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The Viscount Who Loved Me (Larry Stylinson)

Summary:

A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para seus filhos e filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Louis Tomlinson, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva.

Logo ele decide que Gemma Styles, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Harry, o irmão mais velho da jovem, de que merece se casar com ela.
Não será uma tarefa fácil, porque Harry não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Gemma cair nas garras dele.

Ao mesmo tempo, Louis começa a sonhar com Harry, apesar de achá-lo a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração.

Adaptação da obra "The Viscount Who Loved Me" de Julia Quinn, o segundo livro da série The Bridgertons. Todos os direitos são reservados a ela!

Notes:

Olá, leitores, eu sou a Inha. Antes que você comece a sua leitura, peço que leia alguns avisos, para melhor aproveitamento e esclarecimento desta história. Vamos lá:

• The Viscount Who Loved Me não pertence a mim, mas sim à (maravilhosa) Julia Quinn, autora de mais outros livros incríveis e também pertencentes à série The Bridgertons. Julia Quinn é considerada a Jane Austen contemporânea, portanto, qualquer encantamento pela história se deve ao talento dela.

• Para quem não conhece a série, esta história se trata do segundo livro. E, antes que surtem por eu não ter postado o primeiro livro, estejam cientes de que se trata de uma série com livros independentes, cada um contando as respectivas aventuras amorosas de cada irmão Bridgerton (aqui, o que seria equivalente a cada irmão Tomlinson).

•Para vocês se localizarem: essa adaptação se trata do irmão mais velho, Anthony.

• Considero o conteúdo leve, de uma leitura tranquila e engraçada, porém, isso não significa que não terão cenas quentes (smut), nas suas formas mais explicitas. Mesmo que o livro não detalhe, irei pedir licença à Julia Quinn para detalhar esses momentos ao meu modo (rs). Aliás, já deixo como aviso para aqueles que morrem (e me matam) por questões de "quem é o tops, quem é o bottom": será REVEZAMENTO. Faço isso porque sou legal e quero agradar a todos. Além disso, a leitura se tornará ainda melhor caso vocês ignorarem a personalidade ou físico do Harry ou do Louis na história, claro que em termos de quem é ativo ou passivo. Apenas apreciem o fato de eles serem, aqui, um casal que aprecia o ato e a versatilidade!

• A história se passa no século XIX, e é claro que homossexuais não eram aceitos como começaram a ser há pouco tempo. Nesse tempo, na Inglaterra, por exemplo, foram enforcadas muitas pessoas acusadas de sodomia, o que é muito triste de se imaginar. Contudo, aqui está uma oportunidade para imaginarmos um século XIX em que todos eram aceitos. Se trata, como eu disse, de uma leitura tranquila, e exatamente por isso eu não irei me preocupar em acrescentar os horrores da homofobia. Tudo fluirá naturalmente, assim como Julia Quinn pretendeu ao escrever a sua versão, eu prometo.

• Adiciono esse aviso devido aos comentários que obtive na primeira vez em que postei a fic (no Wattpad). Como já dito, a fanfic é DE ÉPOCA e, apesar de eu fazer uma pequena alteração cultural para que a história tenha sentido e não seja abruptamente mudada (homossexualidade aceita pela sociedade, etc), eu não poderia mexer em algumas características presentes no livro e no contexto histórico no qual a trama se insere, como por exemplo as tradições machistas (sabe aquele negócio de noite núpcias?). Há traços comportamentais do Louis que, caso eu mudasse, acarretariam em várias outras alterações de *enredo*.
Por mais que alguns tenham dificuldade em entender o que vou falar agora, esse é um fato: a arte TAMBÉM possui o dever de retratar a realidade de forma denunciativa e, como Julia Quinn desejou, optando pela verossimilhança. O que quero dizer é: Louis (Anthony) é sim um jovem que participa do patriarcado, que tem dificuldades em reconhecer certos direitos, mas, ao meu ver, de maneira MUITO mais moderada que os demais homens de sua época (até porque ele tem seus momentos ~~levemente asquerosos~~ mas volta atrás e é cutucado pela própria narrativa + se fosse um TOTAL escroto eu nem sequer gostaria da história para adaptá-la aqui). Por isso, é necessário que vocês SAIBAM APRECIAR O DESENVOLVIMENTO DO PERSONAGEM (apreciar, tipo: entender o amadurecimento dele, SEM ACHAR LEGAL, mas entender que é um processo). *Esse assunto é muito delicado meu deus*. Por isso, não comecem a ler com o nariz torcido. Não é nada que não seja corrigido pelo desenvolvimento do personagem!

