo de me incomodar?

A tua presença, seja ela de que forma for, não é um incómodo para mim, Chanyeol. Se tu soubesses o quanto eu adoro estes pequenos momentos; o quanto eu adoro ser a tua maior fonte de inspiração… Se tu soubesses como eu sou o teu maior fã, acordar-me-ias do meu sono pesado apenas para admirar-te trabalhar.

Mas eu devia ter calculado que isso ia acontecer. Devia ter imaginado que irias levantar-te no meio da noite e, como sempre fazes depois de uma longa noite de amor, irias zelar o meu sono enquanto compunhas mais uma música dedicada a mim.

Dedicada a nós.

Todas elas dedicadas à intensidade daquilo que tu sentes por mim, eu sinto por ti, nós sentimos um pelo outro.

Eu sei que essa é a tua forma de demonstrares todo o teu amor, já que precisamos viver escondidos e de forma alguma quero soar mal-agradecido. Eu adoro cada uma das tuas canções, me emociono e fico sem jeito sempre que as ouço. Não há nada que me deixe mais encantado do que ver as tuas juras de amor eternizadas nas nossas músicas.

Mas eu prefiro aproveitar o nosso tempo contigo nos meus braços, meu amor.

Ou comigo nos teus braços.

Não faz diferença. No fundo, vai dar no mesmo.

Por isso, confesso que não resisti. Espreitei por cima dos lençóis, certo do cenário que iria encontrar e, como um garoto apaixonado, suspirei audivelmente ao pousar os meus olhos em ti. Precisei resistir à tentação de te chamar de volta para a cama. É que tu parecias tão concentrado, mordendo a ponta da caneta com o cenho franzido, que eu não quis atrapalhar. Além do mais, eu também gosto de te observar de longe ou quando tu não sabes que estás sendo observado por mim; é diferente.

É como se os papéis se invertessem e, de repente, tu passas a ser a minha musa inspiradora; o meu quadro branco que eu só consigo decorar com beijos.

É particularmente difícil me controlar nesses momentos quando estamos lá fora. Quando fazes uma gracinha ou deixas escapar alguma coisa que não devias, tudo o que desejo é cruzar o palco ao teu encontro e cobrir-te de beijos. Porque, como tu sabes, não sou bom com as palavras, especialmente as sérias. Não possuo o teu talento, não consigo transformar o que sinto em canções de amor populares. Portanto, sou incapaz de gritar aos quatro ventos aquilo que significas para mim, por mais que vontade não me falte.

E eu poderia ter passado o resto da madrugada a admirar as tuas costas largas e o teu perfil bonito silenciosamente, como já fiz muitas vezes, mas hoje a minha vontade de ti era maior.

Levantei-me devagar, para não atrair a tua atenção e, ignorando a minha própria nudez, com passos cautelosos aproximei-me de ti. Enquanto eu conseguia sentir o perfume que se desprendia do teu cabelo, tu estavas tão concentrado que nem percebeste a minha aproximação. Aproveitei-me do teu descuido para espreitar por cima do teu ombro, numa tentativa falha de desvendar o que tanto escrevias.

A tua letra, normalmente caprichada, virava um verdadeiro caos quando te punhas a compor. O papel estava decorado com uma mistura de rabiscos, traços, palavras desconectadas e até mesmo pequenos desenhos ao redor das mesmas. O céu, a luz e as estrelas eram um tema frequente, então não fiquei surpreso ao desvendar aquelas palavras no meio da bagunça.

Uma vez disseste-me que o causador dessa confusão era a tua mente acelerada, tão desesperada por eternizar os teus sentimentos que a tua mão não conseguia acompanhá-la. Mas que tudo bem, porque o importante era tu perceberes o que estava escrito e conseguires aprimorar; O importante era que eu percebesse mais tarde, quando me mostrasses o resultado final. Por isso, não me preocupei por não compreender a tua caligrafia, certo de que tudo ficaria evidente mais tarde.

Sem pensar muito no assunto ou em como isso atrapalharia a tua composição, deslizei as minhas mãos pelos teus ombros, envolvendo-te aos poucos com os meus braços. Ri baixo do teu sobressalto antes de repousar o queixo na curva do teu pescoço, podendo assim sentir de uma vez o cheiro da tua pele, que é o que mais me conforta. Assim ficamos por alguns segundos antes de tu decidires virar a cadeira e puxar-me para o teu colo.

