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Eles haviam acabado de chegar no lugar onde iriam se hospedar até chegar a hora do jogo. Seria na sexta, mas acabaram chegando lá quarta de tarde porque queriam descansar. Os quartos estavam separados e Tsukishima e Yamaguchi acabaram por pegar 1 só quarto. Tsuki agradeceu por não ter que dividir o quarto com mais ninguém, aquilo provavelmente só o estressaria. O resto do time já sabia disso e também evitaram. Ele e Tadashi arrumaram suas coisas no quarto, assim como o resto dos garotos.
Eles são chamados para jantar e decidem ir. Após tomarem banho, Tsukki decidiu vestir uma moletom preto com uma camiseta azul listrada por baixo e calças jeans. Yamaguchi usava uma camiseta branca com jeans claros de cintura alta. Pensou em levar um casaco mas não achou que faria frio. Colocou seu celular e carteira no bolso, junto com as chaves do quarto. Tsuki pegou seus fones de ouvido e celular, deixando sua carteira no bolso do moletom. Yamaguchi se encontrava encarando seu amigo de um jeito diferente. Já tinha um tempo que ele mesmo percebeu que estava estranho. “Tsuki... o que tem nele que é tão... legal? Não. É mais que uma admiração, não é? Oh não, yamaguchi, essa não.”
Já havia feito 1 mês que esses pensamentos teriam passado por sua cabeça. Yamaguchi percebeu que a devida “admiração” na qual tinha por seu amigo se tornou algo muito maior que isso. Não era a toa que seu coração disparava quando ele tirava a franja de seu rosto, ou quando ele abria um sorriso nada disfarçado ao observá-lo. Não cansava de admira-lo e passar tempo com ele. Mas tudo se desmoronava já que Tsukishima não daria os mesmos olhares de volta. Afinal, para Yama, era impossível que isso fosse recíproco, e ele já teria aceitado. Escolheu enterrar seu amor pra sempre, bem fundo, onde Tsuki não seria capaz de alcançar. Plantou em seus pensamentos que um dia isso tudo passaria, era só um sentimento bobo, afinal.
Sendo tirado de seus pensamentos, seu melhor amigo o aguardava na porta do quarto, pronto para sair.
No caminho da ida, A música que tocava nos fones de Tsukishima era “are you bored yet? - wallows”. Ele se sentia confortável ao lado de Yamaguchi. Gostava do tempo que passavam juntos apesar de ter percebido certas mudanças no comportamento de seu amigo. Já fazia um tempo que ele havia percebido e Yamaguchi estava demorando tempo demais para dizer o que estava acontecendo. Geralmente, ele já teria dito. Mas Tsukishima não deixa a preocupação tomar seus pensamentos e pensa que se ele for paciente, Yamaguchi viria a dizer uma hora. Não deve ser nada demais, não é?
— A Lua tá bem bonita hoje. — Yamaguchi disse, sorrindo.
— Sim, tá mesmo. — Concordou Tsukishima, mas ele sequer olhou para a Lua. Aproveitou a brecha de Yamaguchi distraído e observou como o reflexo da noite agia em seu rosto, ressaltando os detalhes que admirava em seu amigo.
“Mas... será que eu estou olhando um pouco demais para alguém que eu so considero um amigo?”. Esses pensamentos voam pela cabeça de Tsukishima, por sorte, eles chegaram logo em seguida no restaurante e ele não teve mais tempo de pensar nisso.
Eles foram jantar em um restaurante não muito longe, e a noite foi até que divertida. Conseguiram se distrair e comer tranquilamente.
Na volta eles decidem pegar água e alimentos para tomarem café da manhã já que a poisada não incluía, então foi um pouco mais longa. Nos fones de Tsuki a música que tocava era “can I call you tonight - dayglow”. No meio do caminho, observando Yamaguchi, o loiro repara que ele sente frio.
— Aqui. — ele faz um gesto para que seu amigo segure seu fone e tira seu moletom, pegando os fones de volta e entregando a peça de roupa. Yamaguchi o olha com confusão. — Você tá com frio.
— Não, não, tá tranquilo
— Tadashi. — Ele inclina a cabeça.
