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"Posso passar aí?"
Aquele não era um pedido estranho, na verdade, Iwaizumi estava familiarizado demais com a pergunta. Acostumado desde criança a receber o amigo na sua casa depois da aula para brincarem juntos e, quando mais velhos, para treinarem um pouco mais de volêi ou simplesmente jogar conversa fora até altas horas da noite.
Mas algo estava estranho nas últimas semanas. Oikawa parecia distraído, distante. Seus saques estavam ótimos como de costume, suas provocações com os colegas mais velhos faziam os mais novos rirem sem falha, mas durante as aulas e os intervalos entre o treino do clube sua mente parecia estar em outro lugar, pensando em algo que ninguém era capaz de descobrir.
Iwaizumi sabia dos planos do garoto sobre continuar jogando vôlei profissionalmente, ele mesmo já havia admitido para o amigo que não pretendia continuar o esporte depois que saísse do ensino médio, na verdade já estava pesquisando bolsas de estudo nos Estados Unidos e as aulas de inglês começavam a tomar boa parte de seu tempo livre. Mas havia outra coisa ali, a maneira como Oikawa parecia estar constantemente preocupado e como ele se esquivava de perguntas diretas sobre o quê o incomodava, não era algo normal e deveria ter outro motivo para sua mudança nos últimos dias.
Então Iwaizumi não hesitou em responder "sim" segundos depois que aquela primeira mensagem chegou.
Oikawa não levou muito tempo para chegar à casa Iwaizumi, afinal os dois moravam muito perto um do outro, ele cumprimentou a mãe do amigo educadamente quando ela atendeu a porta, mas não se estendeu na conversa como costumava fazer e foi em direção ao cômodo da pequena casa que conhecia muito bem depois de tantos anos. Ele sequer falou com Hajime antes de se sentar na beirada da cama do garoto e esconder o rosto em suas mãos.
"Ei, você tá bem?" Iwaizumi colocou uma de suas mãos nas costas de Oikawa.
Não era a primeira vez que ele via o garoto desse jeito, mas isso nunca deixava de preocupá-lo. Ver Tooru, uma pessoa tão brilhante e determinada, sentindo-se tão opaco e inseguro fazia seu coração doer. Palavras não importavam agora, Oikawa era uma pessoa de ações, então, quando ele virou o rosto para o outro garoto — e Hajime pôde ver seus olhos (vermelhos e inchados) e bochechas molhadas pelas lágrimas - ele não precisou pensar duas vezes antes de puxar Tooru para seus braços.
O alívio que Oikawa sentiu foi expresso através de mais lágrimas e um soluço que saiu de sua garganta. Ele se agarrou a Iwaizumi como se tudo fosse desmoronar caso ele o soltasse. Palavras não eram necessárias, um deles tinha que desabafar seus medos e inseguranças e o outro estava ali para segurá-lo. Eles ficaram assim por alguns minutos, mas o tempo parecia ter parado ao redor dos dois, Tooru com sua cabeça apoiada no peito de Hajime enquanto esse o abraçava forte, apenas tendo um ao outro para tomar conta deles mesmos naquele instante.
Em algum momento, Oikawa parou de chorar, ele se soltou de Iwa para que pudesse secar o rosto com as mangas da blusa. Ele ainda parecia acabado, como se estivesse chorando muito antes de chegar à casa do amigo e Iwaizumi não conseguia parar de pensar há quanto tempo estaria ele guardando toda essa angústia para si mesmo.
"Desculpa" disse com a voz ainda embargada pelo choro e fungando o nariz. "Isso provavelmente parece bem idiota."
"O quê? Você agindo como se nada te incomodasse e que você é invencível? Sim, isso parece bem idiota."
Oikawa abriu um pequeno sorriso e secou outra lágrima prestes a cair. Era desconcertante a maneira como Hajime o conhecia.
"Tooru" ele o chamou em um tom mais suave, "você sempre pode vir aqui e falar comigo sobre o que quer que esteja te incomodando."
"Eu sei. É só que... parece que se eu fizer isso então vou incomodar você com os meus problemas e você já tem um monte de coisas para resolver." Disse enquanto olhava para baixo e mexia seus dedos em suas mãos.
Hajime o puxou para outro abraço, um muito quente e aconchegante, aquele tipo de abraço que você se sente seguro e compreendido mesmo depois de ter saído dele.
"Você nunca me incomodaria" o mais baixo disse enquanto pressionava o rosto no cabelo macio de Oikawa. "Caso me incomodasse eu teria parado de falar com você uma semana depois que a gente se conheceu."
"Iwa-chan!"
Agora foi a vez de Iwaizumi sorrir. Ele se deitou na cama e puxou Oikawa, ainda em seu abraço, junto. Se mexeram um pouco para que ambos ficassem mais confortáveis com a nova posição. Quando estavam resolvidos, houve um acordo silencioso de que Oikawa passaria a noite ali.
"Estou com medo", admitiu de olhos fechados e pronto para dormir.
“Eu também", respondeu, "mas nós vamos ficar bem."