Acordei-te, meu amor? – Tu disseste. Senti as tuas mãos passearem pelas minhas costas nuas e o teu nariz roçar no meu cabelo. Suspirei, satisfeito, porque era ali que eu queria estar. Ainda é nos teus braços que eu queria estar agora, e é neles que eu vou querer estar sempre. Mas como eu posso dizer-te isso sem soar piegas?

Tu és o romântico da relação, Chanyeol.

Eu sou o palhaço, aquele que foge das conversas sérias, que evita os teus olhos quando fazes lindas declarações por não saber como reagir a elas, por não saber como corresponder cada uma das tuas palavras doces. Eu sei que tu mereces mais de mim. Mereces que eu diga, em alto e bom som, o tamanho do meu amor todos os dias até a voz me faltar. Pretendo fazer um esforço maior a partir de agora mas, até que o meu objetivo seja cumprido, vou guardar o meu carinho nestas cartas, que, espero eu, estarão nas tuas mãos em breve. Quando esse dia chegar, quero que tu compreendas que o meu amor sempre existiu. Ele sempre esteve aqui, dentro do meu peito, tão avassalador que me faltavam as palavras para pô-lo para fora.

Quero que saibas que tu nunca foste o único perdidamente apaixonado.

Eu também era, sou e sempre serei completamente louco por ti.

Só de ouvir aquela pergunta, a preocupação e a culpa na tua voz, senti que poderia derreter nos teus braços. Me desfazer completamente no amor que parecia emanar do teu peito. Serei estranho por isso?

Não, foi a tua falta que me acordou. – Respondi contra a tua pele, o que só serviu para me apertares ainda mais. – Pensei que íamos passar a noite inteira abraçados… – Resmunguei, soando como uma criança mimada. Até os membros reclamam das minhas pequenas birras, mas que culpa tenho eu, se tratas-me com tanto mimo?

Eu criei um monstrinho. – Tu respondeste e eu consegui ouvir o sorriso nas tuas palavras, aquecendo o meu coração. Beijaste-me a orelha, a bochecha e o pescoço, fazendo o meu corpo arrepiar-se e eu encolher-me devido à sensibilidade. Riste ainda mais, achando graça do comportamento que eu não tinha perdido mesmo depois de anos. – Desculpa, não queria acordar-te. Mas tu estavas tão lindo enrolado nos nossos lençóis… A música já veio pronta.

Pela forma como essa folha está rabiscada, não é o que parece.

– Eu disse que veio pronta, não que veio perfeita. – Eu ri e tu acompanhaste-me, como sempre. As coisas soam mais engraçadas quando saem da tua boca e imagino que tu penses o mesmo, pois mesmo quando mais ninguém acha graça das minhas piadas, tu ris até perderes o ar. – E eu não vou dedicar-te nada que não seja perfeito, Baekhyun.

Afastei-me para olhar-te nos olhos, consciente de que a conversa tinha perdido o tom brincalhão. Tu sempre levas o teu trabalho muito a sério, algo que sempre admirei, e quando decides espelhar a nossa relação nas tuas letras, não descansas enquanto cada palavra não estiver coerente e, nas entrelinhas, estiverem escondidos cada pedacinho da nossa realidade.

Eu não preciso de dedicatórias. – Murmurei. Estávamos tão próximos que os nossos lábios quase se tocavam, de forma que conseguiríamos ouvir o mais baixo dos sussurros. Eu amo a nossa proximidade, amo tudo aquilo que não podemos demonstrar para o mundo. Por mais que seja difícil viver um segredo, torna tudo mais íntimo, exclusivamente nosso. – Eu só preciso de ti, Chanyeol.

De que forma é que precisas de mim? – O teu sorriso ladino me deixou sem graça, pois queria dizer muita coisa. Mordi o lábio inferior o que, para ti, deve ter parecido uma provocação, pois puxaste-me pelo pescoço e encheste-me de beijos até ficarmos sem ar; até ser necessário nos afastarmos, com os corações acelerados e as respirações entrecortadas.

Eu quero ser capaz de fazer isso contigo também. Quero beijar o teu pescoço quando apanhar-te desprevenido no estúdio; quero beijar o teu peito quando me deres um abraço; quero beijar a tua bochecha quando agires com ternura e quero beijar a tua boca quando me confessares o teu amor. Sem pedir permissão, sem avisar, apenas movido pela vontade de o fazer.  

A minha sorte – a nossa sorte – é que tu me compreendes apenas com o olhar. Se eu tivesse que manifestar as minhas vontades, provavelmente nunca teríamos chegado até aqui. O que seria de nós sem a tua capacidade de ler os meus pensamentos e adivinhar os meus desejos mais secretos?

