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Good Old-Fashioned Lover Boy

Summary:

"- Não estou te pedindo em casamento ainda, é só um encontro. - Louis sorriu. - Um não, me dê cinco!
- O que? - Harry perguntou confuso.
- Cinco encontros e eu faço você se apaixonar por mim."

Uma shortfic sobre a descoberta, permissão, intimidade e carinho. Sem dramas profundo e dores, apenas dois adolescentes bobos lidando com a paixão pela primeira vez.

Playlist da história: "pech." no spotify

@mybravelouist no twitter

Notes:

Digo e repito em qualquer mínima oportunidade que tenho, eu amo escrever sobre o amor! E aqui estou eu novamente espalhando palavras que na minha cabeça abstrata fizeram algum tipo de sentido. É tão bom poder estar de volta!

Good Old-Fashioned Lover Boy é uma história curta, sem dramas profundos, que retrata pura e simplesmente a visão de dois adolescentes bobos lidando com a paixão pela primeira vez.

Aqui está o link da playlist que me inspirou durante todo o processo de escrita: https://open.spotify.com/playlist/1WwVbJ3tKmHAMkPNvwiniE?si=164ee13915b44c15 cada pedacinho dessas músicas me lembra deles.

Espero que vocês possam se apaixonar através dessa paixão e sentir o conforto de ter um pouquinho mais do que o mundo tanto precisa: amor.

Todo o meu carinho está aqui para você!
- Milky

Chapter 1: Prólogo

Chapter Text


Hey boy where did you get it from?
Hey boy where did you go?
I learned my passion
In the good old fashioned school of lover boys

- Good Old-Fashioned Lover Boy, Queen

 

Não sei muito bem como começar isso,

mas os seus beijos não são fáceis de esquecer.

Me ligue, Lou!

- C

— Os seus beijos não são fáceis de esquecer. — Liam declamou as palavras rabiscadas no bilhete com um tom de voz dramático e imitando uma feição exagerada de paixão.

— Me ligue! Ó, Louis, me ligue! — Niall entrou na brincadeira, olhando para o teto e espalmando a mão direita no peito.

Tomlinson bateu a porta do seu armário com uma força desnecessária, sendo finalmente possível ver seu rosto de puro tédio e uma pitada de irritação. Em seguida os cantos de sua boca se repuxaram em um sorriso forçado e ele levantou seu dedo do meio na direção dos meninos, fazendo com que eles se deliciassem numa gargalhada.

— Idiotas. — Enfiou o pedaço de papel entre as folhas de seu caderno e mirou os olhos no fim do corredor, um local específico onde era atraído todos os dias. Para sua surpresa, encontrou um par de olhos verdes o observando, que logo tomaram outra direção. — Quem eu quero que me escreva, não escreve. — Murmurou mal humorado.

Os três começaram a caminhar, Liam e Niall trocando olhares cúmplices.

— Meu Deus, não faço ideia de quem pode ser... — Payne provocou.

Os dois amigos não tinham dúvidas, já que desde o primeiro dia do aluno novo na escola Louis falava sobre ele, sobre o olhar dele, sobre o jeito que ele prestava atenção nas aulas, sobre tudo. Tantas e tantas vezes que havia se tornado extremamente repetitivo de se ouvir.

— Será que é Harry Styles, Liam? — Horan perguntou irônico. — Minha dupla no laboratório de química... — Se gabou.

— É sério que você precisa jogar isso na minha cara todo santo dia? — Louis revirou os olhos. — Eu te odeio.

— Não odeia, isso é só inveja.

Sim, era inveja e ódio. Ódio genuíno do professor que bagunçou o esquema de formação das duplas e estragou todos os seus esforços para que ele e Harry acabassem juntos. Maldito Sr. Golberman, inimigo da união de almas gêmeas!

— O mundo é muito injusto. — Tomlinson choramingou. — Química de verdade é o que nós dois temos.

