Chapter Text
Kirishima Eijiro
Tudo pronto. Nenhum ponto fora do lugar, nenhuma frase desconexa ou um acento faltando. E, agora, chegávamos à parte mais difícil de todo o processo — certo, talvez eu esteja exagerando — salvar o documento sem que o Word estrague tudo. Copiei todo o conteúdo escrito, colei em um bloco de notas e então salvei o arquivo no Word. Rezei enquanto esperava a tela “desbugar” e pude ver que tudo havia dado certo.
É claro que não havia motivos para ser tão precavido, porém eu já tinha perdido uma matéria inteira por causa do meu Word crackeado por Denki e, por causa disso, salvar qualquer coisa sempre me deixava ansioso pelo medo de perder tudo o que já tinha escrito.
Agora que eu já conseguira salvar com sucesso minha matéria, eu apenas precisava enviá-la para o e-mail de Yaoyorozu, torcendo para que ela parasse de ficar trocando mensagens com Jirou — ou qualquer outra coisa que ela estivesse fazendo — para ler.
A minha ideia era genial, única e com certeza ganharia a aprovação da minha adorada amiga/chefe. Caso não fosse aprovada, eu tinha certeza que os próprios alunos fariam alguma coisa para que a matéria fosse publicada. Era um estudo minucioso que deveria ser levado a todos para que nossa convivência pudesse se elevar ao nirvana: “As 10 maneiras de como não irritar Bakugo Katsuki”.
— Isso não pode ser sério, Kirishima. — Yaoyorozu segurava alguns papéis, o óculos para leitura no rosto e a cara de decepção em minha direção lhe conferiam uma aparência de CEO fria e calculista de fanfics — O jornal é coisa séria, não estamos aqui para ficar criando matérias para que nossos leitores riam, queremos passar informação e combater a ignorância.
Assenti, fingindo que tinha entendido tudo o que ela dissera. Yaoyorozu era muito culta para viver em meio a ‘nozes’, meras ‘arveres’ no jardim de Deus.
— Mas, olhe, é informação. Eu quero que nossos leitores possam saber como lidar com o grande inimigo da sua paz interior: os gritos de Bakugo para com algum coitado que o irritou.
Momo Yaoyorozu, nossa bela e culta presidente do Clube de Jornalismo, parecia ter chegado à conclusão que todos a minha volta já haviam chegado: eu era um idiota sem salvação. Ela retirou seus óculos, passou as mãos pelos cabelos — provavelmente pensando em um jeito de me fazer desistir da minha matéria genial —, até que seus olhos se iluminaram e eu tive certeza que nada de bom aconteceria dali em diante.
— Certo, Kirishima. Eu vou aceitar que sua matéria seja publicada — Estava prestes a comemorar, no entanto ela continuou antes que eu pudesse fazê-lo. —, porém você terá que provar que tudo o que está listado realmente deixaria Bakugo, hum, putasso.
Ah, claro, é só testar tudo o que escrevi no Bakugo e... ESPERA O QUÊ?
— Eu vou morrer antes de conseguir publicar a matéria. — Tive que me controlar para não gritar aquilo e fazer com que todo o resto do mundo soubesse que minha sentença de morte havia sido assinada por uma garota rica e um pinscher humano.
— É o único jeito, não posso publicar algo se as fontes não são confiáveis.
— Mas eu entrevistei os amigos do Bakugo e...
— Acho melhor você se apressar — ela disse, olhando para um relógio de parede. — Afinal, as aulas já estão quase para começar.
E foi com essa rima que minha vida virou de cabeça para baixo.
Após conseguir vencer a sangrenta batalha para comprar alguma coisa que tinha sido feita naquele dia na cantina, me juntei aos meus amigos na nossa mesa de sempre.
Mina estava comendo alguma coisa fitness , com salada e essas coisas, porém eu sabia que no final todas as calorias salvas seriam perdidas por causa de um chocolate que ela tentava esconder no bolso. Kaminari e Sero discutiam sobre coisas importantes, como por exemplo o porquê de a nossa fruta preferida influenciar em nossas escolhas. Já Ayoama estava... bom, brilhante como sempre.
— Então, eu gostaria de me despedir. Talvez essa seja a última vez que me irão me ver com vida.
Dramático? Nenhum um pouco.
— Certo, qual vergonha você passou dessa vez? — Mina perguntou me perguntou, colocando seu lanche natural de lado.
— Não foi vergonha. Eu escrevi uma matéria genial e agora preciso fazer uma, hum, pesquisa de campo.
— Kirishima, é aquela matéria sobre irritar o Bakugo?
Eu assenti.
— Você tá morto. — Sero deu a sentença final, enquanto Mina assentia, Kaminari olhava para mim como se eu já estivesse morto e Ayoama perguntava o que estava acontecendo, já que estava prestando atenção em si mesmo.
— Essas realmente vão ser suas últimas palavras?
— Eu, hein, até parece que quem vai morrer sou eu.
— Kiri, você não precisa fazer isso — Mina era sempre a voz da razão do grupo, minha grande amiga, a única que se preocupava com o meu ser... —, mas caso faça, grave. Eu vou ganhar muitas visualizações.
Olhei para ela extremamente ofendido.
— Não acredito que fui capaz de te dar a senha do meu Twitter .
— Kiri, não quero estragar sua saúde mental, porém o Bakugo acabou de entrar. — Kaminari apontou para o loiro raivoso, o cerne de todos os meus problemas. — É uma ótima oportunidade. Qual o primeiro item?
Assisti Bakugo chegar até a mesa onde o pessoal do seu grupinho sempre ficava — como eles o aguentavam ainda era um mistério para mim. Iida e Uraraka discutiam algo, enquanto isso Tsuyu fazia suas missangas, Todoroki e Bakugo discutiam e Midoriya tentava parar a briga. O problema era: Midoriya era o motivo da briga.
— Primeiro item — suspirei, eu não iria conseguir passar nem do primeiro. — Seja o Midoriya.
É, eu estava fodido, definitivamente.