Assim? – Sussurraste contra a minha boca inchada. Com os olhos ainda fechados, concordei com um aceno. – Ou precisas de mais? – Percebi o que aquilo significava na tua voz rouca e no teu baixo-ventre já rígido e quase instantaneamente comecei a sentir o meu corpo entrar em ebulição.

Não esperaste por uma resposta minha. Enquanto eu me debatia sem saber o que dizer, beijaste-me o nariz, as maçãs do rosto e a mandíbula com tanta devoção que as lágrimas vieram-me aos olhos.

Mais... – Murmurei, perdido nas sensações. As minhas mãos passeavam pelo teu tronco com desespero, desejosas de tocar cada centímetro teu que alcançassem.

Mais o quê, meu amor? – As tuas mãos pesadas apertaram o meu quadril e eu não consegui conter um gemido sôfrego.

Tu sempre foste muita areia para o meu caminhãozinho, mesmo que adores insistir no contrário. Mais alto, mais bonito, mais carinhoso, mais talentoso. E não vamos discutir sobre isso outra vez, Chanyeol, porque tu sabes que a palavra final é minha. Não há nada que não saibas fazer. Com vinte e sete anos não paras de acumular ocupações no teu currículo: cantor, rapper, compositor, letrista, instrumentista, jogador de basquete, praticante de snowboard, arqueiro, mergulhador… Eu poderia escrever uma lista com as coisas que sabes fazer, mas daria muito trabalho. Porque tu estás sempre descobrindo coisas novas, estás sempre reinventando-te. 

E eu? Eu sou capaz de virar a noite jogando no computador. Tudo bem, eu sei cantar. E aprendi rapidamente a dançar e a tirar fotos profissionais. Mas e daí? Eu fico bem nas fotos, mas tu ficas bem em qualquer lugar.

Às vezes sinto que não consigo acompanhar o teu ritmo e isso assusta-me.

Tenho medo de, ao ficar para trás, perder-te no caminho.

Olha para mim. – Pediste. Com alguma relutância, abri os olhos, deparando-me com os teus também marejados. Confesso que temi que estivesses realmente a ler os meus pensamentos e começássemos uma discussão infindável sobre os nossos atributos. Nós nunca chegaremos a um consenso, mas eu sei que tenho razão. Sempre tenho.

Ficamos nos encarando durante longos segundos, enfeitiçados um pelo outro. Como é que tu consegues dizer que eu sou a tua estrela guia quando tens toda uma constelação brilhando nos teus olhos, Chanyeol? E é quase impossível de acreditar que ela cintila quando pousa em mim.

Só em mim.

Mais de tudo o que tiveres para me dar. – Respondi, inclinando-me sobre ti num pedido mudo para que voltasses a me dar a atenção que eu queria. E, como sempre, atendeste-me sem delongas.

Quando me dei conta, estávamos novamente enrolados nos lençóis macios. Contigo sobre mim e eu sobre ti, alternadamente, vezes sem conta até a exaustão bater à porta.

Tudo parece diferente agora que estamos sozinhos, rodeados apenas pela liberdade limitada às paredes do nosso apartamento. É bom não precisar me conter quando estou sendo devorado por ti, de todas as formas imagináveis. É ótima a sensação de não me preocupar com mais nada além de retribuir todo o amor que depositas em mim.

Imagino que sintas o mesmo.

E que, com a cabeça sempre a trabalhar em mil coisas ao mesmo tempo, seja difícil para ti concentrares-te em uma coisa de cada vez. Para ser sincero, nem sei bem o que sentir quando vejo o teu corpo em cima do meu, concentrado no meu prazer. No entanto, quando olho para ti, vejo os teus olhos concentrados em outras coisas. Na minhas expressões, nas minhas reações, na cor da minha boca mordiscada pela tua e nos meus olhos turvos pelas sensações que me causas.

Eu queria que tu te concentrasses em mim, só em mim. Ou só em nós, tão juntos que parecemos um. No entanto, estás constantemente concentrado em transcrever-me impecavelmente para o papel, constantemente preocupado em transformar-me numa música particular, que mais ninguém poderá ouvir.

Tu és incrível, Chanyeol.

Até hoje pergunto-me como conseguiste transformar uma das nossas noites menos castas em uma letra tão inocente e despretensiosa. Conseguiste ver em mim um anjo sem asas enquanto eu estava na posição mais obscena do mundo, e nunca te perdoarei pela vergonha que me fizeste passar ao anunciar para uma plateia lotada a estranheza das minhas omoplatas.

