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O momento que Pip percebeu que não tinha amigos foi um momento triste na vida do inglês. Talvez mais triste ainda foi a sua falta de surpresa a respeito disso. Ele já suspeitava desse fato a algum tempo, era difícil não suspeitar.
Sendo mais específico e esclarecendo a situação: Pip não tinha amigos em South Park, fora da cidade, na Inglaterra, ele tinha alguns. Apesar da distância, a amizade continuava firme e forte e o pequeno e eclético grupo de amigos servia como base emocional para o loiro. As únicas pessoas com quem podia conversar, mesmo que quase nunca adquirindo um tom mais sério ou sincero, onde podiam falar sobre o que sentiam; - Angústia? Medo? - sem eles Pip sabia que não duraria meio segundo em South Park.
E para ser justo, Pip já teve amigos no Colorado, -Apenas alguns meses atrás, que agora pareciam anos - primeiramente havia Damien, é claro. Como esquecer o Anti-Cristo? Eles foram colegas por algum tempo, tiveram suas dificuldades, mas mesmo assim, eles superaram.
O moreno realmente ficou chocado com o perdão do inglês, associando isso a boa alma do rapaz. Pip o deixou pensar isso, mas a verdade é que ele estava tão desesperado por algum tipo de afeto, por menor e mais insignificante que fosse, que o loiro simplesmente “esqueceu” a traição do outro - Ele é o Anti-Cristo, o que estava esperando dele?
Por um tempo, as coisas foram boas, ótimas, na verdade, pois ninguém mais, ninguém menos que Cereal de Frutas se uniu a eles. O trio formado por eles era estranho -O alien, o Anti-Cristo e o inglês - porém unido e verdadeiro.
É claro, Bradley era o mais sociável de todos e estava sempre zunindo de um lado ao outro, para o infortúnio dos outros dois, que queriam passar tempo com seu amigo. Somente seu amigo.
Não demorou muito para que Butters se juntasse a eles, trazendo consigo um tímido, mas bem intencionado Dougie. Entretanto, o trio permanecia o mesmo.
Foi a época mais feliz que Pip passou em South Park, a mais completa e calorosa.
Mas felicidade de pobre dura pouca, e Pip com certeza era pobre. O primeiro a partir foi Bradley.
“É o melhor para o mundo.” O mundo que se foda, você não pode me deixar! “Nós vamos continuar a ser amigos!” É... Claro que vamos.
Eles ainda conversavam de vez em nunca, Bradley sempre o visitando quando podia, mas não era a mesma coisa. Honestamente, Pip não sabia como conversar com ele sobre o que realmente estava sentindo. Cereal de Frutas era um herói, constantemente na mídia, constantemente sobre pressão. Como poderia ele, um simples garoto, ter problemas maiores e mais importantes que um super herói? O que eram suas inseguranças perto das de Bradley, que literalmente poderiam custar vidas? Então ele se calou, sorriu e apenas escutou.
“Promete que não vai embora?”
“É claro que sim!” Foi a resposta de Damien e Pip pode suspirar em paz; mas promessas sempre são quebradas - Ele é o Anti-Cristo! O que estava esperando dele?
A notícia de que Damien deixaria South Park para viajar o mundo e aprender as artes do caos veio primeiro. O baque veio muito mais tarde.
Essa situação era diferente, é claro, pois o moreno não queria ir embora. Pip não tinha o direito de sentir traído, mas era exatamente assim que ele se sentia. Era irracional, idiota e egoísta. Logo veio a culpa, como um soco no estômago ou um forte tapa na cara.
Não, a vítima da situação não era ele, era Damien. Forçado em uma situação desconhecida pelo pai. Ele tinha o direito de sentir raiva, medo e angústia, não Pip.
“Não vamos deixar de ser amigos.” De fato, a comunicação entre eles era mais comum, geralmente na forma de algum meme ou status nas redes sociais. Mas sempre havia algo, algum problema na vida do moreno que o jogava de cabeça na parte rasa da piscina, e esse logo ia confidenciar com Pip.
A questão é que Pip também tinha problemas, também se sentia melancólico e letárgico, também se encontrava pensando se tudo seria melhor se as coisas parassem de súbito, se vida virasse morte; mas com Damien era pior, pensamentos eram ações e como o loiro poderia sequer comparar? Ele não podia ficar pensando nessas coisas, seu amigo precisava dele. Então ele parou, sorriu e escutou.
Com Butters e Dougie não foi tão intenso. Eles apenas se afastaram, o deixando de lado quase por completo -A única exceção sendo um milagroso lampejo em que sua existência era relembrada. Trabalhos em grupo, provas, tudo o inglês fazia sozinho. A princípio ele não se importava, mas o tempo foi passando e o tédio virou solidão. Pip não confiava mais neles. Eles não iriam ajudá-lo, pois não o enxergavam sem que esse os fizesse ver.
Pip só queria alguém para conversar, alguém que o entendesse, que pudesse, por mais que o loiro atuasse, perceber que ele, talvez, não estivesse tão bem assim.
Mas não havia ninguém. Ele estava fadado a completar sua jornada sua sozinho, se a completasse.
Então ele parou, sorriu e chorou.
