Work Text:
É uma tarde ensolarada, um belo dia de folga para a escola de Jujutsu em Kyoto. Sem se lembrar como exatamente conseguiu chama-lo para sair, Miwa se encontra em frente do metrô nervosa em seu vestido rodado a espera do Kokichi.
- Desculpe te deixar esperando, demorei?
Seu coração dispara e corada ela se vira ao sentido do vento. Sem olhar diretamente para ele, Kasumi o responde.
- N-Não, cheguei faz pouco tempo...
- Como tem estado sua família? Você foi visita-los, certo?
- S-Sim! Estão todos bens! Não sou uma total inútil, os bicos que tenho feito sendo feiticeira Juju realmente estão ajudando.
- . . .
- . . .
- O-O que acha que irmos no fliperama?
Miwa acena a cabeça de acordo e de forma rígida anda junto do Muta.
■ ■ ■ ■ ■
Já desinibidos pela conversa do trajeto até o fliperama, eles compram as fichas e fazem uma aposta: O perdedor do dia irá bancar o lanche dos dois e com as fichas contadas decidem então escolher os jogos que irão se enfrentar.
- Street Fight!
- Já imaginava que diria isso, então escolho Dance Dance Revolution.
- Eu jogo qualquer coisa Miwa, menos DDR.
- Não tem escapatória Kokichi, desafio dado é desafio feito!
- Er... Não tenho escolha...
O nervosismo que era visto do início já havia desaparecido, apesar de não mostrar normalmente, é perceptível a competitividade entre eles.
Dificilmente os estudantes de Jujutsu teriam um tempo desse para uma disputa entre risos e conversa despojada, por um momento pareciam adolescentes normais com vidas comuns aproveitando sua juventude.
No fim, o resultado foi um tedioso empate. Com o pôr do Sol, sentados em um banco de praça virado para a baía, Kasumi come uma maçã do amor ao mesmo tempo que conversa.
- Até que enfim uma folga e o dia passou tãooo rápido, injusto!
Suspirando Mura responde - Nem me lembre, só de pensar me sinto cansado.
- Kokichi se você fosse um animal, qual você seria?
- Hã? Porque isso do nada?
- Por nada, só estava pensando que se eu pudesse com certeza seria um pássaro!
Mura solta uma risada e indaga - O que você acha que eu seria?
- Um gato.
- Um gato?
A jovem começa a ficar ruborizada e fecha seus olhos para falar.
- É, você é como um gato então consigo imaginar. Mesmo que tente se esconder atrás do Mechamaru, você não consegue. Apesar de se mostrar distante, você se preocupa com todos a sua volta. Sempre está junto, então sei que posso confiar em você como você confia em mim.
- . . .
Sem uma resposta, ela abre os olhos olhando para baixo e o que deveria ser a maçã se tornou o comunicador do Mechamaru.
- Porque não disse nada? Não confia em mim?
- A situação saiu de controle...
- É porque eu sou fraca?
- Não. Eu sou o fraco.
Sem entender o rumo da conversa ela observa o horizonte e ao olhar novamente, é a maçã do amor em sua mão.
- Eu cometi um erro. Falhei por ser fraco...
- Do que você está falando? Não tem problema-
- Havia uma pessoa que eu amava e imaginei que não importava com o mundo que vivêssemos, eu gostaria de estar ao lado daquela que eu amo.
Muta se levanta e anda até a grade “olhando” para a baía e de costas continua a falar. Desesperada Miwa solta a maçã e se levanta em resposta.
- Chegou a hora Miwa...
- NÃO, NÃO DIGA ISSO!!
- Adeus e obrigada.
Kokichi vira para a jovem que rapidamente fecha seus olhos por ser cegada pela luz do entardecer.
- Miwa... Encontre sua felicidade.
Ao abrir seus olhos Miwa se encontra deitada em sua cama apavorada. Era tudo um sonho. O garoto que a acompanhou, não parecia ser o Mechamaru ou como ela o imaginou fisicamente. Consistia em um amontoado de rabiscos e somente sua voz era compreensível.
Aquelas palavras, aquelas últimas palavras se repetiam em sua mente mesmo que de forma inconsciente. Não tem como aquilo ser considerado um sonho se o final é sempre o mesmo.
Apática, Kasumi estende sua mão na mesa de cabeceira e pega o comunicador do Mechamaru e senta em sua cama com seus olhos cheios de olheiras tampados por sua franja. Ela aperta com suas mãos o apetrecho no peito e chora, chora como se tudo se repetisse e sentia do fundo do seu coração que não existia mais felicidade para ela.
Por ela, aquele sonho de uma tarde divertida a dois, nunca teria fim.
