Work Text:
Quebrado. Era assim que ele se sentia, ele havia matado quem feriu sua mãe, mas isso não era o suficiente. Vincenzo se sentia oco, totalmente vazio por dentro. E Chayoung não ousou sair de seu lado desde então.
“
Seus olhos ardiam, ela não sabia se era pelo cansaço ou pelas lágrimas de tristeza e acima de tudo, lágrimas de preocupação. Já passava das 4 da manhã quando ele chegou, ela ouviu o som de seus passos se aproximando dela, e se não tivesse certeza de quem estava vindo, Chayoung tem certeza de que teria gritado com a imagem à sua frente.
Vincenzo estava coberto de sangue, não havia manchas em sua calça, mas ela podia ver claramente as manchas em seus ombros, braços e principalmente em seu torso, a camisa branca de botões abaixo do terno do mafioso estava empapada de sangue, mas acima de tudo, o que mais prendeu atenção de Chayoung foi seu olhar vazio.
Ele não disse nada, chegou ao lado da advogada e sentou com ela no chão, ao lado do necrotério, e permaneceram assim, Chayoung não sabia o que dizer e Vincenzo estava preso em sua própria mente.
— Obrigado. — ele começou após alguns minutos em silêncio.
— Pelo que?
— Por ficar aqui, fazer companhia a ela. Por ter sugerido um passeio, ter feito com que nós tivéssemos um retrato juntos e pelo momento que deixou ela e eu sozinhos no parque, me sentiria muito pior agora se não tivesse esses pequenos momentos com minha mãe. Obrigado Chayoung.
E ela não iria dizer que ficou tímida, muito menos sem palavras, então fez o que seu coração queria desde que colocou os olhos nele. Se virou em sua direção, abriu os braços e o abraçou.
Vincenzo ficou rígido na hora e a advogada percebeu, mas não o soltou, na verdade, Chayoung fez o contrário, pressionou ainda mais seus braços e o prendeu a si. A posição deles não chegava nem perto de confortável, as pernas do mafioso atrapalhavam um pouco, o que fazia com que ela precisasse se esticar mais e sentir um leve desconforto, mas ela não se importou. E aos poucos, Vincenzo não se importou com o quão desconfortável era a posição, não se importou com a fachada impenetrável que ele usa a tanto tempo, não se importou de abraçar genuinamente alguém, e não se importou em segurar algumas lágrimas que ele segurava a tanto tempo.
E por estarem mergulhados em sua própria bolha de sentimentos, tanto Vincenzo como Chayoung não perceberam, mas naquele momento a relação de ambos mudou de forma significativa. Quando se levantaram do chão foi para ver o cadáver da Sra. Oh.
Após mais algumas lágrimas ambos seguiram lado a lado, não se separaram sequer quando Vincenzo entrou no banheiro masculino, e passaram os próximos minutos lá dentro, com um Vincenzo vazio e uma Chayoung limpando suas mãos e rosto.
"
Ela não havia falado nada até agora, e nem pretendia conversar sobre isso tão cedo, mas estaria mentindo se dissesse que não queria conversar sobre seus sentimentos por ele. Mas até então, o advogado italiano-coreano não estava em seu melhor estado.
Todos do prédio vinham e Chayoung atendia todos, alguns deixavam comidas, outros lamentavam e perguntavam como ele estava, a resposta era sempre a mesma “Ele está melhorando, não se preocupe por favor." não era uma verdade absoluta, mas também não era uma total mentira.
— Você poderia simplesmente perguntar o que quer saber, está ficando irritante ver você me olhando com essa cara toda vez. — Ele começou.
— Ya! Você está tão nervoso, Sr. Máfia ... como pode achar que só porque estou te olhando tenho algo a perguntar? É isso que você pensa de mim? — em troca Chayoung recebeu um olhar sarcástico. — Ok… Sr. Cassano, eu só queria saber… o que você fez com aquele cara? Não precisa me contar se não quiser, é claro.
A advogada não costumava voltar atrás ou dizer que alguém não precisaria responder alguma pergunta, normalmente ela iria insistir até que ele soltasse algo, mas nos últimos dias Chayoung não tem forçado Vincenzo a nada.
