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Language:
Português europeu
Stats:
Published:
2021-05-25
Words:
783
Chapters:
1/1
Kudos:
1
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1
Hits:
8

É a morte que nos faz iguais

Summary:

Agora estava relegado nessa região esquecida por o homem civil, no meio dos instintos mais baixos, por razões que não podia compreender completamente.
E não gostava de não compreender.

Work Text:

Estou a começar a estudar português, espero que seja pelo menos compreensível. Tenham piedade, por favor :')

 

É a morte que noz faz iguais

 

Não sabia dizer o que o tinha guiado na escolha.

Talvez a escuridão.

Talvez o frio ou a desesperação.

Talvez a memória do homem morto nesses lugares anos atrás, para dar-lhe a sua enésima parte de imortalidade.

Fez a sua escolha, e agora a sua essência vagueava ao longo daquela manta espessa de árvores nas encostas do monte Gramoz.

Havia algo que o encantava na Albânia.

Talvez o cheiro de morte, estagnado, a vista da miséria, da dor.

Todo parecia acentuado pelos sentidos dos animais que possuía, por a absurda necessidade de ter um corpo.

Rondava a floresta, no corpo para nada renitente dum lobo. Vislumbrava à distância as luzes da aldeia de Dardha, um brilho fraco e tentador, que parecia quase atirá-lo.

O animal tinha fome, podia sentir isso.

Teria rido, se o instinto não o tivesse cegado, se a fisionomia da besta não lhe tivesse impedido isso.

Tinha sobre ele um controlo quase total, mas não podia parar os impulsos, tanto de chegar a perguntar-se se na realidade não fossem os seus.

Não tinha muita familiaridade com os animais. A única ligação com esse reino incompreensível era representado pelas cobras, que considerava muito superiores às outras espécies para pode-las mesmo chamar bestas.

Pensou, com uma nostalgia que não lhe pertencia, ao Basiliscos fechado na Câmara Secreta. Pensou no poder que tinha tido um tempo, e ele era a égide melhor. Pensou no corpo sem vida da rapariga na casa de banho de Hogwarts e foi invadido por uma espécie de... excitação.

O Basiliscos matava com o olhar, era majestoso, era letal.

E tinha sido em seu poder, até que tinha tido um corpo.

Agora estava relegado nessa região esquecida por o homem civil, no meio dos instintos mais baixos, por razões que não podia compreender completamente.

E não gostava de não compreender.

De repente, endureceu.

O lobo, o talvez ele, tinha sentido algo. Um cheiro, uma esteira, uma traça que conhecia muito bem.

Era o cheiro do medo.

Começou a correr, sem parar, a seguir o perfume quase inebriante, que ao aproximar-se embelezava-se com o aroma do sangue. Fresco, jovem.

Depois viu-o. Era um rapaz, deitado no chão. Mantinha-se um tornozelo, chorava.

A sua dor estava quase palpável.

A terror no seu rosto quando vislumbrou o animal fez-o sentir poderoso como nunca antes. Não imputava o medo à aparência do lobo, mas à essência que morava nele. Pela primeira vez desde que estava forçado àquela vida ao meio, sentia-se de volta si mesmo, de volta mestre das suas ações.

Houve só um momento de inseguridade, uma impasse, entre a vontade do lodo de fugir e a sua. A vontade de matar, para demonstrar de poder ainda ser temido, embora só por um miúdo no meio duma floresta em Albânia.

Concentrou-se, e foi como se a inseguridade dissolvesse-se. Aproximou-se cuidadosamente dele, a ver os seus olhos esbugalhar-se mais e mais a cada passo leve, desprovido de ruído na terra húmida.

Mo... mos lënduar mua.” murmurou, a chorar. Não me magoe. Outra vez, o louco desejo de sorrir permeou-o.

Era um animal, e um animal joga com a refeição antes de comê-la.

Quando foi bastante perto, apoiou o focinho no seu ombro, protetor. Leu a gratidão no seu rosto apenas adolescente, viu o choro começar a diluir-se entre os sorrisos, inseguros.

Sorrisos, que se desligaram num repentino suspeito quando o animal abriu a boca. Impercetivelmente, mas o instinto de conservação que mora em todos os seres humanos deu o alarme.

Da gratidão ao suspeito à certeza. E nem sequer teve o tempo para gritar.

A sua garganta rasgou-se com um ruído surdo baixo os caninos afilados do lobo. Caiu, indefeso, os olhos ainda abertos.

Voldemort ficou muito tempo parado, a olhar para ele.

Por alguma reviravolta do destino, o rosto petrificado pela morte fez-lhe lembrar pela segunda vez naquela noite a rapariga morta na casa de banho.

O Basiliscos, como ele naquele instante. As serpentes, seres particulares, superiores.

Contudo, cada animal torna-se igual a todos os outros quando mata.

O homem também.

Negou a saciedade ao lobo, a forçá-lo a afastar-se daquela carne que começava a desejar.

Não ia sujar-se mais do necessário. Tinha estado suficiente tomar aquela vida, certamente inútil, para deixar a sua impressão nesses lugares.

Foi-se embora, devagar. Cheio duma sensação de puro êxtase, como de volta aos alvoreceres do poder, ao nascimento da reputação que tinha tido medo fosse extinta, mas que só ficava adormecida.

A Morta tinha voltado a visitar aqueles lugares, a levar consigo a marca de Lord Voldemort.

Desprovido dum corpo, mas regressado.