Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2021-03-31
Words:
8,121
Chapters:
1/1
Kudos:
20
Hits:
174

First Kiss

Summary:

Mark Lee, em seus dezesseis anos de vida, nunca havia beijado, e por mais que se sentisse estranho em não sentir vontade de sair beijando qualquer pessoa como seus amigos faziam, não via problemas em ser “bv”. Até que Na Jaemin decide que quer ajudar o amigo a ter seu primeiro beijo, porém, nada vai como seu melhor amigo planejou.

ou aquele onde Mark se viciou nos beijos de Lee Donghyuck.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Seoul, verão de 2015.

T odo mundo estava ansioso para a chegada das férias.

Faltando apenas uma semana para o término das aulas, nenhum aluno da escola secundária de Neo City disfarçava mais a ânsia pelas férias. O comitê do grêmio estudantil fez uma faixa enorme que contava regressivamente os últimos dias de aula e a colocou no corredor principal da escola; os alunos não faziam mais questão de prestar atenção nas aulas, já que as provas passaram; e todos estavam fazendo planos para os três meses de férias.

Eu, como qualquer outro estudante daquela escola, também estava ansioso para as férias e não via a hora daquele inferno todo acabar, não aguentava mais ouvir a voz do professor de história, que parecia tão entediado quanto a gente — o que era uma pena para mim, já que era a minha matéria preferida. Só queria terminar logo o ano e aproveitar as férias antes de meu último ano escolar chegar.

Meus amigos também faziam planos para aquelas férias, alguns decidiram viajar, mas a grande maioria decidiu por ficar na cidade e aprontar por lá mesmo, para o terror dos cidadãos de bens. Na Jaemin, um dos meus dois melhores amigos de infância, já planejava a primeira festa daquele verão, que estava marcada para acontecer no último dia de aula, à noite. O garoto adorava se gabar por aí de suas festas, porque sim, elas eram as melhores daquela escola. 

Dava para ouvir o garoto de sorriso convencido conversando no fundo da sala, pois ele não fazia questão de falar baixo — e o professor parecia não ligar, também. Eu só estava querendo que aquela aula acabasse logo, pois estava morrendo de fome, então, assim que tocou o sinal para o intervalo, sai o mais rápido possível com meu material, indo direto para meu armário. O corredor lotou assim que fechei a pequena porta de metal, e tomei um susto ao ver que Jaemin estava encostado no armário ao lado.

— Tá fugindo de mim? — Na perguntou. Sim, estou.

— Não, ué. Por que estaria? Só tô com fome.

Comecei a andar por entre aquele mar de alunos esfomeados e tagarelas que caminhava para a mesma direção: o refeitório (se eles andassem mais devagar, pareceria uma caminhada zumbi). Sabia que Jaemin me seguia porque podia ouvi-lo falando com as pessoas que passavam pela gente — ele era popular, logo isso me fazia um pouco também, mas eu não ligava muito.

Acelerei meus passos, pois queria muito pegar pudim para sobremesa e acabava mais rápido que água no deserto. E, também, porque estava fugindo de Jaemin. Não me levem a mal, eu amo meu melhor amigo, mas ele estava me enchendo o saco com um assunto na qual não queria conversar naquele momento. Felizmente, consegui pegar não só um, mas dois potinhos de pudim — a tia da cantina fingiu que não viu, só porque gostava de mim.

Mesmo o refeitório estando lotado, a mesa em que eu costumava sentar com meus amigos estava lá intocada, em seu cantinho, um pouco afastada da muvuca que era a selva de adolescentes cheios de hormônios. A gente costumava sentar lá desde sempre. E, também, criou-se um costume em que as panelinhas sempre sentavam nas mesmas mesas, mesmo sendo uma escola grande e com muitos alunos, nem todos gostavam de comer no refeitório, então ninguém precisava correr para conseguir um lugar para lanchar.

Sentei-me à mesa vazia e olhei ao redor em busca dos meus amigos, apenas Jaemin estava no refeitório, uns garotos do time de basquete o pararam, provavelmente para falar sobre sua festa. Suspirei aliviado, parece que os deuses resolveram me ajudar. Continuei olhando ao redor, mas nada de Lee Donghyuck no perímetro.

Logo, Renjun e Jeno sentaram-se à minha frente, o chinês tinha uma cara de desagrado, provavelmente o Lee estava enchendo seu saco, como sempre. Fiquei alguns minutos encarando os dois, enquanto ambos se encaravam, até que Renjun desistiu primeiro e revirou os olhos, dando atenção para seu almoço em seguida.

— O que o Jeno fez dessa vez? — perguntei.

— Por que a culpa tem que ser sempre minha? — o Lee protestou.

— Porque você é o motivo da raiva diária desse chinês chato.

— Está querendo ser meu novo motivo, Lee? — Renjun me fuzilou com o olhar. Céus, podia jurar que um dia ele vai desenvolver o poder de raio laser. Apenas ri e continuei a comer o meu almoço. 

Renjun era um rapaz tranquilo se não o perturbasse, mas ele teve o azar de ter Lee Jeno como melhor amigo. Acho que o prazer de Jeno era irritar o chinês, ele fazia isso desde que descobriu como o Huang ficava fofo revirando os olhos e tentando esconder o sorrisinho (palavras dele, não minhas), mas o que Jeno mais gostava era de quando eles estavam sozinhos e ele podia roubar selinhos de Renjun — ele me segredou isso uma vez e me prometeu não contar a ninguém sobre a fraqueza do Huang, então esqueçam do que acabei de falar.

— Renjun não concorda comigo que o Sweetener é o melhor álbum da discografia da Ariana.

— Porque o Dangerous Woman é o melhor. — encarei o mais novo com uma cara de “não acredito que você disse uma merda dessas”.

— Obrigada Mark, sabia que você não era tão inútil assim. — Renjun colocou sua destra sobre a minha e fez uma cara de sensatez — Viu, Jeno? Apenas lhe trouxemos os fatos: Dangerous Woman maior e melhor.

Antes que Jeno pudesse retrucar, Donghyuck sentou-se ao meu lado e pegou um dos dois potinhos de pudim que estava em minha bandeja, agradecendo em seguida. Eu sabia que não ia ter mais quando ele fosse pegar, por isso peguei.

— No que o Jeno ‘tá errado agora? — perguntou meu melhor amigo.