• Caso estejam interessados em mais histórias, e mais do que isso, em trabalhos de autoria totalmente minha, eu também escrevi Blue Jeans (larry stylinson, fanfic gângster). Está completíssima! Só procurar nas minhas obras do Wattpad (hescurlyboy) ou aqui mesmo.

O prólogo está logo a seguir! Espero que gostem da história tanto quanto eu já gosto :)

With all the love as always,
Inha.

Chapter 1: ⊱ PRÓLOGO ⊰

Chapter Text

                                                     

 

Louis Tomlinson sempre soube que morreria jovem.

Não, não na infância. O pequeno Louis nunca teve motivos para refletir sobre a própria mortalidade. Seus primeiros anos de vida, desde o nascimento, foram o sonho de qualquer menino.

Ele era herdeiro de um antigo e abastado viscondado. Ao contrário de outros casais aristocratas, porém, os Tomlinson’s eram muito apaixonados um pelo outro e consideravam o nascimento de seu primeiro bebê a chegada de um filho, não só a de um herdeiro.

Portanto, não houve festas nem festivais; nenhuma comemoração além do olhar orgulhoso que os pais lançaram à criança.

Mark e Johannah foram pais jovens. Ele acabara de completar 20 anos e a esposa tinha apenas 18, mas eram sensatos e fortes, e amavam o filho com uma intensidade e uma devoção raramente vistas em seu círculo social. Para horror de sua mãe, Johannah insistira em amamentar o bebê, e Mark nunca concordara com a visão geral de que os pais não deviam conviver nem conversar com os filhos. Ele levava o menino em longas caminhadas pelos campos de Kent, falava-lhe sobre filosofia e poesia antes mesmo que ele compreendesse as palavras e lhe contava, todas as noites, uma história para embalar seu sono.

Como o visconde e a viscondessa eram muito jovens e apaixonados, ninguém se surpreendeu quando, apenas dois anos depois do nascimento de Louis, um irmãozinho mais novo, batizado com o nome de Liam, juntou-se a ele. Mark logo adaptou a rotina diária para levar os dois filhos em suas caminhadas e passou uma semana metido nos estábulos trabalhando com o coureiro para criar uma mochila especial que mantivesse Louis preso às suas costas enquanto o bebê, Liam, ia em seus braços.

Os três percorriam os campos e cruzavam riachos, com o pai discorrendo sobre coisas maravilhosas – flores perfeitas, céus azuis e límpidos, cavaleiros em armaduras reluzentes e donzelas em perigo. Johannah costumava achar graça ao vê-los retornar com os cabelos revoltos pelo vento e queimados de sol, e ao ouvir Mark dizer: “Viu? Aqui está nossa donzela em perigo. Nós temos que salvá-la!” Louis se lançava nos braços da mãe, rindo ao jurar protegê-la do dragão que cuspia fogo e que eles tinham visto a apenas três quilômetros na estrada que levava à aldeia.

– Três quilômetros? – sussurrava Johannah, com a voz mais horrorizada que era capaz de produzir. – Meu Deus, o que seria de mim sem três homens fortes para me proteger?

– Liam é um bebê – observava Louis.

– Mas ele vai crescer – costumava responder a mãe, desgrenhando os cabelos do menino –, assim como você. Ainda vai crescer muito.

Mark sempre tratara os filhos com o mesmo afeto e devoção, porém, tarde da noite, quando Louis aninhava o relógio de bolso dos Tomlinson’s no peito (que Mark, que o recebera do próprio pai em seu 8o aniversário, lhe dera quando completara oito anos), gostava de pensar que sua relação com ele era especial. Não que Mark o amasse mais – na época os irmãos Tomlinson’s já eram quatro (Zayn e Charlotte nasceram bem próximos um do outro), e Louis sabia muito bem que todos eram muito amados.

Não. Louis gostava de pensar que sua relação com o pai era especial simplesmente porque ele o conhecia havia mais tempo. Afinal, por mais que Liam conhecesse o pai, Louis sempre teria dois anos a mais que ele. E seis a mais que Zayn. Quanto a Charlotte, bem, além de ser uma menina (que horror!), ela conhecia o pai oito anos inteirinhos a menos que ele e, como Louis gostava de lembrar, seria sempre assim.

Mark Tomlinson era simplesmente o centro do universo do filho mais velho. Era alto, tinha ombros largos e sabia montar um cavalo com a desenvoltura de quem já nascera fazendo isso. Sempre sabia as respostas das perguntas de aritmética (mesmo quando nem o tutor era capaz de chegar ao resultado), não via razão para os filhos não terem uma casa na árvore (e construiu uma) e sua gargalhada era a mais calorosa que existia.