Até hoje consigo sentir os ouvidos zumbindo pelo sermão que tivemos de ouvir de Junmyeon, e as risadas de Sehun ainda ecoam na minha cabeça.

O que estavas a pensar naquele dia?

Estávamos quase acabando o concerto em Osaka, tudo corria como planeado. Só precisávamos ficar ali mais uma meia hora, conversar entre nós e com os fãs, fazer algumas macacadas e íamos embora. Voltávamos para o hotel, eu e tu, e nos fechávamos na nossa bolha.

Como punição pelo teu ato descuidado e pela minha decisão de dar continuidade à brincadeira, tivemos uma discussão infindável com o nosso líder enquanto os meninos serviam como mediadores. Não havia nada que pudéssemos fazer para remediar a situação, então apenas nos trancamos no nosso quarto esperando que no dia seguinte já ninguém lembrasse do acontecido o que, obviamente, não foi o caso. Eu tenho a certeza de que os vídeos de mim andando de quatro pelo palco com as tuas mãos em minhas costas ainda assombram alguém no escritório da empresa.

Já não bastava o pânico que eu senti quando soube que Heaven estaria no nosso álbum? Quem me dera poder voltar atrás no tempo para apoiar-te como merecias. Tu estavas tão orgulhoso de ti, e eu só conseguia sentir medo.

Senti medo durante todas as reuniões de preparação, senti que a minha voz faltava sempre que era minha vez de gravar. Estava sempre à espera que os diretores mudassem de ideia, descobrissem as intenções por trás da música e cancelassem tudo. Senti medo de ficar tudo óbvio e eu precisar me envolver em outro escândalo para abafar o nosso amor. Mais do que tudo, senti medo de decepcionar-te.

As borboletas subiram-me ao estômago quando Minseok fez-te explicar a música no palco do nosso showcase de apresentação do álbum. Confesso que quis me esconder dos olhares dos fãs, dos membros e, principalmente, do teu olhar que me evitava, mas que eu sabia querer estar em mim.

Foi quase impossível manter a minha expressão neutra. Foi quase impossível não rir ao som do teu riso envergonhado, não sorrir ao ouvir-te explicar que a música era muito pessoal para ti, ou não mostrar o meu incômodo por não poderes mencionar a fonte de tanta inspiração. Mas o importante era que eu entendia as tuas palavras, eu era a razão dos teus sorrisos calorosos e dos sorrisos acanhados enquanto falavas sobre o teu trabalho. Saber disso bastava. 

E o que estavas a pensar quando escreveste uma música com a ajuda dos nossos fãs e, ao invés de manter isso uma coisa entre vocês, decidiste arranjar uma forma de dedicá-la à mim?

Eu fiquei tão nervoso que nem consegui ficar sentado, desejoso de ver que música era aquela que tinhas mantido em segredo durante semanas. Recebi olhares atravessados de Junmyeon do outro lado do palco e Minseok e Sehun bem tentaram me fazer parar quieto, mas foi em vão.

Tu sabes do que estou falando, não sabes? O nome da canção é Lua*, e à princípio até parece completamente dedicada aos nossos adorados fãs, mas ninguém a conhece por esse nome. Imagino que “Sopa de pepino e pasta de feijão”* seja um nome que fique mais no ouvido.

Até nos teus álbuns com Sehun, Chanyeol…

Nós tínhamos um acordo.

Nada de músicas sobre nós dois nesses álbuns, Park Chanyeol. Pensei que tivéssemos conversado sobre isso. – Eu relembrei-te enquanto massageava-te as costas.  

Tu não saías do estúdio por nada nesse mundo. Nem por mim. Então, como o namorado mimado que eu era e sou, segui o ditado: Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé. Nunca cheguei a pedir desculpas por te ter atrapalhado naquele dia – e em vários outros –, mas eu estava prestes a morrer de saudades.

Sem exageros.

Quem disse que esta música é sobre nós? – Respondeste sem desviar a atenção do computador nem por um segundo. A massagem parou e eu fiz com que a cadeira giratória rodasse até ficares de frente para mim, que já te encarava com uma sobrancelha arqueada, desafiando-te a inventar uma mentira.