— Qual é o problema de vocês comigo?

Era tão legal implicar com Lee Jeno, acho que era um dos maiores prazeres na minha vida escolar.

— Ele diz que Sweetener é o melhor álbum da Ariana. — respondi.

— Garoto, você não cansa de passar vergonha? — a partir disso nós sabíamos que Lee Donghyuck ia fazer um monólogo falando sobre como Dangerous Woman era o melhor álbum da discografia da cantora, e antes mesmo do final, Lee Jeno estaria se rendendo, porque ninguém conseguia competir com o mais novo. Era sempre assim.

Mas até que era divertido ver ele discutindo sobre qual era o melhor álbum, tinha algo no jeitinho em que Donghyuck falava que fazia com que ninguém o parasse. Então a gente sempre deixava ele falando, até se cansar.

Eu conhecia Lee Donghyuck desde… sempre. Ele era meu vizinho desde que eu havia me mudado para a Coreia, aos quatro anos, e desde sempre somos melhores amigos. Como eu era uma criança muito tímida ele me ajudou bastante a socializar na pré-escola, e o fato dele morar na casa ao lado colaborou bastante para ele estar sempre presente na minha vida.

Não existe Mark Lee sem Lee Donghyuck.

— Tudo bem, Hyuck, eu já entendi. — Jeno suspirou. Donghyuck tinha um sorrisinho vitorioso dançando por seus lábios.

— Ainda bem que entendeu. Agora que já falamos sobre Ariana Grande, posso perguntar o que eu queria perguntar desde que cheguei. — Hyuck encarou cada um de nós, fazendo um pouco de suspense — Vocês vão pra festa do Jaemin?

— Eu não sei não… — respondi enquanto abria o pote de pudim. Céus, por que tinham que lembrar dessa festa?

— Como não? Vai ser a primeira festa das férias.

Não sabia que desculpa dar para os meus amigos, eu não queria contar o real motivo para não querer ir para aquela festa, e seria estranho eu negar ir a uma festa do Na, porque eu sempre ia às festas dele. E nem deu tempo de pensar em algo, porque enquanto os três me encaravam esperando uma resposta, Na Jaemin sentava-se no lugar vago ao meu lado, me lembrando totalmente do motivo para não querer ir a sua festa.

— Droga. — murmurei.

— Mark Lee, meu brother, não adianta você querer fugir de mim. — Jaemin me abraçava pelos ombros e tinha aquele sorrisinho idiota nos lábios. Que vontade de quebrar todos os dentes dele num soco — Ainda não me respondeu sobre a proposta.

— Jaemin… não sei não cara… Quem sabe numa próxima, hm?

Os outros três na mesa se entreolharam sem saber do que estávamos falando. Por mim, eles continuariam sem saber também, mas dependendo de Jaemin...

— Cara, já tá na hora de tu perder esse teu bv.

Apertei meus olhos com força e suspirei.

Sim, eu tinha chegado aos meus dezesseis anos sem beijar na boca. E eu estava super de boas com isso, de verdade, eu não tinha qualquer desespero em beijar. Diferente dos meus amigos, eu sempre fui super tranquilo em seguir minha vida sem trocar saliva com alguém. 

E não me faltaram oportunidades.

Na primeira oportunidade que tive de beijar, eu me esquivei da situação dando uma desculpa super esfarrapada, eu tinha treze anos e falei que tava passando mal por causa da pizza que tinha comido mais cedo (essa mesma desculpa funcionou algumas vezes depois).

E estava tudo indo bem, até Na Jaemin colocar na cabeça que eu deveria perder meu bv.

— Pera aí, o Mark é bv? — Jeno perguntou — Meu irmão, achei que tu era o maior pegador da escola.

— Da onde tu tirou isso, cara? — perguntei. É cada uma que a gente tem que ouvir por aí — Eu nunca falei sobre ter ficado com qualquer pessoa na minha vida.

— Sei lá, irmão. — deu de ombros — Tu sempre some nas festas, eu fico achando que tu tá se pegando com alguém.

Antes que eu pudesse responder, Renjun gargalhou. Todo mundo olhou para o chinês como se ele estivesse louco.

— O quê? — Jeno perguntou.

— Sério que vocês não sabem o que o Mark faz quando ele some nas festas? — ninguém respondeu, apenas ficamos o encarando.

A verdade é que eu ficava sentado no telhado da casa de Jaemin quando me entediava da festa. Era calmo e ninguém podia me perturbar lá. E dava para ver tudo o que faziam lá embaixo.

— Gente, a questão aqui não é essa. — Donghyuck pontuou, ignorando o Huang — A questão aqui não é o Mark ser bv, e sim o porquê de ele não querer ir à festa do Jaemin por causa disso.

— A questão aqui é Mark Lee não querer ficar com Kang Mina. — Jaemin corrigiu o Lee mais novo.

— Kang Mina pediu pra ficar com você? Tipo, a Kang Mina da outra turma? — Jeno perguntou e eu assenti — O que tá te impedindo de ficar com ela?

Já não bastava eu ser bv, eu tinha medo de “perdê-lo”.

Quer dizer, não era bem medo de perder, às vezes eu pensava “é, deve ser legal beijar”, mas eu como eu não tinha nenhuma experiência (eu nem mesmo nunca treinei com uma laranja, como fazem por aí em filmes) o medo de acabar fazendo tudo errado me dominava. Está tudo bem se você acabar babando demais no beijo quando se tem doze ou treze anos e vai beijar pela primeira vez, mas aos dezesseis anos, isso só é motivo de chacota.

— E por que o Mark tem que ficar com ela? — Donghyuck questionou — E se ele não for hétero?

— Mark é gay? — Jeno perguntou.

— Ele pode ser bi. — Jaemin deu de ombros.

Eu estava começando a ficar confuso com aquela conversa. Muitos questionamentos ao mesmo tempo.

— Mark, você quer ficar com a Mina? — Donghyuck virou para mim — Você sabe que não precisa fazer isso se você não quiser.

Encarei meu melhor amigo e, com certeza, eu tinha uma expressão confusa no rosto. Kang Mina era uma das garotas mais bonitas do segundo ano, qualquer pessoa na escola queria ficar com ela. Então, eu sentia um pouco de pressão por saber que ela tinha interesse em mim.

