Work Text:
Aquela criatura, de cartola e com asas angelicais, o havia acordado.
E o rato, sufocado, descobrira que sua vida havia cessado.
-Não tema, pequeno rato! Te darei um trato! - A criatura de cartola ofertou.
-Mas quem és, tu?
-Me chame de Deus Rato!
“Mas que estranho..” O rato pensou, “Como poderia deus ter uma aparência tão frágil?”
A criatura, porém, o mostrou como tornar no tempo, para aproveitar seu último dia e cumprir seu último desejo.
E assim, o rato, incrédulo com o que havia visualizado, não tinha escolha a não ser acreditar naquilo que havia sido avisado:
-Inobstante do que faça, não poderás mudar sua sina. Morrerás ao fim do dia, seja em sua gaiola ou numa ravina.
O rato, vingativo, pensou em ser furtivo:
Mataria o dono que o deixara cativo.
Mas, uma voz reverberou do buraco vazio em seu peito.
Descobriu que agora, seu coração tinha vontade própria:
-Rato, sem despeito… Matar um humano é devaneio.
Mas o rato, deixou seu Coração no escanteio, apesar de ser mantido por sua canção.
Fugiu de sua gaiola. Lutou contra uma assombração.
E em uma cabriola, abateu o chefão.
Aliviado, foi procurar alimentação;
Parado por seu Coração, ao ser atacado por um gato, descobrira que tudo havia sido uma ilusão.
E Deus Rato, não era quem aparentava:
E sua risada, amaldiçoava.
Era só uma alucinação.
Guiava ratos aos gatos, para sua proliferação.
O rato, infectado, enfrentou sua percepção.
Derrotou Deus Rato.
Mas, o rato ao refazer o dia teve uma revelação.
Aquele coração pertencia a outra criatura.
Que foi ceifada para tentar salvar-lhe de sua desventura.
Voltando novamente, e dessa vez sem retorno, o rato decidira solucionar seu transtorno:
Ao salvar aquela vida que fora removida, seria capaz de morrer em paz.
Ao libertar a criatura de sua gaiola, não se controla.
Que tipo de rato confiaria num gato?
Um que não era ingrato. E que agora, era sensato.
O gato ainda era seu coração.