Os olhos dele vagaram pela sala de seu apartamento, perdido em seus próprios pensamentos, e Chayoung quase pediu desculpas por ter feito essa pergunta, mas interrompeu seus pensamentos e começou a falar.
— Eu fui até a sua casa e o espanquei, soquei e chutei até me cansar, amarrei ele numa cadeira e perguntei quem havia mandado matar minha mãe, ele mentiu. Usei meu isqueiro para quebrar seus dedos até ele me dizer que havia mandado, ele disse no terceiro dedo, mas continuou quebrando todos. Fiz com que ele me levasse até a casa de Jang Hanseo, atirei em seu estômago e rosto quando ele chegou ao lado da advogada Choi. — ele disse enquanto olhava fixamente para um ponto aleatório.
Vincenzo, não disse, mas se sentia como um monstro, como o monstro que era na Itália, o monstro que jurou não ser nunca mais após sair do país que se encontrava. E não se sentia arrependido, faria tudo de novo, sem sombra de dúvidas, mas, apesar de seu problema consigo mesmo, Vincenzo, não disse nada no hospital porque teve medo de ser abandonado, medo de que Chayoung se afastasse, que não conseguisse mais olhar para ele da mesma forma, que olhasse para ele da mesma forma que ele sempre se viu, como um assassino.
Chayoung saiu de trás da bancada da cozinha e sentou no sofá, junto ao mafioso, ela possuía a vontade de abraçá-lo, mas não sabia como ele iria se sentir, então apenas olhou para frente e o respondeu.
— Sabe, lembra de quando perguntei para você se já havia matado alguém? Eu já sabia a verdade, soube desde o momento em que te vi segurando um revólver pela primeira vez. Não vou mentir, não tive medo de você, mas me senti intimidada sim, não disse nada porque imaginei que não queria falar sobre isso, Sr. Cassano.
— Você… — Vincenzo olhou para os dedos e começou a brincar com eles. — não acha que sou um… um monstro por matar alguém? — voltou a olhar para Chayoung apenas após terminar de falar.
— Um monstro? Que tipo de pergunta é essa? Não. Eu vejo um homem, Sr. Cassano, um homem sincero que acredita em justiça, nem que tenha que fazer com as próprias mãos, eu não vejo um monstro, vejo um homem tentando se reencontrar. E acima de tudo, alguém que precisa de alguém para se apoiar, e é por isso que eu ‘to aqui, se você quiser desabafar ou apenas querer companhia.
— Você… aish! — ele não falou mais nada, apenas chegou mais perto e encontrou seus ombros no de Chayoung, e assim ficaram.
Quando Chayoung dormiu, mesmo sentada, não pode ouvir a fala do homem ao seu lado “Comincio a pensare che il mio tesoro sei tu, Chayoung."
Os dias começaram a melhorar, Vincenzo voltou ao trabalho na Jipuragi, sua relação com os moradores havia melhorado, e bom… agora Chayoung e ele até se abraçavam as vezes. As duas perguntas diárias sobre a máfia continuavam, era quase como se tudo estivesse normal.
As janelas de Chayoung estão prontas há um mês, mas ela ainda dorme no apartamento de Vincenzo. Nenhum deles fala sobre isso, eles apenas trabalham, e quando vão para o apartamento dormem ou levam alguma bebida para tomarem e conversarem, nenhum dos advogados percebeu, mas já havia virado uma rotina deles.
E foi num dia desses, após um longo dia, que Vincenzo colocou a cabeça em seu sofá, enquanto Chayoung dormia em sua cama, que ele pensou em todos os acontecimentos desde que chegou à Coreia. Como foi assaltado logo ao chegar, pensou no Sr. Hong, moradores do Geumga Plaza, o grupo Babel, e… pensou nela… Chayoung.
Foi ali, no escuro de seu apartamento, deitado num sofá desconfortável que Vincenzo teve uma epifânia, pensou em todas as vezes qual conversaram, quando planejavam algo, pensou em quando fingiram ser um casal, mas principalmente, pensou no beijo que deram e no dia em que sua mãe morreu.