— Eu não sei…? — pareceu mais uma pergunta do que uma resposta — Ah gente, isso é muita pressão. — bufei.

— Por que, ué? — aquele chinês safado parecia querer me ver mais pilhado do que eu já estava.

— Qual a parte do “eu nunca beijei na vida” você não entendeu? — fui um pouco grosso ao responder — Não posso simplesmente ficar com uma das meninas mais bonitas do segundo ano e fazer feio.

Eu tinha me irritado. Simplesmente estava sensível por causa desse assunto, então aquela conversa havia me estressado. Levantei-me da mesa e nem me preocupei em pegar a bandeja para deixar na pilha, apenas sai o mais rápido possível do refeitório. Fui direto para o telhado do prédio principal da escola, matei a aula após o intervalo. Não costumava ficar com raiva dos meus amigos, nem estava, eu só precisava de um tempo sozinho.

Eu precisava pensar.

Toda aquela história de beijar parecia ser muito para a minha mente adolescente. Em relação ao restante dos jovens, eu estava um pouco (estou sendo generoso?) atrasado sobre esse assunto, enquanto a maioria perdia suas virgindades, eu nem mesmo tinha beijado ainda.

E por muito tempo eu não me incomodei com isso, eu realmente não tinha nenhum desespero em beijar alguém, mas pensei que talvez já estivesse na hora. Porém, não era fácil. Eu apenas poderia ficar com Kang Mina na festa de Jaemin, mas eu tinha medo de não saber beijar direito.

E se eu babasse a boca dela? Ou nossos dentes se batessem?

Essas eram alguns dos inúmeros pensamentos que se passavam pela minha mente naquele momento. Jurava que ia enlouquecer por causa de um assunto tão bobo. 

Então, minha meta era descobrir como beijar bem.

 

 

Como eu tinha dito, eu não estava com raiva dos caras, então estávamos nos falando de boas. Eles não retornaram a tocar no assunto, e foi melhor assim. Provavelmente eu começaria a chorar como um bebê por não saber o que fazer se eles me perguntassem alguma coisa novamente.

Eu continuava a pensar em uma maneira de descobrir como beijar bem, mas eu não tinha coragem de perguntar a eles, então recorri à pessoa que sempre me ajudava quando eu precisava.

Meu irmão mais velho, Taeyong.

Taeyong era três anos mais velho que eu e já estava na faculdade, e era um dos caras que eu mais admirava na minha adolescência (até hoje admiro, o cara é foda). Ele tinha aquele jeito cool arrasador de corações, à primeira vista poderia parecer um daqueles caras encrenca, mas ele era um amor de pessoa se você parasse para conhecê-lo melhor. Ele sempre estava lá para mim quando eu precisava, por isso eu não tinha hesitações em pedir ajuda ao mais velho.

Na terça-feira, depois da escola, eu fui direto para casa ao invés de ir para a de Donghyuck — nós costumávamos maratonar séries a tarde inteira todas as terça-feiras —, mas dei uma desculpa bem esfarrapada para meu melhor amigo e entrei apressado em casa. Eu sabia que Taeyong estava em casa, pois terça era seu dia livre da faculdade e ele gostava de fazer arrumar seu quarto.

A porta de seu quarto estava apenas encostada, então empurrei um pouco e bati na madeira para chamar sua atenção, ele olhou para mim e me disse para entrar.

— Não vou te perguntar se está ocupado, porque é meio óbvio, mas ‘cê tem um tempinho pra me ajudar? — perguntei escorado no batente da porta.

— Claro, senta aqui. — tirou um amontoado de roupas de cima da cadeira de rodinhas e jogou dentro do cesto de roupas para lavar — Diz, maninho.

Não ter hesitação em conversar com meu irmão mais velho não era sinônimo de não ter vergonha das coisas que eu falava com ele. Eu queria a ajuda dele, e tava no pique pra ter a conversa, até lembrar o tópico dela.

— Então, qual é o problema? — ele me incentivou a falar.

Eu com certeza deveria estar parecendo um tomate, porque eu senti meu rosto superaquecendo. Era mais difícil do que eu estava imaginando.

— Hm… é que eu preciso de um conselho. — passei a mão pelo pescoço e evitei olhá-lo nos olhos — É que eu… droga, eu não consigo falar isso. — murmurei.

— Falar o quê? Mark, cê tá metido com drogas? — Taeyong arqueou uma sobrancelha e seu rosto estava muito sério.

— O QUÊ? NÃO! — me levantei da cadeira e balancei minhas mãos — Eu juro que não é isso, eu só… tô com vergonha de falar.

— Você sabe que não precisa ter vergonha e pode falar qualquer coisa comigo, maninho.

— Eu sei hyung, eu sei. Por isso eu tô aqui, mas não quer dizer que eu não me sinta envergonhado sobre o assunto...

— Que até agora você não me deixou saber qual é.

Olhei pra ele e suspirei. Precisava parar de enrolar e falar de uma vez, era para isso que estava ali.

— Ok. — puxei o ar para meus pulmões e soltei lentamente, de olhos fechados — Como você soube que era o momento certo de beijar pela primeira vez?

— Quê? Por que quer saber isso? — Taeyong tinha o cenho franzido e a cabeça inclinada, passou-se alguns minutos até que entendesse tudo — Espera, você é bv?

Assenti. A cara de Taeyong fez foi impagável. Sério que todo mundo acha que eu sou esse pegador? Eu não pego nem gripe, galera.

— Jurava até que não era mais virgem, como assim você nunca beijou?

— Não beijando, ué. — dei de ombros — Enfim, me diz logo o que eu tenho que fazer.

— Como assim? Você quer que eu te ensine a beijar? — ele arregalou os olhos.

— Sim. Quer dizer, NÃO! Não desse jeito, hyung. — fiz cara de nojo — Eu não sei o que devo fazer.

— Você deve usar a boca, ué!

Tava começando a achar que não tinha sido uma boa ideia ir falar com Taeyong.

— Isso eu sei!, mas e depois?

— Deixa acontecer, cara. — respondeu simplista — Você ‘tá nervoso com isso?

— ‘Tô. Muito. — me afundei na cadeira — É que tem essa garota da outra turma que quer ficar comigo e ela é muito bonita, e o Jaemin ‘tá me enchendo o saco sobre esse assunto…

— Mas você ao menos quer ficar com ela?