Com quem mais estás planejando férias longe das câmeras, posso saber? – Desviei-me de ti apenas para alcançar o caderno de anotações em cima da mesa. Tentaste tirá-lo de mim, mas empurrei-te de volta para a cadeira e pus-me a ler o que nele estava escrito. – “Neste lugar pitoresco a ficção se transforma em realidade. Neste momento somos só um, os decibéis do nosso amor competem contra o som das ondas do mar”. Park Chanyeol?!

Foi o Sehun quem escreveu isso.

– Mentiroso. – Eu não estava verdadeiramente chateado, no entanto, era muito mais tímido em relação a sentimentos do que tu. As pessoas não saberiam que os “decibéis do nosso amor” correspondiam aos nossos gemidos deleitosos, mas eu sabia e isso era suficiente.

Levantaste-te da cadeira sem que eu tentasse impedir, tiraste o caderno das minhas mãos e envolveste-me com os teus braços fortes. Fingi querer escapar, o que não permitiste. Lidaste com a minha birra da melhor forma possível, beijando-me a testa franzida e apertando-me ainda mais contra ti.

– Sobre o que tu queres que eu escreva?

– Sobre qualquer coisa, Chanyeol, menos sobre nós.

Eu não queria magoar-te naquele dia e nunca vou fazer nada que te machuque intencionalmente. E eu sei que essa vontade é recíproca. Por isso arrependi-me no momento em que as palavras deixaram a minha boca. Se pudesse, tê-la-ias engolido de volta.

O teu semblante perdeu o ar carinhoso e tu soltaste-me como se o meu toque te pudesse queimar. Eu senti como se tivesse estragado completamente a noite pela qual eu ansiava há dias.

Tu sabes porquê. – Falei delicadamente, tentando justificar-me. Viraste-me as costas e sentaste na cadeira, de frente para o computador novamente, e eu vi toda a tensão que eu tinha tentado desfazer voltando para os teus ombros. Aproximei-me devagar e incerto, temendo ter sido mal interpretado. – Eu amo as nossas músicas, Chanyeol, não quero que penses o contrário. Eu só…

– Eu sei. – Respondeste. O teu tom de voz era suave, a deixa que eu precisava para abraçar-te outra vez. – Só que eu não sei fazer mais nada além de proclamar o meu amor por ti.

– Isso não é verdade. – Retruquei, mas o sorriso já brotava no meu rosto.

É o que eu faço de melhor, Baekhyun. – Viraste a cadeira para mim e eu senti um alívio enorme ao notar que já não estavas tão aborrecido. – E é o que eu nunca quero deixar de fazer.

Tentei disfarçar a minha emoção escondendo-me no teu colo, enterrando o meu rosto acanhado na curva do teu pescoço, como sempre. Tentei ignorar a tua teimosia e a preocupação que me dominava como consequência dela, e foquei só em ti, no teu corpo, e em matar as saudades acumuladas.

Naquela noite os nossos decibéis só não competiram com as ondas do mar porque não há praia em Seul.

Nós continuamos a ser um tema constante nas tuas músicas, mesmo depois de tantos anos juntos. Pergunto-me se algum dia a tua criatividade para transformar o nosso dia-a-dia em canções de amor esgotará; ou se algum dia estarás comigo sem que a tua cabeça esteja pensando em mil e uma coisas ao mesmo tempo.

Confesso que ainda fico chateado por passares mais tempo no estúdio do que em casa, comigo, mas também confesso que já aceitei que isso faz parte de quem tu és e não há absolutamente nada em ti que eu queira mudar.

E enquanto eu te admirava dormir repousado no meu peito hoje mais cedo, não parava de pensar em todas as músicas e melodias que pensando em mim escreveste. As românticas, as animadas, até mesmo as tristes, que eu desejava que nunca tivessem existido.

Espero continuar a brilhar para ti, sem cessar. Espero continuar ser a tua maior fonte de inspiração, o quadro branco para o teu coração de artista, pois não há nada que me deixe mais orgulhoso de mim próprio do que ver-me retratado pelos teus olhos. Quero cantar ao pé do teu ouvido e ouvir todos os elogios que tens guardado para mim na ponta da língua. Quero beijar-te a noite inteira, longe dos holofotes e dos julgamentos e quero, acima de tudo, amar-te sem restrições.

Hoje, amanhã e sempre.

 

Com amor,

Baekhyun

 

 

 

˾ Eu não preciso de altar

Só vem, repousa tua paz na minha ̚

 

Notes:

*Nome original: 달 (Lua/Moon)
*Nome original: 오이된장국 (sopa de pepino e pasta de feijão/cucumber soybean paste soup)