Aos poucos, tudo começou a ficar mais claro para o advogado, as vezes em que suas bochechas quase coraram, as pontadas de nervosismo que sentia quando Chayoung insistia em ir para algum lugar perigoso com ele, como sorria mais quando estava perto da advogada, e principalmente, percebeu o que era o calor que sentia quando via Chayoung preocupada com si, quando ela o abraçava, encostava nele sem querer ou simplesmente o encarava. Perdido em tantos sentimentos que o transbordaram, Vincenzo não chegou a perceber as lágrimas que rolavam em seu rosto, lágrimas de alívio.
Após tanto tempo sem se aproximar de alguém, o mafioso sempre achou que iria acabar se matando em algum local qualquer do mundo após um de seus pesadelos, mas agora, ele começa a achar que talvez as coisas não acabem assim, talvez ele possa amar, e talvez possa ser amado de volta. Ele dormiu muito bem nessa noite.
-
Chayoung, levantou primeiro, ela viu as marcas de lágrimas em seu rosto mas não disse nada, imaginava que eram por sua mãe.
O dia foi… estranho. Vincenzo não percebeu, mas após realizar que gostava de Chayoung e estava a caminho de amar ela, começou a agir diferente, ele se retraía quando ela encostava nele ou então tentava ter mais contato, ficou mais quieto que o comum e quase gaguejou uma vez. E foi por isso que Chayoung decidiu que seria um dos dias onde iriam comprar soju e conversarem.
— Você estava estranho hoje, Sr. Cassano. — Chayoung começou depois de ambos começarem a ficarem alterados.
— Como assim?
— Ah, você estava meio… travado? Quer dizer, você não gosta de quando eu toco em você? Porque se for isso você pode me dizer, eu não gosto de pensar que estou deixando alguém desconfortável.
— Não! O que te fez pensar isso? Eu… eu… adoro quando você toca em mim, Sra. Hong.
— Mesmo? Eu só estava pensando… quer dizer… você se afastou um pouco hoje, então fiquei preocupada.
— Ah, sobre isso… não foi de propósito! Eu não sou a pessoa mais receptiva, acho que você sabe disso… mas eu gosto de quando você toca em mim.
— Anotado! Sr. Máfia! Vou fazer isso agora!
E juntando toda sua coragem, Chayoung pulou no advogado ao seu lado e começou a fazer cócegas nele.
— Se você está tentando me fazer cócegas saiba que não vai funcionar, Chayoung-ah
Pronto. Estava feito.
Da mesma forma que Chayoung precisou de coragem para pular nele e tentar fazer cócegas, Vincenzo estava juntando coragem durante todo o dia para chamá-la informalmente.
— Estamos no tratando informalmente agora, Vincenzo?
— Bom… eu não vejo problema, te conheço a meses e você até dorme aqui, mas… vou entender se você preferir continuar com o tratamento formal. — ele a respondeu enquanto coçava a cabeça.
— Eu adorei Chayoung-ah, Vincenzo.
E após isso um silêncio caiu sobre ambos, Chayoung sentada ao lado do mafioso, inclinada sobre ele, de forma com que seus rostos fiquem próximos, então antes de que fizesse qualquer coisa imprudente Vincenzo fez o mesmo que ela, se inclinou e começou a fazer cócegas nela, que se contorceu na hora.
— Isso… n-não… é… justo! — dizia a mulher entre risadas. — como... você pode… não… ter.. cócegas?
A sessão cócegas durou um pouco mais, mas quando deram por si, Vincenzo estava em cima de Chayoung, com as mãos em seus braços enquanto Chayoung parava de se debater como estava fazendo antes para fugir. O silêncio reinou entre eles novamente.
Vincenzo examinava cada traço do rosto da mulher a sua frente, e ela olhava firmemente para seus olhos levemente nublados. Quanto mais olhava mais desejo Vincenzo sentia, e quando voltou a realidade pode perceber que suas mãos já não estavam mais segurando braços alguns, uma mão se encontrava nos cabelos de Chayoung, acariciando-a levemente, e a outra estava apoiada no chão, ao lado da cintura da advogada abaixo de si.
Quando os olhares se encontraram, Chayoung soltou o que estava guardando a muito tempo.
— Me beije, por favor, Sr. Cassano, Vincenzo, me beije…
Ele não negou, ele não poderia, Vincenzo nunca negaria nada a Chayoung.