— Eu acho que sim.

Taeyong ficou em silêncio por alguns segundos, ele estava pensando. Ele sempre fazia isso, parava e pensava antes de me dar qualquer conselho. É por isso que eu sempre recorria a ele. Ele sempre sabia o que dizer.

— Quando eu tinha treze anos, eu tava numa festa de aniversário de um colega de classe, não tinha muita gente lá, então cabia todo mundo no porão. — ele começou a narrar. Tinha se deitado na cama e segurava a bola de futebol americano, enquanto encarava o teto — Tinha uma menina que queria ficar comigo, então meus amigos deram um jeito de fazer a gente ir junto pro armário durante o “Sete Minutos no Paraíso”. Eu estava nervoso porque seria meu primeiro beijo, e todo mundo espera algo de extraordinário. Meu coração acelerou quando ela colocou os braços ao redor do meu pescoço, e tudo o que eu pensava era “é agora”, mas quando ela encostou os lábios nos meus, eu não senti nada.

— Nada? Como assim?

— Simplesmente nada. — me encarou — Passou alguns segundos apenas como um selinho, até ela começar a abrir a boca e movimentar, eu apenas seguia o que ela estava fazendo, mas eu nem mesmo fechei os olhos, Mark. Eu não senti nada do que já tinha ouvido falar sobre um beijo.

Ok, aquilo não foi nada do que eu esperava. Fiquei tentando imaginar meu irmão dentro de um armário, sendo beijado por uma menina e de olho aberto. Era um pouco engraçado.

Até que fazia sentido, já que ele é gay, então não deve ter sentido nada em relação a beijar uma menina.

— ‘Tá, e no que isso pode me ajudar? Falar que não gostou do seu primeiro beijo não ‘tá me deixando menos nervoso.

— O que eu quero te dizer, irmãozinho, é que se tu não se sente atraído mesmo por essa garota, talvez não valha a pena. Você tem que ter certeza que quer ficar com ela. — Taeyong se levantou da cama e voltou a arrumar seu quarto — Pensa bem antes de fazer algo que se arrependa, ok? 

Fiquei encarando o poster do Voxtrot a minha frente enquanto pensava.

Eu não tinha certeza se realmente queria ficar com a Mina, a única certeza que eu tinha era que eu queria ter, finalmente , meu primeiro beijo.

— ‘Tá, mas o que eu faço na parte técnica da coisa?

Taeyong estava segurando o cesto de roupa suja, pronto para sair do quarto, fez um biquinho e franziu o cenho enquanto pensava.

— Sei lá, treina. — deu de ombros — Com uma laranja ou um espelho.

— Isso não é esquisito demais?

— É, mas é o que as pessoas fazem.

— …

— Ou então, você poderia pedir ajuda a alguém, abre o jogo e diz que é para aprender, fazer um test-drive .

— Mas aí, não vai ser meu primeiro beijo?

Taeyong apenas deu de ombros e saiu do quarto.

Aquela conversa com Taeyong não tinha ajudado em nada com meu problema de como aprender a beijar bem, mas tinha sido uma boa conversa, no fim das contas. Foi legal saber sobre a sua primeira experiência beijando.

Porém, eu continuava com um problema.

Naquela terça-feira, eu passei o resto do dia deitado em minha cama, olhando pro teto e pensando o que eu deveria fazer sobre aprender a beijar. Me perguntava se treinar com uma fruta ou no espelho era realmente uma boa ideia.

Eu não conseguia pensar em nada, então peguei meu celular e recorri ao google.

Como beijar bem , google pesquisar.

Apareceram diversos blogs ensinando técnicas de como melhorar o beijo, dicas do que fazer e do que não fazer, onde tocar na pessoa, como abrir a boca… infinitas dicas. E a maioria mostrava uma lista de opções de como treinar, caso você quisesse antes de beijar pela primeira vez. Coisas como: chupar uma laranja, beijar o espelho ou a mão, gelo em copo de água… 

Eu fiquei horas lendo tudo o que encontrava no google, me arrisquei até a ver alguns vídeos no YouTube. Não recomendo. Fiquei traumatizado.

Só percebi que tinha anoitecido quando minha mãe chamou Taeyong e eu para o jantar. Ensopado de carne, de novo. Eu já estava meio distraído naquele dia e o prato da noite não ajudou nada para que eu comesse, então apenas me retirei da mesa dizendo que já estava cheio.

Coloquei o resto da comida na vasilha de Bagheera, nosso cachorro (sim, referência a Mogli) e lavei o prato. Dava para ouvir meus pais e meu irmão conversando ali na sala de estar, Taeyong estava contando alguma história da faculdade, ou algo do tipo. Me encostei no balcão ilha após colocar os pratos no aparelho de secar.

Eu não conseguia parar de pensar sobre as dicas que tinha visto nos blogs. Encarei uma laranja dentro do cesto de frutas em cima do balcão e fiquei me perguntando se deveria realmente fazer aquilo. Peguei a fruta e a trouxe para perto do meu rosto.

Senhor, a que ponto cheguei.

Meus lábios formaram um biquinho e eu tava quase chegando perto da laranja quando ouvi minha mãe entrando na cozinha. Larguei a laranja no mesmo segundo e sentia meu coração acelerar mais que um carro de corrida.

— Querido, o que faz aí?

— Hm, nada. — olhei para os lados sem saber o que fazer — Acho que vou me deitar, boa noite.

Minha mãe me encarou com uma sobrancelha erguida e acompanhou meu percurso com o olhar.

— Mark Lee.

— Sim?

— Cadê meu beijo de boa noite?

Virei meu corpo em direção a minha mãe e caminhei até parar a sua frente, ela apertou meu rosto e me deu um beijo na testa.

— Boa noite.

— Boa noite, mãe.

Passei pela sala de jantar e dei boa noite para meu pai e meu irmão e subi direto para o quarto.

Eu não dormi, não conseguia. Naquela última semana de aula, a única coisa que se passava pela minha mente era essa questão do meu primeiro beijo. Eu estava ficando obcecado com essa história, só conseguia pensar em como seria.

