Actions

Work Header

O primeiro (não) encontro de Benny

Summary:

Tudo aquilo começou com Xingqiu, aliás, com quem mais poderia ter começado? Às vezes, Bennett pensava que o amigo azulado tinha uma lista chamada “formas de provocar o Benny.” O pior era que todas as vezes, os planos funcionavam.

Então, ali estava ele, meia hora atrasado — mas afinal, o que seria Bennett sem seu azar? Ele passou a tarde toda tentando encontrar uma camisa que achasse boa o suficiente, apenas para cinco minutos antes de sair de casa, manchá-la com suco de morango —, em frente a casa de Chongyun, com Razor ao seu lado, esperando a porta ser aberta.

Veja bem, aquilo era para ser um… encontro duplo.

Work Text:

Tudo aquilo começou com Xingqiu, aliás, com quem mais poderia ter começado? Às vezes, Bennett pensava que o amigo azulado tinha uma lista chamada “formas de provocar o Benny.” O pior era que todas as vezes, os planos funcionavam.

Então, ali estava ele, meia hora atrasado — mas afinal, o que seria Bennett sem seu azar? Ele passou a tarde toda tentando encontrar uma camisa que achasse boa o suficiente, apenas para cinco minutos antes de sair de casa, manchá-la com suco de morango —, em frente a casa de Chongyun, com Razor ao seu lado, esperando a porta ser aberta.

Veja bem, aquilo era para ser um… encontro duplo.

A ideia, claro, também veio de Xingqiu.

Foi logo depois das aulas, quando estavam caminhando juntos para casa. Aquela era uma situação rotineira, já que quase não conseguiam se ver durante as aulas. A verdade era que apesar de serem muito amigos, os quatro garotos não estavam na mesma sala. Xingqiu e Chongyun estavam na 2B enquanto Razor e ele frequentavam a 2C. Eles costumavam se encontrar no intervalo, contudo, naquele dia, Razor ficou na sala por não ter concluído o dever de casa de História (e se Benny pudesse ser sincero, não achou muito justo a punição que Zhongli-sensei havia o dado, mas todos sabiam o quão justo e severo era o professor de História e Geografia) e ele mesmo foi chamado na diretoria por ter explodido um experimento de Química. Ninguém mais acreditava quando dizia que era sem querer. Uma vez, ouviu Albedo-san falando que ele poderia ser piromaníaco.

Ele não fazia ideia do que aquilo era, mas não pareceu ser algo bom e ele não queria ser chamado daquela forma!

Com toda aquela confusão, os amigos não conseguiram se falar direito além dos cumprimentos sonolentos de quando chegaram na escola. No fim do dia, Razor disse que precisava pegar sua meia irmã, Klee, na escolinha, porque seu outro meio irmão, Albedo (o mesmo que chamou Benny de piromaníaco!), iria fazer um experimento junto com Kaeya-senpai. Quando Razor falou aquilo, Xingqiu deu uma risadinha e disse que com certeza os dois teriam uma experiência incrível. Benny não tinha entendido, muito menos Razor, mas eles já tinham deixado de tentar entender as coisas que o amigo falava em certos momentos.

Eles andaram juntos até certo ponto e então, Razor se foi, dando um leve sorriso em direção a Bennett que fez seu coração pular e um aceno para os outros amigos.

“Então, eu e Yunyun vamos fazer uma maratona dos filmes de Crepúsculo no sábado.”

“De novo?” perguntou curioso.

“Pois é. De novo esse sofrimento.” Chongyun comentou.

“Calem a boca! Crepúsculo foi e sempre será um dos maiores atos do mundo literário e do cinema!” exclamou Xingqiu com uma expressão intensa.

“Claro, amor, se é o que você diz.” Chongyun disse enquanto revirava os olhos.

“Ei, não seja irônico!”

“Jamais.”

“An… Eu entendi que você gosta muito de Crepúsculo, Xingqiu, e que vai rever esse sábado, mas…?”

“Mas! Já que você e Razor-kun são um casal, por que não fazer disso um encontro duplo?”

Chongyun encarou Xingqiu com uma feição de desaprovação, como se ele já tivesse noção do que iria acontecer e não estivesse nem um pouco de acordo com aquilo, mas, como ele bem sabia, era impossível parar seu namorado quando ele queria perturbar seus amigos.

Apesar da encarada que recebeu, Xingqiu não pareceu intimidado. Ele sorria vitorioso enquanto via a vermelhidão se espalhar pelo rosto de Bennett.

“Nós! Nós não…”

Ele não conseguia parar de gaguejar e corar. Bennett não estava apaixonado por Razor! Aquela suposição de Xingqiu era errada! Mas ele não pode deixar de se sentir quente com a ideia de segurar a mão do cinzento, ou de beijar sua bochecha, ou até fazer penteados em seus longos cabelos… Ele não estava apaixonado por Razor! Só gostava muito de passar tempo com ele! Sim, era apenas isso, muito obrigado!

