Chapter Text
Além do som agradável da introdução de The Less I Know the Better (para Baekhyun, a melhor música do Tame Impala; para Sehun, fato questionável) que abafava os estalos de beijos dentro daquele quarto, vez ou outra era possível ouvir o som de dois cãezinhos peludos arranhando a porta de madeira. Vivi e Monsieur não conseguiam ficar longe do seu pai bípede por tanto tempo assim.
Acontece que Sehun estava ocupado e não reparou, bem ocupado, aliás, com Baekhyun, e queria continuar assim por todo o tempo que fosse possível. Aquela semana em meados de setembro estava quente, porém uma brisa sutilmente fria entrava pela janela e arrepiava os dois garotos.
Talvez fosse o calor que encontravam um no outro e os polos opostos que os faziam adiar o momento de se afastar. O que Baekhyun sabia é que o lugar mais confortável que conhecia era entre as pernas de Sehun, e ele não queria sair de lá tão cedo, mesmo sabendo que deveria. Não entenda mal, as intenções ali eram as mais puras.
Conseguiram separar os lábios somente quando a porta do quarto foi aberta. Revelando uma Sra. Oh sem jeito e completamente constrangida, com uma pilha de roupas dobradas que quase encontrou o chão.
— Por Deus... Me perdoem, meninos.
Tão rápido quanto falou, a matriarca saiu do quarto. Os garotos apenas riram com o que aconteceu e trataram de acabar com aquela distância mais uma vez.
O relógio, infelizmente, andava, e os ponteiros no pulso de Baekhyun se moviam, totalmente contra a sua vontade. Já havia passado da hora de ir, e com muito desgosto parou de beijar o seu namorado.
— Eu tenho que ir, Sehun.
— Fica só mais dez minutinhos... — resmungou o garoto com os fios em um tom bonito de cobre.
— Você disse isso há dez minutos. — Baekhyun riu.
— Dez minutinhos, Baekhyun. — Em uma mudança súbita de interesses, as mãos de Sehun já seguravam a barra da camiseta alheia para tirá-la do corpo que pretendia tocar mais intimamente.
— Se você fizer isso eu vou acabar ficando bem mais do que dez minutos. — Depois de deixar uma mordida fraca na bochecha do mais novo, Byun se levantou.
— Por que você não dorme aqui? Já tem uma escova de dentes sua no meu banheiro mesmo... — sugeriu Sehun.
— Eu realmente não posso hoje, Sehun... Meu pai tá enchendo muito o meu saco ultimamente.
Além de que ele deveria acordar cedo no outro dia para fazer tarefas da faculdade. Os dois, na verdade.
— Ah, tudo bem. — Rapidamente, o garoto mais alto ficou em pé e fez questão de acompanhar Baekhyun.
No momento em que pisaram fora daquele quarto, duas bolinhas peludas trataram de saltar nas pernas do visitante — mas ele era baixinho o suficiente para que os cachorros pulassem na altura de sua cintura. Baekhyun se abaixou para dar um pouquinho de atenção para os bebês do seu namorado, e Sehun não fazia nada senão encarar aquela cena com brilho nos olhos.
No entanto, o som da porta do banheiro ao fim do corredor chamou a atenção dos garotos. E Byun esboçou um sorriso um tanto sem graça.
— Boa noite, Sr. Oh — cumprimentou o estudante.
— Ah... Baekhyun, por favor, aqui você pode me chamar de Junmyeon. — O homem mais velho estava sem jeito, mas seu tom ainda era de descontração. — Ainda não me acostumei com a ideia de ser professor do namorado do meu irmão... Não faça com que eu me sinta ainda mais velho.
— Todo mundo chega aos trinta, Junmyeon. — Baekhyun riu e se levantou, parando de mimar os cães.
— Mas eu tenho alguns meses até lá, prefiro adiar as crises existenciais. — Depois de puxar a orelha do seu irmão em uma forma carinhosa de implicar, ele seguiu seu caminho para o quarto. — Boa noite, crianças.
Sehun foi com o outro rapaz até a porta de sua casa, que dava diretamente para a calçada. Mas é claro que ele só deixou o nanico ir embora depois de uns bons minutos de beijinhos e carinhos na calçada, mesmo com os olhares de reprovação da vizinha da frente — era impressionante como uma senhora naquela idade tinha disposição para ficar até tarde cuidando da vida alheia.
Baekhyun quase não estava apto para dirigir naquela noite, Sehun tinha a admirável habilidade de deixá-lo com as pernas comicamente moles. Ele era só sorrisos enquanto dirigia pelas ruas da cidade. Não pensava em nada, nada além do namorado e de como as mãos macias ficavam tão bem em contato com a sua pele.
Ele era grato por ter aquele menino em sua vida.
Para não fazer barulho ao abrir a garagem, Byun optou por deixar[LE3] seu carro na frente de casa. Não queria correr o risco de acordar seu pai que já era ranzinza por natureza, não gostava de quando o filho chegava tarde e estava particularmente mais chato nos últimos dias. Por isso Baekhyun foi cuidadoso, passou as chaves na porta da frente com a maior cautela possível, sendo mais atencioso ainda para fechá-la.
O esforço foi em vão, no entanto, ao passar pela sala de estar e ver que seu pai estava acordadíssimo.
— Boa noite, Baekhyun.
Ele estava com um humor excelente demais, não queria ter isso tirado de si pelo mais velho. Então somente forçou um sorriso e parou para falar com o homem.