— Espere, você está querendo dizer que não gosta de fazer dupla comigo? — Liam perguntou com uma entonação muito ofendida.

— O seu nome por acaso é Harry Styles? — Revidou parando em frente a uma máquina de guloseimas; enfiou uma nota de 5.

— Não.

— Então não, Liam, eu não gosto de fazer dupla com você. — Tomlinson revirou os olhos e apertou impaciente o número 6, os três observando cair um pacote de M&M's.

— Você está obcecado por ele. — Niall falou, seu rosto começando a se iluminar por um sorriso enquanto voltavam a andar.

— Eu não estou obcecado... ele só é muito, muito, muito lindo. — Chacoalhou a cabeça para ajeitar a franja e deu de ombros. — E gay.

— Cara, supere! Ele já te deu tipo uns 45 foras. — Liam soltou, direto, deixando um tapinha no ombro do amigo.

Louis sabia que não era verdade, ele não é idiota. Desde o primeiro contato, desde o primeiro sorriso que recebeu como resposta à um flerte, ele sentiu a atmosfera entre os dois. Harry jogava o jogo dele, mas de alguma forma sempre escapava antes do gol final.

Era como se ele gostasse de ser cortejado, mas alguma coisa ainda o impedia de levar aquilo adiante. Não era um problema, no fim das contas, porque Tomlinson também gostava de cortejar na mesma intensidade; gostava da sensação de excitação que percorria seu corpo, gostava de se sentir envolvido...

Ao entrar na sala, os olhares deles se encontraram mais uma vez, Louis ofereceu um sorriso acompanhado e um aceno de cabeça, Harry retribuiu, logo voltando a copiar algo em seu caderno.

— Cuidado para não babar. — Niall disse passando em direção ao seu lugar.

O loiro se sentou teatralmente na bancada ao lado de Harry, que estava logo na frente de Liam. Tomlinson sabia que ele fazia de propósito, em toda aula de química era obrigado a aguentar esse teatro. Ele odiava os seus amigos.

— As duplas se dividirão, um fica responsável pelo relatório, enquanto o outro fica encarregado da execução da experiência. — O professor explicava enquanto distribuía alguns papéis entre os alunos. — Os materiais estarão reunidos na minha mesa, quem ficar responsável pela parte prática poderá ter acesso.

— Quer ficar com a experiência? — Louis ouviu Niall perguntar baixo.

— Pode ser. — Harry respondeu.

— Eu fico com a experiência! — O menor se apressou para falar para Liam.

— Não, eu odeio relatório! — Disse e em seguida se deparou com a face de puro ódio e fúria de Louis, com direito a narinas dilatadas e mandíbula cerrada. — Ah entendi... Quer ficar com seu namorado na mesa do professor. — Brincou jogando pequenos beijinhos no ar.

— Cale a boca, idiota. Ele vai ouvir! — Impulsionou o cotovelo contra a barriga do amigo, que se encolheu.

Em seguida lançou os olhos na direção de Styles, mas ele continuava prestando atenção nas instruções normalmente. Mesmo tivesse percebido, não seria a primeira vez em o menor passaria esse tipo de vergonha na frente dele.

Certa vez, quando almoçavam na mesma mesa, Niall soltou a pérola: "Harry, sabia que o Louis fala muito sobre você?" e ele sentiu a mais pura vontade de enfiar o rosto no prato do hambúrguer.

A experiência contava com algumas substâncias dispostas em tubos de ensaio, como tartrazina e azul de metileno; o objetivo era atingir a mistura ideal, e assim analisar aspectos como a solubilidade e uso de catalisadores.

Eles chegaram perto dos materiais lado a lado, ouvindo as orientações do professor enquanto executavam os passos. Louis não ousou se mover porque não queria se afastar, mas em contrapartida Styles também não havia mexido nem um músculo.

— Quer ajuda? — Louis perguntou, se aproximando um pouco mais, braços quase roçando um no outro.