“Ótimo, então será às sete e meia, na casa do meu Yunyun! Podem levar pipoca, apesar de que vamos pedir pizza também!”

Depois de causar o dano, Xingqiu se despediu e segurando a mão de Chongyun, esse que lhe desferiu um olhar de pedido de desculpas, ele se foi, seguindo o caminho para casa que se bifurcava com o de Bennett bem ali.

— Oi — Chongyun abriu a porta com um meio sorriso. Seus cabelos estavam um tanto bagunçados e ele trajava uma bermuda branca e uma camiseta simples, azul clara. — Xingqiu já estava começando a achar que vocês não viriam. A pizza acabou de chegar. Entrem.

Ele abriu mais a porta e deixou que os rapazes entrassem, depois, claro de retirar seus sapatos.

A casa de Chongyun era muito bonita. Ampla, com vários símbolos religiosos que Bennett jamais conseguiria gravar apesar do amigo já ter explicado um milhão de vezes. Era também muito gelada. O ar condicionado ficava ligado o tempo todo e isso devia ao próprio Chongyun. O azulado passava muito mal com temperaturas altas.

— Ah, os pombinhos chegaram! — Xingqiu apareceu. Ele estava com um shortinho curto de malha preto largo e uma blusa um pouco grande demais para ele, branca.

— Não somos pombos. — Razor falou pela primeira vez, remexendo o nariz, algo que fazia sempre que não entendia algo. Bennett sorriu sem nem perceber.

— Haha, você é tão fofo, Razor-kun — Xingqiu soltou uma risadinha e voltou para seu lugar no sofá.

A sala da casa de Chongyun era muito grande, mas o espaço não era muito utilizado. Todos os móveis eram amontoados no meio — os três sofás, a televisão enorme e uma mesa enorme de vidro —, o que dava um ar um tanto… solitário. Apesar disso, Benny gostava muito do lugar. Xingqiu uma vez disse que era apenas porque ele era bonzinho demais e nunca conseguiria reclamar de algo. Talvez fosse o caso, mas ele realmente adorava Chongyun, e se a casa dele era um pouco gelada demais, então, qual o problema.

— Razor-kun, por que não se senta perto do Benny? — Xingqiu perguntou com ingenuidade. Chongyun suspirou, parecendo cansado. Bennett corou.

Razor olhou para ele por um instante e então, sentou do seu lado. Bem ao seu lado. Tão perto que seus braços desnudos se tocavam. Bennett podia sentir o calor corporal de Razor e sua nuca e mãos transpiraram — muito tempo depois, quando pensasse naquele exato momento, ele chegaria a conclusão que o fato de transpirar não era só pelo calor da pele do outro e sim por simplesmente estar perto dele.

Razor era sempre extremamente quente, como um sol particular.

Bennett sabia que para o garoto, aquela proximidade não era algo particular. Era apenas como ele era. Benny devia estar acostumado, realmente deveria, então por que seu coração estava batendo tão acelerado?

— Vamos começar o filme! E não esqueçam de comer também! Nós pedimos bastante pizza, principalmente de calabresa pra você, Razor-kun.

Razor assentiu e sorriu um pouco, logo se inclinando e pegando um pedaço da pizza. Bennett, que sempre gostou de comer, sentia-se estranhamente sem apetite. Seus olhos focaram na tela, mas seu corpo continuava a mandar alertas de que Razor estava bem ali do seu lado, com as coxas tocando as suas.

Chongyun o olhava de tempos em tempos, mandando olhares de “você está bem?”

Xingqiu parecia extremamente relaxado ali, deitado nos braços de seu namorado, completamente fixado no filme, suspirando de leve em certas cenas.

Na cena final, onde Bella e Edward dançavam no baile, Bennett começava a pensar que estava doente.

Era a única explicação para as reações estranhas de seu corpo. Oh, não! E se ele estivesse gripado e acabasse passando para Razor?! Ele tinha que se afastar! Sentar no outro sofá ou até mesmo ir embora, mas não conseguia se mexer direito.

— Bennett. Você está bem? — Razor perguntou assim que o encerramento do filme começou.

— Sim! — ele gritou, fazendo os outros dois amigos o olharem confusos. Quer dizer, Chongyun parecia confuso. Xingqiu tinha aquele brilho malicioso no olhar e parecia estar tendo o melhor tempo de sua vida.

— Yunyun, por que você não me ajuda com algo na cozinha? — Xingqiu perguntou enquanto se levantava, apesar de que pela forma como puxou Chongyun, o garoto não tinha muita escolha.

— Nós já voltamos. — Chongyun sorriu de canto e seguiu o namorado até a cozinha.

Bennett começou a ter ainda mais noção do quão próximo Razor estava e do quão sozinho eles estavam.