— Boa noite, pai.
— Isso é hora de chegar em casa?
— Eu estava na casa do meu namorado, não é como se eu estivesse em um bar de esquina ou alguma casa noturna.
— Não me interessa onde você estava, não quero você chegando em casa tão tarde. — Kyuhyun prosseguiu bravo e autoritário. — Você tem responsabilidades, já não é mais criança.
— Então será que dá pra você parar de me tratar como se eu fosse uma?
Sem dar qualquer oportunidade de resposta, Baekhyun subiu as escadas em passos firmes, pouco se importava se iria acordar a madrasta. Apenas foi para o quarto e bateu a porta.
Ele respirou fundo, largou a mochila em qualquer canto, atirou-se em seu colchão e tratou de fazer uma chamada de vídeo para Sehun. Foi atendido em poucos segundos, o garoto estava com o cabelo molhado, parecia estar sem camisa. Provavelmente acabara de sair do banho.
— Se eu não tivesse ido embora, você teria tomado banho? — Baekhyun franziu o cenho, seu tom não era o totalmente amigável de sempre.
Ele pôde perceber o suspiro de Sehun. Só não sabia que era porque Oh já estava ciente de que alguma coisa aconteceu... Era fato que o pai do outro garoto representava boa parte dos motivos que levavam Baekhyun a ficar estranho, além do seu jeito costumeiro de não ser muito sutil com as pessoas. Aquela relação entre pai e filho não era muito saudável, e isso tinha reflexos nos comportamentos do estudante.
Mas Sehun não iria permitir que isso estragasse a noite de alguma forma. Então apenas sorriu e decidiu distrair Byun. Isso geralmente funcionava. Queria fugir da conversa a respeito dessas atitudes o quanto fosse possível, sinceridade não era um de seus pontos. Sabia que amava Baekhyun, e tinha paciência para que ele amadurecesse nesse sentido.
— Que pergunta é essa, Baekhyun? É claro que sim, mas com você.
O baixinho riu fraco, o máximo que conseguia nesses momentos mais delicados. Talvez ele ficasse um bom tempo acordado, só para poder falar com o namorado, porque não importa quanto tempo eles passassem juntos, parecia ser pouco para eles.
(...)
— Eu nunca vou entender como você gosta tanto disso. — Baekhyun pegou uma fatia de sashimi com os hashis e, depois de encharcar de shoyu, levou até a boca do mais novo, que nitidamente se deliciava com aquela refeição.
— Você não gosta? — Sehun respondeu, ainda mastigando o peixe.
— Não fala de boca cheia — disse o estudante de jornalismo, apertando as bochechas do namorado com a destra de modo carinhoso, fazendo com que um biquinho adorável se formasse nos lábios de Oh —, e eu gosto sim.
Mesmo com a música ecoando pelo quarto e os dois garotos rindo sem muito senso, os cachorrinhos de Sehun permaneciam adormecidos sobre o colchão confortável, enquanto seu dono e o visitante dividiam um barco de sushi em cima da cama.
— Se nós morarmos juntos, é o que vamos comer toda sexta-feira.
— Se? — Baekhyun franziu o cenho. — Quando!
— Tá certo, quando nós morarmos juntos... — prosseguiu, inclinando-se na direção do menor — Vamos pedir comida japonesa toda sexta-feira. E no sábado você pode escolher o que vamos comer.
— Pizza? — Byun sugeriu.
Não havia um motivo específico para estarem fazendo planos, não era como se fosse algo corriqueiro em suas conversas. Talvez fosse a lua crescente florescendo essa vontade de pensar mais em um futuro a dois.
— É uma boa escolha. — Sehun sorriu, e seu namorado quase se derreteu por inteiro. — Meus dias seriam mais felizes morando com você, Baekhyun.
(...)
— Eu não sei como alguém foi capaz de dar uma habilitação para você. — Kyungsoo resmungou no banco de trás, encarando o melhor amigo através do espelho dentro do carro, enquanto observava a expressão indignada do rapaz que buzinava para o motorista da frente.
— Calado! — retrucou Byun.
— Não seja tão maldoso, Soo... — Sehun somente se virou no banco do carona. — Baekhyun está se esforçando.
— Sehun, eu espero sinceramente que vocês casem e você dirija o carro. Na verdade, espero que você saiba dirigir, ao menos.
— Olha só, eu sei dirigir! — Baekhyun bateu no volante com as mãos. — Esse trânsito caótico é que me deixa estressado...
— Não é como se todas as ruas da cidade fossem congestionadas... — alfinetou o menor dos três.
— Kyungsoo, eu só não vou fazer você descer do carro por respeito à sua mãe.
— Você não ousaria. — Kyungsoo riu.
— É aqui, é aqui! — Sehun apontou para o prédio a poucos metros de distância, e aquilo veio em um momento bem conveniente. — Pode parar.
Baekhyun prontamente estacionou o Audi preto em frente ao residencial, destravando as portas para que o namorado pudesse descer. O que não aconteceu sem, é claro, um breve gesto de casal tipicamente meloso antes.
— Não vou demorar. — Depois de dar um beijo rápido nos lábios do loiro, Sehun desceu do carro e foi apressadamente até a portaria.
Baekhyun observava curioso, Sehun havia dito que precisava passar na casa de um conhecido que também cursava economia para pegar uns livros que ele precisaria naquele ano — a vantagem de socializar com veteranos. Ele não disse quem era, e Byun nem achou importante saber, no entanto achou uma coincidência muito engraçada; quem desceu para atender o menino no portão foi Chanyeol, o guitarrista da bandinha indie em que Kyungsoo era vocalista.