As palavras de Taeyong ficaram rodeando minha cabeça e eu fiquei me questionando se eu realmente queria ficar com Kang Mina. Uma parte de mim se perguntava “por que não? É só um beijo”, mas a outra me dizia que tinha que ser algo especial e que talvez não fosse para ser com ela, então a primeira parte voltava e brigava com a segunda com argumentos como “é só um beijo, ele não vai casar com ela”. Era uma confusão, e eu estava ficando exausto daquilo.

Fiquei me revirando na cama, não conseguia achar uma posição agradável para dormir e as noites já estavam começando a ficar quentes por causa da aproximação do verão (e meu ventilador estava quebrado). Eu já ia começar a contar carneirinhos, como nossas mães mandam quando somos pequenos e não temos sono, quando ouço algumas batidinhas no vidro da janela do meu quarto. Olhei para fora e vi uma pessoa sentada no telhado.

Lee Donghyuck e sua mania de me fazer visitas noturnas.

Levantei-me da cama e abri a janela, logo em seguida meu melhor amigo entrou no quarto.

— Por que diabos essa janela estava trancada? — perguntou sentando na minha cama.

— Sei lá, deve ter sido minha mãe.

Deitei novamente na cama e Donghyuck deitou-se ao meu lado. Toda vez que ele não conseguia dormir, ele saia do quarto dele, atravessava a árvore enorme que tinha entre nossas casas e invadia o meu. Acabava que muitas vezes ele dormia comigo, a gente conversava até pegar no sono e ele ficava por lá mesmo (o que o levou a ficar de castigo na primeira vez que fez isso, já que a mãe dele levou um susto ao não encontrá-lo no quarto pela manhã).

— Sem sono? — perguntei.

— Uhum. Já que você não foi lá pra casa hoje eu resolvi tirar um cochilinho, mas acabou que dormi a tarde toda e agora tô sem sono, então nada mais justo que vir perturbar o culpado.

— E eu sou o culpado?

— É sim. E tu, por que não tá dormindo?

— Sem sono. — suspirei — Tô tentando faz horas.

— O que anda perturbando o pequeno cérebro do meu melhor amigo? — revirei os olhos.

— Nada, ué. Só não consigo dormir.

Eu tenho quase toda certeza que Donghyuck revirou os olhos logo após bufar.

— Você só pode ter merda na cabeça pra achar que eu não sei quando tem algo te perturbando o juízo, Mark Lee. — ele disse um pouco alto demais e eu dei-lhe um beliscão no braço por isso — Ai! 

— Não é nada demais… — sussurrei.

— Não preciso ficar te lembrando que você pode me contar o que quiser que eu tô aqui pra te ouvir, nem vou te forçar a nada, me conta se quiser.

— Eu sei… eu só tenho vergonha de falar sobre isso mesmo.

— É sobre aquela história da Mina, né? Olha Mark, você não precisa ficar com ela se você não quiser...

— Mas eu quero perder o bv, Hyuck… — eu tava fazendo biquinho como uma criança de seis anos que não ganha doce depois do jantar — E se ela quer ficar comigo, por que não?

— Então fica com ela, ué. O que te impede?

— ‘Tô com medo de fazer besteira. — sussurrei.

— Nem todo primeiro beijo é perfeito. Nem todo beijo é perfeito.

— Eu sei. — suspirei — Quer dizer, não sei, mas é o que ouço falarem. Mas e se eu for péssimo nisso e ela falar de mim pros outros?

Donghyuck soltou um risinho e eu podia imaginar seu sorriso bonito, já que estávamos no escuro. — Você está um pouco paranóico, acho que a Mina não seria filha da puta a esse ponto. Então, o que você pretende fazer?

— Eu conversei com o Taeyong e ele me disse para treinar.

— E você treinou?

— Quase…

— Não me diga que você ia treinar com uma laranja, Mark.

— Ia, mas minha mãe chegou na hora.

— Você ia fazer isso na cozinha? 

Agradeci por estar tudo escuro, pois minhas bochechas com certeza me entregariam naquele momento. Não respondi, meu silêncio foi o suficiente para fazer meu melhor amigo rir de mim.

— Taeyong me disse para pedir ajuda a alguém também. Tipo um test-drive .

Donghyuck não respondeu de imediato, na verdade ele demorou tanto que achei que tivesse dormindo, mas quando eu ia cutucá-lo para conferir, ele se virou de frente pra mim.

— Pensou em alguém?

— Não. Não seria estranho?

— Na verdade, não. Eu perdi meu bv assim.

Aquela resposta me pegou totalmente de surpresa, pois eu jurava que sabia como havia sido o primeiro beijo do meu melhor amigo, já que eu estava lá. Era festa de algum colega nosso, estávamos no oitavo ano e Donghyuck estava jogando o jogo da garrafa com mais algumas pessoas, eu apenas observava de fora. Eu ainda lembro quando Hwang Hyunjin girou a garrafa e sua ponta ficou de frente para Donghyuck, fazendo o garoto de treze anos corar, alguns segundos depois eles estavam trocando saliva no meio da roda.

— Não foi com o Hyunjin? Eu lembro…

— Foi com o Jeno. — Hyuck me interrompeu — Lembra que eu fui para a festa com ele? Então, ele me chamou na casa dele naquele dia e propôs que a gente perdesse o bv juntos, assim a gente já saberia o que fazer, caso acontecesse de a gente ficar com alguém naquela festa.

— Ah… foi bom?

— Não foi incrível, mas não foi ruim também. Acho que foi razoável.

O assunto se encerrou ali, ficamos apenas calados um ao lado do outro. Eu estava finalmente com sono e já passava das duas da manhã, por um momento achei que Donghyuck tivesse adormecido ao meu lado, até que ele se levantou de repente e foi até a janela, passando metade do seu corpo por ela.

— Melhor eu ir. — disse, fazendo uma pausa e olhando para o céu. — Mark, hm… se quiser ajuda com... cê sabe, o seu problema… pode falar comigo. Boa noite.

E saiu.

E meu sono foi junto com ele, pois depois disso eu não consegui pregar os olhos.

 

 

Acordei atrasado para a aula no dia seguinte porque demorei para conseguir dormir naquela madrugada. Maldito seja Lee Donghyuck.