Ficar só com o amigo nunca tinha o deixado daquela forma antes. Ele gostava muito da presença de Razor. Gostava de tagarelar sobre suas ideias bobas e sobre seus interesses porque sabia que apesar de não parecer, o garoto cinzento estava ouvindo e prestando atenção. Com poucas palavras, Razor fazia com que Bennett fosse feliz. Ele sentia que seu azar passava quando estava perto do garoto e era realmente abençoado por ter sua amizade.

Ele queria segurar a mão de Razor e apenas… estar com ele. Sempre. Seu coração disparou com a ideia e então, assim como a maioria das coisas que aconteciam em sua vida, a realização veio com tudo e seu rosto queimou.

Oh, não! Ele estava mesmo apaixonado por seu melhor amigo! E do jeito que era azarado, estragaria tudo.

— Eles estão demorando — Razor comentou, quase fazendo Bennett morrer do coração de susto. — Razor vai ver o que está acontecendo.

— Oh, okay! — exclamou e sorriu enquanto dava um joinha para o amigo.

Razor se foi e Bennett respirou fundo. Ele realmente era grato pelo cinzento não ter perguntado o por que estava tão tenso e vermelho. A inocência de Razor às vezes era uma benção.

— Se beijando na cozinha. — Falou sem cerimônias, voltando tão subitamente quanto saiu.

Bennett corou ainda mais. Ele não acreditava que Chongyun e Xingqiu estavam fazendo aquilo! Logo com eles ali!

— Razor vai embora — continuou o cinzento, dando de ombros.

— Oh, então eu também vou! Mas, espera, eles não vão ficar bravos?

— Acho que não.

— Oh.

— Bennett. Você vem?

— Oh. Sim, quero dizer! Vamos.

Os garotos saíram de fininho quando ouviram risadinhas vindo da cozinha. Bennett ainda tinha o rosto corado.

— Razor te leva até em casa. É perigoso ir sozinho.

— Não precisa! Minha casa nem é tão longe, aliás, a sua é bem mais longe do que a minha e ai sim isso seria perigoso e eu não quero que algo te aconteça, jamais! Então, mesmo, não precisa!

Razor ficou encarando Bennett por alguns segundos e então começou a andar para a exata direção que não deveria seguir. Suspirando, o loiro o seguiu. Não adiantava discutir com Razor.

Os dois caminharam por um curto tempo até que Bennett voltasse a falar.

— Você gostou do filme?

— Os lobos são legais.

— Ah, é verdade, você gosta de lobos! — ele riu. — Mas, é verdade, eles são bem legais. Os vampiros também, né? Quer dizer, ser imortal deve ser interessante.

— Não acho.

— Oh.

— Você gostou?

— Sim! Da primeira vez que assisti com Xingqiu, eu até chorei! Mas agora já estou acostumado! Queria ter paciência para ler os livros, mas ficar tempo demais parado me deixa ansioso!

Razor aquiesceu, permanecendo quieto, e então, ele pegou a mão de Bennett e apertou forte, quase a quebrando. Bennett soltou um gemido de tanto surpresa quando dor e Razor aliviou o aperto um pouco.

Confusão deveria estar estampada em sua cara, porque o cinzento resolveu explicar:

— Xingqiu disse para segurar sua mão. Por causa do encontro.

A mente de Bennett girou e ele arregalou os olhos.

— Encontro?!

— Sim. Xingqiu disse. Ele errou?

— Eu… — todo o sangue de seu corpo deve ter subido para suas bochechas de tão quente que ele as sentia. Ele não fazia ideia que Xingqiu tinha falado sobre aquilo com Razor! Para Benny, tinha sido apenas uma brincadeira! Mas o que mais lhe deixou intrigado foi o por que de Razor te aceitado.

— Ele errou, então. Razor pede desculpas. — E com isso, ele soltou sua mão e se afastou.

— Não!

— Não?

— Eu… Ele não errou!

Razor o observou e então, lhe ofereceu a mão com certa hesitação, a qual Bennett segurou com força. Eles voltaram a andar agora com as mãos dadas e para ambos, aquela era a melhor sensação do mundo.

O caminho até a casa de Benny foi curto, como ele sabia que seria. Não morava assim tão longe de Chongyun, afinal, mas pela primeira vez, ficou decepcionado com esse fato.

Na porta de casa, Razor ainda não tinha soltado sua mão. Na verdade, ele parecia pensativo. Bennett iria perguntar quando o cinzento o puxou de leve e depositou um singelo beijo em sua bochecha.

— Boa noite.

Com aquela despedido completamente inesperada, Razor se foi, mas não rápido o suficiente para Benny não ver o rubor em suas bochechas.

O próprio Benny estava ainda mais vermelho que a bandana que normalmente usava no braço. Sua boca estava escancarada e ele permaneceu assim por um bom tempo, até que a ficha caiu e ele começou a soltar risadinhas quase histéricas, só parando quando um de seus pais o chamou.

Naquela noite, quando deitou na cama, com os pensamentos em Razor, Bennett se sentiu muito sortudo e pensou que para um primeiro (não) encontro, aquele foi o melhor que poderia ter.