Ele não tinha ideia de que aquele moleque fazia economia, jurava por Deus que ele devia cursar música, no máximo artes.
— Não sabia que você conhecia o Park — disse o baixinho no momento em que Sehun voltou para o carro.
— Temos alguns amigos em comum, um colega me contou que ele podia me emprestar os livros para esse ano.
— Sabia que ele toca guitarra na bandinha do Soo?
— Bandinha?! — Kyungsoo se exaltou. — Veja bem como você fala.
— Cara... A sua banda indie tem o nome de um Pokémon... — falou com certo desdenho — Que respeito vocês querem?
Baekhyun tinha um jeito tipicamente rude. Isso era algo desagradável, mesmo que ele não o fizesse na intenção. É algo que sai naturalmente dele, um defeito com que os mais próximos lidavam. Ele magoava as pessoas sem nem se dar conta do que fazia, dependia do senso de terceiros para saber que estava sendo um idiota de marca maior. Isso costumava ser muito pior em situações de frustração. Nesses momentos mais específicos não era possível ter uma conversa com Baekhyun, ele acabava agindo com uma infantilidade absurda.
E, mesmo tendo passado quase dois anos ao lado do garoto, Oh já não sabia o que fazer para tentar ajudar Baekhyun ser um pouquinho mais sutil e sensível com aqueles ao seu redor. Com vinte anos na cara, alguém era ignorante e mimado como se ainda tivesse quinze.
Ainda que Do não tivesse se incomodado de verdade, porque ele não é alguém que realmente liga para esses comentários isolados, Sehun ainda ficava particularmente chateado com a falta de sutileza e empatia com que Baekhyun tratava as pessoas. Ainda mais se tratando de pessoas tão íntimas e próximas.
— Para com isso, Baekhyun... — Sehun acertou fracamente o namorado com o seu cotovelo, para então virar seu corpo no banco e falar com Do. — Caramba, que vergonha, todo esse tempo e eu nunca vi uma apresentação da sua banda.
— A gente toca mais em bares, lugares que as pessoas vão para se enroscar com alguém. Mas vocês deveriam ir nos ver uma noite dessas.
— Seria legal... — Mostrou um sorriso genuíno e endireitou-se no lugar, vendo que o carro já se aproximava de sua casa. — Baekhyun, sexta-feira eu não vou voltar à tarde, vou ter uma palestra até tarde e conta como aula, só saio à noite. Você se importa em me buscar?
— Não se preocupe, eu vou te buscar.
Eles se beijaram rapidamente quando Baekhyun parou o Audi, e Kyungsoo só sabia torcer o nariz diante de tamanha demonstração de afeto. Depois que Sehun saiu do veículo, o estudante de literatura tratou de passar para o banco da frente.
— Você tá me devendo um café.
— E você tá me cobrando agora pois realmente quer um café nesse calor ou porque quer secar o garçom bonitinho da cafeteria? — Baekhyun já virou o veículo na esquina para o caminho até o estabelecimento que ele gostava de passar os fins de tarde com o amigo.
— Eu quero café, encontrar Jongin lá é só um bônus.
— Você está perdendo tempo, já deveria ter dado uns beijos naquele cara, imagina se ele deixa você tomar café sem pagar.
Kyungsoo somente riu alto e colocou os pés sobre o painel limpinho do carro.
— Você não sabe de nada, Baekhyun.
(...)
Baekhyun mexia em seu telefone enquanto esperava Sehun em frente ao prédio da universidade. O motor do Audi já estava ligado e a rádio sintonizada em uma estação qualquer. O garoto mais novo estranhou não encontrar Kyungsoo no banco de trás, afinal aquele era o seu lugar mais do que típico.
— Kyungsoo não vai voltar com a gente?
— Você tá vendo ele? — Aquele tom de Baekhyun soava como algo natural, quase como se ele não tivesse dado uma resposta grosseira sem qualquer motivo plausível para quem menos deveria ouvir.
Sehun sabia que aquele era um dos dias em que algo havia acontecido, deixando Byun do avesso, e ele responderia a tudo e todos com extrema insensibilidade, sem nem se importar. Não seria somente uma outra resposta desnecessária isoladamente. O moreno já não havia acordado com o melhor dos humores, e sabia que as atitudes — na mais simples e direta das palavras — babacas de Baekhyun poderiam deixá-lo chateado com maior facilidade.
Era questão de ignorar e torcer para que o rapaz ficasse menos chato, o que costumava acontecer depois de algum tempinho em silêncio. Apesar de irritante, havia um jeitinho de lidar com essa situação.
— E você sabe o que aconteceu com ele? — Sehun esperava que Baekhyun, pelo menos, tivesse a decência de responder aquilo sem ser um idiota completo, afinal, havia a preocupação com o amigo do seu namorado, talvez Byun soubesse o que se passou.
— Como é que eu vou saber? Não sou a mãe dele — devolveu o menor, já acelerando o veículo.
Por Deus, como Sehun quis retribuir a estupidez do namorado! Mas ele não disse nada, apenas ficou quieto, como costumava fazer. Discutir com Baekhyun era uma grande perda de tempo nos dias em que ele estava particularmente insuportável, servia somente para ficar mais irritado. Sinceramente, Oh amava seu namoradinho mais do que tudo, era muito feliz por ter aquele serzinho ao seu lado, mas Byun Baekhyun era um porre.