Todo o sono que eu sentia tinha se esvaído e pensamentos sobre meu melhor amigo me oferecendo ajuda para aprender a beijar tomaram conta de mim até que eu finalmente conseguisse dormir (e eu nem sei que horas foi isso). Donghyuck era conhecido por ser bastante brincalhão, mas eu o conheço muito bem para saber que ele não estava brincando quando disse aquilo na minha janela, antes de sair e me deixar com os neurônios fritando. 

Nunca tinha passado pela cabeça a ideia de beijar Lee Donghyuck em toda a minha vida, até aquela madrugada.

Eu não precisava ir para a escola, já que as provas já tinham passado e os professores apenas estavam entregando as provas corrigidas e falando algumas baboseiras sobre o próximo ano, mas minha mãe não me deixava faltar por qualquer besteirinha e quase me matou por ter acordado atrasado. Então, eu parecia um adolescente zumbi andando pelos corredores da escola naquela quarta-feira pré férias de verão.

Felizmente, eu não tinha as primeiras aulas daquela manhã com Donghyuck, assim não teria que encarar o causador da minha insônia tão cedo. Eu não conseguia prestar atenção em nada ao meu redor, e a imagem da sombra do Lee na minha janela me oferecendo ajuda voltava constantemente para me assombrar.

Em algum momento daquela manhã, Jaemin me deu um peteleco na testa, me fazendo voltar à realidade.

— O que tanto pensa? — o Na perguntou, curioso do jeito que sempre foi.

— Nada.

Jaemin não questionou mais sobre (o que ele era estranho, já que além curioso era insistente) e começou a falar sobre as bebidas que ia comprar para a festa, que havia comprado uma cama-elástica nova (já que haviam quebrado a que tinha na última festa) e mais algumas coisas sobre a festa, e eu apenas concordava fingindo que estava escutando tudo o que dizia.

Naquele momento eu comecei a pensar se eu deveria pedir ajuda ao Jaemin. Ele era um dos garotos mais bonitos daquela escola (talvez até estivesse no topo de um ranking feito pelos alunos), o bissexual mais aclamado e boatos de que beijava super bem. A maior parte do colégio suspirava por Na Jaemin. Mas a ideia se foi tão rápido quanto chegou, seria muito estranho ficar com ele. E eu também ouviria algo como “não me leve a mal, Mark, mas te beijar seria como beijar um irmão” se o pedisse esse favor.

Então, Na Jaemin estava fora de cogitação.

Jeno e Renjun também, já que ambos tinham aquela relação estranha de melhores amigos quase namorados. Logo, Donghyuck voltava a minha mente para atormentar. Ele parecia ser a única opção viável para me ajudar com aquele problema.

A pior parte disso tudo é que eu pensava que seria estranho beijar esses três, mas não pensava o mesmo sobre beijar Donghyuck. Tipo, ninguém fica pensando em beijar o melhor amigo, certo? Mas a ideia me parecia muito agradável, na verdade.

Fiquei fritando meu cérebro sobre esse assunto até que tocasse o sinal para o intervalo, e ao invés de ir para o refeitório com Jaemin, desviei meu caminho para as escadas de incêndio que levavam até o telhado daquele bloco. Como sempre, não havia ninguém lá, então andei em direção ao depósito e sentei-me encostado à parede, aproveitando-me da sombra.

Peguei meu celular e abri o aplicativo de conversas, encarando o contato de Donghyuck. Depois de perceber que ele era o único que podia me ajudar, me encontrei num conflito entre pedir ou não sua ajuda. Escrevi e apaguei diversas mensagens, não sabia o que falar, se devia ser direto ou não.

Escrevi mais uma vez uma mensagem e respirei fundo antes de apertar o botão de enviar.

“Pode vir aqui no telhado?”

O Mark de dezesseis anos era um jovem muito tolo por pensar que não ia ficar ansioso a espera de uma resposta. Felizmente, não demorou muito para eu receber uma resposta simples do meu amigo: “Tá”. Esperei por uns dez minutos até ouvir a porta pesada da saída ser aberta e avistar Donghyuck me procurando pelo telhado.

Meu coração acelerou, parecia um carro da Fórmula 1. Só quando vi Donghyuck caminhar em minha direção que finalmente realizei de que havia feito algo que podia estar colocando minha amizade em risco.

— Toma, trouxe para ti já que não foi comer. — jogou um pote de pudim no meu colo e continuou de pé na minha frente, com as mãos nos bolsos — Por que está aqui sozinho?

— Precisava pensar.

— Hm.

Não dissemos mais nada. Donghyuck encarava os próprios pés e eu encarava o pote de pudim que ele havia me dado. Eu acho que ele sabia o que eu estava pensando e eu não conseguia dizer nada. O silêncio era desconfortável, era nítido que ambos queriam dizer algo, mas não sabiam como.

— Hyuck, eu-

— Olha, esquece aquilo que eu falei sobre te ajudar, tá? Eu pensei bem e percebi que seria super estranho se a gente se beijasse-

 — Eu quero. — interrompi. Hyuck abria e fechava a boca, sem saber o que responder — Acho que não tem ninguém melhor do que você para me ajudar com isso.

Não sei de onde veio coragem pra falar isso, naquele momento o nervosismo havia passado e meu corpo estava preenchido de uma coragem que eu desconhecia. Hoje em dia eu agradeço muito por isso.

Pela primeira vez na vida eu vi Lee Donghyuck ficar sem reação, geralmente ele que causava isso nas pessoas com seu jeito direto e debochado, mas foi engraçado vê-lo daquela maneira.

— Hyuck, senta aqui. — apontei para o espaço vazio ao meu lado e ele sentou-se prontamente, sem falar nada — Um gato comeu sua língua?

— Você tem quantos anos? Cinco? — retrucou.

Uma coisa que eu não devo ter falado é que Lee Donghyuck é uma das pessoas mais lindas que já conheci (sim, no presente, pois continua sendo). Não que eu tivesse percebido aquilo só naquele momento, é que eu não costumava muito pensar sobre a beleza do meu melhor amigo, mas vendo ele tão de pertinho naquele momento me fez pensar como tudo era proporcionalmente perfeito nele: o tom de pele, os sinais, a boca bem desenhada, o nariz reto, os olhos desafiadores…

A gente estava se encarando há alguns bons minutos e eu não sabia o que fazer. Eu queria beijá-lo, era a única certeza que eu tinha. Ele estava sorrindo para mim porque o malditinho sabia que eu estava nervoso naquele momento, meu coração estava acelerado e com certeza ganharia uma corrida se estivesse em uma.

