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Fandom:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2021-03-22
Words:
1,191
Chapters:
1/1
Kudos:
8
Hits:
84

Attention Span

Summary:

Não importa se a atenção dos "génios criativos" está focada noutras coisas. Eles sempre voltam para o lugar onde pertencem.

Notes:

Ainda não superei o último episódio. Mas claro que o Kojiro levou o Kaoru no colo para o hospital.
Não que este mini-minusculo drabble esteja relacionado com isso, mas surgiu depois de uma manhã inteira de troca de headcanons, eu é que resumi por preguiça e não tem realmente plot. Só quero enrolar esses dois num cobertor fofo longe da maldade do mundo.
(Em ptpt)

Work Text:

Kojiro esfregou os cabelos num gesto nervoso e atrapalhado. Os olhos muito azuis do adolescente estavam fixos em si, num pedido mudo de auxílio. Sendo adulto, era esperado de si ter alguma palavra acolhedora ou conselho útil.

Mas como poderia dizer algo sábio quando lhe parecia que ainda ontem tinha nem 18 anos? Como assim ele era o adulto?! Oh não, era ele o adulto…

Riu nervoso (nessas situações não há nada mais que se possa fazer) e puxou pela cabeça para alguma coisa que pudesse dizer. Langa parecia tristonho.

“Toma, bebe mais um copo.”, foi a primeira coisa que lhe ocorreu, mas no lugar de servir champanhe encheu um copo com leite e entregou-lhe. Langa encarou-o com uma expressão de confuso divertimento e Kojiro deu de ombros, “Não te vou servir álcool.”

Foi sentar no banco ao lado dele, apoiando o cotovelo no balcão, “Mas então… Tu e o Reki chatearam-se de novo?”

“Não… É só que… Ele não me responde às mensagens.”, resmungou num breve amuo e bebeu o leite todo de uma vez.

“Deve estar na oficina a fazer invenções.”, abanou com a mão, “Nem deve lembrar que existe telemóvel.”

Langa pousou a cabeça na mesa e deu outro suspiro miserável, “Isso é chato. O que faço sem ele?”

Kojiro riu, “Os génios inventores são assim. Vão focar toda a sua atenção e amor nalgum projeto e depois voltam a dar sinais de vida até aparecer mais alguma ideia.”

“Não gosto disso.”

“Ele não estava a ajeitar a tua prancha?”

“Estava…”

Joe sorriu e despenteou-lhe os cabelos carinhosamente, fazendo o mais jovem dar um resmungo, “É para teu bem, tem paciência.”

“Mas demora.”

“Eu sei, eu sei. Mas pensa que quando ele terminar vais ter uma prancha nova e receber toda a atenção dele.”

O canadiano ficou a pensar no assunto por um breve momento, resignando-se que não podia apressar o trabalho do amigo. Até que suspirou pela milésima vez, “Joe?”

“Hum?”

“Quero mais um shot.”

O mais velho deu uma risada alta e levantou-se para ir servir aquele seu freguês dramático, “Qual queres desta vez?”

“O mais forte que tiveres.”

Kojiro assentiu solenemente, “Que seja. Sai um milkshake de morango.”

 


=#=

 

O chef só conseguiu fechar o restaurante já passava da uma da manhã e espreguiçou-se ao entrar em casa, sentindo os seus ossos a estalar de forma agradável. Estava uma noite quente, mas a brisa do mar deixava tudo mais suportável.

A luz da sala estava acesa e Kojiro abanou com a cabeça, não muito surpreso, por ver Kaoru sentado no chão com o seu skate em peças sobre a mesa. Estava a montar chips e a ajeitar peças para afinar Carla.

Às duas da manhã.

“Que nerd.”

Kaoru deu um leve salto ao ouvir a voz e olhou pelo ombro, ajeitando os óculos que já lhe caiam pela ponta do nariz, “Calado, Gorila.”

Ele riu e atravessou a divisão para lhe beijar a testa, “Não devias estar a dormir? Além de rabugento, se não dormires o suficiente vais ficar cheio de rugas.”

“Vou acabar isto.”

Kojiro pousou as mãos na cintura, olhando bem para o caos que estava ali, “Nah, vais dormir e acabar isso amanhã.”

“Não, vou acabar agora.”