Suas esperanças eram de que o humor de merda do garoto acabasse melhorando por conta da pizza que iriam pedir, e talvez eles acabassem trocando alguns carinhos. Mas, na real, Sehun já estava puto o suficiente para não querer nem segurar a mão de Baekhyun. Talvez eles devessem conversar sobre toda essa situação, e sobre como é ridículo o baixinho ser um grande ignorante quando tem algum dia frustrante com aquele que mais o apoia.
Mas Sehun era esquivo demais para encarar isso de frente, e Baekhyun era sem noção demais para perceber o que estava fazendo.
Em suma, Sehun acabava também sendo um tanto infantil por não querer ter uma conversa de verdade e colocar um ponto final naquelas atitudes de Baekhyun, como dois adultos deveriam fazer. Não era como se ajudasse muito só presenciar aquilo esperando que Byun mudasse esse aspecto do nada. Amar também é dizer que a pessoa está sendo uma grande filha da puta.
Ele somente suspirou e deixou que a sua cabeça encontrasse o banco estofado. O trajeto de quinze minutos seria mais longo do que o normal. E de fato foi, com aquele silêncio absurdo e constrangedor era difícil não se afundar na própria existência. Sehun agradeceu internamente quando chegaram na casa de Baekhyun, talvez as coisas ficassem menos tensas.
— Boa tarde, sr. Byun... — Oh cumprimentou simpático, ainda que tivesse um pouco de receio de falar com aquele homem.
— Boa tarde. — Kyuhyun respondeu de modo seco, sem tirar os olhos do jornal, e então se direcionou ao filho. — Baekhyun, não terminamos a nossa conversa de ontem.
— Terminamos sim — resmungou o rapaz, já segurando a mão de Sehun e o guiando para as escadas.
Alguns gestos carinhosos contrastavam com o temperamento difícil. E a intenção era seguir diretamente para a privacidade do quarto de Baekhyun, porém pararam quando os passos de Byun cessaram na escada. Isso porque ouviram a voz do patriarca.
— Se você é adulto para trazer um homem para casa, seja adulto para escutar o seu pai pelo menos uma vez na vida.
Baekhyun permaneceu encarando o seu pai por uns bons segundos, o maxilar trincado já indicava que, no mínimo dos mínimos, ele tentava se controlar. Sehun alternava o olhar entre os dois, e não sabia se era melhor ir embora ou ficar ali com o seu namorado. Era uma situação confusa e particularmente assustadora.
— Pai, eu não vou falar sobre isso com você.
A resposta foi simples, e o casal finalmente foi para o quarto de Baekhyun. O anfitrião suspirou aliviado depois de fechar a porta. Sehun imaginou que havia a possibilidade do humor do baixinho melhorar conforme o tempo passasse. Talvez a pizza que iriam pedir fizesse grande diferença.
Ele viu o loiro se escorar à parede e suspirar profundamente, os olhos fechados e a expressão de cansaço denunciavam muita coisa. Aquele não era um bom dia para Baekhyun.
— Baekhyun... — começou receoso, já tirava a mochila das costas para largar sobre a cadeira — Eu sei como a relação com o seu pai é complicada... O que você acha sobre, sei lá, sair de casa?
— Pra morar onde?
— Com a sua mãe... Ou a gente pode alugar um apartamento, a minha mãe pagaria sem problemas e...
— Por favor, Sehun — interrompeu Baekhyun —, não somos mais crianças para fantasiar assim.
Naquele momento, Oh retirava seu casaco, mas bastou ouvir as palavras ácidas do rapaz que ele parou o que fazia para encará-lo. Olhou bem para ele, como se pudesse transmitir pelos olhos a tamanha imbecilidade com que Baekhyun estava agindo.
— Quer saber? — Sehun vestiu seu casaco outra vez e pegou a sua mochila, seu tom não era raivoso, apenas triste. — Eu acho melhor eu ir embora, não quero brigar com você hoje.
— O que deu em você?! — O estudante de jornalismo correu para segurar o pulso do maior, mas este foi bruto e firme ao puxar seu braço para longe do toque de Baekhyun.
— O que deu em mim?! Você é quem está me tratando mal desde que nos vimos hoje.
— Eu não sei do que você está falando!
— É isso que me magoa, Baekhyun.
Sehun saiu daquele quarto rapidamente, Baekhyun foi logo atrás. Não importava o que ele dissesse ou até mesmo o fato de ter se oferecido para, pelo menos, levar o garoto para casa. O moreno não dava a mínima, sequer virava para olhá-lo. Apenas saiu daquela casa e marchou para o ponto de ônibus mais próximo.
Byun não o seguiu para fora. Bufou frustrado ao perceber que havia estragado a noite deles, mas também estava verdadeiramente irritado, pois acreditava fielmente que Sehun estava exagerando.
É engraçado recusar-se a compreender coisas mínimas.
— O que aconteceu com o seu amigo? — Seu pai perguntou da poltrona, ainda atento ao seu jornal.
— Ele é meu namorado, pai — respondeu Baekhyun —, é tão difícil assim reconhecer isso? Ou você odeia mesmo ter um filho que gosta de garotos?
Kyuhyun não respondeu nada, e o jovem ficava até grato por isso. Em passos firmes e nada discretos, retornou ao seu quarto e se atirou na cama, sequer se preocupou em fechar a porta. Nisso, sentiu um serzinho saltando em seu colchão e caminhando por suas costas com as patas gordinhas.