Aos poucos, Donghyuck foi aproximando seu rosto do meu e em seus lábios tinha um sorriso frouxo que deixava meu pobre coração querendo sair de dentro da caixa torácica, eu estava paralisado apenas esperando o que estava por vir. 

Não demorou muito para que eu sentisse seus lábios encostados nos meus e instantaneamente fechei meus olhos. Hyuck apenas pressionou nossas bocas por um tempo, antes de começar a abrir a dele e fazer alguns movimentos. Eu estava sentindo tanta coisa ao mesmo tempo que nem sabia enumerar, mas era bom. Muito bom. Donghyuck estava fazendo todo o trabalho e eu apenas o seguia. A sensação de ter sua boca na minha era gostosa e eu me perguntei porque não tinha experimentado antes.

Não sei quanto tempo durou aquele beijo, talvez alguns minutos, mas eu senti falta da boca dele assim que ele se afastou do meu rosto. Donghyuck tinha suas bochechas coradas e os olhos ainda fechados. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele apenas se levantou dizendo que precisava ir e saiu antes que eu pudesse impedi-lo.

 

 

Eu estava sendo ignorado por Donghyuck desde aquele intervalo na quarta-feira em que nos beijamos e aquilo havia me deixado extremamente paranóico. Eu beijei tão mal a ponto de fazer alguém sair correndo?

Quando estávamos com nossos amigos nos intervalos ele conversava comigo normalmente, mas um pouco distante, porém sempre fazia com que não tivéssemos momentos sozinhos, até mesmo foi embora mais cedo para que não voltássemos juntos.

Sério, eu estava começando acreditar que além de ter beijado mal estava com mau hálito, porque não é possível eu ter conseguido espantar meu melhor amigo após beijá-lo.

Ainda na quarta, tentei contatá-lo várias vezes, mas ele desviava na escola e demorava — propositalmente — a responder minhas mensagens, então eu cansei de tentar saber o que aconteceu. No fundo, eu também não queria encarar a realidade de saber que eu beijava mal. Mas eu também estava triste, pois meu melhor amigo estava me ignorando.

Aparentemente, ninguém tinha percebido nada de estranho entre a gente ou não quiseram perguntar nada, então meus últimos três dias de aulas foram preenchidos por um Jaemin ansioso pela própria festa, pois, segundo ele, seria a melhor festa que ele daria até aquele momento. (Naquele mesmo verão, Jaemin deu mais quatro festas, e elas foram tão boas quanto a primeira).

Quando a sexta-feira chegou, fui pego totalmente de surpresa por um Donghyuck agindo como se não tivesse me ignorado por dois dias seguidos após correr de mim em um momento muito importante (vale lembrar!). Era a terceira aula da manhã, Matemática, e ele se sentou na cadeira vazia ao meu lado e me perguntou se eu ia para a festa de Jaemin, o professor estava conversando com alguns alunos sobre suas notas e não estava ligando para a baderna que estavam fazendo na sala. Ele agia como se a gente não tivesse se beijado dois dias antes e eu estava incomodado com isso, mas como um belo trouxa que eu era (talvez eu ainda seja, mas só um pouquinho) apenas ignorei a vontade de perguntar o que tinha acontecido, pois sabia que ele ia desviar o assunto.

Na última aula do dia — e, consequentemente, do semestre — os alunos já não ligavam para um “a” que o professor falava, e o mesmo já tinha desistido de falar alguma coisa. Eu só queria ir para casa para poder começar a maratonar minhas séries, mas assim que o sinal bateu e eu pensei em pôr meus pés, senti Jaemin rodear meus ombros e me ameaçar caso eu não aparecesse na festa à noite.

— Jaemin, eu não sei se quero ficar com a Mina. — falei baixo, tinha muita gente ao nosso redor.

— Esquece isso, Mark, eu sei que não devia ter ficado te perturbando com isso, me desculpe, hm? — se desculpou com aqueles olhos brilhantes, parecia aquele emoji novo — Apenas vá para a festa e se divirta, ok? Vamos começar nosso verão da melhor maneira.

Fiquei feliz por ele ter parado de me perturbar com aquele assunto e percebido que estava me deixando estressado, me fez relaxar mais também. Então, convencido pelo Na, às sete e meia da noite daquele mesmo dia eu encarava meu reflexo no espelho, verificando a roupa que havia escolhido para usar. Alguns minutos depois, Donghyuck entrou pela janela do meu quarto, também pronto para sair, e eu senti meu coração acelerar ao ver o quão bonito o infeliz estava naquela noite — ele ia desfilar ou algo do tipo? — usando uma calça preta, apertada e rasgada fazendo jus às suas coxas torneadas e uma blusa branca com uma foto do Rei do Pop.

— O que foi? — perguntou com o cenho franzido — Tô feio?

— N-não. — ótima hora para a voz falhar.

Sei lá, o jeito como o universo resolveu me foder naquela semana era diferente.

Tentei não pensar mais nas coxas de Donghyuck e apenas o segui para o andar de baixo quando ele disse que o uber estava chegando. O caminho todo eu fiquei tentando pensar que queria beijar meu melhor amigo de novo, se possível a noite toda, mas eu achava que não era algo recíproco, já que não havíamos falado sobre o que aconteceu na quarta-feira e ele sempre se esquivava.

Quando chegamos a — nenhum pouco — humilde residência do Na, já podíamos ver que uma boa parte da escola se encontrava lá naquela noite, e eu me perguntei como os pais de Jaemin permitia que ele fizesse uma festa daquele naipe. Adentramos a casa e conseguimos achar o anfitrião conversando com um terceiranista que estava sendo o DJ da noite.

— Vou pegar cerveja pra gente. — Donghyuck falou no meu ouvido, já que a música estava alta, e saiu rumo à cozinha, me deixando sozinho.

Ele estava demorando um pouco e eu não conseguia vê-lo de onde eu estava, mas antes que eu pudesse sair dali e ir procurá-lo Kang Mina surgiu na minha frente como o Mestre dos Magos surge do nada.

— Mark. — ela sorriu para mim — ‘Tava te procurando.

— Oi. — falei sem graça.