Ele ensinou Louis a cavalgar. A atirar. A nadar. Levou-o pessoalmente ao colégio Eton, em vez de enviá-lo em uma carruagem com criados, como a maior parte dos pais fazia. E, ao ver o rapaz lançar um olhar nervoso à escola que se tornaria seu novo lar, teve uma conversa em particular com ele e lhe prometeu que tudo ficaria bem.

E ficou. Louis nunca duvidou disso, afinal, seu pai nunca mentira para ele.

O garoto amava a mãe. Faria qualquer coisa para mantê-la em segurança e feliz. Mas, ao crescer, tudo o que fazia – cada realização, cada objetivo, cada sonho e esperança – era dedicado ao pai.

E então, um dia, isso mudou. Era engraçado, refletiu mais tarde, como a vida de alguém podia mudar num único instante, como tudo podia ser de um jeito num minuto e, no seguinte, simplesmente se transformar em algo... Diferente .

Aconteceu quando Louis tinha 18 anos e fora passar as férias de verão em casa. Estava se preparando para o primeiro ano em Oxford. Frequentaria a mesma faculdade do pai e sua vida era tão maravilhosa quanto a de qualquer rapaz aos 18 anos. Havia descoberto as mulheres e – talvez melhor ainda – descoberto os homens também, sendo um bissexual assumido. Os pais ainda se reproduziam animadamente, somando Félicité, Phoebe e Ernest à família, e Louis fazia o possível para não revirar os olhos ao passar pela mãe no corredor, grávida do oitavo bebê! Era um pouco inconveniente, na opinião dele, dar à luz naquela idade, mas o rapaz guardava as opiniões para si.

Quem era ele para duvidar da sabedoria de Mark? Talvez também ainda quisesse mais filhos na avançada idade de 38 anos.

Foi em um fim de tarde que Louis soube. Estava retornando de uma longa e agitada cavalgada com Liam e havia acabado de passar pela porta da frente de Aubrey Hall, o lar ancestral dos Tomlinson’s, quando viu a irmã de 10 anos sentada no chão. Liam ainda estava nos estábulos por causa de uma aposta ridícula que exigia que o perdedor escovasse os dois cavalos.

Louis parou abruptamente ao ver Charlotte. Se era estranho vê-la sentada no chão do salão principal, era mais esquisito ainda flagrá-la chorando.

Ela nunca chorava.

– Lottie – chamou ele, hesitante, ainda jovem demais para saber o que fazer ao ver uma mulher em prantos e imaginando se algum dia saberia –, o que foi...

No entanto, antes que pudesse terminar a pergunta, a menina ergueu a cabeça e a profunda tristeza naqueles grandes olhos azuis atravessou-o como uma faca. Ele recuou alguns passos, sabendo que algo estava muito errado.

– É o papai – murmurou a menina. – Ele morreu.

Por um momento, Louis teve certeza de que ouvira mal. O pai não podia estar morto.

Outras pessoas morriam jovens, como o tio Hugo, mas ele era pequeno e frágil. Bem, ao menos menor e mais frágil que Mark.

– Você está enganada – disse à Charlotte. – Tem que estar enganada.

Ela balançou a cabeça.

– Foi Félicité que me disse. Ele estava... Ela estava...

Louis sabia que não devia sacudir a irmã enquanto ela soluçava, mas não pôde evitar.

– Ela quem , Charlotte?

– Uma abelha – sussurrou a menina. – Ele foi picado por uma abelha.

Por um momento Louis não pôde fazer nada além de fitá-la. Finalmente, com a voz rouca e irreconhecível, falou:

– Um homem não morre por causa de uma picada de abelha, Charlotte.

Ela não respondeu, ficou apenas sentada no chão enquanto se sacudia convulsivamente, tentando conter as lágrimas.

– Ele já foi picado uma vez – acrescentou Louis, e sua voz soou mais alta. – Eu estava com ele. Nós dois fomos picados. Passamos por uma colmeia e uma abelha me picou no ombro. – Sem se dar conta, ergueu a mão e tocou o local atingido tantos anos antes.

Acrescentou num murmúrio: – E outra o pegou no braço.

Charlotte o encarou com uma expressão assustada.

– Ele ficou bem – insistiu Louis. Podia ouvir o pânico na própria voz e sabia que estava deixando a irmã apavorada, mas não conseguia se controlar. – Um homem não pode morrer por causa de uma picada de abelha!

Ela balançou a cabeça, com os olhos claros aparentando de repente um grande cansaço.