Então ouviu um sonzinho sutil de choro... Pois é, Sehun nem havia visto o filho canino de Baekhyun naquele dia. O seu Corgi simplesmente amava se aninhar no colo do namorado do seu “pai” para dormir. Talvez fosse o cheiro dos cachorrinhos que Oh tinha em casa, talvez fosse a energia adorável do rapaz. Quem sabe?
— É, eu sei Mongryong...
(...)
Tal qual havia a certeza de que o sol apareceria todas as manhãs, também havia a certeza de que todas as tardes Baekhyun buscaria Sehun em sua casa para que fossem juntos para a faculdade. E isso só não acontecia em dias que Junmyeon, por algum acaso do destino, poderia deixar a universidade no período entre manhã e tarde para oferecer uma carona ao irmão, foi o caso do dia anterior, mas isso era algo raro de acontecer, e Sehun sempre avisava o namorado nessa situação.
Ainda que a atmosfera estivesse angustiantemente constrangedora, e particularmente tensa, entre os dois por conta da discussão no fim da última tarde, Baekhyun não deixou de cumprir com o que fazia todos os dias.
Era a rotina dele, e era algo que ele havia combinado de fazer com Oh todo santo dia.
Naquela tarde, no entanto, ele não respondeu com muito agrado o cumprimento simpático que Sehun lhe ofereceu ao entrar no carro. Talvez, e digo apenas talvez, Baekhyun tenha respondido um “Bom dia por quê?” ou algo nessa mesma entonação, sem nem olhar para o rosto do mais novo.
Kyungsoo, que via aquela cena verdadeiramente ridícula do banco de trás, somente encarou o melhor amigo através do espelho retrovisor com a expressão mais indignada que poderia aparentar com seus traços firmes e inerentemente intimidantes — os quais contrastavam completamente com a personalidade acolhedora e carinhosa.
Baekhyun percebeu o jeito com que foi encarado, e sabia muito bem o que aquilo queria dizer. No entanto, ignorou. Era melhor fingir que não, aquele olhar de reprovação era, na verdade, vago e sem qualquer intenção.
Mas no fundo ele sabia, sim! O seu orgulho é que não permitia reconhecer isso, assim como o seu orgulho não permitiu responder à mensagem que ele recebeu no meio da tarde, de Sehun, em que estava escrito que ele era um homem com atitudes de criança. Talvez ele realmente fosse. Mas o que pretendia fazer a respeito? Nada! Em sua concepção, Sehun estava ao seu lado por opção.
Mas entre as coisas que ele não sabia, estava certamente o fato de que esse pensamento era completamente estúpido.
(...)
— Vem cá... — Kyungsoo chamou a atenção do amigo sem tirar os olhos da panela em que mexia com a colher de pau. — Você não tem que buscar o Sehun daqui a pouco?
Baekhyun deveria reconhecer que o estudante de literatura tinha fortes e surpreendentes dotes culinários. Byun não tinha a mínima ideia da ordem que o garoto seguia na cozinha, e ele nem gostava muito de molhos com queijo. Só sabia que aquilo que Kyungsoo estava fazendo para cobrir o tortellini estava assumindo um cheiro delicioso.
Ele estava realmente disposto a experimentar aquela refeição.
— Por que eu teria? — Baekhyun espichou mais os pés no pequeno sofá do apartamento minúsculo. Apenas desviou o olhar da partida de basquete que acompanhava na televisão para ver que expressão o moreno carregava.
Kyungsoo bufou frustrado e desligou o fogão, era cômico e relativamente adorável ver aquele baixinho de braços fortes com um pano de prato pendurado no ombro carregando uma panela até a mesa de jantar. Mas ele parecia até que grande naquele lugar pequeno demais, ainda que o loft de trinta metros quadrados custasse uma fortuna por mês.
— Primeiro, talvez, porque ele pediu esse favor para você... — dizia o rapaz enquanto servia os dois pratos perfeitamente alinhados com a iguaria italiana — Ou então, pode ser porque ele é seu namorado, e nós dois sabemos que ele não tem como voltar sozinho.
— Você não viu o jeito que ele está? — Baekhyun questionou indignado, tomando assento na mesa de madeira nobre. — Se eu for até a universidade vai ser só tempo perdido, ele vai dizer que já conseguiu carona só para não ter que ir comigo.
— Como se você não conhecesse o seu namorado... — Kyungsoo meneou a cabeça, descrente com as palavras do amigo. — Você sabe que Sehun não é assim.
— Não sei — devolveu Byun, sem muita paciência —, e nem você. Prefiro não ser feito de idiota.
— Espero que você esteja ciente de que está sendo um grande filho da puta. — O mais novo se sentou do outro lado da mesa e tratou de dar a primeira garfada na comida. — Isso é muita infantilidade da sua parte.
— Então é assim? Você vai dizer que ele tá certo?
— Não tô falando nada disso, Baekhyun... — Depois de um suspiro, Kyungsoo encontrou a energia para se estressar um pouco com o gênio insuportável de seu quase irmão. Mesmo que, definitivamente, achasse que Sehun tinha a sua razão naquilo tudo. — Sehun também age como criança quando faz de tudo pra não ter essa conversa que eu tô tentando ter com você.
— Que conversa, Kyungsoo?