— É… não sei se o Jaemin falou contigo… — ela parecia extremamente sem graça por estar ali tentando me dizer que queria ficar comigo, e eu não fazia menor ideia de como dar o fora nela.

— Ah… acho que ele comentou algo…

— Então?

Eu não queria ficar com Kang Mina.

Não porque tinha medo de beijar mal e ela espalhar pela escola, mas sim porque só tinha uma pessoa que queria beijar naquele momento: Lee Donghyuck. Naquele momento, eu só queria descobrir o motivo do porquê meu melhor amigo ter fugido de mim e saber se podia beijá-lo de novo.

— Desculpe Mina, não vai rolar. — disse de uma vez e percebi seu semblante triste, mas ela logo mostrou um sorriso.

— Tudo bem então, te vejo por aí. — e saiu.

Assim que me vi sozinho pela segunda vez naquela festa percebi que tinha que ir atrás de Donghyuck. Segui para a cozinha, mas nenhum sinal dele por lá, avistei Renjun e Jeno conversando encostados no balcão.

— Vocês viram o Hyuck? Ele tinha vindo aqui pegar cervejas.

— Ele pegou duas garrafas na geladeira e falou com a gente um pouco, achei que ele tivesse ido atrás de você. — respondeu Jeno.

— O vi subindo. — Renjun disse em seguida, após tomar um gole da sua cerveja — Você deveria ir procurá-lo.

Agradeci aos dois e subi correndo as escadas, assim como o térreo, o primeiro andar estava repleto de estudantes da Neo Tech, muitos apenas conversando enquanto bebiam, outros trocavam saliva encostados pelas paredes. Fui passando o olhar por todos os lados enquanto caminhava pelo corredor, ia abrindo todas as portas que tinha naquele andar, mas algumas eram trancadas para que ninguém entrasse, como o quarto dos pais de Jaemin e o do próprio, porém eu sabia onde o Na escondia uma chave reserva de sua porta, e sabia que Donghyuck também sabia disso, por isso logo procurei pela chave e abri o quarto logo após encontrá-la.

O quarto estava totalmente escuro e não tinha nenhum sinal de que alguém estivesse ali. Sentei-me na cama de casal do meu melhor amigo e suspirei. Era isso, tinha perdido Donghyuck de vista e ele provavelmente estava se pegando com alguém em algum canto da casa que eu não tivesse procurado. Tinha perdido a chance de esclarecer as coisas e de estar trocando uns beijinhos com o meu melhor amigo.

Fiquei um tempo olhando para o teto branco e sem graça do quarto — sei lá, ele devia ter fazer umas pinturas ali —  até ouvir um barulho vindo da janela. Primeiro, achei que fosse na área externa da casa, mas o barulho se repetiu e a confirmação de que tinha alguém ali veio. Caminhei até a janela, que até então eu não tinha percebido que estava entreaberta, e pude ver as costas de Donghyuck.

— O que ‘tá fazendo aí sozinho? — perguntei, o que assustou o garoto.

— Puta que pariu Mark Lee, quer me matar seu infeliz? — eu ri, mas ele fez uma careta e eu pude jurar que ele ia me matar.

Atravessei a janela e me sentei ao seu lado. Percebi que ele tinha uma garrafa de cerveja em mãos e outra ao seu lado, acho que era a que ele tinha pegado para mim.

— Essa é minha?

— Hm? Ah… sim.

Ele estava estranho, parecia triste e eu não fazia ideia o que estava acontecendo com ele, pois até o momento que chegamos ele estava super animado com a festa.

— A Mina estava te procurando. — falou amargo e tomando um gole em seguida.

— Falei com ela. — Donghyuck me encarou, seu olhar me dizia para dizer se eu havia ficado com ela ou não — Não fiquei com ela.

— Por quê?

— Porque ela não é a pessoa que eu quero beijar.

Donghyuck nada respondeu e apenas terminou sua cerveja, pegando a minha logo em seguida, pouco ligando se eu ia tomá-la ou não.

— Por que me ignorou depois que nos beijamos na quarta?

— Você quer mesmo falar disso?

— Sim, eu quero. — disse firme — Você não tem ideia do quão paranóico fiquei pensando que fiz algo de errado, que beijei mal ou que estava com mau hálito. Cara, você fugiu e me ignorou por dois dias, eu fiquei mal.

— Você não fez nada de errado, Mark.

— Não? Então o que houve?

— Eu gostei de beijar você e me senti errado por isso.

— Por quê?

— Porque… — ele suspirou e demorou alguns segundos antes de voltar a falar — Porque eu sabia que eu só devia te ajudar e que você estava treinando para poder beijar a Mina, então não era certo eu gostar-

Enquanto ele falava, eu apenas pensava que queria beijar aquela boca molhada de cerveja, então eu reuni um pouquinho de coragem e o interrompi selando nossos lábios.

Sua boca tinha gosto da cerveja recém bebida e ele não fez nada, pois estava surpreso com a minha atitude. Eu ainda não era um expert, então apenas continuei pressionando nossos lábios, até sentir meus ombros serem levemente empurrados.

— Por-por que fez isso?

— Porque eu também gostei de te beijar. Porque desde quarta eu só consigo pensar que quero te beijar de novo, várias vezes, até sentir uma dormência na boca, mas você ‘tava fugindo de mim. — respondi sincero. Donghyuck estava sorrindo e eu senti meu coração se aquecer no peito. Eu amava aquele sorriso — Eu nunca quis ficar com a Mina, de fato, eu só queria perder o bv, mas quando descobri que te beijar era bom, eu só queria poder fazer isso de novo.

Daquela vez foi Donghyuck que iniciou o beijo. Ele se jogou por cima de mim e atacou meus lábios, dessa vez movimentando nossas bocas, assim pude sentir sua língua gelada em contato com a minha. Eu me sentia feliz só por poder estar beijando-o de novo (e por descobrir que eu não tinha mau hálito e nem beijava mal, mas não vamos estragar esse momento, não é), não queria parar nunca.

Naquela noite, alternamos entre conversas super aleatórias, beijos roubados e rir da cara de algumas pessoas que estavam na área da piscina da casa, mas em algum momento nós entramos no quarto e aproveitamos a cama de casal de Jaemin.

Mas vocês não precisam saber além disso.

 

FIM.

Notes:

Decidi postar minhas fanfics aqui nesse site e vamos ver no que dá :)