– Foi uma abelha – afirmou novamente. – Félicité viu. Num minuto ele estava de pé ali e no outro estava... Estava...

Louis sentiu algo muito estranho crescendo dentro dele, como se estivesse prestes a explodir.

– E no outro ele estava o quê , Charlotte?

– Morto.

O rapaz deixou a irmã sentada no salão e subiu os degraus de três em três até o quarto dos pais. Não era possível que Mark estivesse morto. Um homem não podia morrer por uma picada de abelha. Era impossível. Uma loucura. Mark Tomlinson era jovem e forte. Alto, com ombros largos e músculos poderosos. Por Deus, nenhuma abelhinha insignificante poderia tê-lo derrubado.

Mas quando ele alcançou o salão do andar de cima, percebeu, pelo silêncio absoluto das dezenas de criados que aguardavam ali, que a situação era grave.

E seus rostos de compaixão... Pelo resto de sua vida, Louis seria atormentado por aquela imagem.

Ele achou que precisaria abrir caminho até o quarto dos pais, mas os criados lhe deram passagem imediatamente e, quando Louis empurrou a porta com violência, já sabia.

A mãe estava sentada na beirada da cama, sem chorar nem emitir som algum, apenas segurando a mão do marido enquanto se balançava lentamente para a frente e para trás.

Mark estava imóvel. Imóvel como um...

Louis não queria nem mesmo pensar na palavra.

– Mamãe – disse ele com dificuldade.

Ele não a chamava assim havia anos. Desde que saíra de Eton, ela se tornara “mãe”.

Johannah se virou devagar, como se tivesse ouvido a voz dele muito longe.

– O que aconteceu? – murmurou Louis.

Ela balançou a cabeça e desviou os olhos, impotente.

– Não sei – respondeu.

Seus lábios permaneceram entreabertos, como se ela quisesse dizer mais alguma coisa e tivesse esquecido o quê.

Louis adiantou-se com movimentos desajeitados e grosseiros.

– Ele se foi – disse Johannah enfim, com a voz bem baixa. – Ele se foi e eu... Ah, meu Deus, eu... – Pôs uma das mãos na barriga redonda. – Eu disse a ele... Ah, Louis, eu disse a ele... – Ela parecia prestes a desmoronar. Louis engoliu as lágrimas que queimavam seus olhos e faziam sua garganta arder e se colocou ao lado dela.

– Está tudo bem, mamãe – falou.

No entanto, ele sabia que não era verdade.

– Eu disse a ele que este seria nosso último bebê – continuou ela, ofegante, soluçando no ombro do filho. – Falei que não poderia ter outro, que teríamos de tomar cuidado e... Ah, Deus, Louis, eu faria qualquer coisa para tê-lo aqui e lhe dar outro filho. Não entendo. Simplesmente não entendo...

Louis segurou sua mão enquanto ela chorava. Não disse nada. Parecia inútil tentar dar voz à dor em seu coração.

Ele também não entendia.

 

***

 

Os médicos vieram mais tarde, à noite, e se mostraram igualmente desconcertados. Já tinham ouvido falar sobre mortes assim, mas nunca em alguém tão jovem e forte. Mark era tão enérgico, tão vigoroso... Ninguém jamais poderia imaginar. Era verdade que o irmão mais novo do visconde, Hugo, morrera de forma inesperada no ano anterior, mas não se podia dizer que esse tipo de coisa era necessariamente um problema familiar. Além disso, embora Hugo tivesse morrido sozinho, ao ar livre, ninguém notara nenhuma picada de abelha em sua pele.

De qualquer forma, não procuraram por uma.

Ninguém poderia ter previsto aquilo, continuavam a repetir os médicos, até que Louis sentiu vontade de estrangular todos eles. Finalmente, pediu que fossem embora e pôs a mãe na cama. Instalou-a em um quarto desocupado, porque Johannah ficara muito agitada ao pensar em ficar na cama que dividira durante tantos anos com o marido. Louis também conseguiu pôr os seis irmãos para dormir, dizendo-lhes que eles conversariam pela manhã, que tudo ficaria bem e que ele tomaria conta de todos, tal como o pai teria desejado.

Então, foi até o aposento em que o corpo de Mark se encontrava e olhou para ele demoradamente. Fitou-o durante horas, quase sem piscar.

E, ao deixar o pai, saiu com uma nova visão da vida e uma nova consciência sobre a própria mortalidade.

Mark Tomlinson faleceu aos 38 anos. E Louis simplesmente não podia imaginar-se superando o pai de forma alguma, nem mesmo em idade.