— Sehun pode até não ter coragem para dizer isso pra você, mas eu não ligo. Você é grosso, quando alguma coisinha dá errado já trata as pessoas mal sem elas terem feito nada para você, e isso é extremamente chato.
— Eu fui assim a minha vida inteira, foi por esse Baekhyun que Sehun se apaixonou, e foi esse Baekhyun que você escolheu ter como melhor amigo. — Baekhyun deu de ombros, dando garfadas na comida.
— Tudo tem um limite, as coisas vão se acumulando e... — Kyungsoo falava rápido e quase nervoso, mas ao perceber que estava perto de exaltar-se, respirou fundo e manteve a calma. — Uma hora as pessoas se cansam disso. De verdade, eu gosto muito de você, e quero que entenda que esses comportamentos não são legais. Você é meu melhor amigo, e é por isso que eu quero te ajudar.
— Eu não preciso de ajuda — resmungou esquivo. Não queria ter que abrir um espaço de vulnerabilidade, não suportava essa ideia. — Podemos parar de falar sobre isso?
— Como você quiser...
(...)
Aquele final de semana passou de forma lenta, angustiantemente lenta. Talvez porque Baekhyun fosse acostumado a ocupar suas tardes de domingo na casa de Sehun, trocando uns carinhos e falando bobagens. Nos sábados ele dirigia com o garoto até qualquer lugar distante para fazer qualquer coisa; desde contemplar o sol se pondo até algumas coisas mais íntimas.
Era bom assim. Ambos gostavam disso.
Mas aquele em específico passou de modo lento porque não teve nada disso. Sequer conversaram por mensagens. Nada. Baekhyun não quis nem sair da cama nesses dias, a falta de Sehun o machucava, mas seu orgulho não o faria dar o braço a torcer naquela briga.
Acontece que a paciência de Sehun estava pertinho de acabar, então ele não estava muito na intenção de procurar Baekhyun para ouvir somente um “desculpe por ter sido grosso com você”. Isso já não bastava mais. Ele esperava que Byun pudesse perceber seu erro, pelo menos daquela vez. Seria desconfortável demais colocar todas as cartas na mesa. Apesar de todos os pesares de Baekhyun, Sehun ainda tinha a triste mania de simplesmente se afastar sem dar qualquer explicação.
Isto é, não era incompreensível que Oh quisesse tomar distância, os motivos eram plausíveis e eram seus. Acontece que o melhor caminho supostamente seria a honestidade a respeito do que se sente, não há relação saudável sem isso. Não há sentido em querer que alguém mude do nada, ou então não existiria o conceito da crítica construtiva, intervenção... Qualquer nome que você queira dar ao ato de uma pessoa que se importa.
Sehun nunca tentou, logo, Baekhyun nunca ouviu.
No entanto, Baekhyun percebia esse traço em seu namorado, o que explicava as amizades instáveis. No momento em que ele se cansava, afastava-se e não dizia o motivo. Byun inclusive concluiu que agora era com ele que Sehun fazia isso, essa certeza criou forma quando ele passou na casa do mais novo, na tarde de segunda-feira, para levá-lo para a universidade.
Ele parou o carro na frente da residência no centro da cidade — aquele bairro era muito bonito, as casas eram praticamente grudadas, quase lembrava as ruas inglesas —, e ficou alguns minutos lá na frente. Estranhou a demora de Sehun, então apenas buzinou. Quem apareceu não foi Oh, foi a sua mãe, que carregava expressões amigáveis e um tom doce.
Ela disse que Sehun já havia ido de carona com um amigo. E quando a senhora questionou se ele e seu filho haviam brigado, Baekhyun somente sorriu sem jeito e disse que foi um desentendimento.
Sua mente trabalhava com eufemismos.
— Você tá vendo? — resmungou, chamando a atenção de Kyungsoo, que quase dormia no banco de trás — Era sobre isso que eu falava sexta-feira.
— Baekhyun, honestamente, no lugar dele eu teria feito o mesmo. Eu nem quero imaginar como ele voltou para casa, você foi um grande idiota.
— É incrível como você acha que eu sou o errado dessa história.
— Se você colocar essa massa cinzenta pra funcionar um pouquinho — dizia o moreno, estreitando o dedo polegar e indicador para enfatizar as palavras —, e parar de pensar somente no próprio umbigo, vai ver que é sim. E é justamente por ser seu amigo que tô dizendo isso, e não concordando com essa sua atitude ridícula pra alimentar essas minhocas todas que estão na sua cabeça.
Baekhyun não respondeu, sua carranca era palpável, e seus olhos permaneciam fixos na rua, enquanto as mãos apertavam com raiva o volante.
— Mas eu não quero mais falar sobre isso com você hoje, não é da minha conta, e pelo jeito só Sehun vai ser capaz de fazer você enxergar o que está acontecendo. Mas ele não vai fazer isso, porque apesar da incrível e paciente pessoa que ele é, ainda é um tonto que acha que as coisas se resolvem com uma cara de bunda, e não com palavras.
— Por que você não escolheu psicologia no lugar de literatura? — Baekhyun questionou quase que em sarcasmo.
— Pessoas problemáticas na realidade me irritam. Prefiro ficar com as ficções.
— Comovente...
Em questão de minutos, o Audi adentrou o campus, e ao chegar no estacionamento, Byun viu algo que preferia não ter visto. Faria de tudo para não experimentar aquela sensação que queimava seu estômago. Não queria mesmo ter visto Sehun descendo de uma moto — a de Park Chanyeol, mas especificamente — e devolvendo o capacete ao guitarrista que Baekhyun jamais entenderia por que diabos cursava economia.