— Valeu. — Ele diz ao aceitar a blusa. Sua pele se aquece entrando em contato com o tecido macio de seu casaco e seu coração se enche pelo cheiro dele. Era quase como um conforto, ele tinha lembranças boas daquele cheiro. Claro, afinal, eles vinham da pessoa que amava.
Tsukishima também estava com frio, mas aquilo foi só uma desculpa para emprestar seu casado para Yamaguchi. Sabia que isso confortaria seu amigo, então assim o fez. Gostava daquele sentimento e quase deixa escapar um pequeno sorriso de canto. Era um ato de carinho, bem pequeno, mas algo que ele não faria por mais ninguém. Não tão fácil assim.
Ao chegarem no quarto, eles guardaram as compras e se trocaram. Estavam exaustos da viagem e da escola também, precisavam de um descanso.
— Obrigado pelo moletom, Kei. — ao que seu amigo responde com um simples “imagina” seguido de — Você tem agido... estranho.
— Estranho? — Ele diz se ajoelhando no chão, arrumando sua mala. Seu coração acelerava.
— Estranho. — Kei pausa. — Você sabe. É como se estivesse longe.
— Mas eu ando ao seu lado todos os dias-
— Não é esse tipo de longe. Olha, você sabe que pode me contar. Não é como se fosse me incomodar ou algo do tipo. — Ele diz, ajoelhando-se no chão ao lado do amigo. Tsukishima disse isso porque geralmente Yamaguchi ficava “longe”, como ele disse, quando ele estava triste, mas não gostava de falar por sempre achar estar incomodando. Acontece que esse era um caso bem diferente.
— Na verdade, Kei, eu não sei. — Tsukishima pausa por um instante.
— Porque diz isso?
— Eu tenho estado longe porque, na verdade, eu nunca me senti tão próximo de você. — As palavras apenas voaram da boca de Yamaguchi. E o coração acelerava mais ainda.
— Isso não faz sentido algum. — Yamaguchi encara Tsukkishima carregando preocupação em seu olhar.
— Você significa muito mais para mim, Kei. — Ele diz, sem graça, e Tsukishima o encara confuso.— Mais do que uma amizade. E eu sinto muito- — As palavras de Yamaguchi são interrompidas por um beijo quente e calmo. Tsukishima selava seus lábios com os dele, algo que desejava a muito tempo.
Seu beijo era inexplicável. Em um sentido bom, é claro. As borboletas em seu estômago não paravam de voar e ele sentia que voava junto com elas. Nada o faria sentir mais seguro e confiante do que o amor de Tsukishima. Ele poderia ficar ali para todo o sempre.
As mãos que seguravam seu gosto eram calorosas e sensitivas. Nenhum toque foi tão gentil e tão firme quanto o do loiro.
Tsukishima se sentia aliviado, e estranhamente nervoso, algo que não havia experienciado muitas vezes na vida. Havia um pouco de medo dentro de si, mas havia muito mais alívio. Era uma sensação que ele nunca tinha sentido antes. Uma mistura de relaxamento com agitação, quente e frio, nervosismo e confiança. Tudo aquilo em um só beijo? Não, não era só um beijo. Era o beijo dele. O beijo de Tadashi.
Quando terminou, eles se afastaram lentamente e os olhos de Yamaguchi brilhavam, aquele brilho que sempre aparecia quando Kei demonstrava algum tipo de afeto. Já os de Kei... eles nunca brilharam assim antes. Nada que Yamaguchi teria presenciado em toda a sua amizade. Yamaguchi sorri.
— Você também... — ele faz uma pausa, como se não tivesse coragem de falar.
— Sim, Tadashi. Há um bom tempo. — A frase faz Yama sorrir.
— Eu tava tão nervoso, argh, e pra que. — ele diz, ainda sorridente. Seu coração ainda acelerado do susto. Possivelmente o melhor susto que ele já teve, afinal.
— Esta tudo bem agora. — Tsukishima limpa uma lágrima. — Vem, a gente precisa dormir.
Tsukishima guia Tadashi até a cama, para que possam deitar e descansar.
Eles não haviam tocado no assunto de que o hotel cometeu um erro em colocar uma cama de casal ao invés de duas de solteiro. Mas quer saber? Isso foi beneficente no final.
