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Sanji estava em um sério dilema entre ignorar sua maior deusa do universo batendo incansavelmente na porta de seu dormitório ou entregar a situação vergonhosa e estúpida que se encontrava. Não queria que Nami o visse daquela forma, ela era muito inteligente e perceberia no mesmo instante o que estava rolando. Mas, ele cedeu ao ouvir a ameaça de nunca mais poder admirá-la e abriu a porta, dando visão a uma cama completamente bagunçada.
Com seu maior sorriso, ele concordou com tudo que a ruiva falava, sem contestar nada. Era melhor assim, quanto antes Nami fosse embora, melhor seria, por mais que fosse triste não ter mais a magnífica presença dela. Sanji viu o lindo sorriso nos lábios ainda mais lindos quando ela conseguiu o que queria e estava se despedindo e já se virando para ir embora. Ele suspirou aliviado, lembrando que precisava respirar e puxou bastante ar para seus pulmões. Estava tão preocupado que suava frio e sentia um arrepio em sua espinha.
No entanto, assim que ia fechar a porta, o demônio emergiu das trevas e apareceu, fazendo todo seu esforço ir por água abaixo. Sanji se amaldiçoou e prometeu a si mesmo que jamais perdoaria aquela planta sem cérebro.
— O que quer, bruxa? Veio explorar ainda mais esse idiota? — Zoro que havia acabado de sair do banheiro apenas com uma toalha enrolada em sua cintura disse da forma mais grosseira possível. — O chuveiro já está livre, ero-cook.
Claro que Zoro tinha que piorar ainda mais a situação, parecia que cada palavra que saía da boca dele era com o único objetivo de acabar com a vida do loiro, tudo friamente calculado.
— Nami... Não... Não é nada disso que está parecendo. — No mesmo instante, Sanji se desesperou ainda mais, achando que sua amada iria confundir as coisas e não entenderia o motivo daquele imbecil estar em seu dormitório saindo de seu chuveiro depois de um claro banho. — Ele só... Sabe, o chuveiro dele está quebrado...
— Haa? — Zoro ficou confuso com aquela afirmação, não fazia nenhum sentido e não era verdade. Por que raios o idiota estava dizendo algo tão absurdo? — Queria eu que estivesse mesmo, assim não seria forçado a tomar um banho estúpido, mas está normal, infelizmente.
O moreno revelava tudo de forma tão inocente que nem dava para ficar irritado, mas Sanji ficava e jurou que o jogaria pela janela do milésimo andar ou algo assim. Sanji bateu a palma da mão na própria testa, sentindo-se ainda mais burro que aquela alga suja.
— Pare de mentir, estúpido. Já esqueceu que quebrou... O chuveiro... — Sanji olhou na direção do outro, fazendo uma expressão que indicava que ele deveria seguir com o planejado e contar uma mentira qualquer que justificasse Zoro estar em seu quarto. Para sua infelicidade, Zoro apenas ficou ainda mais confuso e franziu o cenho deixando claro que não ia entender a careta dele. Então Sanji tentou apelar, movendo os lábios na ilusão de que o único neurônio queimado daquele imbecil funcionasse uma vez na vida...
— Quebrou... O... A... — Em uma clara confusão, o moreno tombou a cabeça para o lado e estreitou os olhos para tentar ler os lábios rosados do loiro. — Cama...? Oh, sim. A minha cama quebrou e estou dormindo na mesma que o cook, por isso a minha está arrumada.
Foi o que Zoro conseguiu ler. O tapa estalado que Sanji deu na testa outra vez indicava que estava mais enganado que tudo. Se antes a sua situação já estava péssima, agora não só o moreno havia entregado que estava tomando banho no seu banheiro, como dormindo em sua cama. Estúpido. Completamente sem cérebro.
— É burro como uma pedra. — Sanji suspirou derrotado e desistiu de tentar, Zoro era realmente estúpido e sem condições, só restou voltar o olhar para sua linda princesa e implorar por clemência com seus lindos e adoráveis olhinhos azuis brilhantes.
— Sabe, Sanji, eu não suspeitaria de nada se você não tivesse reagido dessa forma, mas assim está claro que vocês estavam transando pouco antes de eu chegar aqui. — Nami constatou o óbvio e o loiro parou para pensar que talvez seu desespero tenha sido o que o entregou de bandeira para a ruiva.
Só restou a ele sorrir constrangido e concordar com ela, como sempre fazia, provando que até em tal situação continuava sendo um capacho patético que lambia até as botas sujas dela.
— Além disso, não é como se alguém do campus não soubesse que vocês estão juntos, é tão óbvio que chega a ser vergonhoso. — A formosa ruiva se virou para ir embora e deixar de assistir o teatrinho que seu capacho... Amigo estava apresentando. — Ah, Sanji, só lembrando, vocês... São colegas de quarto...
O queixo do loiro caiu com aquela realização, fazendo-o lembrar que de fato eles dividiam aquele dormitório e nada do que inventou teria sentido. Ele viu sua deusa virando o corredor e desaparecendo de sua visão, ficando estático por alguns minutos como um espantalho, percebendo o quão estúpido agiu.
— Por um instante achei que ia querer tentar sexo a três, ainda bem que não era isso, sabe que eu não curto essas coisas. — A voz de Zoro surgiu irritantemente próxima de seus ouvidos, arrepiando-o dos pés à cabeça. Sanji não quis sentir tesão, mas era inevitável, porém, seu maior sentimento, era ódio.
— É realmente mais burro do que uma pedra. — O loiro suspirou e fechou a porta, desistindo de argumentar com alguém que deixava seu cérebro em modo de descanso o dia todo durante todos os dias.
— Como uma pedra pode ser burra se nem tem cérebro? — Claro que Zoro precisava provar ainda mais o que já estava provado desde o instante em que se conheceram. Não tinha como explicar, ele só era incapaz de compreender a situação e necessitava dar argumentos concretos para o loiro implicar com ele.
Sem nenhuma paciência, Sanji se trancou no banheiro e tomou um demorado banho para relaxar, pensando que talvez sua orientação sexual fosse mulheres e idiotas, não bissexual como costumava pensar.