Ele ficou realmente puto. Então Oh recusou sua carona para ir com alguém supostamente sem qualquer intimidade? Bem, o estudante de jornalismo acreditava fielmente que Sehun era quem estava sendo a criança, afinal. E isso o fez estacionar o carro na primeira vaga que encontrou e sair do veículo batendo a porta.
Quando viu que os dois se dispersaram pelo local, aproveitou que Sehun estava sozinho para tentar esclarecer aquilo.
— O que é isso agora, Sehun?! — A sua voz irritada chamou a atenção do garoto alto. — Não falou comigo o final de semana inteiro, pega carona com outra pessoa e nem me avisa? Você gosta de me fazer de idiota?
— Eu estou te fazendo de idiota? — Sehun franziu o cenho, nitidamente indignado com o que ouvia. — Eu fiquei te esperando um puta tempão sexta-feira e você simplesmente não apareceu, não disse absolutamente nada. Você sabe mais do que ninguém que meu irmão, a única pessoa da minha família que tem um carro, trabalha em outra cidade nas sextas-feiras. Sabe por que eu não fiquei aqui até meia-noite esperando Junmyeon? Porque Chanyeol ficou até mais tarde e teve a gentileza de me oferecer uma carona. Por que você tem que agir como uma criança, Baekhyun? Se não queria me buscar, era só ter avisado mais cedo, eu teria ido para casa quando a aula acabou.
— Então vai lá com o seu novo amigo gentil, porra! — retrucou o loiro, já sem pensar em suas palavras.
— Ultimamente algumas companhias têm sido melhores do que a sua, se você quer saber. — Sehun respondeu simples e firme, porém tremia de nervosismo e raiva. — Me procura quando você realmente tiver vinte anos de idade.
(...)
O tempo passou, avançou em poucos e angustiantes dias. Baekhyun não dormia direito, já não falava mais com Sehun, e isso doía tanto. Eles eram namorados, não houve término, mas às vezes ele nem sabia mais o que de fato eram. Baekhyun se forçava a tomar litros de chá e ficar no computador até praticamente desmaiar na frente da tela, só assim para não acordar durante a madrugada e chorar por lembrar que as coisas com Sehun estavam uma merda.
Mas seu orgulho não o deixaria fazer nada a respeito, não saberia lidar com uma conversa daquelas. E nem Sehun, por isso ambos deixavam as coisas frias daquela forma agoniante.
E Sehun não sabia, mas Baekhyun sentia seu coração sendo despedaçado toda vez que o via andando com Chanyeol por aquela universidade, como se nada estivesse acontecendo. Byun jamais iria querer o sofrimento de seu namorado, só não entendia como ele era o único que parecia estar mal com aquela situação.
Era uma sensação de desespero... Ele só queria que tudo voltasse ao normal. Não estava sendo como qualquer outra briga que algum dia já tiveram.
(...)
Kyungsoo tinha uma voz extremamente bonita, uma das mais lindas que Baekhyun algum dia ouviu. E era muito conveniente que no ensaio da Rayquaza — o gosto por Pokémon era unânime entre os membros daquela banda indie — estivessem tocando Do I wanna Know?, Arctic Monkeys já era quase padrão naquele gênero.
Mas Byun não estava dedicando toda a sua atenção exclusivamente ao seu amigo, vez ou outra ele se pegava encarando o guitarrista e se perguntando por que diabos Sehun passava o tempo todo com Chanyeol e sequer pensava em falar com o namorado. Até poucos dias Oh considerava aquele cara apenas um conhecido.
E nesses momentos Baekhyun não conseguia esconder o descontentamento em seu rosto, apenas se encolhia no sofá da garagem de Yifan (aquele chinês era simplesmente o estudante estrangeiro mais simpático que ele conhecia naquela universidade, e um prodígio na faculdade de música) e deixava um pensamento realmente letal atingir a sua mente e trazer um de seus maiores medos; uma grande insegurança.
E se Sehun já não o amasse mais? E se ele estivesse interessado em Chanyeol?
Pensar nessas hipóteses fazia o seu estômago doer e a cabeça pesar. Quem o olhasse sem conhecê-lo a fundo, diria que ele estava fervendo em raiva, quando, na verdade, ele só estava triste e preocupado demais. Kyungsoo era uma das pessoas que conseguia perceber isso, e por isso pediu para que fizessem uma pausa assim que aquela canção terminou.
Baekhyun mexia nervosamente em algum dos fios rasgados em seus jeans, quando percebeu alguém parado em pé, logo em sua frente. Era seu melhor amigo, e já colocava a mão em seu ombro.
— Baekhyun, por que não vamos lá fora tomar um ar?
O mais velho somente assentiu e o seguiu até o quintal modesto da casa suburbana. Os dois se encostaram à cerca branca, e foi aí que notaram que o frio já chegava na cidade. As nuvens estavam densas e o sol estava escondido atrás delas. O vento era frio, não era somente uma brisa de verão, e assim a pele de Baekhyun se arrepiou sob a camiseta que cobria apenas até o cotovelo.
Ele havia saído sem levar um casaco, Kyungsoo foi um bom amigo e deu sua jaqueta jeans para que o garoto usasse. O loiro somente aceitou porque o outro usava uma camisa de mangas compridas.