Foi o que conseguiu dizer depois de tanto tempo pensando em como puxar um assunto. Nem ele sabia como fazer o experimento, iria ajudar no quê?

— Você acha que está bom? — Retrucou sem tirar os olhos concentrados do seu becker. Cabeça inclinada e cachos caindo nas bochechas.

— Tente colocar um pouco mais. — O menor agarrou um tubo amarelo e olhou diretamente para Harry. — Tem que ficar um verde bonito, assim igual ao dos seus olhos.

Styles parou para então finalmente devolver o olhar, seus lábios abrindo um sorriso tímido; em seguida baixou a visão até a mão de Louis e pegou o tubo que lhe foi oferecido.

— Obrigado.

— Pelo tubo ou pelo elogio? — Provocou travesso.

— Os dois. — Respondeu e Tomlinson percebeu que a covinha na bochecha dele ainda estava presente, profunda, sinal de que ali havia um sorriso.

— Você é tímido. — Concluiu depois de um tempo o observando, sua experiência química parada e totalmente esquecida na mesa.

— Só quando me elogiam. — Harry disse se esticando para agarrar o azul de metileno. — Não estou acostumado com elogios.

— Que mentira... — Louis soltou uma risada nasalada, voltando a segurar seu becker. — Eu sempre te elogio. — Deu uma olhada rápida para o lado, a tempo de ver as bochechas do maior ganhando um tom fraco de vermelho.

— E agora? Acha que ficou bom? — Levantou a mistura na altura do rosto de Tomlinson.

O menor, por sua vez, segurou o punho de Styles, e empurrou até que o recipiente estivesse ao lado do rosto do maior, e então passou alguns segundos alternando o olhar entre o líquido e o olho de Harry, sobrancelhas franzidas em análise.

— Acho que é impossível atingir um tom tão perfeito de verde. — Deu de ombros, Styles sorriu largo. — Mas está bom.

— Você é engraçado...

— Sabe o que é mais engraçado do que apenas eu no laboratório? — Perguntou. Harry olhou, prestando atenção. — Nós dois no cinema, a gente deveria testar qualquer dia desses.

— Eu preciso estudar. — Respondeu rindo e negando com a cabeça.

— Mas eu nem disse o dia. — Arqueou as sobrancelhas. — Você é um pretendente muito difícil.

— Então eu sou seu pretendente? — Foi a vez de Harry provocar.

— Era o meu plano. — Deu de ombros.

— Me sinto lisonjeado. — Passou a mão nos cabelos enquanto umedecia os lábios, Louis sentiu um tremor na barriga, borboletas seria muito clichê? — Mas eu sou novo aqui, e sei lá... Estou bem sozinho.

— Não estou te pedindo em casamento ainda, é só um encontro. — Sorriu.

De repente uma ideia inusitada iluminou sua mente.

— Um não, me dê cinco! — Continuou animado.

Harry franziu as sobrancelhas em confusão.

— Cinco encontros e eu faço você se apaixonar por mim. — Louis completou.

O que ele poderia ter à perder? Nada além da oportunidade de estar na companhia de Harry Styles por cinco longos encontros. Poder realizar todas as fantasias e diálogos ensaiados na sua imaginação por tanto tempo. Fazê-lo rir, escutar sua voz, poder olhar em seu rosto sem parecer um maluco. Deus, ele estava tão ansioso!

— Você está falando sério? — O maior perguntou desacreditado.

— Eu garanto!

— Tipo uma aposta? — Quis saber com um sorriso no rosto. Era tão absurdo que chegava a ser engraçado.

— Pode ser o que você quiser.

"Você pode me atropelar com um carro e eu ainda assim irei te agradecer", Louis pensou mas talvez fosse esquisito demais dizer.

— Eu queria poder aceitar, mas-

— Sem mais! Não precisa responder agora, pode pensar um pouco. — Tomlinson tentou convencê-lo, lançando um olhar pela sala para garantir que ninguém mais ouvia. — Você acabou de dizer que quer aceitar.