O chef deu de ombros e foi beber água. Não esperava outra coisa que não pura teimosia por parte do namorado. Quando começava uma invenção tinha de a acabar enquanto estivesse inspirado e podia acabar o mundo que ele não pararia. Kaoru era assim com tudo e inevitavelmente a sobrecarga de trabalho acabava em stress, frustração e mau-humor.

Ele tinha sido honesto ao dizer a Langa que era preciso ter paciência com pessoas assim, mas compreendia a frustração do mais jovem. Afinal, tinha passado horas e horas ao lado de Kaoru enquanto ele fazia os protótipos de Carla vários anos antes, por vezes ajudando-o na parte técnica (levando-lhe café).

Tinha louça lavada na banca e pelo menos ficou um pouco mais calmo por saber que ele tinha jantado.

“Vou tomar banho e quando voltar vamos para a cama.”

Ouviu um murmurar de volta que apesar de lhe ter soado a “ok” sabia que Kaoru não tinha ouvido uma única palavra. Sorriu, não conseguindo evitar um certo carinho pelo homem de cabelos rosados, ali sentado como uma criança no chão, de sobrolho franzido. Toda a sua persona delicada e formal esquecida enquanto que falava sozinho e dizia palavrões quando alguma coisa não dava certo. Os seus cabelos longos estavam apanhados de uma maneira desarranjada e ele vestia uma velha t-shirt confortável que roubara de Kojiro fazia meses (que não fez a menor intenção de a recuperar depois de perceber como tapava apenas até um palmo abaixo das coxas de Kaoru. Ele tinha as suas prioridades e escolhia bem as suas batalhas.)

Saiu do banho bem relaxado, um tanto sonolento. Tal como esperava, o seu namorado não tinha mexido um único centímetro do lugar. Depois de mais um suspiro dramático aproximou dele.

“Koji--!! Hey!”

Com demasiada facilidade, o cozinheiro conseguiu pegar em Kaoru ao colo. Naturalmente que ele começou a protestar, mas sem muito sucesso. Kojiro fingiu que o ia deixar cair só para ter a satisfação de que ele se pendurasse em si com mais força ao encaminhar-se para o quarto.

“KOJIRO.”

“Shhh, Florzinha. Vais acordar os vizinhos.”, beijou-lhe a bochecha, “É que são duas da manhã quase.”

Aqueles olhos dourados faiscaram na sua direção e deu um sorriso sacaninha, “Não te costumas preocupar que eu faça barulho.”

Kojiro sorriu, “Eu não me importo que faças barulho. Desde que seja eu a provocar.”

Kaoru deu-lhe uma palmadinha no peito, “Não tens modos, Homem da Caverna.”

“Ah desculpa Nerd. Tu tens todos os modos, mas eu quero dormir.”

Pousou-o na cama e Cherry cruzou os braços enquanto que ele subia para os lençóis, “Eu estava quase a acabar.”

“Sei.”

“Amanhã vou demorar eternidades a conseguir retomar o ritmo.”

“Sei.”, repetiu com um bocejo e puxou-o para o seu peito. Estava quase adormecido, confortável, quando a mão fria e delicada que estava no seu peito deslizou pelo seu braço. Sorriu por causa do carinho até a mãozinha pegar na sua e a levar até um pedaço de pele quente e mole. Apertou, reconhecendo a forma de uma coxa macia. Deslizou a mão por ali, subindo sem hesitar para dentro da t-shirt-vestido roubada até Cherry lhe mordiscar atrás da orelha, arrancando de si mais um suspiro.

Parecia que Kaoru o fazia sempre suspirar pelas mais variadas razões.

Apertou-lhe a coxa de novo e quis aproximar Kaoru de si. Ele riu e foi sentar-se sobre a sua barriga, “Eu não tenho sono.”

Kojiro riu também e ajeitou-se, tentando sentar-se numa posição melhor sem o derrubar, “É já percebi.”

Kaoru sorriu quando as mãos grandes e quentes de Kojiro pararam na sua cintura. Inclinou-se para a frente e mordiscou-lhe o lábio interior, “Talvez esteja na hora de te dar atenção.”

“Bem, eu não recuso.”, sorriu malicioso, sendo o gesto refletido no de cabelos rosados.

“Perfeito.”, puxou-lhe levemente o cabelo para fazer com que levantasse o queixo, “Hum, Kojiro?”

“Hum?”

“Tenta não acordar os vizinhos.”

Ele riu, “Vou tentar.”

(Não foram bem sucedidos).