— Você está tão triste quanto as músicas que nós tocamos hoje.
— Sim. — Baekhyun suspirou cansado. — É tão perceptível.
— Nós crescemos juntos... Eu te conheço. E também conheço bem o motivo pra você estar assim.
— É toda aquela merda com Sehun — resmungou o rapaz —, eu só queria que tudo voltasse a ser como era antes.
— Baekhyun... — Kyungsoo enroscou seu braço no do melhor amigo. — Se as coisas voltarem a ser como antes, mais brigas como essa vão acontecer, vocês precisam de diálogo, precisam mudar algumas coisas se quiserem continuar juntos, você entende isso?
— Eu não sei... Eu sou assim, eu não estou entendendo o que tá acontecendo.
— É por isso que você e Sehun têm que conversar... Deixa esse orgulho de lado.
— Bom, se ele quiser falar comigo, eu vou ouvir.
Do não disse nada, não adiantava. Baekhyun não iria ouvir, não importa o quanto ele tentasse explicar. Byun continuaria com aquela mania infantil de não querer ser aquele a ceder. Talvez em algum momento ele amadurecesse para esse negócio de relacionamentos.
Na tarde daquele mesmo sábado, Baekhyun precisou sair de casa para que seus pensamentos não o sufocassem. Ele não conseguia parar de pensar em Sehun, e a cada momento que refletia, a ideia de tomar a iniciativa de uma conversa parecia menos absurda.
Ele saiu, não foi com o carro, apenas pegou seu celular e a carteira e foi andando até o centro. Talvez um café docinho preparado pelo quase namoradinho do seu melhor amigo melhorasse um pouco seu humor.
Porém, quando estava prestes a entrar na cafeteria, olhou pelo vidro e encontrou aquela cena que preferia nunca ter visto, porque sabia que isso alimentaria as paranoias que começavam a nascer em sua cabeça.
Viu Sehun sentado com Chanyeol, ambos rindo como bons amigos. E nesse momento Baekhyun teve duas certezas: a primeira era que ele estava com muito medo de conversar com Sehun; a outra era que ele precisava fazer exatamente isso.
Mas não naquela tarde. Naquela tarde apenas deu meia volta e foi embora.
(...)
Baekhyun estava de olhos fechados, concentrado na canção que sua caixinha de som reproduzia em um volume baixo e agradável. Estava calmo, não estava de mau humor, algo raro nos últimos dias. Acreditou que era um momento oportuno para falar com Sehun.
Por isso, tremendo, enviou uma mensagem ao garoto. Sentiu o estômago queimando quando percebeu que a última mensagem enviada naquela conversa foi a que Sehun mandara, dizendo que ele tinha atitudes infantis. Não estava de um todo errado, mas Baekhyun havia ignorado. Depois disso não falaram mais nada, duas semanas de completo silêncio.
Oh não demorou a responder, concordou em ter uma conversa pessoalmente. Foi até surpreendente o fato de que ele havia se prontificado a ir até a casa de Byun. E o nervosismo do anfitrião se equiparava ao dia em que Sehun foi à sua casa pela primeira vez.
Ele abriu a porta sem jeito. Não houve abraços, nem beijos, sequer um aperto de mão. Apenas foram até o quarto do mais velho e se sentaram na cama para conversar. A caixinha ainda estava ligada, mas isso não os incomodava.
— Você tá bem? — Baekhyun iniciou a conversa.
— Não muito... — respondeu o maior, aquilo era um completo eufemismo, mas não queria demonstrar — E você?
— Nada bem.
Eles ficaram quietos. O loiro tentou segurar a mão de Sehun, mas a teve tirada de perto de si. O garoto evitava olhá-lo a todo custo.
— Sehun... Você ainda gosta de mim?
— Eu te amo, eu só tô muito magoado.
Dessa vez, Baekhyun tocou com cuidado o rosto bonito, o mais novo permitiu. Não se afastou, somente fechou os olhos e sentiu os olhos enchendo de lágrimas. Ter o polegar do rapaz mais velho acariciando a sua bochecha com delicadeza trazia um conforto do qual ele sentia falta.
Mas se as coisas continuassem daquela forma, ele iria se machucar mais. Baekhyun também iria. O amor deles não estava saudável daquele jeito.
— E o que eu posso fazer a respeito?
O baixinho deu a deixa, abriu o assunto que poderia resolver tudo ali mesmo, mas Sehun não se sentia pronto para falar sobre aquilo.
— Eu... Eu quero pedir pra darmos um tempo.
Dessa vez, quem estava a ponto de chorar era Baekhyun. Ele tinha tanto medo de perder Sehun, e aquela possibilidade parecia gritar com aquelas palavras.
— Você tá ficando com o Park? — perguntou automaticamente, arrependendo-se logo em seguida.
— Eu vou fingir que você não perguntou isso. — Oh afastou a mão alheia de seu rosto. — Prefiro crer que falta de confiança não é um dos nossos problemas.
— Me desculpa... Eu não pensei antes de falar. — Baekhyun ficou sem jeito, mas Sehun não parecia ter ficado bravo, apenas chateado. — Dói, mas eu entendo se você quiser dar um tempo. Eu respeito isso.
O maior somente deu um beijo no rosto do namorado e saiu andando pela porta. Foi ao som de Rainberry (culpe o fato de Baekhyun ter um ladinho fanboy do Zayn) que Sehun foi embora e Byun desabou, cedendo às lágrimas.
A incerteza o destruía.