— Acho que não vai rolar...

— Achar não é ter certeza. — Falou dando uma piscadela.

— Não vai rolar, Louis.

Harry voltou para o seu lugar com sorriso pequeno, encarando o chão durante todo o caminho. O menor foi logo atrás, tomando seu próprio lugar. Ambos atrapalhando Niall e Liam que conversavam em sussurros.

— Chamei Harry para sair. — Ele anunciou orgulhoso.

— Sério? — Payne perguntou surpreso. — E o que ele respondeu?

— Ele disse que vai pensar. — Louis não tirou os olhos de Styles, que virou ao ouvi-lo, os cantos de sua boca se esticando em um sorriso absolutamente maior.

O resto do dia para Harry foi absolutamente perdido, sua mente o obrigando a reviver aquela proposta inúmeras vezes sem sua autorização, enquanto tentava controlar o canto dos lábios que queriam se repuxar toda vez que lembrava de Louis. A primeira coisa que fez ao chegar em casa foi se jogar na cama e ligar para Zayn, amaldiçoando a distância entre eles pela milésima vez.

— Então ele finalmente te encurralou? — O moreno perguntou rindo do outro lado da linha.

Obviamente Malik já estava familiarizado com essa nova figura na vida do seu melhor amigo, sendo obrigado a ouvi-lo falar sobre esse tal de Louis desde a primeira vez que os dois conversaram, na fila do refeitório, e Tomlinson jogou alguma cantada envolvendo as covinhas de Harry.

— Sim. — Styles respondeu no mesmo tom. — Você acredita?

— Ele tem atitude, isso eu tenho que admitir. — Harry ouvia roendo as unhas, um sorriso brincando em seu rosto. — O que você vai responder?

— Não sei.

— Quais são os motivos para não aceitar? Você não disse que ele é, tipo, muito gato?

— Ele é! — Choramingou. — Mas... sei lá, eu terminei um namoro para vir para cá. Estou bem sozinho, é muito mais simples estar solteiro.

— Você sabe que seu namoro não terminou por causa da mudança, terminou porque estava uma merda. — Zayn disse naturalmente. — Eu fico feliz que você esteja se sentindo autossuficiente solteiro, mas isso não pode te impedir de conhecer pessoas novas.

É difícil balancear esse sentimento e estabelecer um limite entre estarmos bem sozinhos e ao mesmo tempo também permitir que novas pessoas cheguem para nos fazer companhia. Depois do fim de seu relacionamento, Harry ouviu demais sobre "se amar em primeiro lugar e não precisar de mais ninguém", agora ouvia novamente sobre a importância de se permitir dividir experiências... é confuso.

— Eu sei. — Suspirou. — Ele é realmente legal.

E lindo, e engraçado, e inteligente, e também não gostava de maçã porque nunca pegava uma no refeitório. Enfim... e muitas coisas.

— Você não precisa dizer mais nada, está obviamente interessado. Sua vida é aí agora, e eu odeio isso também, mas você precisa se permitir viver experiências e criar memórias. — O moreno abriu a porta do seu guarda-roupa e Harry ouviu o rangido, conseguindo imaginar exatamente o cenário em que o amigo estava. — Não precisa virar nada sério se você não quiser.

— Você está certo.

— Eu sempre estou. — Revirou os olhos. — O menino é um gato, engraçado, tem atitude e te quer... Pelo amor de Deus! Aceite logo!

E então, depois de meia hora e sete tentativas de frases diferentes, Harry finalmente enviou a mensagem:

"Tudo bem, aceito sua proposta. Mas já vou avisando que sou realmente um pretendente muito difícil. Esteja preparado para perder. Xx"

Mais dez minutos checando o aparelho e o celular apitou com uma resposta:

"Primeira mensagem e já ganhei beijos no final? Admita logo que eu já ganhei ;)"